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CHAPITRE 3. COMPARAISON DE G´ ENOMES AVEC DUPLICATIONS 89

3.2.3 Des algorithmes heuristiques

Em Jaicós, mesmo assumindo as suas atribuições na magistratura, Ozildo Albano continuou em sala de aula. Desta vez, devido ao fato de ser amigo do padre Mariano da Silva Neto, sacerdote da paróquia e diretor do Ginásio Padre Marcos, foi convidado a assumir as turmas de 1º e 2ª séries do ginásio das disciplinas de História do Brasil e História Geral. Nas palavras do ex-aluno Cruz (2017, p.390),

O professor Ozildo, como nós tratávamos a ele e que tivemos a alegria de tê-lo como nosso professor, nos anos de 1967 e 1968, além de ser nosso professor no Ginásio Padre Marcos era Juiz de Direito na Comarca aqui, na cidade de Jaicós. [...] No Ginásio Padre Marcos, ele ministrou aulas de História do Brasil e História Geral, na época. [...] Ele ficava com a parte de História do Brasil e o sacerdote da paróquia e diretor do colégio, o Padre Mariano da Silva Neto, os dois de inteligência brilhante, ministravam História Geral. [...] Ele ministrou História do Brasil na 1ª e 2ª séries do Ginásio Padre Marcos. Eram as duas turmas que ele lecionava. Os conhecimentos que Ozildo Albano tinha das disciplinas que lecionava em sala de aula e da contextualização dos conteúdos faziam com que os alunos sentissem segurança e motivação. Conforme narrou o ex-aluno Cruz (2017, p.391),

Ficaram boas lembranças do Dr. Ozildo. [...] Eu era um adolescente, na época. Mas, lembro-me assim, ele sempre vinha bem humorado para as aulas, despertava na gente uma motivação de assistir as suas aulas. Ele foi além do seu tempo, porque eu me lembro de que ele trazia mapas para mostrar os fatos que se relacionavam com a história, com o território, com o país. Ele traçava gráfico. O material didático, comparado com a tecnologia que temos hoje, era praticamente nada, mas ele lançava mão desses recursos e o quadro-negro de giz. Um detalhe que eu não deixo de lembrar era o amor que ele demonstrava em prestar esses serviços nessa escola comunitária. [...] E eu me lembro de outro detalhe, ele era um homem aberto ao diálogo. As aulas eram dinâmicas, ele usava a criatividade para mostrar personagens.

Ozildo Albano, de acordo com as informações de Cruz (2017), fazia com que as suas aulas incentivassem o processo de aprendizagem e procurava trazer para a sala de aula material didático que possibilitasse uma melhor assimilação dos conteúdos, mesmo sendo muito simples.

Além disso, o que mais chamava a atenção dos alunos em relação ao educador era ele ser um homem aberto ao diálogo. Ao ter pontuado esse aspecto, o ex-aluno mostrou que ele fazia a diferença na educação jaicoense. O diálogo implicava em uma aproximação maior com os alunos, em uma forma de facilitar a relação ensino-aprendizagem.

E mais, como as disciplinas lecionadas foram História do Brasil e História Geral, fazia sua abordagem histórica procurando dar dinamicidade e criatividade aos inúmeros personagens que fazia chegar aos alunos, em diferentes contextos da história nacional e mundial.

Ozildo Albano não se distanciou do propósito educacional. Mantinha uma postura de educador e se aproximava do alunado, fazia com que se sentissem aptos a perguntar e dar a sua opinião. Nas palavras do ex-aluno Cruz (2017, p.391-392),

Havia uma boa relação entre educador e educando. Não tinha conflitos, a gente se sentia motivado em perguntar com o professor Ozildo. Ele não era um professor bicho-papão, não. Ele mantinha diálogo, um sorriso sempre aberto e uma postura de educador. Nos corredores do colégio, ele nos cumprimentava. Um detalhe, eu me lembro, a gente trazia da sociedade um conceito de Juiz, que ele era, um Juiz de Comarca. Aquele personagem tinha que ter aquele temor. Mas, ele não, ele era o educador. Um homem simples. [...] Aprendi muito com o professor Ozildo até porque eu tinha uma simpatia com a história. [...] Ficaram boas lembranças dos ensinamentos dele e, sobretudo, aquilo que ele transmitia pra gente de que, pra entender a história, tinha que ver com olhar crítico e que a história seria aquela disciplina que iria estar presente em nossas vidas, pra sermos sempre e sempre cidadãos conscientes e críticos, na sociedade em

que a gente estava inserida. Eu achava isto muito interessante, a história iria despertar. Por exemplo, de ter a preocupação de conhecer os fatos, pra poder valorizar o país e amá-lo. Ele despertava essa capacidade na gente. Ele queria formar alunos críticos.

Fazer o aluno pensar criticamente fazia parte da proposta educativa de Ozildo Albano. Mas, para tanto, ele fazia com que seus alunos se sentissem motivados para assistir as suas aulas. Mostrava que os fatos históricos deveriam ser lidos e interpretados de maneira que ocorresse um despertar por parte de cada um.

Somente depois desse exercício de racionalidade crítica, todos estariam aptos a enfrentar a realidade social com olhos diferentes. Então, tudo que Ozildo Albano tentou fazer na educação jaicoense foi para melhorar as condições humanas dos seus alunos.

A preocupação com a formação crítica dos alunos, em torno dos temas históricos, era um exercício que provocava atenção desses, pois ao problematizar os enredos históricos, convidava os aprendizes a uma reflexão crítica em torno dos acontecimentos.

Para complementar os conteúdos programáticos do livro didático, o professor Ozildo Albano trazia para a sala de aula alguns recortes de jornais para serem lidos e debatidos pelos alunos. Nas palavras do ex-aluno Cruz (2017, p.392),

[...] Ozildo trouxe, algumas vezes, matérias de jornais pra gente. [...] Ele que trabalhava em repartição pública e tinha acesso aquilo. Nós não tínhamos a mídia em nosso meio, nem o rádio. Ele trazia recortes e lia. Depois que eu me tornei adulto, aquilo era algo ligado a Ditadura Militar. Ele criticava e não aceitava aqueles fatos. Era dentro das aulas dele, com certo limite, porque não era pra ser lido publicamente. Ele mostrava pra gente o que era o Brasil de 1966, que era o Brasil que já vivia a Ditadura Militar e que nós nem sabíamos o que era a Ditadura. [...] Os artigos mostravam a realidade, os fatos históricos marcantes no país. Ele mostrava. Ele se posicionava, porque ele não era a favor da Ditadura, pela maneira de falar e de ser dele. O que eu notava é que ele queria que nós fôssemos alunos além da sala de aula, de informações para a época. Ele não se limitava somente às leituras do livro-texto. [...] Hoje, analisando o Dr. Ozildo, ele foi um professor além do seu tempo. Ele tinha uma preocupação de fazer o melhor. [...] Ele dava uma aula crítica e, ao mesmo tempo, seguindo o programa da época, o livro didático. Ozildo incentivava a leitura de outros livros. Eu me lembro que, na época, a escola ganhou um acervo que o padre Davi Ângelo Leal doou de Oeiras-PI para Jaicós-PI, com a amizade que tinha com o professor Mariano. Nós tínhamos uma biblioteca „Jovita Alves Feitosa‟, com um bom acervo pra época. Também tínhamos o Grêmio Lítero Recreativo „Filipe Tiago Gomes‟, em homenagem ao

fundador da Instituição no país. Então, essa instituição fazia apresentações cívicas, sessões solenes em datas cívicas e, às vezes, Ozildo estava presente. Não tanto, porque o tempo dele era absorvido pela Comarca de Jaicós.

Havia uma preocupação, por parte de Ozildo Albano, em esclarecer os seus alunos sobre o período histórico que estavam vivendo. Ele adquiria as informações através das revistas e jornais que recebia de amigos de outros Estados e levava para a sala de aula a partir dos recortes de jornais.

Levava recortes informativos sobre o governo militar para a sala de aula, mas sabia dos riscos que estava passando. Tudo o que queria era fazer com que os alunos tivessem conhecimento dos fatos atuais, uma vez que no interior do Piauí muitos não tinham acesso às informações.

O livro didático não trazia temas da atualidade suficientes para abraçar os episódios nacionais mais pontuais. Ozildo promoveu, com o ingresso dos recortes de jornais e revistas, em sala de aula, o acesso dos alunos às notícias que, apesar de restritas, de parte do que acontecia no país, davam-lhes uma amostra da realidade. Essa prática educativa era inovadora, criativa, porém “subversiva” para o período.

Ficava triste quando lia uma matéria divulgando as atrocidades feitas aos brasileiros. Nas palavras de Moura (2016, p.479),

Para Ozildo Albano, a ditadura militar foi um período angustiante, esse período de 1964. [...] Eu lembro-me de um dia que eu fui lá e Ozildo estava muito triste, eu não me lembro da data. Ele falando que tinha sido assassinado um jovem Gerardo Magela. Eu nunca me esqueci deste nome. Foi um estudante, na ditadura militar. [...] Eu cheguei lá, neste dia, e Ozildo estava triste, lamentando. Ozildo estava com um jornal. Ele recebia de um amigo que mandava do Rio de Janeiro. [...] Eu me lembro dele falando deste absurdo da morte deste rapaz inocente. Foi no período da ditadura militar no Brasil. Como homem de uma época, Ozildo acompanhava os acontecimentos de forma crítica e reflexiva. O caso relatado por Moura (2016) informa a percepção dele sobre o assassinato de um jovem, no contexto do regime militar que provocou em Ozildo tristeza. Ali estava o juiz de Direito analisando o contexto nacional, mas ali também estava o educador sentindo o peso da morte de um jovem e sobre isso refletindo entristecido.

Ter apresentado de forma crítica os acontecimentos históricos em sala de aula mostrou a reocupação de Ozildo Albano com a formação cidadã de seus

alunos, assim como o conhecimento dos fatos históricos de maneira reflexiva, mesmo diante de momento tenso da História do país. Nas palavras do ex-aluno Cruz (2017, p.395-396),

Dr. Ozildo deu uma contribuição valiosíssima para a educação em Jaicós. Foi o que eu lhe falei dos recortes da Ditadura Militar.Ele mostrava que tínhamos que vê o país com informações bem críticas para aquele momento histórico que vivíamos [...]. Nós estávamos em plena Ditadura Militar, na época. Ela iniciou em 1964 e para o ano de 1967, era somente três anos. Estava no quente e ele já não temia a repressão. Na época, a gente não sabia o que era repressão, não. Mas, hoje eu vejo que Ozildo foi um homem que enfrentou a repressão. Ozildo não recuou em, por exemplo, fazer a comunicação crítica de textos da época. Ele não temeu, mostrava pra gente que momento era aquele e que era daquele jeito. Ele falava da presença dos militares e que ele não os apoiava. Eu me lembro disso, lembro- me demais.

Como professor de História do Brasil, fazia-se urgente e necessária a abordagem dos acontecimentos da atualidade, em suas aulas, de forma a abrir as páginas da história aos seus alunos, de maneira crítica e capaz de fazer com que os aprendizes, embora de uma cidade distante do centro dos principais fatos de sua época, soubessem a situação do retrato móvel do país.

Além das atividades escolares desenvolvidas em sala de aula, também organizou eventos culturais. Em um deles, especificamente em um Sete de Setembro, foi responsável pela produção de um carro alegórico que iria transportar um aluno caracterizado como Tiradentes. Nas palavras do ex-aluno Cruz (2017, p.393),

[...] Algumas vezes eu via Ozildo participando dos eventos da escola. A posse do grêmio, ele ali sentado junto das autoridades que formavam a equipe educativa da escola, as eleições do grêmio que ele também participava. Agora, eu me lembro de um que foi marcante: Ozildo organizou um pelotão mostrando a execução de Tiradentes, em um dia 07 de setembro, numa data cívica. [...] Na foto da turma tem o aluno que fez o papel de Tiradentes, o José Coutinho de Carvalho, já falecido. Ele tinha uma estatura alta e foi Ozildo que o caracterizou de barba. O padre Mariano e ele arrumaram uma alva, na própria paróquia e o vestiu. Deram um caráter de Tiradentes, com aquela corda e fizeram um instrumento que serviu de forca para a execução do mártir Tiradentes. Isso foi nas ruas, o carro alegórico levando esse personagem. Ficou muito bem feito. Ozildo estava presente e aplaudia tudo aquilo. Essa eu me lembro demais. [...] Chamou a atenção.

Ozildo Albano foi um professor atuante nos eventos que o Ginásio Padre Marcos promovia. Só não participava mais porque respondia pelos serviços da

comarca. No evento do Sete de Setembro, o pelotão que mais chamou a atenção foi o da encenação da execução de Tiradentes.

Na ocasião, convidou o aluno José Coutinho de Carvalho para ser o personagem Tiradentes. Pensou nos detalhes, arrumou as vestimentas e caracterizou-o seguindo o perfil desenhado pelos textos históricos. Durante a apresentação, pelas ruas da cidade de Jaicós, a população acompanhou de perto a passagem do personagem Tiradentes. Era a aula de História do Brasil sendo vivenciada pelos espectadores nas ruas.

Ilustração 46 – Fotografia: Turma do Ginásio Padre Marcos em que Ozildo Albano lecionou (s/d)

Fonte: Arquivo particular de Francisco das Chagas Cruz

Na fotografia 46, da esquerda para a direita, Benedito de Carvalho França, Maria dos Remédios Silva, Francisco das Chagas Cruz, Osmarina, José Coutinho de Carvalho, Vera Lúcia Coelho, Aparecida Ferreira de Sousa, Angelina Granja de Carvalho, Maria José França, Raimunda Granja de Carvalho, Aldeni, Natanildes Dias de Carvalho, Maria das Graças Feitosa Lélis, Maria José da Silva, Luiz Ferreira de Sousa, Jaime Antônio Dantas e Antônio José Mendes.

As provas elaboradas por Ozildo Albano eram a maioria compostas por questões discursivas. Os alunos gostavam porque ele trazia as provas datilografadas de casa, não perdiam tempo em copiar do quadro-de-giz todas as questões. Era de costume, na época, fazer provas orais, mas ele preferia fazer escritas. Segundo o ex-aluno Cruz (2017, p.393),

As provas de Dr. Ozildo eram escritas. Não tínhamos prova oral e nem existia a prova objetiva. Tinha a prova escrita com preenchimento de lacunas, além das perguntas interrogativas, tinha também o preenchimento de parênteses, a coluna “a” com a coluna “b”, tínhamos isso, eu me lembro demais. A prova era feita dessa maneira, ele elaborava a partir disso. E as provas já vinham elaboradas, datilografadas. [...] A gente ficava numa alegria, a gente dizia: - A prova de Dr. Ozildo já vem pronta. [...] Em outras disciplinas do colégio, fazia prova oral, mas ele não fazia.

Um dos aspectos que os alunos presenciaram em Ozildo Albano, durante os dois anos que tiveram com ele, foi a religiosidade que o acompanhou. Era um católico praticante e frequentador assíduo da igreja Nossa Senhora Santana, em Jaicós. Nas palavras do ex-aluno Cruz (2017, p.392),

Dentre as características do Dr. Ozildo, nós o chamávamos de Dr. Ozildo ou, então, professor Ozildo. Mas, era mais Dr. Ozildo, por causa da Comarca de Jaicós. A gente o via na escola e, às vezes, no fórum. Uma característica que eu via nele era de ter uma inteligência brilhante e, outra coisa, a humildade. Inclusive, nós éramos alunos simples, mas de classes sociais diferentes. Ele tratava todos com igualdade e a gente via que ele queria que aquelas sementinhas, que éramos na época, brotássemos para dar bons frutos, frutos para gerar uma sociedade e um mundo melhor. Isto era muito marcante em Dr. Ozildo. Outro aspecto, a religiosidade ele deixava transparecer. Eu me lembro que ele citava fatos da paróquia, da vivência dele com o padre Mariano da Silva Neto. Este também um homem totalmente doado à educação jaicoense e que passou dezenove anos servindo e construindo saberes em Jaicós. Então, a gente via muito a religiosidade presente na vida de Dr. Ozildo.

Em sala de aula, Ozildo Albano tratava todos com igualdade. Não fazia distinção e, devido à própria formação que recebeu, repassava princípios que faziam com que os alunos entendessem o valor do respeito ao semelhante.

Era um professor moderno e que se preocupava com o desenvolvimento intelectual dos aprendizes. Com tendência vanguardista, as suas ações pontuaram isso. Fugiu das aulas rotineiras de quadro e giz, não olhava para o aluno como somente um escrevente. Ao contrário, tentou desenvolver um modelo de educação diferente do que estava sendo implantado na época.

Quando saiu do lugar comum, os alunos perceberam. Sentiram a diferença e passaram a dar atenção dobrada nas suas aulas. Repassava os conteúdos de forma didática e todos entendiam a proposta de trabalho que estava desenvolvendo, no Ginásio Padre Marcos. Nas palavras do ex-aluno Cruz (2017, p.395),

Pra época, eu considerava Ozildo um professor moderno, porque ele tinha a preocupação de inovar. Inovar com o quê? Com o que era melhor, por exemplo, lê fatos em jornais que o livro não tinha. Ele adiantava, inovava, usava mapas. Ozildo não era um professor só para anotar com giz no quadro, de costas, ele não era só esse homem. Eu o considerava inovador. Ele implantou algo diferente daquelas aulas rotineiras, de giz e quadro-negro. E isso prendia a atenção dos alunos. Nós estávamos sempre motivados. Ele sempre falava totalmente pra nós e não de costas. Ele andava na sala de aula.

Motivar os alunos, a partir de uma prática educativa dialogada, marcada pela interação, foi a marca docente que ficou registrada nos alunos de Ozildo Albano. Onde se tem diálogo, certamente há aprendizagem e isso foi confirmado pelo ex- aluno.

Quando foi aposentado da magistratura, em 1969, entregou as turmas da 1º e 2º séries do Ginásio Padre Marcos, em Jaicós, encerrando ali as suas atividades profissionais tanto na magistratura quanto no magistério local.