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CHAPITRE 5 : MÉTHODOLOGIE DE L’ÉTUDE EXPÉRIMENTALE 90

5.1  Conception des expériences 90 

5.1.2  Comparaison entre une interface virtuelle connue et une interface

Jaques Lê Goff25 afirma que os documentos e monumentos são elementos profundamente ligados e determinantes na formação da memória coletiva. O autor desenvolve sua tese defendendo que a história é a forma científica da manifestação dessa memória. Para Lê Goff, “o que sobrevive não é o conjunto daquilo que existiu no

passado, mas uma escolha efetuada quer pelas forças que operam no desenvolvimento temporal do mundo e da humanidade, quer pelos que se dedicam à ciência do passado e do tempo que passa, os historiadores”. Depois de décadas de esquecimento em

caixotes de madeira ou em arquivos de ferro relegados ao fundo de salas no prédio da Prefeitura Municipal, foi descortinado pela atual administração da Fundação de Cultura de São Lourenço, um acervo de documentos/ monumentos inimagináveis. Fotografias seculares, registros históricos do desenvolvimento da cidade, seus personagens, sua arquitetura, seus acontecimentos, tragédias e alegrias, assim como peças jornalísticas do período da fundação da empresa de águas, das visitas de personagens ilustres da história

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In: LE GOFF, Jaques. “Documento/Monumento” in História e memória. Campinas, Editora da Unicamp, 1994.

nacional, coleções de periódicos importantes da região que entre outros documentos, estavam se deteriorando.

Sujeitos ao tempo boa parcela da memória iconográfica e documental da cidade estavam relegados ao esquecimento. Seu acesso era impossível, sua exposição pública para consulta, inviável, seu aproveitamento para fins culturais inimaginável. Seguia assim uma cidade sem memória, sem noção dos acontecimentos. Pelo menos duas gerações de moradores e visitantes foram privados da história, fato que por hipótese pode ter agravado ainda mais as transformações sociais que vem se perpetuando no período. O fato tem reflexos imediatos na formação da consciência coletiva, pois, durante a pesquisa com os moradores, a pergunta sobre se eles conheciam a história da cidade, 48% responderam com firmeza que sim, 30% declaram conhecer a história de São Lourenço apenas em parte e 22% assumiram que não conhecem a história da cidade em que residem. A resposta positiva foi emitida apenas por pessoas nascidas ou residentes na cidade há mais de 10 anos, fato que por si só já demonstraria a deficiência na difusão da informação e na disseminação do conhecimento.

Gráfico 32: O Capital Social – Grau de conhecimento da história da cidade Fonte: Pesquisa de campo realizada pelo mestrando

Quando a questão levantada mede o grau de conhecimento dos moradores em relação a história do Parque das águas os números apresentam uma realidade mais

crítica ainda, ou seja, apenas 25% dos moradores afirmam conhecer a história do parque e mais uma vez a resposta positiva foi dado apenas por nascidos ou residentes há mais de 10 anos.

Gráfico 33: O Capital Social – Grau de conhecimento da história do Parque Fonte: Pesquisa de campo realizada pelo mestrando

Segundo Maria Celina D’Araújo26, o termo “capital social” tem relação com a capacidade que uma sociedade tem para estabelecer laços interpessoais de confiança e redes de cooperação visando à produção de bens coletivos. Para ela, “o capital social refere-se às instituições, relações e normas sociais que dão qualidade às relações interpessoais... O capital social é visto como a argamassa que mantém as instituições em contato entre si e as vincula ao cidadão visando à produção do bem comum”. Na visão da autora a idéia de capital social tem relação com a capacidade de uma sociedade em cooperar e confiar em seus membros para a produção do bem público. O capital social está relacionado com a cultura cívica e serve como facilitador da cooperação espontânea.

Ainda segundo Maria Celina, “a cultura de uma sociedade não é produto deliberado de um projeto previa e racionalmente construído. A cultura é uma esfera

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humana de geração espontânea, ou seja, é produto de convivências, coincidências, crenças e valores que vão sendo construídos por um grupo ou sociedade”.

Se for possível afirmar que a cultura possui uma dinâmica natural que pode representar a expressão do passado, arriscamos dizer que uma parcela da população de São Lourenço demonstra aversão, repulsa e até desprezo à importância das águas minerais na formação de sua cultura e na sustentação de suas tradições. A formação do capital social dessa mesma parcela da população pode ter sofrido alterações ou interferências no seu processo de formação.

Gráfico 34: O Capital Social – Visão do futuro Fonte: Pesquisa de campo realizada pelo mestrando

Visando mensurar a visão de futuro e o peso que a permanência na cidade exercia nas decisões tomadas pelos moradores resolvi perguntar se o futuro deles estava em São Lourenço e apenas 34% garantiram que sim.

Gráfico 35: O Capital Social – O que falta em São Lourenço Fonte: Pesquisa de campo realizada pelo mestrando

Em busca de informações sobre a percepção dos moradores em relação a cidade indaguei sobre o que faltava em São Lourenço, foi aí que a resposta mais importante surgiu em destaque: 42% dos entrevistados respondeu que o que falta na cidade é “Emprego”.

Sobre a importância do trabalho digno, Cláudio Batalha27 afirma que, no Brasil, já na primeira república, o mundo do trabalho era complexo e heterogêneo, com situações que além de variarem conforme a cidade, a região, o ramo de atividade, o grau de qualificação, o tipo de relação de trabalho e outros fatores, podiam ser diferentes mesmo dentro um só setor. Quadro que até hoje permanece, uma vez que o Estado não é capaz de regular ou garantir valores e condições mínimas que sejam de fato cumpridas na relação entre empregadores e empregados, formais ou informais.

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In: BATALHA, Cláudio. O movimento operário na Primeira Republica. Rio de Janeiro, Jorge Zahar, 2000.

Segundo Marshall28, os recursos e a produtividade mundiais deveriam utilizados para arcar com o custo de oferecer educação universal e eliminar o trabalho excessivo e pesado. Para ele, podia-se aceitar e conviver com desigualdades quantitativas ou econômicas, mas seria condenável a diferenciação ou desigualdade qualitativa, pois haveria uma espécie de igualdade humana básica associada ao conceito de participação integral na comunidade, que seria a própria cidadania, um sentimento, uma vontade, algo que brotasse do indivíduo e não que a ele fosse imposto, que seria apoiada na educação como um único direito incontestável, que deveria ser garantido, mesmo que coercitivamente, pelo Estado.

Ainda na pesquisa quantitativa junto aos moradores que trabalham no comércio da cidade encontramos dados de extrema relevância. Quando as questões abordaram o lado do sentimento, utilizando duas perguntas abertas, uma que questionava sobre as memória quando pensavam no parque trouxe respostas como: “passeios com parentes na infância, férias com parentes, a lua de mel e o namoro e brincadeiras no lago”; por outro lado, a segunda pergunta procurou saber o que foi transmitido aos filhos pelos pais sobre a cidade e o parque e as respostas, também abertas, dão conta de que: “ era um lugar muito bom”, “ era uma cidade tranqüila e animada”, “cidade aconchegante de clima frio”, “foi um pólo turístico e hoje fica vazio”, “que a cidade sem o parque não era nada”, alguns pais contavam “histórias sobre a cidade e sobre o trem de ferro”, outros falavam sobre o “grande movimento traído pelo turismo e sobre a infância na cidade”, em contra partida, 15% dos entrevistados afirmaram que os pais não eram e nem freqüentavam a cidade, logo “não poderiam transmitir nada”, e outros 17% disseram que seus pais comentavam muito pouco a respeito da cidade e seus fatos pitorescos.

Como uma forma de buscar uma relação entre as medidas administrativas adotadas pela controladora do parque e o afastamento dos moradores, perguntei se algum parente já havia trabalhado no parque e também se algum parente trabalhava no parque. Para a primeira, 57% respondeu que nunca tiveram parentes funcionários do parque; na segunda questão, somente 6% afirmaram ter parentes trabalhando no parque.

28 In: MARSHALL, T.H. Cidadania e classe social. In: . Cidadania, Classe social e status. Rio de Janeiro, Zahar, 1967. p. 98.