L- L’Objective Pain Score (OPS) :
VI- COMMENTAIRES ET DISCUSSION
Identificar a concepção de formação posta em cada currículo dos cursos de graduação analisados é compreender qual o projeto de formação é defendido e que papel cumpre diante da realidade social. Nos alicerçamos na afirmação de Martins (2010) para definir a importância desta categoria e como se deu a nossa análise, a autora concebe a formação de professores, bem como de qualquer outro profissional, como “uma trajetória de formação de indivíduos, intencionalmente planejada, para efetivação de determinada prática social”. E esta deve ser analisada levando em consideração a realidade em que está inserida e o contexto histórico vivenciado. Ou seja, “na complexa trama social da qual faz parte”.
Ficou claro que neste momento de reformulação dos currículos, é seguia a risca as diretrizes da política neoliberal para a formação da classe trabalhadora, num movimento que ocorre em escala mundial e que se reflete em todos os documentos nacionais e internacionais, o que podemos chamar de acordo com Melo (2004), já citado anteriormente, de um movimento de mundialização da educação.
No Brasil encontramos esse direcionamento nos documentos oficiais do governo federal da política educacional a partir da década de 90, e mais enfaticamente a partir da publicação do relatório Jacques Delors24, a exemplo, a LDB, os Parâmetros Curriculares Nacionais, as Diretrizes Curriculares Nacionais dos diversos cursos de graduação. Segundo Facci (2011) em todos os documentos supracitados há uma defesa explícita do lema ‘aprender a aprender’ enfatizado na escola nova e corresponde à influência do pensamento piagetiano que dá sustentação científica a propostas como a escola ativa. São valores enfatizados pelo pensamento piagetiano: respeito as atividades dos alunos, cooperação e solidariedade, trabalho em grupo, autonomia no aprender (aprender a se desenvolver e aprender a continuar a se desenvolver depois da escola).
A autora identifica, a partir de trabalhos anteriores, que há um movimento de sedução desta tendência, e destaca algumas possibilidades que podem explicar tal fenômeno: a aproximação com a ideologia neoliberal (intensificação da ilusão que tudo depende do indivíduo e o destaque do fetichismo da individualidade); pela ideia de ser um
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Relatório da UNESCO publicado no Brasil com o título Educação: um tesouro a descobrir, presidido por Jacques Delors.
modelo crítico (o que para a autora não é verdade); por trazer respostas concretas sobre o que fazer no dia a dia na sala de aula; por ser investido de prestígio científico; e por fim, por aproximar-se a elementos fortemente ideológicos e sedutores, difundidos no cotidiano alienado da nossa sociedade capitalista contemporânea.
Encontramos em 7 currículos a defesa de uma concepção de formação pautada nos elementos que constituem as pedagogias do “aprender a aprender”, definição utilizada por Newton Duarte que agrupa vários ideários pedagógicos contemporâneos. As várias correntes teóricas que compõe o ideário do “aprender a aprender” são: Escola Nova, Construtivismo, Pedagogia das Competências, Teoria do Professor Reflexivo, Pedagogia de Projetos, Estudos Multiculturalistas, Pedagogia Empreendedora, Pedagogia do Afeto etc, estes ideários retomam o escolanovismo, tendo sua maior representação no construtivismo.
Um primeiro aspecto comum a essas pedagogias é a ausência da perspectiva de superação da sociedade capitalista, o qual está associado a uma concepção idealista das relações entre educação e sociedade. Ainda que, em trabalhos de alguns defensores dessas pedagogias, existam momentos de crítica a certos aspectos da sociedade capitalista, como às políticas neoliberais em educação, tais críticas acabam sendo neutralizadas pela crença na possibilidade de resolução dos problemas sociais sem a superação radical da atual forma de organização da sociedade, a qual tem como centro dinâmico a lógica de reprodução do capital. Como, porém, os problemas sociais mostram-se cada vez mais agudos, a solução ilusória à qual aderem essas pedagogias é a da visão idealista de educação. (DUARTE, 2010, p.34-35)
Assim fazendo uma relação com a concepção de sociedade e concepção de homem defendida nos currículos, a concepção de formação não poderia ser diferente assumindo o caráter de manutenção da ordem social vigente.
E como exceção temos apenas o currículo G que defende a formação humana na perspectiva omnilateral25 que é a defesa do desenvolvimento no homem de todas as suas capacidades, suas aptidões e atitudes em todos os sentidos que atenda às necessidades do homem (objetivas e subjetivas) e sua relação com o mundo do trabalho, e pressupõe a
25 COLAVOLPE, Carlos Roberto. SANTOS JÚNIOR, Cláudio de Lira. TAFFAREL, Celi Nelza Zülke. (Org.). Trabalho pedagógico e formação de professores/militares culturais: construindo políticas públicas para a educação física, esporte e lazer. Salvador: EDUFBA, 2009.
superação da divisão social do trabalho (trabalho intelectual X trabalho manual) enquanto expressão econômica da sociabilidade do trabalho e o atual modo de produção da vida com vistas à emancipação humana.
Esta perspectiva de formação deve ser crítica, que considere a articulação entre os conhecimentos de fundamentação e da atividade profissional com as dimensões política, humana e sociocultural. Parte de uma concepção omnilateral em contraposição à formação unilateral (esta que vivemos atualmente) que se reduz a um sentido meramente instrumental. Propõe-se a trabalhar dentro de uma compreensão de política global que abarca as dimensões humanas tais como a científica, pedagógica, técnica, ético-moral e política. Desta forma acredita na formação única de caráter ampliado (contra a divisão entre bacharelado e licenciatura) por compreender que o licenciado é um profissional capaz de desempenhar funções próprias da docência na escola e/ou fora dela.
Define que o processo de formação deve permitir uma consistente base teórica para atividade pedagógica no campo da cultura corporal, que respondam as demandas e reivindicações sociais, (no âmbito do esporte, lazer, cultura, saúde, turismo, entre outros) as demandas de produção do conhecimento e de formação continuada, em termos de atualização para exercício da prática profissional. Em outras palavras a formação é pautada pelas demandas históricas reconhecidas nas reivindicações da classe trabalhadora.
O que torna o currículo G ser de fato uma proposição de mudança, além dos elementos já citados anteriormente, é não separa premissa teórica de programática. É anunciar quais os elementos teóricos que balizam sua prática no cotidiano da escola, enfim, materializar essa proposta no currículo. Portanto para se efetivar a proposta de mudança curricular se propõe a ter o trabalho socialmente útil26 como princípio educativo.
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O trabalho útil ou trabalho concreto é uma atividade produtiva de um determinado tipo, que visa a um objetivo determinado; seu produto é um valor de uso. O trabalho abstrato, ou trabalho socialmente necessário, por sua vez, é o dispêndio de força de trabalho humana que cria valor, mas com aspecto diferente. Está relacionado com a medida quantitativa do valor, pois determina a magnitude do valor e está relacionado com o tempo de trabalho socialmente necessário à produção de um produto. (Universidade Federal da Bahia, 2010, p. 13)