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Commercialization or partial privatization of State owned enterprises, where total privatisation is not possible, should be encouraged

25 de janeiro de 2017, pela manhã

Local: Do Mercado de Petrópolis até a Biblioteca Pública Municipal Câmara Cascudo

DEVIRES PRECÁRIOS:

• Ir até o Mercado de Petrópolis, vestir o figurino no banheiro do local.

• Caminhar até a Biblioteca Pública fazendo o gesto de silêncio a todos que cruzarem o caminho das performers;

• Permanecer na frente da biblioteca (que está há 06 anos em reforma) solicitando silêncio com o gesto por 20 minutos e encerrar a ação retornando o mesmo percurso.

ID ENTIDADE [Parte Dois]

(2017)

Dia: 03.01.2017

Ação: Xadrez Local: Parque das Dunas

Dia: 17.01.2017

Ação: Elementos Local: Praia Via Costeira

Dias: 01, 02, 07, 08, 10, 12, 15, 16, 28, 29, 30 e 31, de janeiro de 2017

Ação: Selfies (autofotografias ou trabalhar na página da rede

Instagram @euidentidade)

Dias: 19-23 de janeiro de 2017.

Ações interrompidas por conflitos no presídio de Alcaçus,

[calendário de ações]

Dia: 04.01.2017

Ação: A planta que morrerá Local: Cemitério do Alecrim

Dia: 05.01.2017

Ação: Balaio-de-gatos Local: Passarela da Igreja

Universal

Dia: 06.01.2017

Ação: Escrever no quadro negro

Local: Escola Augusto Severo

Dia: 09.01.2017

Ação: As Bruxas do Iêmem Local: Secretaria Municipal

do Trabalho

Dia: 11.01.2017

Ação: Você é o que ouve / Leitura Subjetiva Local: ônibus, transporte

público - linhas 54 e 56

Dia: 13.01.2017

Ação: Memória do ferro velho Local: Bairro Nordeste - Zona

Norte

Dia: 14.01.2017

Ação: Banhistas Local: Praia de Pirangi

Dia: 18.01.2017

Ação: Faixa de Pedestres Local: Encruzilhada da Av. Bernardo Vieira com a Av.

Sen. Salgado Filho

Dia: 24.01.2017

Ação: Os enforcados Local: Praça do Teatro Alberto

Maranhão

Dia: 25.01.2017

Ação 01: Silêncio

Local: Biblioteca Municipal Câmara Cascudo

Ação 02: Meditação Local: Passarela entre Natal Shopping e Shopping Via

Direta

Dia: 26.01.2017

Ação: Queria o seu lugar Local: Trem trecho da Ribeira

até Ceará Mirim

Dia: 27.01.2017

Ação: Presente de Natal Local: Av. Rio Branco

ID ENTIDADE [Parte Dois]

(2017)

2 - Esse trabalho foi tema da minha monografia da graduação em Artes Visuais (FERREIRA, 2017), o link de acesso está na ficha técnica das imagens. Nesse trabalho aprofundo as questões e apresento todas as performances, com um arquivo residual das imagens dos registros das performances.

ENDEREÇAMENTOS DA PRECÁRIA:

[Lugar]

ID Entidade [parte dois]2 foram 31

dias de ações em janeiro/2017 na cidade de Natal/RN. Em todas as performances os corpos das performers estavam encobertos (incluindo o cinegrafista) por uma releitura da roupa, que na cultura japonesa é chamada de Zentai. Sobressaia somente a silhueta de cada corpo. Os critérios de escolha dos lugares foram: os problemas políticos emergentes da cidade e lugares de memória afetiva de cada performer.

O urbano como um modo de vida contemporâneo se tornou um campo de experimentações, com lócus na cidade e nas redes sociais. Essa desmaterialização de lugar amplia ainda mais as possibilidades simbólicas do corpo, desterritorializando o urbano da cidade e o tornando um modo de comportamento regido por um imaginário

Amigues contratados para o processo:

Maíra Sara, Ivan de Melo e Roger Tavares.

Amigues que auxiliaram nesse processo:

Julia Monteiro, Toni, Pablo Vieira, Hianna Camilla, Karol Nascimento (e sua mãe maravilhosa).

infindo. Assim como aborda Armando Silva (2014), professor e doutor da Universidade Nacional da Colômbia, pesquisador das culturas urbanas latino-americanas: “Uma cidade imaginada, feita das mentalidades sociais e de matéria etérea, que se sobrepõe com muita força à cidade física, mais ligada ao urbanismo arquitetônico, e que hoje apresenta fenômenos como esse dos imaginários transnacionais que nos ocupam” (SILVA, 2014. p. 65).

[Objetos]

As performances imbricaram nossos corpos com os contextos da cidade/ virtualidade. Éramos seres que se negavam identificação, ter rosto, cor, gênero e marcas sociais que a pele carrega. Tornamo- nos corpos-incógnita, capazes de fazer ações inesperadas ou deslocadas da norma. Publicamos imagens no perfil do Instagram @euidentidade, essas performances foram chamadas de Selfie.

“Protegidas” por essa segunda pele experimentamos uma certa liberdade. Podíamos decidir se respondíamos ou não as pessoas curiosas que cruzavam nosso caminho. Dançar, ficar imóvel,

(...) O cadáver e o espelho que nos ensinam (enfim, que ensinaram aos gregos e agora ensinam às crianças) que temos um corpo, que este corpo tem uma forma, que esta forma tem um contorno, que no contorno há uma espessura, um peso; em suma, que o corpo ocupa um lugar. (FOUCAULT, 2013. p. 15.)

As pessoas que presenciaram as performances refletiram seus contextos, suas questões e perspectivas de mundo em nós, performers. A sensação, enquanto atuante, aproximou-se da reflexão do espelho proposta por Foucault (2013): “o espelho onde não estou reflete o contexto onde estou” (FOUCAULT, 2013. p. 37). A imagem dos nossos corpos, que não podíamos ver em toda sua dimensão por estarmos criando a cena, tornou-se uma reflexão do outro, de quem assistia no momento. Ou seja, nossa imagem, não se afirmou ali enquanto utópica, um lugar inalcançável, mas sim como uma heterotopia, uma outra possibilidade de existência refletida pelo outro. Uma reflexão povoada pelo imaginário que se tornou coletivo.

deitar, ações diversas e em qualquer lugar, sem que a norma ou o olhar alheio fossem um controle. Reprogramar os comportamentos se tornou possível. A “proteção” se associa a ideia do super-herói dos quadrinhos, que pode transitar entre o seu eu-urbano e um outro eu-incógnito, aquele que excede o humano e pode gerar “pequenos” caos na cidade. Sem temer as leis, as normas e o olhar do desconhecido. Como se o eu-urbano tivesse que zelar por um nome e por cada traço biológico do rosto. Sem a segunda pele o corpo parece já estar preso a formas de se relacionar preditas e traçadas por um véu cultural, a performance transpassa esse véu.

A performance tem potencialidade de ampliar o imaginário que transita no derredor do corpo, ainda mais enquanto corpo-incógnita, porque com o corpo todo coberto, sua imagem não apresenta as principais características que nos conectam com as outras pessoas, enquanto reconhecimento. Éramos inclusive chamados de ET com frequência, perdemos, assim, nosso “passaporte” de seres terrestres pela vestimenta.

ID Entidade [Parte Três], 2017

Exposição Individual

Galeria Municipal Newton Navarro Natal - RN

Vídeo arte da exposição: < https://youtu.be/Yf_Sk98hA0I >

ID Entidade [Parte Três], 2017

Exposição Individual

Galeria Municipal Newton Navarro Natal - RN

Vídeo arte da exposição: < https://youtu.be/Yf_Sk98hA0I >

ID ENTIDADE [Parte Três]

(2017)

ENDEREÇAMENTOS DA PRECÁRIA:

[Espaço]

A exposição ID entidade foi montada com o residual das performances feitas na cidade de ID entidade [parte dois]: 48 fotos dispostas no chão (criando um retângulo no contorno da sala), 04 vestimentas (02 pretas e 02 brancas) suspensas, 01 vídeo- performance projetado na parede, 02 cordas vermelhas de 05 metros cada uma (formando duas forcas), um saco feito de tecido de elastano de 05 metros suspenso e mais um

Amigues que auxiliaram no processo da

performance: Maíra Sara, Isaac Luna, Estrela Santos, Regina Johas

saco com os lixos da ação “Presente de Natal” no centro da sala. Nas paredes foram dispostos somente o vídeo performance projetado e um texto escrito com carvão vegetal. Na abertura da exposição foram distribuídas máscaras aos convidados, para que todos experimentassem, de certa forma, um borrar identitário. As fotos no chão desestabilizavam o corpo dos visitantes, fazendo-os se curvarem para enxergar as imagens. Essa configuração tinha o intento de fuga da convenção do conforto das paredes brancas em espaços expositivos. O “protagonismo” das paredes ficou para o texto e o vídeo, que são símbolos em movimento.

Trecho do texto escrito nas paredes:

A precariedade do tratamento da arte e artista em Natal brota em todas as escalas da instância pública. Assim como o resíduo, os rastros de uma ação, carregados em sacos vazios de uma materialidade descartável e afixados nas paredes dos exíguos museus e galerias da cidade. A produção audiovisual, deixada à invisibilidade, e os poucos teatros trancando portas, tentam silenciar a voz de artistas engajados com o experimento (contemporâneo), enquanto as chaves ficam nas mãos da cultura elitista centrada em shoppings, shows de youtubers e forró com turista. O Projeto ID entidade, após

penosas burocracias, remonta narrativas de Ser. Convoca a autonomia e a emancipação do Ser, de nós que abaixamos a cabeça e vestimos o cabresto todos os dias para as opressões dos comportamentos sociais instaurados. Corpos que gritam em repúdio ao olhar castrador normativo, etnocêntrico, sexista, classista... Busca, através da linguagem da performance, romper categorias e fazer do urbano e do espaço público o suporte da ação, descompensando os espaços instituídos para a arte e privilegiando a vida cotidiana como espaço de fruição, incômodo, ou de questionamento.

[Intervenção textual: ensaio poético sobre a cidade de Natal/RN e sua improvável vida noturna, sobre o Carnaval,

Se a cidade nos reflete, estou como a ponte que deveria ligar classes sociais. Inconclusa. Interditada. Enferrujada. Se a cidade nos reflete estou como o rio que passa embaixo da quase-ponte, tem peixe, mas tem lixo. Se a cidade nos reflete estou cercado por fios elétricos, gatos feitos. A cidade parece estar sempre pronta ao colapso, mas também ao carnaval. Da purpurina que alegra, mas que mata a vida marinha. São microplásticos, micropolíticas, microtristezas, microalegrias. Se a cidade nos reflete, hoje, vespertina, ela parece branda, com pássaros cantantes na praça da esquina, onde pela noite alguns corpos quase-não-vivos se entorpecem e falam sozinhos pelas ruas. Talvez os pássaros estejam reclamando ou pouco se importando. E de repente tudo que é contraditório parece se conectar. Meu espelho vê abandono e carnaval. Amanheci hoje com um rato morto no jardim de casa, tão frágil. Minhas amigas dizem sorrindo que querem morrer, tão frágeis. O motorista do carro ontem, que me trouxe etílico da balada, ao descer a costa com visão entre-mar-céu, nuvens azul-violácea- serenas das 05h da manhã, disse que daquela perspectiva a Terra parecia mesmo redonda, ele olhando mais para o mar do que para a estrada. Através do olhar dele eu me vi assim, parecendo ter curvas, porque a cidade não tem mais sentido na areia da praia, e assim, se a cidade nos reflete, perdi-me na perspectiva do olhar do motorista, que não na estrada, mas refletido no meu.