2 Materials and Methods
3.2 Comparison of p-Values
propiciou um grande ganho para a Educação de maneira geral, principalmente para a educação no Ensino Superior. Afinal, as Instituições de Ensino Superior (IES) não têm dado conta de atender a de crescente demanda de vagas em suas instituições. Desta forma, surgiram as primeiras experiências de Educação a Distância (EaD) a fim de suprir a falta de vagas no Ensino Superior.
Para isso, foi criado em 2006 o Sistema Universidade Aberta do Brasil (UAB) para ampliar significativamente a oferta de vagas à população e permitir o acesso ao ensino público e gratuito, estimulando a discussão sobre os processos de garantia da qualidade também nessa modalidade. Assim, surgiram várias iniciativas em EaD para ofertar cursos de extensão, especialização e graduação na modalidade a distância, primeiramente os de
Pedagogia e licenciaturas, que foram autorizadas pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação nº 9.394/96.
O Sistema UAB teve e ainda tem o grande desafio de diminuir ao máximo as barreiras e os preconceitos contra a modalidade educacional virtual em nosso país. E de acordo com Mill et al. (2008) preconceito esse que advém, na maioria das vezes, do fato de se desconhecer as características da formação a distância ou da não compreensão de como as interações entre professor e aluno ocorrem e se organizam, uma vez que o ambiente tradicional da sala de aula se desfaz e com ela a necessidade da sincronicidade das relações sociais. Em outras palavras, o autor aponta a questão do redimensionamento dos tempos e espaços da educação tradicional como algo que transforma as formas “consolidadas” de ensinar-aprender e isso sempre gera resistência, insegurança e preconceitos sobre a modalidade de EaD.
De acordo com Mill et al. (2008) o surgimento da EaD trouxe novas figuras profissionais no trabalho docente e, consequentemente, também emergiram novas maneiras de organização do fazer docente que no ensino presencial a responsabilidade era a de um único docente, na modalidade virtual passam a ser divididas com uma equipe polidocente, na qual cada um é responsável por uma etapa do fazer docente.
A equipe docente da EaD é categorizada por Mill (2010b) como polidocente e esta equipe polidocente é composta, embora não em todas as IES públicas, mas em sua grande maioria, pelos professores conteudistas, professores formadores, tutores virtuais, tutores presenciais, equipe multidisciplinar, profetista educacional ou designer instrucional, equipe coordenadora e equipe de apoio técnico cujas funções já foram descritas em capítulos anteriores. Contudo, é importante frisar que a equipe polidocente acima denominada pode receber outras nomenclaturas dependendo da Instituição de Ensino Superior na qual está inserida, para designar uma mesma função. Além disso, em algumas IES apenas parte dessa equipe se faz presente.
Na EaD o tutor virtual ganha destaque no processo de ensino e aprendizagem, pois é ele quem faz esse acompanhamento de perto. Entretanto, é importante sublinhar que esse acompanhamento é feito pela intensa mediação tecnológica e, esta exige inúmeros saberes específicos em relação ao uso das tecnologias aplicadas à Educação, bem como o domínio do Ambiente Virtual de Aprendizado (AVA) utilizado. Por isso, o curso de formação para a tutoria virtual se faz imprescindível.
Em relação ao uso das tecnologias na Educação é inegável a contribuição que ela tem proporcionado no processo de ensino e aprendizagem não apenas na modalidade virtual, mas também na presencial. Na sociedade da informação e do conhecimento devido aos avanços tecnológicos e às novas configurações do trabalho e da produção, Pimenta (1999) salienta a necessidade de que os docentes vinculem o:
[..] conhecimento de maneira útil e pertinente, isto é, de produzir novas formas de progresso e desenvolvimento; consciência e sabedoria envolvem reflexão, isto é, capacidade de produzir novas formas de existência, de humanização. E é nessa trama que se podem entender as relações entre conhecimento e poder. A informação confere vantagens a quem a possui, senão as sociedades não se armariam contra a divulgação de informações, nem as manipulariam (PIMENTA, 1999, p.45).
Dessa forma, a Pimenta (1999) reforça a necessidade de produzir não apenas o conhecimento, mas também de produzir as condições de produção do conhecimento.
Portanto, não basta produzir conhecimento, é preciso produzir as condições de produção do conhecimento. Ou seja, conhecer significa estar consciente do poder do conhecimento para a produção da vida material, social e existencial da humanidade (PIMENTA, 1999, p.45).
Além disso, a autora também aponta que o conhecimento não deve se reduzir a informação, que não basta a exposição aos meios de informação para adquiri-la, mas sim operar com as informações na direção de, a partir delas, chegar ao conhecimento, então parece-nos que a Universidade (e os professores) tem um grande trabalho a realizar, que é proceder à mediação entre a sociedade da informação e os alunos, para possibilitar que pelo exercício da reflexão, adquiram a sabedoria necessária à permanente construção do humano.
Outro ponto importante a se destacar em relação à docência universitária é o aperfeiçoamento que ela exige, pois, para o exercício docente neste nível de ensino exige a integração de saberes complementares que diante dos novos desafios para a docência, o domínio restrito de uma área cientifica do conhecimento não é suficiente (PIMENTA, 1996). Com isso, a autora explicita que é imprescindível que professor desenvolva também um saber pedagógico e um saber político. Afinal, este possibilita ao docente, pela ação educativa, a construção de consciência, numa sociedade globalizada, complexa e contraditória (PIMENTA, 1996).
Desta forma, Pimenta (1996), afirma que a preocupação com a qualidade dos resultados do ensino superior, sobretudo os de graduação, aponta para a importância da preparação política, científica e pedagógica de seus docentes. Também as novas demandas postas a esses profissionais (muitas vezes sobrecarregando-os) têm impulsionado diversos estudos e pesquisas na área.
Diante do cenário atual de constantes transformações sociais, políticas, culturais e econômicas é impossível que a educação fique ilesa das influências dessas transformações, principalmente a docente que precisa estar preparado para novas formas de aprender e ensinar neste contexto.
6.3. As transformações na docência do Ensino Superior: alguns apontamentos sobre a