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4.3 Vers une infrastructure de gestion de composition d’applications

5.2.3 Composition bas´ ee sur les descriptions

Foi, portanto, no interior de um quadro bastante complexo que uma nova ordem mun- dial veio à tona após a Conferência do SBW, alimentada pelas condições políticas e econômicas do período e mantida, com as mudanças abaixo indicadas, após a 2ª Guerra. Os conflitos e as latentes contradições envoltos no período de transição e as possibilidades contidas nas ações de cada um dos atores da época, nacional e geopoliticamente considerados, leva à criação de uma onda de novas instituições nacionais e internacionais, implicando na criação da Organização das Nações Unidas e de seus instrumentos na área militar, econômica e diplomática, quais sejam, a OIT, o FMI, a FAO, OMC, o Banco Mundial e as de natureza regionais.

O FMI emerge em 1945 no interior de um quadro referenciado, segundo as visões e interesses das classes sociais, pelos objetivos desenhados pelo Plano H. White.30 Seu fundamento de última instância, para a nova ordem mundial, desenha-se naquele período que converge para a grande depressão, onde se formam as visões consensuais de repúdio à velha ordem liberal, viabilizando, através dos trabalhos de J. Keynes e das condições políticas daquele momento histórico, uma postura de aceitação da legitimidade de todas as demandas sociais e políticas em confronto, passíveis de serem negociadas entre as classes sociais e dirigidas, de uma forma ou de outra, para uma acomodação no interior das políticas estatais.

Viabilizou, igualmente, a tramitação de um conjunto de entendimentos, concentrado na proposição do livre comércio, entendido como comércio para todos os países livres ou o multilateralismo nas transações comerciais e um princípio de estabilidade econômica, centrada,

30As oposições políticas ao Plano, tanto nos USA, como no Reino Unido, estão em S. PRESSNELL, in:(BORDO

essa última, na ideia de um ajuste automático, via taxa de câmbio administrada em comum acordo, para os desequilíbrios do balanço de pagamento, entre os 29 países iniciais participantes, porém, sem intervenção nas políticas nacionais internas, as quais mantinham sua independência relativa.

Visto no conjunto, o SBW terá sua dinâmica integrada a essa condição política, mais geral, dependendo continuadamente das composições e coalizações políticas que se formam no interior dos Estados nacionais, respondendo às suas contradições internas, e consequente expansão de seus interesses de classes para fora, alargando, e não diminuindo, os problemas mais gerais do exercício das soberanias e do próprio conceito de Estado. Isso pode, empiricamente, ser observado na nova ordem mundial, a qual se abria e sustentava a inserção do poder político e das atividades econômicas dos EUA, que se voltava, agora ao final da guerra, para fora.

As razões para tanto são conhecidas. Em primeiro lugar, especialmente a entrada

norte-americana diretamente no conflito bélico (MARTEL, 2007, cap. 21). Em segundo lugar,

as demandas econômicas provenientes desse quadro. Aqui, cabe à exportação do seu capital produtivo e das atividades bancárias que a perseguia, presas no primeiro caso, nas condições ditadas pela grande depressão e depois pela economia da guerra e, não menos importante, frente à real possibilidade da desarticulação desse aparato, no pós-guerra, levar a um contexto econômico recessivo, jogando a economia norte-americana de volta às condições tidas no momento de paralisia e crise de entre guerra.

A expansão da atividade financeira é, também, submetida a este movimento para fora, atrelada aos financiamentos demandados pela guerra e renegociação das dívidas dos países nela envolvidos direta e indiretamente e, ainda, interessados na recuperação do valor dos empréstimos não cancelados, acumulados como dívidas, principalmente europeus e latino-americanos, ao

longo dos anos de 1930-40 (KINDLEBERGER, 1989, p. 241-50), já projetando o dólar como a

moeda chave para o comércio mundial, moeda de troca e de reserva de valor ao nível internacional. Ambas, demandariam, portanto, formas novas de reprodução do capital e da manutenção da riqueza, no tempo, cujo objetivo mais imediato, para tanto, concentrava-se na ruptura do seu isolacionismo histórico (PAULY, 1998, p. 82-6).

Se a imensa quantidade de ouro retido pela economia norte-americana no imediato pós-guerra, a inconversibilidade e o rígido controle sobre as moedas nacionais, especialmente as europeias, no período, junto com os impactos causados pela devastação social da guerra, com o aumento significativo do conflito político (ELEY, 2002, cap. 15;18) e com os problemas decor-

essa movimentação norte-americana, por seu turno, isso frustra qualquer veleidade real de uma ação de cooperação internacional, realizando-se da maneira prevista pelos países participantes, no pós-guerra, naqueles termos do recém-criado Fundo de estabilização.

Seus elementos estruturantes não saíram do campo das intenções, de tal maneira que o que deve ser ressaltado, parece ser o quanto a teoria prática sobre o contexto histórico, no qual e apoiava foi insuficiente para abarcar todas as nervuras necessárias ao seu efetivo funcionamento, levando a que p.ex., B. Eichengreen, não demonstrasse surpresa em observar que, “Em retrospecto, a crença em que esse sistema poderia funcionar foi extraordinariamente ingênua.”(EICHENGREEN, 2000, p. 137). E, para o seu desempenho mais geral, ainda expressasse

seu previsível não funcionamento, nos seguintes termos:31

O sistema de taxas fixas ajustáveis revelou-se uma contradição em termos: mudanças na paridade, especialmente por parte dos países industrializados situados no centro do sistema, foram extraordinariamente raras. A monitoração do FMI revelou-se um leão desdentado. Os recursos do Fundo tornaram-se rapidamente muito pequenos diante do problema dos pagamentos no pós-guerra e a cláusula de escassez de divisas, concebida para punir os países cujas políticas ameaçassem a estabilidade do sistema, nunca foi aplicada. (Negritos nossos);(Cursivas do autor).

Portanto, não se encontrará, nessa teoria, a maneira pela qual a economia capitalista recupera-se de seu quadro de guerra, transformando-se na prática que informa a recuperação, o que é um paradoxo para seus atores. Pelo contrário, essa recuperação pouco demandou das concepções e visões contidas na formulação do plano acordado em Bretton Woods e tornou-se rapidamente dependente das condições políticas observadas a cada Nação, e, em especial, dos Estados europeus e da economia norte-americana, levando a solução, hoje bastante conhecida tanto da reconstrução da Europa, como da política expansionista dos EUA e de sua congênere política de segurança para a Ásia, em especial, frente à movimentação chinesa e ao fim da guerra no Japão.32

Evidente que, respaldada nos efeitos econômicos da guerra, a matriz industrial norte- americana beneficiou-se dos estimulantes esforços necessários a suprir as demandas bélicas. E, no contexto da reafirmação desse seu paradigma industrial, terminou por realizar e efetivar

31(Id., loc. cit.

32M. Bordo, p.ex., em The Bretton Woods International Monetary System, demonstra a fragilidade da ação do

FMI, nas três maiores situações de desequilíbrio e ajuste cambiais para a França, Inglaterra e o Canadá, em 1947-48, quando suas ações demonstraram-se estéreis. (BORDO MICHAEL D. E EINCHEGREEN, 1993, p. 46).

todo um conjunto de inovações tecnológicas associadas à intervenção militar e, igualmente, financeiras, gestando, no tempo, um novo padrão industrial altamente beneficiado pelo processo de reconstrução da Europa. Produção em massa, surgimento das grandes empresas, represamento da renda pessoal nos EUA, desenvolvimento da indústria automobilística e a difusão do uso do petróleo garantiam o atendimento de bens duráveis, para a sociedade que ia se formando, ao mesmo tempo em que carregou mudanças fundamentais à indústria de bens de capital, viabilizando a condição mais geral, de longo prazo para o pós-guerra, que lhe deu novo curso. Se:33

O dinamismo apresentado pelo grande capital monopolista norte-americano em todo o pós-guerra significou, assim, um desbordamento de sua estrutura indus- trial e de seus padrões de consumo, através de uma nova forma de articulação da economia mundial.

A reconstrução política e econômica da Europa, por seu turno, esteve fora das avaliações trazidas em cena por ambos os Planos, de White e de Keynes, e escapou às concepções e ideais de remontagem da nova ordem mundial. Porém, afirmou-se como uma prática prioritária, alavancando, desavisadamente, os recursos políticos e materiais, necessários às teorias práticas sustentadoras do novo sistema, inclusive atualizando as visões adiantadas, equivocadamente, para o SBW. É importante, ainda, enfatizar que, segundo Kindleberger:34

Durante o período de recuperação,a o Fundo e o Banco (Mundial) permane-

ceram à margem, já que a reconstrução foi financiada pelo Plano Marshall. Somente em 1958, com a desvalorização do franco e a conversibilidade da libra, pode-se dizer que o sistema de Bretton Woods tenha realmente entrado em operação. (No parêntese, adição nossa)

aKindleberger refere-se ao período do fim da guerra a 1948.

Nota-se, porém, que, ao ser assim e, ainda, defasadamente em relação às práticas do pós-guerra, ambas as movimentações –o poder político americano e a reconstrução da Europa pelo Plano Marshall– constituíram-se na forma de um núcleo duro, ordenador de todas as demais práticas, que se desenrolam ao nível mundial no pós-guerra. Certamente, esse núcleo duro configurador, um novo substrato ao novo Poder Político, ao Príncipe, que tem origem nas

33L. COUTINHO e L. BELLUZZO, em:(BELLUZZO, 1983, p. 37-55). 34(KINDLEBERGER, 1989, p. 250).

condições pelas quais os estados europeus e não só os europeus, se defrontaram com suas tensões e conflitos políticos internos naquele período.35

Conflitos esses que decorrem, tanto da situação vivida no momento imediato entre as guerras (H. BELL in: MARTEL. op.cit.), como da destruição do seu sistema social e político, mais ainda, das consequências políticas decorrentes da consolidação, expansão e significado

político da experiência socialista da União Soviética36. Igualmente, resultou de mudanças

políticas que ocorreram no interior da sociedade norte-americana, impulsionados por um novo paradigma industrial,37pela expansão internacional do seu sistema financeiro monetário,38e as tensões políticas e sociais próprias a essas transformações, as quais haviam sido acumuladas desde o início do século XX (GRENVILLE. op. cit. cap. 5), convertendo-se em lutas políticas que expressam a nova condição do pós-guerra nos EUA, i.é., a entrada no cenário político norte-americano da classe trabalhadora na disputa do poder político (GRENVILLE, 2005, p. 355):

A medida mais importante de 1947 fora provavelmente o Act Taft-Hartley, o qual limitava o poder dos sindicatos. O recorde das greves sindicais e as rupturas que tinham causado, levavam sua aceitação para fora dos ciclos organizados dos trabalhadores e o veto de Truman à proposta de Lei, foi derrubado pelo Congresso. (Trad. nossa).

Evidentemente, isso implicou no redesenho das políticas de bem estar social, dos diversos tipos de “keynesianismos”, acalentado pelas forças sociais, em luta, pela reconstrução do sistema mundial. Os recursos financeiros e políticos destinados ao Plano Marshall, 1948, e a perspectiva de um novo conflito militar, agora entre dois mundos, apressam aquela dinâmica, ao mesmo tempo em que deram a devida dimensão real aos efeitos dos acordos do SBW, ao final da década de 1950, resgatados os EUA do seu isolacionismo.

Tanto aqueles quesitos envoltos com o mundo do trabalho, a intensificação das lutas políticas que levam a programas reformistas e socialistas para o coração do Estado, bem como aqueles decorrentes da questão monetária, fiscal e das divisas nacionais e o retorno do

35A doutrina Trumann e o Plano Marshall, sabe-se, foram intervenções políticas para contraporem-se a ascensão,

em geral, dos movimentos da esquerda europeia, (ELEY. op. cit. p. 300).

36(ELEY, op. cit. cap. 18) . 37J. Engel, in: (Martel, op. cit.).

38Esse processo consta em A. Teixeira, Estados Unidos: a “curta marcha” para a hegemonia, in:(FIORI, 1999,

crescimento econômico europeu, terão, nesse núcleo duro, seus maiores alargamentos. Sabe-se hoje, que a maior ou menor convertibilidade das moedas nacionais, coroaram esse processo.

Eis o contexto histórico, mais geral, de subordinação dos interesses das classes dos banqueiros ao longo de todo esse processo. Se, por um lado, a ascensão da classe dos banqueiros no interior dos objetivos acordados em Bretton Woods, através de “uma confiança inabalável nas virtudes da moeda forte em geral e do padrão ouro em particular”(ARRIGHI, 1996,

p. 288), não pôde ser descartada. A qual, desde já, se respaldava em um quadro posto pela necessidade da manutenção da riqueza, no tempo, e também, em função do financiamento da manutenção e reconversão dos processos econômicos vinculados à guerra, mais ou menos de forma generalizada para todos os países.

Por outro lado, esses interesses não puderam responder, nesse período, pela totalidade da configuração da nova ordem mundial, posto que se subordinam politicamente, após seu predomínio ao final do séc. XIX (HOBSON, cap. X), à regulação do capital pelo Estado (ARRIGHI, op. cit). Não obstante, sua permanência é ofertada como um prólogo para cenários futuros.

Portanto, naquilo que é decisivo à época, foi o Plano Marshall que possibilitou que as teorias práticas sobre a abertura comercial, estabilidade financeira e extinção do protecionismo se tornassem efetivas. Essencialmente, ao opor-se às possibilidades das transformações políticas à esquerda, não só na Europa, o plano favorece as condições mais gerais de afirmação das visões, interpretações e práticas informadas, vinculadas, de maneiras diferenciadas, ao liberalismo domesticado pelas concepções do Estado de bem estar dominante, no momento do pós-guerra.

Em suma, articulados aos objetivos dos novos acordos do Plano Marshall, se seguem os novos interesses americanos, os quais vistos em seus desdobramentos futuros inventam as práticas teóricas necessárias ao novo cenário mundial.39

39Para mais sobre a reconstrução do pós-guerra, (DORNBUSCH RUDIGER. NÖLLING; LAYARD., 1993), em especial

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O Sistema de Bretton Woods e sua