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PAQUETAGES STANDARDS

COLLECTIONS, DATES,

Mediante as condições contratuais impostas pelo G1, os produtores responsáveis pela matéria jornalística noticiosa podem reordenar as representações pluricódicas que constituem o infográfico e, nestas condições, são capazes de alterar o design (o formato composicional), superpor, suprimir ou reposicionar os modos semiológicos de forma a construir toda uma relação indissociável entre texto e imagem em função do sentido pretendido e da configuração do gênero jornalístico.

Além disso, durante o processo composicional da webnotícia do G1, o sujeito comunicante pode redefinir, com precisão, o propósito e a finalidade, mesmo que o gênero migre de um suporte para o outro estabelecendo relações intertextuais com outras formas de transmissão da notícia, seja pelo rádio, seja pela TV ou mesmo se for veiculada em jornal impresso (da mesma instância midiática que origina a produção).

Nesta perspectiva, o processo de composição da webnotícia é categorizado por duas variáveis principais: a configuração midiática em que se constrói o portal de notícias através do dispositivo cênico e os modos semiológicos constituintes do infográfico como traços distintivos do formato composicional (ou design). Assim, todas as dez webnotícias, que compõem o corpus desta pesquisa, seguem um padrão definido: apresentam infográficos.

Esses padrões de configuração interna de que depende a composição da webnotícia do G1 estão subjacentes aos modos de organização discursivo que permeiam as encenações narrativa e descritiva em que ocorrem, concomitantemente, a construção da notícia pelos sujeitos produtores e a elaboração do infográfico pelos sujeitos webdesigners.

Todos esses aspectos, além das estratégias de credibilidade e de captação apontados pela Teoria Semiolinguística estão sujeitos às restrições do contrato de informação midiática, como prevê Charaudeau (2015a). Eles, portanto, tornam-se necessários às especificidades do gênero em virtude do tratamento da informação.

Por meio de estratégias discursivas de encenação da informação, o produtor do texto consegue ativar os efeitos de sentido na elaboração da webnotícia, suscitando os efeitos de verdade para influenciar o outro, pois “comunicar, informar, tudo é escolha. (CHARAUDEAU, 2015a, p. 39). Esse sujeito informador, na verdade,

“só pode construir sua informação em função dos dados específicos da situação de troca.” (CHARAUDEAU, 2015a, p. 42).

Neste processo composicional da webnotícia do G1, são considerados ainda os imaginários sociodiscursivos desse sujeito informador a respeito dos julgamentos que ele tem sobre o mundo, ou seja, os saberes de conhecimento e de crença os quais fazem com que o jornalista mantenha ligação com o real, além das representações construídas através de imagens mentais transpostas em discurso de justificativas e da relação de cumplicidade que ele mantém com seus leitores. Por isso é que o sujeito informador vê os fatos com um olhar avaliador e, subjetivamente, consegue explicar os sistemas de interpretação do mundo, “sem os quais não há significação possível.” (CHARAUDEAU, 2015a, p. 43).

Na verdade, o jornalista, ao produzir uma webnotícia, busca nela um efeito de verdade, baseando-se na convicção dos fatos e ele acredita no “ser verdadeiro”, pois esse efeito de verdade só existe dentro de um dispositivo enunciativo de influência psicossocial entre um sujeito que informa e o outro que é informado.

Nesta relação, espera-se uma reação de resposta: “cada um dos parceiros da troca verbal tenta fazer com que o outro dê sua adesão a seu universo de pensamento e de verdade.” (CHARAUDEAU, 2015a, p. 49). O que está em jogo é a credibilidade da informação. O jornalista, acima de tudo, busca o “direito à palavra”.

Por ser um gênero de discurso informativo, a webnotícia se adequa ao dispositivo à medida que vai sendo produzida e compartilhada. Construída para circular na internet, hoje, esse gênero sofre mudanças significativas em sua constituição interna e, por conta dos recursos de hipermídia, perpassa o tempo e se mantém.

Assim, o suporte é um elemento essencial à manutenção da notícia devido, principalmente, à atualização de representações pluricódicas e hipertextuais dispostas no portal. Nesse caso, o uso da infografia torna-se um recurso essencial ao aprimoramento da produção jornalística e, sobretudo, para a garantia da noticiabilidade da informação. Assim, nesta pesquisa, intentamos mostrar como o infográfico altera significativamente a configuração da webnotícia do G1 em virtude das funções discursivas que ele possui.

Por essas razões, os exemplares recolhidos para a análise mostram exatamente como o processo de composição por que passa a notícia produzida para circular na internet garante uma melhor acessibilidade da informação e a credibilidade do sujeito informador, na instância de produção jornalística.

Acreditamos que, com esse processo de composição, a instância midiática informadora goza de maior credibilidade possível diante de seus leitores, uma vez que ela dispõe de recursos tecnológicos ou lança mão de um maior investimento em estratégias para garantir a adesão dos consumidores da notícia. Como diz Charaudeau (2015a, p. 138), “essas escolhas dependem da maneira pela qual as mídias constroem suas representações sobre o que pode interessar ou emocionar o público”.

No primeiro momento, trataremos de analisar o processo de composição da webnotícia do G1 sob a abordagem da Semiolinguística, que trata sobre uma problemática de gêneros a partir da situação específica de comunicação e das condições materiais e contratuais em que é produzido um determinado gênero.

O dispositivo cênico considerado para a produção, circulação e recepção da notícia jornalística mostra como acontecem as estratégias de encenação da informação dentro do processo de composição do gênero, determinando a construção da webnotícia e tratando a informação de acordo com os modos de organização ligados à encenação narrativa e à encenação descritiva, conforme Quadros 6 e 7.

Basicamente, mostramos, a partir das finalidades do contrato de informação midiático, como se dão as duas visadas: a visada da informação, o “fazer saber” como o desafio à credibilidade e a visada de captação como desafio da dramatização, o “fazer sentir”. Na primeira, nós nos reportaremos às duas atividades linguageiras para explicar como acontece a encenação icônico-verbal da webnotícia e à elaboração do infográfico com seus modos semiológicos: a descrição-narração e a explicação.

Além disso, usamos as categorias semiolinguísticas de organização da encenação narrativa e descritiva a partir dos procedimentos de “Nomear”, “Localizar- situar” e “Qualificar” para justificar as representações pluricódicas que apresentam o infográfico como um traço constitutivo e recorrente da produção da matéria jornalística do G1.

Quanto à segunda visada, explicamos como o jogo intencional do informante incide sobre o comportamento dos webleitores do G1, como estratégias de persuasão e sedução para com a notícia. Isto mostra como a configuração textual construída a partir do infográfico influencia o comportamento do leitor que busca informar-se diariamente pela internet.

No segundo momento, procedemos à análise do infográfico com suas funções discursivas, constituindo-se, assim, uma excelente estratégia discursiva no enriquecimento da produção jornalística. Como já mencionamos, o infográfico é elaborado a partir de duas dimensões textuais: a verbal e o visual (não verbal) numa relação indissociável entre texto e imagem. É um recurso indispensável à reelaboração da webnotícia, porque ele é capaz de trazer-lhe esclarecimentos que se tornariam confusos. “Aqui design gráfico, apuração, produção, tudo gira em torno da execução de um produto diferenciado, único.” (TEIXEIRA, 2010, p. 56).

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