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Dans le document TURQUIE 2018 (Page 21-25)

A interatividade nas publicações turísticas da Fanpage da Prefeitura Municipal de Salvador e as diferentes abordagens nos comentários dos seguidores chamam a atenção para a necessidade de a gestão buscar no pensamento de residentes elementos para a construção de suas narrativas turísticas. Por meio das manifestações dos seguidores da página, podem-se compreender valores, crenças, tradições, manifestações populares, passado, cotidiano e mesmo perspectivas futuras que caracterizam formas de como os soteropolitanos dinamizam e entendem a cultura turística.

Continuamente em construção, esta memória digital é elemento sígnico que coopera para a compreensão das memórias sociais. Os conteúdos manifestos por soteropolitanos em postagens turísticas da Fanpage da prefeitura municipal apontam para uma vontade popular de participação nas tomadas de decisões referentes ao turismo local e oferecem pressupostos para se contextualizar memórias turísticas, a partir do ambiente digital.

Isso exige compreensões sobre características e atribuições dos recursos de interatividade do Facebook, que se comportam como dispositivos discursivos e evidenciam fluxos de conteúdos que cooperam para a construção da memória no ambiente digital. Para Jenkins (2009), esses fluxos caracterizam a cultura da convergência. Por eles, é possível compreensões sobre o comportamento de cidadãos em ambientes de mídia. Para tanto, deve-se

investigar as formas como os soteropolitanos seguidores da Fanpage da prefeitura estão inseridos nos processos de transformações tecnológicas, sociais, políticas e mercadológicas da contemporaneidade.

A cultura da convergência não é um processo isolado que ocorre por meio de adequações e conexões tecnológicas. Existe na mente das pessoas e impulsiona processos interativos em plataformas de comunicação. Nas manifestações de soteropolitanos em comunicações turísticas, há um vasto contingente de significações que contêm ideias, desejos, angústias, compreensões e perspectivas dos usuários sobre a cultura turística local. De acordo com Jenkins (2014), esta iteratividade estimula a realização de interações no ambiente físico. Isso propõe a convergência como uma dimensão intrínseca ao turismo; afinal, como observa Bauman (1999) e Krippendorf (2000),entre as diversas dimensões que fomentam a cultura turística, uma delas diz respeito à busca por novas experimentações.

A memória turística na Fanpage da Prefeitura de Salvador existe por meio de interatividades em publicações específicas e por elas se atualiza. Nelas, estão produções e reverberações de discursos referentes a atrativos (institucionalizados ou não) e processos de convergências que compõem a cultura turística. Portanto, os discursos manifestos na fanpage correspondem a micronarrativas dos interlocutores voltadas para a construção de verdades que se constituem como representações da cultura e se reverberam por diversos recursos de interatividade. Publicações, disponibilização de aplicativos, curtidas, compartilhamentos, comentários e mesmo manifestações de emoticons são todos ‘dispositivos discursivos’.

O discurso nada mais é do que a reverberação de uma verdade nascendo diante de seus próprios olhos; e, quando tudo pode, enfim, tomar forma de discurso, quando tudo pode ser dito e o discurso pode ser dito a propósito de tudo, isso se dá porque todas as coisas, tendo manifestado e intercambiado seu sentido, podem voltar à interioridade silenciosa da consciência de si (Foucault, 2007, p. 49).

O discurso se materializa pelas práticas culturais. Em toda sociedade, o discurso é organizado, selecionado e redistribuído a partir de procedimentos estratégicos que cooperam para a estruturação de seus perigos e poderes. Nestes processos organizativos estão tentativas de controlar os acontecimentos sociais, definindo a materialidade do discurso, ou seja, a forma (ou formas) como ele é percebido no ambiente social e como propõe sentidos ao lugar.

A estrutura de uma fanpage permite, tanto à instância de delimitação quanto aos seguidores, estratégias para exercerem controles sobre o discurso, por meio de suas regras e possibilidades de publicações e dos seus dispositivos discursivos. O gerenciador da página é responsável pelas publicações primárias, que devem produzir estímulos à participação popular.

Aquilo que está manifesto na rede reflete suas práticas, intenções, ideologias, perspectivas e posicionamentos sobre a cultura turística. A fanpage reúne informações que uma organização pretende tornar pública, por isso, permite a construção de verdades.

Além de definir conteúdo e linguagens utilizadas pela página, a instância de delimitação também tem o poder de convidar ou bloquear pessoas; marcar usuários em publicações; responder, ocultar ou apagar comentários, e também pode interagir com usuários em seus próprios comentários ou por mensagem privada. As próprias publicações podem ser excluídas, ocultadas ou reeditadas a qualquer momento. Segundo Spadaro (2013), o Facebook disponibiliza mais de três mil aplicativos que colaboram para o gerenciamento de conteúdos e de informações.

Na página da Prefeitura de Salvador, por exemplo, encontram-se dispositivos que permitem ao seguidor fazer recomendações e avaliar a gestão bem como efetuar ligações telefônicas diretamente pela rede, por meio de mídias locativas. Também é utilizado aplicativo referente à promoção de eventos turísticos, como o Festival Virada Salvador. O seguidor pode interagir por meio de curtidas, compartilhamentos, comentários, manifestações de emoticons, além da reverberação das hashtags, que é uma forma de repercussão do conteúdo dissipado ou mesmo de se inserir em determinado contexto.

Também se considera a visualização de vídeos na fanpage como ato interativo porque só ocorre se o usuário clicar no botão player, tendo controle para interrompê-lo, pausá-lo ou repeti-lo quantas vezes quiser. Ainda, o usuário pode entrar em contato direto com a instância de delimitação por meio da caixa de diálogo, caracterizando uma ação privada. De acordo com Mittermayer e Santaella (2014), o ato de ‘curtir’ uma publicação está relacionado à reciprocidade, aprovação ou mesmo a atribuição de credibilidade à narrativa. O ‘curtir’ também pode estar vinculado à demonstração de afetividade. Esse recurso corresponde a um dado numérico que representa quantas pessoas aprovaram a publicação, podendo impulsioná-la ou não para uma posição de destaque no feed de notícias do Facebook, o que pode lhe render mais interatividade.

O compartilhamento é um recurso que amplia a visibilidade de uma publicação. Um usuário pode compartilhar determinada informação em sua própria linha do tempo ou na de amigos, pode também marcar outros usuários na publicação, que é disponibilizada no perfil de mais de uma pessoa ao mesmo tempo (o usuário marcado tem o poder para desativar a marcação). Também é possível compartilhar o conteúdo por caixas de mensagens privadas (in

box), ou em outras redes, como o Instagram, ou ainda por aplicativos de dispositivos móveis,

No processo de compartilhamento, o usuário pode comentar a informação, o que acaba interferindo no sentido produzido pela instância de delimitação, assim como os próprios atos de curtidas e manifestações de emoticons. Nestes atos, o internauta pode concordar, discordar, questionar, contradizer, apresentar dados favoráveis ou desfavoráveis ao conteúdo original. Embora seja possível aos administradores exercerem controles sobre a dinâmica das páginas, não pode impedir que usuários manifestem suas percepções sobre o conteúdo. Neste contexto, reside o protagonismo dos comentários nas páginas institucionais.

O comentário corresponde a uma forma colaborativa, ampliando claramente os sentidos do conteúdo disponibilizado. No espaço de comentários, os interlocutores podem utilizar de todas as linguagens possibilitadas pela rede (textos, imagens, produtos de áudio e audiovisuais,

links de outras publicações no próprio ‘face’ ou em outros ambientes da internet). Tal recurso

representa uma ‘caixinha de surpresa’ (às vezes uma Caixa de Pandora) para a instância delimitadora, pois assim como no ato de compartilhamento, os usuários podem expressar o que suas subjetividades e seu estado de espírito permitirem.

Conforme explicam Mittermayer e Santaella (2014), quanto mais comentários houver em uma publicação, mais destaque ela terá na rede; ou seja, maior o continente de usuários que ela atingirá. Essa dinâmica induz às organizações a não excluírem comentários contrários a suas posições, como pratica a Prefeitura de Salvador. Isto assegura a permanência da marca na rede. Ainda, as críticas e cobranças podem servir de subsídios para avaliação da gestão. A manifestação dos emoticons (ou emoji) é também uma forma de intervenção nas publicações e nos comentários. O recurso pode ser utilizado no ato de curtir, sinalizando percepções (positivas ou negativas). O usuário pode demonstrar aprovação, reprovação, afeto, desafeto, alegria, dúvidas, surpresa, tristeza, expectativa entre outros efeitos que a publicação pode provocar em sua mente.

Tais processos interativos indicam que, embora a estrutura da fanpage possibilite certo controle sobre sua movimentação, a estrutura macro do Facebook permite a usuários ultrapassarem fronteiras simbólicas determinadas pela organização. É possível a produção de discursos contra-hegemônicos, integrando-os às narrativas do próprio sistema. Esta dinâmica sugere uma contínua reestruturação da rotina produtiva da comunicação organizacional e das empresas de mídia, no sentido de que devem se apropriar de perspectivas sociais.

Surge um universo semiótico de transformações que pode estabelecer um maior engajamento popular nos processos de reestruturações das ações organizacionais, promovendo um tipo de democracia, pautada pela participação significativa. Para tanto, a instância de delimitação deve se aprofundar no conteúdo manifesto pelo usuário em rede, por meio do

conhecimento de suas experiências cotidianas, expectativas e compreensões sobre a cultura turística em suas mais diversas dimensões. É preciso penetrar na memória dos seguidores.

A memória turística construída a partir da fanpage propõe a relação entre conteúdo manifesto pelos usuários e conteúdos latentes em suas mentes48 – aquilo que está implícito no conteúdo manifesto e que representa memórias individuais e coletivas. Os primeiros são as informações explícitas em rede. Corresponde a uma ponta da dimensão total das ideologias, experiências e conhecimentos dos interlocutores. Não são formulações conceituais sobre a cultura turística; são apenas indicativos de suas compreensões. O conteúdo manifesto na ambiência digital aponta para conteúdos latentes na mente dos interlocutores.

Uma leitura sobre discursos turísticos dissipados pela Fanpage da Prefeitura de Salvador, como exemplificam as figuras 03 e 04 no tópico anterior, permite identificar que estes apontam para fatores das subjetividades e experiências que compõem perfis cognitivos49 dos usuários. De acordo com Santaella (2004a), tratam-se de narrativas que apontam para o delineamento do modo como indivíduos percebem, organizam e armazenam informações que constituem suas memórias. Indicam atitudes, intenções e comportamentos frente às questões sociais. Afinal, como propõe Peirce (2005), toda cognição é consequentemente definida por cognições anteriores, produzindo conhecimentos.

A construção da memória turística a partir da Fanpage da Prefeitura de Salvador corresponde a um processo de inteligência coletiva, e se comporta como núcleo do sistema sociodigital turístico. A estrutura tecnológica da fanpage e o conjunto de recursos de interatividade com suas diversas formas de utilização possibilitam que a organização e residentes construam tramas discursivas nas quais estão contidas, direta e indiretamente,

48 Optou-se utilizar os termos conteúdo manifesto e conteúdo latente para designar o total de manifestações em uma única publicação na fanpage analisada (C.M) e sinalizar que por trás de cada um desses enunciados há um universo de significações que constituem a memória individual e coletiva (C. L). Tais termos são oriundos da Teoria da Intepretação dos Sonhos de Freud (1996). Para o psicanalista, os sonhos estão relacionados ao cumprimento ou não de desejos, apresentando dois tipos de conteúdos: conteúdo manifesto e conteúdo latente. O primeiro é o objeto literal real do sonho, enquanto o outro é o significado subjacente destes símbolos. Freud acreditava que o conteúdo latente dos sonhos é suprimido e escondido pela mente subconsciente, a fim de proteger o indivíduo de pensamentos e sentimentos que são difíceis de lidar. Descobrindo o significado oculto dos sonhos, Freud acreditava que as pessoas pudessem compreender melhor os seus problemas e resolver as dificuldades que eles criam em suas vidas. Na analogia proposta aqui, considera-se que a investigação da memória coletiva, estabelecendo a relação entre C.M. e C.L. por meio do processo de uma equação semiótica, é possível identificar problemáticas sociais que possam subsidiar a gestão pública, tanto no que se refere à produção comunicacional quanto à elaboração do planejamento urbano, ressaltando-se que a investigação não tem pretensões de penetrar nos níveis inconscientes e subconscientes dos entrevistados.

49 Importante ressaltar que não se trata de uma investigação em neurociências, não traçando analises sobre sistemas nervosos. Este é um ramo das Ciências Biológicas. Justamente por isso, o termo “perfil” corresponde à generalidade, referindo-se a comportamentos individuais e coletivos, seguido diretrizes das Ciências Sociais.

ideologias e práticas da instância de delimitação bem como percepções, experiências de vida, relações sociais e formulações cognitivas dos seguidores.

Maldonado (2007, p. 31) discute a memória como “um processo de representação em troca contínua com a totalidade do corpo que, além disso, não é (e não pode ser) qualquer corpo, mas apenas aquele que hospeda e gera o referido processo” 50. Não há aí um limite do corpo enquanto unidade física e motora, mas também sua constatação enquanto membro de uma coletividade social, apontando para a apropriação de elementos da cultura em seu aparelho psíquico. Um exemplo está nas relações entre residentes e turistas no centro receptivo, pois, no processo interativo, o corpo é o primeiro elemento de significação, indicando identidades e papeis sociais de estrangeiros e autóctones, seja pela estética, seja pelo comportamento.

Do mesmo modo, em uma fanpage é a imagem do corpo o primeiro elemento que sintetiza o perfil do usuário – incluindo aquilo que ele escolhe para representar o seu corpo. Nas relações instituídas na rede digital, o ícone do seguidor além de se comportar como sua personificação também representa seu papel e funções sociais, apontando para suas realidades, onde se materializa sua memória. Pode-se falar em corporificação da memória, já que ela assume uma forma expressiva, por meio da qual ocorrem as relações.

A imagem do perfil aponta para a identidade corporal do internauta. Mas esta é apenas uma representação que se traduz a partir de informações que ele disponibiliza sobre ele na própria rede, além de conteúdos que ele vai revelando em atos interativos, e que podem ser ampliados em contextos apropriados, como uma entrevista ou aplicação de questionário. Portanto, os recursos de interatividade do Facebook bem como as imagens e conteúdos dos perfis dos usuários são elementos da memória que se constitui na rede – a memória digital.

Palácios (2003) observa que relações do usuário com o equipamento, com a própria postagem, com a instância de delimitação da postagem e com outros cidadãos colaboram para a produção da memória digital (ou das memórias). Trata-se, portanto, de uma memória múltipla, instantânea e cumulativa com grande potencialidade de arquivamento, flexibilidade combinatória e velocidade de acesso do ciberespaço. Nela, estão intercomunicabilidades a partir das navegações, cliques, postagens, compartilhamentos, curtidas e demais recursos de interatividade que promovem a proliferação de discursos sociais, suscitando a circulação de uma imensidão de signos que geram efeitos na produção e recepção de conteúdos.

50[...] un proceso de representacíon en continuo intercambio con la totalidade del cuerpo que, además, no es (ni puede ser) cualquier cuerpo sino sólo aquel que hospeda y genera dicho processo.

Como o Facebook é um ambiente de lifestreaming51, ou seja, um lugar em que os usuários expõem suas vidas, pode-se dizer que os processos interativos nele desenvolvidos permitem um fluxo de influências mútuas entre percepções dos usuários, constituindo relações miméticas no ciberespaço. Ao lhe atribuírem individualidade, sintetizando sua existência, as informações que disponibilizam em rede se constituem como formas socializadoras, ainda que reproduzam leis sociais, regras de conduta, processos de alienação, como dispositivo de consenso, entre outras formas miméticas.

Como consideram Gabauer e Wulf (2004), a mimese é um processo de socialização. Uma tentativa de aproximação a um referente, mesmo que inconsciente. Esta tentativa ocorre dentro de princípios éticos, estabelecidos pelo corpo social. Uma ética manifesta nos elementos que compõem a estética do agir mimético, que se reverbera no agir cotidiano. Tal como propõe Peirce (2005), a ética é compreendida, portanto, como elemento que define a prática social, se manifestando por meio da estética. Por isso, a mimese não corresponde a uma mera reprodução de ações sociais, mas sim à organização de comportamentos, desejos e realidades pela própria sociedade.

Trata-se de um aspecto que estabelece sentidos culturais; envolve convergências e conflitos e colabora para processos de transformações sociais. Nesse âmbito, se inserem inciativas da contracultura, ou seja, que divergem e contestam a cultura hegemônica, como explica Barbero (2015), a exemplo das reações e comentários dos seguidores da Fanpage da Prefeitura de Salvador e dos movimentos Amabarra-SOS Barra e Fórum Permanente do Rio Vermelho, discutidos no tópico anterior, que reverberam continuamente as intervenções e ideologias turísticas da administração municipal.

Tais relações apontam para comportamentos individuais e sociais, visto que “nossa identidade corporal depende de maneira decisiva da imagem que temos de nosso corpo, uma imagem que é renovada (e confirmada) diariamente com a ajuda de nossos olhos e dos outros52” (Maldonado, 2007, 31). Por este caminho, nota-se que a interatividade propõe aos cidadãos conectados operações cognitivas sobre suas relações consigo mesmo, com os outros e com o ambiente, construindo e reproduzindo memórias sociais por meio de convergências no ambiente digital.

51 De acordo com Spadaro (2013, p. 101) “o lifestreaming é a atividade de reagrupar num só local todas as informações que uma pessoa coloca na Rede em tempo real no fluir da vida. Além disso, existe também o Flock, um browser social que integra em si mesmo vários serviços de rede social”.

52 Nuestra identidad corporal depende de forma determinante de la imagen que tenemos de nuestro cuerpo, imagen que se renueva (y se confirma) a diário com el concurso de nuestros ojos y de los demás.

Considera-se com Halbwachs (1990) que a formação da memória de uma pessoa corresponde à convergência das memórias que representam os diferentes grupos sociais dos quais ela participa (família, bairro, cidade, trabalho, amigos), definindo assim correlações entre memória autobiográfica (individual) e histórica (ou coletiva).

A primeira receberia ajuda da segunda, já que afinal de contas a história de nossa vida faz parte da história geral. A segunda, naturalmente seria bem mais extensa do que a primeira. Por outro lado, ela só representaria para nós o passado sob uma forma resumida e esquemática, ao passo que a memória da nossa vida nos apresentaria dele um panorama bem mais contínuo e mais denso (Halbwachs, 1990, p. 73)

A correlação entre as conjecturas de Maldonado (2007) e de Halbwachs (1990) situa a memória individual como resultante do contínuo autoconhecimento e da observação de olhares externos, constituindo memórias internas e externas, ou autobiográficas e sociais, ou individual e coletiva. Em uma Fanpage de um bairro, como o Amabarra-SOS Barra e Fórum Permanente do Rio Vermelho, e/ou em reivindicações de moradores em uma postagem de uma Fanpage governamental é possível perceber esse processo. Há uma força social que direciona a produção discursiva e gera conteúdos diversos referentes ao turismo. A memória é esta força, pois está manifesta no cotidiano das relações sociais, em operações mentais que situam o indivíduo na cultura e também situam a cultura no indivíduo, o que sinaliza que entre as memórias individual e coletiva pode haver grandes contrastes.

Para haver convergência entre memórias não basta a manifestação de pensamentos e ideias, é necessário que existam elementos de conexão, pontos de contato entre elas, constituindo sentidos comuns, que não necessariamente representam concordâncias nem repetições, mas constituem reverberações da cultura. Na Fanpage da Prefeitura de Salvador, a publicação turística é esse ponto comum. Por ela, é possível conhecer memórias de residentes, nas quais estão formulações sobre a própria identidade corporal e sobre a identidade cultural.

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