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Segundo Lakatos e Marconi (2003, p. 165), “a coleta de dados é a etapa de pesquisa em que se inicia a aplicação dos instrumentos elaborados e das técnicas selecionadas, afim de efetuar a coleta dos dados previstos”. Para as autoras, é uma tarefa cansativa que nos requer esforço pessoal, além de paciência e cuidadoso registro dos dados da pesquisa, principalmente se for uma investigação no campo da AD.

A coleta de dados é uma etapa em que se estabelecem esses “contrastes” e essas “diferenças” que existem entre um texto e outro, como nos Charaudeau (2005b). Isso se torna importante para que o pesquisador considere o estudo das características próprias ao corpus definido durante a pesquisa.

Essa etapa aconteceu de forma estratégica: o pesquisador utilizou a página do Facebook como ferramenta de acesso aos sites de notícias, através de um importante recurso oferecido pelos serviços de networking chamado “fanpage” 10

que disponibiliza opções como like ou “curtir”. As “fanpages” são criadas nas redes sociais para compartilhar principalmente a manchete das notícias, além do link para acesso, que direciona o leitor ao portal jornalístico. A forma com que o G1 mostra o perfil na rede é diferente: exibe intencionalmente o infográfico no lugar da manchete. Isso nos despertou o interesse para lermos as webnotícias do portal. O visual pretendido pelo recurso pluricódico (o design) chama a atenção dos leitores. Assim, a escolha pelo Portal de Notícias da Globo também foi intencional.

10 Chamada também de “página para fãs”, página específica do Facebook para anunciar marcas ou produtos de

empresas, com o intuito de manter a comunicação do canal com os usuários fãs. Confira <https://resultadosdigitais.com.br/blog/fanpage-facebook/> Acesso em: 02 abr.2018.

O período compreendido ocorreu entre agosto de 2016 e janeiro de 2017, após o encerramento da disciplina de Métodos de Investigação Linguística e anterior ao da Qualificação do projeto de pesquisa, na Universidade Federal do Ceará – UFC.

Entre um intervalo e outro da pesquisa, tivemos a preocupação de buscar os dados que, a priori, faziam sentido ao que pretendíamos investigar. Com um olhar focado de sujeito-pesquisador e com interesse maior por webnotícias, percebemos um diferencial na produção de matérias jornalísticas no Portal de Notícias da Globo – o G1: um investimento maior na elaboração de infográficos.

Esse fenômeno logo nos chamou atenção pelo fato de que a infografia, desde muito tempo, vem sendo uma estratégia jornalística em que se utiliza a hipermídia (a exemplo da infografia animada, que apresenta elementos audiovisuais). Além do mais, os recursos de design tanto são usados pela mídia impressa (jornal, revista) quanto pela mídia digital (webjornal). No suporte online, a elaboração de infográficos tem crescido significativamente e, cada vez mais, fazendo com que o webjornalismo evolua à medida que se torna uma importante atividade de informação e divulgação do matérias que visam ao conhecimento científico.

Podemos mostrar, através dos links abaixo, o diferencial existente entre os portais de notícias G1, R7 e UOL. Para efeito de demonstração, apresentamos dois exemplos de webnotícias que relatam fatos recentes e de grande repercussão pela mídia internacional11.

Podemos observar que cada portal investe, em seu layout vários recursos na produção de seus textos noticiosos, tais como formato composicional, tipografia e cores, manchetes, imagens, além de elementos audiovisuais, como vídeos. Porém, dentre os três organismos de informação, apenas o G1 tem um investimento tecnológico recorrente na elaboração de infográficos de suas matérias jornalísticas (notícias e reportagens).

Observamos ainda que as webnotícias, cujos fatos retratam temas recentes e sociais, estão ligadas ao domínio temático relata acontecimentos

11

Para conferir, leia as notícias em <https://g1.globo.com/mundo/noticia/estado-islamico-reivindica-autoria-de- atentado-em-nova-york.ghtml>. Acesso em: 01 nov.2017.

<https://noticias.r7.com/internacional/atropelamento-deixa-mortos-perto-do-world-trade-center-em-ny- 31102017>. Acesso em 03 nov.2017.

factuais, tais como acidentes aéreos, tragédias envolvendo atentados terroristas, até mesmo veicula informações sobre economia, tecnologia, saúde e educação, dentre outras. Tudo isso pode ser objeto de pesquisa. Mas o rigor científico nos obriga estabelecer critérios consistentes e exequíveis para a seleção do corpus que passa por uma sistemática de análise.

Nesse sentido, baseando-nos na abordagem semiolinguística, enumeramos três critérios de ordem textual-discursiva que justificam a seleção e a coleta dos dados para esta pesquisa, sob a hipótese de que o infográfico, como um texto pluricódico recorrente, constituiria um traço distintivo e característico no processo de composição da webnotícia do G1.

Quatro critérios básicos justificam, até certo ponto, a escolha do corpus: a situação de comunicação específica, o tipo de contrato de comunicação, o dispositivo cênico (dispositivo material) e o gênero discursivo (com sua estrutura e efeitos).

a) A situação de comunicação específica (o webjornalismo do G1): a situação é que define o ato de linguagem entre os sujeitos que participam da encenação icônico-verbal: a produção, a circulação e a recepção da webnotícia do G1;

b) O tipo de contrato (o “contrato de informação midiático” é um acordo prévio celebrado entre os parceiros da situação de comunicação que possuem uma identidade: G1 e o webleitor): para obter a credibilidade da notícia veiculada na web, o organismo de informação joga com a visada do “fazer saber”, ao usar os procedimentos narrativos da descrição-narração e explicação sobre os fatos, para garantir, assim, a veracidade das informações por meio do infográfico vinculado à matéria jornalística. O G1 procura emocionar o leitor, “desencadeando seu interesse e a paixão pela informação que lhe é transmitida.” (CHARAUDEAU, 2015a, p. 92) de modo a se mostrar uma instância midiática legítima e comprometida com a seriedade na divulgação dos fatos.

c) O dispositivo cênico (o dispositivo material – o midiático): referem-se às circunstâncias materiais do contrato. Com o acesso cada vez mais à internet pelos webleitores do G1, as notícias online despertam maior atenção dos leitores, já que toda a configuração que a webnotícia do G1 possui através de suas ferramentas hipertextuais e da conexão entre os links auxilia na busca pela informação em tempo

real, já que o dispositivo material é, para Charaudeau (2015a, p. 70), “um objeto de uma montagem cênica pensada de maneira estratégica”.

d) O gênero discursivo (a webnotícia do G1): ao definir a finalidade e o propósito comunicativo, podemos justificar a escolha desse gênero jornalístico, a partir dos critérios de noticiabilidade, de visibilidade, de legibilidade e de inteligibilidade. Pelo primeiro critério, podemos apontar os valores-notícia que mostram a razão de ser e a relevância que apresenta a webnotícia do G1 para a seleção de fatos interessantes, recentes e significativos para a informação do webleitor. Pelo segundo, a webnotícia do G1 é facilmente encontrada e apreendida pelo leitor, seja por dispositivos móveis, pelas redes sociais ou mesmo noticiada pela TV a que ela se vincula (a Rede Globo), além de consideramos, quanto ao processo de produção, circulação e recepção do texto, a configuração (layout) e o design de arte que chamam a atenção do leitor. Pelo terceiro, exigem-se da webnotícia do G1 as escolhas efetuadas quanto à paginação (principalmente o texto com ilustrações, recursos audiovisuais e infografia) e à redação dos títulos. Por último, o critério de inteligibilidade diz respeito aos comentários do acontecimento relatado, de esclarecer o “porquê” e “o como” da notícia veiculada pelo organismo de informação midiática.

Lembramos que os dados selecionados e coletados na pesquisa servem como uma amostra, já que as webnotícias publicadas pelos portais estavam dentro dos padrões exigidos por nós pesquisadores.

Sob um esquema representativo, podemos ilustrar, a seguir, esses quatro critérios de justificativa para seleção/coleta dos dados de nossa pesquisa a partir dos pressupostos teórico-metodológicos da Semiolinguística.

Figura 13 – Critérios que definem a seleção e a coleta dos dados

Fonte: Elaborado pelo próprio autor, com base em Charaudeau (2015a).

De acordo com a Figura 13, percebemos que há uma estreita relação entre os quatro critérios que definem a seleção e a coleta dos dados da pesquisa, com base na Semiolinguística. A própria situação de comunicação (jornalística), que orienta o processo de composição do gênero webnotícia, define-se pelo contrato de informação midiática (com suas restrições: identidade dos parceiros, finalidade comunicativa, domínio temático e dispositivo cênico) e se liga diretamente ao Portal de Notícias da Globo – o G1, o dispositivo cênico.

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