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Comparaison des facteurs de fractionnement calcul´ es avec les me-

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1.4 Organisation du manuscrit

2.1.5 Comparaison des facteurs de fractionnement calcul´ es avec les me-

Para avaliar os níveis de burnout nos participantes, foram uti- lizados os critérios dos valores propostos pelo Grupo de Estudos e Pesquisas em Estresse e Burnout – GEPEB, ilustrados na Tabela 1. Assinala-se que todo participante que pontua alto nos fatores Exaustão Emocional e em Despersonalização, seguido de baixa

pela síndrome (TAMAYO; TRÓCCOLI, 2001; VIEIRA et al., 2006; TAMAYO; ARGOLO; BORGES, 2005).

Tabela 1. Níveis de burnout de acordo com os pontos de corte do

MBI indicados pelo GEPEB

Fatores do MBI Média Baixo Níveis Médio Alto

Exaustão Emocional 20,93 15 16 – 25 26

Despersonalização 6,31 2 3 – 8 9

Realização Profissional 37,49 33 34 – 42 43

Fonte: Benevides-Pereira (2002)

Tomando como parâmetro a Tabela 1, calculou-se a média dos fatores do MBI, obtendo-se respectivamente M = 22,42 (dp

= 4,69) para Exaustão Emocional, M = 8,43 (dp = 0,49) para

Despersonalização, e M = 33,03 (dp = 0,54) para Realização Profissional, estando todas as médias situadas ao redor das indicadas pelo GEPEB. Examinando-se os níveis de burnout em cada fator (Tabela 2), identificaram-se níveis profundos de Exaustão Emocional em 69 sujeitos (23,4%) – 19 médicos, 28 enfermeiros e 22 técnicos de enfermagem, e níveis profundos de Despersonalização em 122 sujeitos (41,4%) – 34 médicos, 40 enfermeiros e 48 técnicos de enfermagem, enquanto 161 sujeitos (54,6%) apresentaram baixos níveis de Realização Profissional, sendo 33 médicos, 52 enfermeiros e 76 técnicos de enfermagem. São resultados preocupantes, uma vez que prevalecem altos níveis de Exaustão Emocional e de Despersonalização e níveis reduzidos de Realização Profissional em boa parte da amostra, conforme os critérios propostos na Tabela 1.

Tabela 2. Níveis de burnout em médicos, enfermeiros e técnicos

de enfermagem de hospitais públicos de João Pessoa e de Campina Grande (N = 295)

Fator Nível Número de sujeitos % Exaustão Emocional N = 272 (92,2%) Baixo 77 26,1 Médio 126 42,7 Alto 69 23,4 Despersonalização N = 286 (97,0%) Baixo - - Médio 164 55,6 Alto 122 41,4 Realização Profissional N = 281 (95,3%) Baixo 161 54,6 Médio 120 40,7 Alto - -

Observa-se na Tabela 2 que a Exaustão Emocional foi a dimensão menos prevalente, atingindo um número menor de profissionais. Sabe-se que essa dimensão diz respeito à sensação de fadiga física e psíquica para enfrentar o dia de trabalho e reflete o aspecto individual do burnout. Embora não se tenha dados para afirmar, cabe questionar se os sujeitos que manifestaram essa sen- sação em níveis baixos e médios conseguiram encontrar, no dia a dia, alternativas individuais para se habituar a uma rotina labo- ral marcada por duplos ou triplos expedientes de trabalho, aos esquemas rodiziados de plantões, às horas extraordinárias e/ou à rotina de ter mais de um emprego. Observa-se, também, nesses resultados que a reduzida Realização Profissional atinge mais da metade da amostra, sendo os técnicos de enfermagem os mais insatisfeitos profissionalmente, seguidos dos enfermeiros e dos médicos. Nota-se, então, que a insatisfação com o trabalho é mais impactante quanto mais inferiormente posicionado estiver na hierarquia profissional. De acordo com a teoria do Intercâmbio Social, tais insatisfações com o trabalho explicam-se pelas rela- ções de troca que o individuo estabelece com a organização e com os seus pares. Assim, trabalhar com os colegas sob as mesmas

condições, porém exercendo menor controle sobre o trabalho e recebendo baixos salários em relação a eles, pode estar parecendo injusto aos técnicos de enfermagem.

Por fim, observa-se que a Despersonalização se destacou como a dimensão mais preocupante do burnout, ainda mais quando se leva em consideração que atinge níveis elevados em quase metade da amostra, níveis moderados na outra metade, e que não há nenhum sujeito experimentando níveis leves. Na teoria do Intercâmbio Social, tal dimensão representa o aspecto interpessoal da síndrome, não devendo ser encarada como uma característica individual, e sim, como mecanismos inconscientes usados pelos profissionais para evitar envolver-se afetivamente com os pacientes, visto que cedo ou tarde terá que suportar a dor de perdê-los por alta ou por óbito. Para tal teoria, o endu- recimento afetivo nos profissionais de saúde ocorre, sobretudo, devido ao continuo dispêndio de afeto e cuidado aos enfermos, o que leva ao esgotamento completo da energia mental. São os esforços inconscientes para recompor essa energia que condu- zem o profissional a se afastar emocionalmente dos clientes. Por sua vez, tal afastamento pode levar a uma percepção distorcida da própria competência profissional. Dá-se, então, um ciclo vicioso formado pela Exaustão Emocional/Despersonalização/ reduzida Realização Profissional, característico da síndrome de

burnout.

Em uma análise mais detalhada, verificou-se que a Despersonalização foi o fator que mais se correlacionou com as variáveis sociodemográficas e sócio-ocupacionais, estando inver- samente correlacionado com idade (r = -0,18; p < 0,01), número de filhos (r = -0,20; p < 0,01) e tempo de serviço (r = -0,16; p < 0,01) e diretamente correlacionado à variável renda mensal (r = 0,15; p < 0,05). A Exaustão Emocional também se mostrou influenciada

pelas variáveis, idade (r = -0,26; p < 0,01), número de filhos (r = -0,18; p < 0,01) e carga horária (r = 0,25; p < 0,01). O fator Realização Profissional não apresentou correlação significativa com nenhuma variável sociodemográfica ou sócio-ocupacional (Tabela 3).

Tabela 3 – Correlações entre os fatores de burnout e os dados socio-

demográficos e sócio-ocupacionais.

Variável Emocional DespersonalizaçãoExaustão ProfissionalRealização

Idade - 0,26** -0,18** 0,21

Número de filhos -0,18** -0,20** 0,09

Renda mensal 0,10 0,15* -0,03

Tempo de serviço -0,09 -0,16** 0,06

Carga horária de trabalho 0,25** 0,11 0,02

Notas: ** p< 0,01; * p< 0,05 (teste de significância bicaudal, com eliminação dos casos em branco – missing – através do método pairwise).

Aplicando-se o cálculo de tabela cruzada, verificou-se que os participantes com elevada Exaustão Emocional e com alta Despersonalização estão na faixa etária de 31-40 anos (29 e 48 sujeitos, respectivamente) e trabalham acima de 40 horas sema- nais (47 e 67 sujeitos, respectivamente), sendo que os mais exauridos emocionalmente não tem filhos (30 sujeitos), enquanto os mais despersonalizados têm de um a dois filhos (60 sujeitos) e estão entre os mais bem remunerados (51 sujeitos).

Aplicando-se o teste t de Student não foram encontradas dife- renças estatisticamente significativas entre as médias dos fatores de burnout para homens e mulheres (Tabela 4).

Tabela 4. Comparação das médias dos fatores de burnout entre

homens e mulheres

Fatores de burnout Sexo Média Desvio-padrão Teste t Exaustão Emocional MasculinoFeminino 22,3722,44 4,724,69 t = (0,09)p < 0,98

Despersonalização MasculinoFeminino 8,568,40 0,500,49 t = 2,16p < 0,30

Realização Profissional MasculinoFeminino 36,8636,82 4,504,46 t = 0,06p < 0,91

Ressalta-se que os estudos sobre a interação entre o pro- cesso de burnout e algumas características pessoais não têm se mostrado concludentes, o que dificulta estabelecer generaliza- ções sobre a influência dessas características no aparecimento, desenvolvimento, ou vulnerabilidade à síndrome. As pesquisas são controversas quanto à presença de filhos, salário e tempo de serviço. Embora não corroborando os dados da presente pes- quisa, autores clássicos como Gil- Monte e Peiró (1997) indicam os profissionais mais jovens, com menos de 30 anos, como os mais vulneráveis à síndrome, bem como as mulheres como mais propensas à Exaustão Emocional e os homens mais propensos à Despersonalização. Quanto às características profissionais, esses autores apontam os horários noturnos e rodiziados, como é o caso do regime de plantão, como estressores desencadeantes da síndrome. Sabe-se também que múltiplos empregos elevam as horas dedicadas ao trabalho e subtrai horas de convívio familiar e de lazer, obrigando o sujeito a ter que lidar mais tempo com os estressores laborais. Estas últimas situações apontadas fazem parte da realidade laboral da amostra e são apontadas em várias pesquisas como altamente desfavoráveis à saúde do trabalha- dor (BARBOSA; BORGES, 2007; RÉGIS-FILHO; SELL, 2000; RUTENFRANZ; KNAUTH; FISCHER, 1989).

Aplicando-se o teste de variância (ANOVA) para comparar as médias obtidas nos três fatores de burnout por características sociodemográficas, encontrou-se diferença estatisticamente sig- nificativa apenas na variável escolaridade (F = 4,04; p < 0,002), indicando que os profissionais mais escolarizados apresentam mais Exaustão Emocional (Tabela 5). Estes resultados corrobo- ram com os encontrados por Silva e Carlotto (2008).

Tabela 5 – Diferenças entre os escores médios da variável escolari-

dade em função da Exaustão Emocional.

Escolaridade Média Desvio-Padrão Razão F Ensino fundamental completo 17,5 5,0

(F = 4,04; p < 0,002) Ensino médio incompleto 22,5 5,0

Ensino médio completo 21,4 4,9

Superior incompleto 22,6 4,8

Superior 23,4 4,3

Pós-graduado 23,0 4,4

Nota: F (5,266) = 4,04; p = 0,002. Diferença estatisticamente significativa em teste post hoc de LSD.

Uma síntese dos dados levantados indica a Despersonalização como a dimensão mais prevalente e mais fortemente correlacio- nada com os fatores sociodemográficos e ocupacionais, sendo esta a dimensão que também vem sendo apontada nos estudos de burnout com amostras de profissionais de saúde como a mais ameaçadora.

5.3. Considerações finais

Na pesquisa foram encontradas altas pontuações nas dimen- sões Exaustão Emocional e Despersonalização, seguidas de baixas pontuações em Realização Profissional, indicando que a amostra

apresenta burnout, sendo que a Despersonalização destacou-se como a dimensão mais preocupante. Tal dimensão parece ser um aspecto característico dos profissionais de saúde (SALANOVA; LLORENS, 2011; VIEIRA, 2010).

Alerta-se, entretanto, que dentre as três dimensões constituin- tes do burnout, esta parece ser a mais complexa de entender e de avaliar. Conforme aponta Gil-Monte (2005), o MBI, instrumento amplamente usado e recomendado em pesquisas internacionais, possui pobres coeficientes de consistência interna na subescala de Despersonalização, o que dificulta avaliar precisamente tal dimen- são. Essa deficiência do instrumento deve ser levada em conta nas investigações de burnout, inclusive na presente pesquisa, para que generalizações sejam evitadas. Tal deficiência é, ao mesmo tempo, um convite para que novas pesquisas sejam realizadas a fim de avançar teoricamente na compreensão sobre o fenômeno e na construção de medidas em dimensão Despersonalização tenha destaque.

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C

apítulo

5

Assédio Moral e Trabalho Bancário:

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