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COMPARAISON DE G´ ENOMES PARTIELLEMENT ORDONN´ ES 163

riables bool´ eennes

CHAPITRE 4. COMPARAISON DE G´ ENOMES PARTIELLEMENT ORDONN´ ES 163

A história de vida de Ozildo Albano atravessou as páginas do jornal Flâmula, que circulou em Picos, no início da década de 1950. Ainda estudante do Ginásio Estadual Picoense, juntamente com alguns amigos, empreendeu um dos maiores projetos de criação de um periódico literário e noticioso, no interior do Estado do Piauí.

Levar uma nova proposta de leitura para o público leitor foi o diferencial em relação aos demais jornais que circularam na cidade, dentre eles, os jornais A Ordem, Folha Circulista e A Gazeta. Tinha o seu corpo editorial totalmente compromissado com o contexto social da época. As matérias publicadas em Flâmula representavam um despertar, uma tomada de consciência de que era

preciso mudar a realidade local que se mostrava distante de outros centros desenvolvidos do país.

A onda de mudanças partiu da efervescência cultural que circulou no Ginásio Estadual Picoense e que foi levada para a sociedade, através dos jovens estudantes que estavam ali, vivendo momentos de plena aquisição de conhecimentos. Na fala do ex-redator do jornal Flâmula, Rafael Filho (2016, p.407), percebe-se o papel que Ozildo Albano desempenhou frente ao grupo de estudantes, a saber:

Ozildo Albano era naturalmente um líder. Ele era muito comunicativo. Então, ele tinha muito acesso a tudo lá no Ginásio, até pelo comportamento dele mesmo. Mas, Ozildo tinha um espírito de liderança. Todo mundo gostava dele, ele era um rapaz bem comportado e muito educado. Ozildo Albano tinha sido seminarista e tinha aquela formação humanística. De certa maneira, ele foi um líder lá no Ginásio. Todo movimento que nós tínhamos no Ginásio, Ozildo estava na frente. Ele estava muito à frente do seu tempo, com toda certeza. As ideias dele eram sempre de renovação, de mudança. Ozildo era um inconformista, ele queria mudar as regras. Depois que Ozildo saiu do seminário, ele saiu com aquela vontade de fazer alguma coisa. Ozildo dava muitas sugestões, gostava de participar. Ozildo potencializava o meio em que estava inserido, assim aconteceu com a criação do Grêmio Literário Da Costa e Silva, a criação do Jornal Flâmula. Ele estava sempre na frente. Eu tinha muito acesso a ele, a minha família era toda lá de Picos. O meu pai foi tesoureiro da Prefeitura por muito tempo. A minha infância eu vivi lá. Então, eu tinha muita amizade com o Ozildo Albano. Eu também era solicitado nesses movimentos de Ozildo, com esses companheiros lá.

Pela narrativa do ex-redator de Flâmula, percebe-se que Ozildo Albano exercia uma liderança frente aos demais estudantes do Ginásio Estadual Picoense. Em virtude do comportamento ético, tinha acesso aos departamentos e profissionais do Ginásio Estadual Picoense e isso facilitou a circulação das ideias contidas no jornal.

Pretender mudar a realidade picoense, colocá-la diante de novas possibilidades foi uma das principais bandeiras daquele jovem intelectual. As suas ideias caminhavam no sentido de mudar o contexto social, não se conformava em ver as pessoas acomodadas, vendo a cidade se movendo a passos lentos.

Entender a importância deste órgão da imprensa de Picos requer, dentre outros, um conhecimento de como se deu a concretização deste sonho por parte dos jovens estudantes do antigo Ginásio Estadual Picoense.

Antes de iniciar as atividades escolares no Ginásio, ocorreram alguns fatos que merecem as devidas anotações. Na ocasião, o prefeito municipal de Picos era Celso Maria Eulálio, udenista que esteve à frente do executivo entre os anos de 1948 a 1951. Empreendeu uma luta pela realização de um dos seus maiores feitos em favor da sociedade picoense, a criação de um Ginásio para a cidade de Picos. Segundo a ex-aluna do Ginásio Estadual Picoense, Borges (2016, p.453-454):

[...] Quando o Ginásio Picoense começou em 1950, porque foi ali, passou em 1949, mas começou em 1950 por obra e graça do Prefeito de Picos, porque o governador dizia que não podia, não tinha o que fazer. Então, o Prefeito de Picos fez, o Celso Maria Eulálio. E, aí, quando a gente entrou no Ginásio Picoense nós tínhamos um grupo, porque nós deixamos de ser uma voz isolada para sermos um grupo, no Ginásio Picoense. Nós, eu e o Ozildo, começamos na Cruzada Eucarística que teve aqui. Ali, foi que nós passamos de sujeitos passivos para agentes da sociedade picoense. E a gente descobriu o que era, pela primeira vez na cidade de Picos, uma união, uma espécie de sindicato, onde a criançada também decidia, onde a criançada que ficava lá na igreja, também tinha voz. E, no Ginásio Picoense, aí não, já era uma voz um pouco mais clássica, mais competente e arrazoada até chegar o Jornal A Flâmula, que a gente trabalhou, fez peças teatrais e fez a rainha dos estudantes, para arrumar o dinheiro para comprar a tipografia. E, aí, o Ozildo Albano foi para Recife para comprar a tipografia. Ozildo chegou com a tipografia e demorou, porque ele também foi aprender a manusear. Quando começou aqui o Jornal A Flâmula, Ozildo era editor, fazia a correção final, manejava as máquinas. Ozildo Albano fazia de tudo e eu fazia a limpeza. Tudo no jornal passava pelo crivo de Ozildo Albano. Agora, a turma era coesa, unida, muita gente, o Alfredo Albano, Luís Alencar, Odonel, todo mundo ajudava.

No ano de 1949, o governador do Estado do Piauí, José da Rocha Furtado, autorizou o funcionamento do Ginásio Estadual Picoense, fato que teve como incentivador o Juiz de Direito da comarca de Picos, José Vidal de Freitas, que foi um dos professores e entusiasta da criação do Grêmio Literário Da Costa e Silva e de um veículo de imprensa estudantil. Segundo Duarte (1995, p.113-115),

Ainda em 1949, foi criado por iniciativa do então Juiz de Direito de Picos, Dr José Vidal de Freitas, o Ginásio Estadual Picoense. Em março de 1950 o Ginásio começou a funcionar provisoriamente no prédio do Grupo Escolar Coelho Rodrigues, no turno da tarde. O fundador e primeiro diretor do Ginásio formou um corpo docente de bom nível, recrutado entre profissionais liberais de nível superior – advogados, dentistas, farmacêuticos – e professores de maior experiência profissional residentes na cidade. A importância que o Ginásio teve para Picos pode ser percebida através de vários ângulos. Em primeiro lugar, possibilitou que muitos jovens picoenses

dessem continuidade aos seus estudos, o que do contrário não iria ocorrer, visto que a maioria deles não tinha condições financeiras para freqüentar centros acadêmicos maiores. Em segundo lugar, o Ginásio trouxe uma espécie de fermento intelectual para a cidade, cujo pólo irradiador foi o Grêmio Literário Da Costa e Silva, que teve como presidente-fundador o ginasiano José (Ozildo) Albano de Macedo, e tinha no Jornal Flâmula [...] um importante instrumento de veiculação de idéias e de divulgação da produção literária local. A implantação do Ginásio em Picos abriu a possibilidade de mudança no cenário educacional formal, uma vez que os jovens poderiam ter acesso ao ensino ginasial, na sua própria cidade, sem precisar se deslocar para a capital ou outros Estados, o que não era possível para todos, em virtude dos custos econômicos para tal deslocamento.

Deve-se novamente registrar que na década de 1940, Picos possuía uma população de 40.414 pessoas, em um universo de 817.601 habitantes em todo o Estado do Piauí, conforme dados do recenseamento de 1940.

Outro dado importante é que no Estado do Piauí havia apenas 128.413 pessoas que se declararam como sabendo ler e escrever e, dessas, 6.671 eram picoenses; mas dos 544.982 piauienses que não sabiam ler e escrever, 25.998 estavam em Picos.

Quadro 05 - População de fato do Estado e Instrução (1940)

Censo de 1940 População total População de 5

anos e mais de instrução declarada

Sabiam ler e escrever

Não sabiam ler e escrever

Piauí 817.601 673.395 128.413 544.982

Picos 40.414 32.669 6.671 25.998

Fonte:IBGE - Recenseamento Geral do Brasil – 1940

O quadro 05 mostra que a situação da instrução pública em Picos era insatisfatória e que a necessidade da expansão da rede escolar era uma demanda urgente.

Quando se verifica os dados censitários destacando a categoria “pessoas que estavam recebendo instrução”, a realidade se evidencia com mais força, como o que se vê no quadro 06.

Quadro 06 - Pessoas de 5 a 39 anos que estavam recebendo instrução (1940)

Local Total de pessoas de 05 a 39

anos

Pessoas que estavam recebendo instrução Total Sabem ler e

escrever

Piauí 550.271 35.752 26.782

Picos 27.061 1.056 676

Fonte: IBGE – Recenciamento Geral do Brasil - 1940

Apenas 1.056 pessoas, na faixa etária entre 05 e 39 anos estavam recebendo algum tipo de instrução e, dessas, 676 sabiam ler e escrever. A implantação do ginásio entraria em cena como uma espécie de socorro aos habitantes de Picos.

Percebe-se a dimensão da situação de abandono intelectual em que se encontrava a população picoense com maior incidência quando se tem acesso aos dados sobre a quantidade de pessoas que possuíam curso completo no grau elementar, médio ou superior.

Quadro 07 - Pessoas de 10 anos e mais que possuíam curso completo ou diplomas de estudos.

Local Total¹ Grau elementar Grau médio Grau superior

Piauí 8.745 6.689 1.300 446

Picos 70 37 12 6

Fonte: IBGE – Recenseamento Geraldo Brasil - 1940

O dado oficial da existência de apenas 37 pessoas com o grau elementar mostra que a implantação do Ginásio Estadual Picoense seria a possibilidade de mudar o então estado de coisas.

Embora se trate de dado técnico oficial, em virtude de as variáveis questionadas não abraçarem todas as respostas dadas pelos entrevistados, restringindo-se ao grau elementar, médio e superior, algumas declarações por não se encaixarem nelas, ficaram de fora. Outro aspecto a ser considerado foi a quantidade de pessoas com grau superior, sendo este reduzido aos cursos médico, jurídico, militar e teológico.

__________________________

¹Consta observação no Recenseamento de 1940 que no total de pessoas informadas estão incluídas aquelas que possuíam algum curso completo ou diploma de estudos de grau não declarado (IBGE, 1940, p.64), em virtude disso, os números distribuídos nos graus não atingem a soma do total geral informado.