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COMPARAISON DE G´ ENOMES AVEC DUPLICATIONS 107 repr´esentation graphique montrant, pour chaque probl`eme, la comparaison entre chaque

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CHAPITRE 3. COMPARAISON DE G´ ENOMES AVEC DUPLICATIONS 107 repr´esentation graphique montrant, pour chaque probl`eme, la comparaison entre chaque

Que faremos destes jornais, com telegramas, notícias, anúncios, fotografias, opiniões...? (Cecília Meireles)

A indagação do eu poético presente no poema Jornal, longe, disponível no livro Mar Absoluto, de Cecília Meireles promove uma inquietação sobre o destino dos jornais e seu conteúdo polifônico.

Suporte de notícias diversas, o jornal foi um dos periódicos mais populares e acessíveis à grande massa, durante séculos e capaz de informar sobre assuntos diversos. O jornal, como meio de comunicação, educa e isso o torna espaço documental de aprendizagem.

A partir dessa particularidade, tomou-se o Jornal Flâmula, periódico estudantil picoense, como fonte documental de estudo e análise da face educativa de viés jornalístico de Ozildo Albano. Em Flâmula, localizaram-se as práticas educativas empreendidas pelo mediador cultural e sua equipe, durante os anos em que circulou em Picos. Segundo Lopes e Galvão (2001, p. 87),

Utilizados há mais tempo, e gozando de maior prestígio na pesquisa historiográfica, estão os jornais e as revistas. Os historiadores da educação têm se voltado, sobretudo, para os impressos que, pertencendo a esses gêneros, circulavam especificamente junto a um público escolar. Pesquisas que abordam a imprensa pedagógica (como fonte e/ou como objeto) e jornais produzidos por alunos, por exemplo, têm se tornado cada vez mais freqüentes. [...].

A pesquisa historiográfica que ora se realiza, tomou o jornal produzido por alunos como fonte para, assim, ter acesso aos seus escritos, cosmovisão, desenho cultural da cidade, assim como, a partir do periódico, pode se verificar a realidade escolar picoense, uma vez que foi essa que gerou o estudante-jornalista que ali operou.

Aqueles estudantes de 1952, do Ginásio Estadual Picoense eram a metonímia do padrão escolar que o município possuía e Ozildo Albano assumiu a liderança da equipe como gerente do jornal Flâmula e foi um de seus redatores. Segundo Nóvoa (2002, p. 31),

A imprensa é, provavelmente, o local que facilita um melhor conhecimento das realidades educativas, uma vez que aqui se manifestam, de um ou de outro modo, o conjunto dos problemas desta área. É difícil imaginar um meio mais útil para compreender as relações entre a teoria e a prática, entre os projectos e as realidades, entre a tradição e a inovação,... São as características próprias da imprensa (a proximidade em relação ao acontecimento, o carácter fugaz e polêmico, a vontade de intervir na realidade) que lhe conferem este estatuto único e insubstituível como fonte para o estudo histórico e sociológico da educação e da pedagogia.

Entendendo a imprensa como local-espelho do conhecimento das realidades educativas, o jornal Flâmula foi o suporte escrito onde as práticas educativas dos docentes do Ginásio Estadual Picoense se consolidaram e o instrumento em que se pode localizar as práticas educativas particulares a Ozildo Albano enquanto mediador cultural.

4.1 O jornal como espaço de memória e escrita educativa

Nas suas variadas práticas educativas, Ozildo Albano atuou como redator do Jornal Flâmula. No periódico, escreveu uma coluna educativa voltada para acontecimentos históricos mundiais relevantes.

Com base na leitura de Eco (1993), foi possível penetrar na escrita jornalística de Ozildo Albano e a que tipo de leitor os textos publicados na coluna Grandes Datas, do periódico literário e noticioso Flâmula, eram destinados.

Indiscutivelmente, todo e qualquer texto ao ser produzido encontra o seu destinatário. Eis a condição primeira para que o seu conteúdo seja estabelecido não só através de sua comunicação, mas também, das suas significações. Nas lições de Eco (1993, p.56),

[...] um texto postula o próprio destinatário como condição indispensável não só da sua própria capacidade comunicativa concreta, como também da própria potencialidade significativa. Por outras palavras, um texto é emitido para que alguém o actualize – mesmo quando não se espera (ou não se deseja) que esse alguém exista concreta e empiricamente.

Os escritos ozildianos estavam disponíveis para múltiplos atos de interpretação, mas certamente havia um perfil de leitores para quem os textos eram destinados. Esses sim, os leitores-modelo capazes de fazerem a atualização do seu conteúdo. Seguido a proposta de Eco (1993, p.57), assim discorre:

[...] o texto postula a cooperação do leitor como condição própria da sua actualização. Podemos melhorar essa formulação, dizendo que um texto é um produto cujo destino interpretativo deve fazer parte do seu próprio mecanismo generativo: gerar um texto significa actuar segundo uma estratégia que inclui as previsões dos movimentos do outro – tal como acontece em toda a estratégia.

Ao gerar um texto, o autor já sabe quais movimentos interpretativos o leitor pode fazer, uma vez que dispõe de estratégias textuais para construir o seu leitor- modelo. As previsões de leitura que o autor faz ao produzir um texto ficam no plano probabilístico. E, mesmo que não se tenha leitores aptos a abrir o texto, proceder- se-á de maneira a recuperá-lo no decorrer da leitura, seguindo os códigos do emissor. Ou, como pontua Eco (1993, p.58), “mais tarde ou mais cedo, o leitor enciclopedicamente carente ficará atento ao texto”.

Ao pé da letra, a coluna Grandes Datas postulava em si o leitor-modelo para o texto de Ozildo Albano, pois era nela em que ele assumia o papel de autor, esperando leitores que se identificassem com a busca por conhecimentos sobre temas históricos.

A cooperação do leitor com seus textos residia no fato deles encontrarem as chaves de leitura que pudessem melhor movê-los interpretativamente tal qual ele previa no ato da sua produção.

Somente com as credenciais de leitor-modelo, dotado de um apurado conhecimento histórico, ter-se-ia o entendimento para a proposta que Ozildo Albano tinha ao contemplar nas páginas do jornal Flâmula temas de grande repercussão no Brasil e no mundo.

Cabe assinalar que autor e leitor-modelo fazem parte das estratégias textuais no processo de leitura. Para Eco (1994, p.30),

[...] o autor modelo e o leitor-modelo são entidades que se tornam claras uma para a outra somente no processo da leitura, de modo que uma cria a outra. Acho que isso é verdadeiro não apenas em relação aos textos narrativos como em relação a qualquer tipo de texto.

O simples fato de Ozildo Albano ter disponibilizado textos para os leitores de Flâmula, seguindo uma mesma linha de escrita, por si só nos permite dizer que tipo de leitor-modelo lhe permitia criar.

Sob o olhar voltado para a imprensa educacional, cabe destacar as reflexões propostas por Nóvoa (2002, p.30-31), nos seguintes termos:

Na verdade, é difícil encontrar um outro corpus documental que traduza com tanta riqueza os debates, os anseios, as desilusões e as utopias que têm marcado o projeto educativo nos últimos dois séculos. Todos os Actores estão presentes nos jornais e nas revistas: os alunos, os professores, os pais, os políticos, as comunidades... As suas páginas revelam, quase sempre „a quente‟, as questões essenciais que atravessam o campo educativo numa determinada época.

Por meio do jornal, como se vê, tem-se a possibilidade de acesso aos múltiplos olhares que formam a comunidade escolar. Os escritos na imprensa escolar dão voz aos alunos e professores para escreverem sobre temas diversos e isso faz com que se perceba a dinâmica vocal dos escolares e docentes.

Através das páginas da imprensa escrita, muitas notícias chegam às mãos do público leitor em diferentes sociedades. Dessas notícias, a educação não poderia ficar fora, ao contrário, atravessa as colunas impressas de jornais e revistas onde quer que haja a sua circulação.

Em Picos, não foi diferente. A vida cotidiana foi marcada pela presença de jornais que enredavam sobre inúmeras questões sociais. Alguns desses periódicos circularam por pouco tempo, não tiveram fôlego suficiente para permanecerem levando notícias aos picoenses.

O jornal Flâmula foi um dos que marcou a história da imprensa em Picos. Diferente em todos os sentidos, a começar pela proposta de ser um jornal literário e noticioso. E, mais ainda, de ter sido levado adiante por estudantes do Grêmio Literário Da Costa e Silva, do antigo Ginásio Estadual Picoense.

Todo o corpus documental do jornal Flâmula informa sobre uma época da história de Picos. Os seus escritos levam o nome de estudantes, professores, poetas e amigos que colaboravam com artigos a serem publicados nas suas colunas.

Em 15 de março de 1952, circulou o primeiro número do Jornal Flâmula e,