A disciplina de História da Educação Brasileira está organizada em 188 páginas, das quais extraímos os seguintes resultados:
Gráfico 2 – Recursos multimodais – HEB
A partir destes dados, podemos observar que apenas 11,01% dos recursos multimodais presentes em todo material referenciam a imagem como texto em oposição à quantidade de páginas, 63,3%, utilizam apenas do texto verbal para transmissão das informações. Os demais são destinados ao uso da imagem apenas para ilustrar o texto escrito e 5, 85% para os pré-textuais.
Esclarecemos que o percentual destinado ao uso de imagem referenciada no texto verbal corresponde a uma única ocorrência em que o elaborador do material nomeou um conjunto de 12 figuras como sendo uma fotomontagem. Por essa razão, consideramos cada figura deste conjunto como uma incidência de imagem como texto. Veremos, mais adiante, com base na análise dessa ocorrência, Figura 36, algumas considerações que permeiam essa estrutura composicional.
O gráfico também nos mostra que os infográficos, charges, tirinhas, tabelas e box representam apenas 37,61% de uso dos recursos multimodais e, destes, nenhum infográfico é utilizado ao longo do material. Entendemos que, ao analisar o MDI, mesmo tendo o caráter de ilustrar, tais recursos poderiam ser mais empregados ao longo do material,
51,38 31,19 6,42 0,00 11,01 0,00 10,00 20,00 30,00 40,00 50,00 60,00
Referência Tabela e Box Charges e
tirinhas
Infográficos Imagem
refenciada como texto
especialmente por se tratar de um conteúdo que permite o uso desses elementos imagéticos como mecanismo para facilitar a apresentação do conteúdo.
Destacamos, ainda, a incidência das ilustrações ao longo de todo material que representam, no total, 51,38% dos recursos multimodais. Para melhor visualização do uso das ilustrações, desdobramos essa categoria nas referências ao conteúdo, à bibliografia e a autores e personalidade e obtivemos o seguinte resultado:
Gráfico 3 – Tipos de referência – HEB
A partir destes dados, podemos observar que, dos 51,38% dos recursos multimodais, o referido material destina 50% das ilustrações para referenciar o conteúdo, o que destacamos como ponto positivo, tendo em vista a relevância dada às informações relacionadas ao conteúdo programático. Nestes casos, encontramos, na maioria deles, conforme a categoria de conexão de informações apresentada por van Leeuwen (2005), a relação imagem e palavra em que há extensão de sentido, ou seja, por meio da similaridade, o conteúdo do texto é semelhante ao da imagem e há, também, a ideia de complementaridade em que o conteúdo da imagem acrescenta mais informações ao texto e vice-versa.
Em relação à imagem referenciada como texto pelo elaborador do material, situação já mencionada anteriormente, a disciplina de História de Educação Brasileira possui 12 imagens, denominadas pelo autor como figuras, devem ser tratadas como texto, o que representa 11,01% de todos os recursos multimodais presentes no material. Elas estão organizadas em uma única página e foram nomeadas pelo autor como sendo uma fotomontagem, conforme destaque na imagem a seguir.
50,00 26,79 23,21 0,00 10,00 20,00 30,00 40,00 50,00 60,00 Referência ao conteúdo Referência à bibliografia Referência a autores e personalidades
Tipos de referência
Figura 46 – Imagem referenciada como texto (Aula 13 – HEB)
A imagem retratada pelo elaborador do material didático como sendo uma fotomontagem é composta por 6 capas de revistas, 2 charges, 1 foto de matéria jornalística e 3 fotos que ilustram os fatos ocorridos na ocasião do governo do então presidente Fernando Collor de Melo. Mesmo existindo relação de sentido entre as imagens selecionadas para compor a Figura 46, não as consideramos como fotomontagem, uma vez que, como o material mostra, as indicações individuais para cada imagem sem que exista algum aspecto que proporcione essa ideia de um todo.
Para reforçar a compreensão em relação aos aspectos composicionais, recorremos ao conceito de estruturação apresentado por Kress e van Leeuwen (1996[2006])
para afirmar que, mesmo havendo a intenção de tratar o conjunto de imagens como uma fotomontagem, não é possível entendê-la assim, tendo em vista a estruturação forte em razão da ausência de elementos que permitam que os objetos sejam interligados, ou seja, o nível de conexão entre os elementos da imagem é inexistente.
Embora haja referência à imagem como texto, ainda assim, entendemos que pouco se aborda, por exemplo, essa diversidade de gêneros textuais empregada na mesma imagem, bem como não fica clara para o estudante/leitor a razão da variedade de tipos de imagens. Nesse sentido, ressaltamos que, mesmo havendo relação de sentido entre as imagens, não houve, por parte do elaborador do material, a expressa intenção de estabelecer essa relação, especialmente no que diz respeito às escolhas das imagens.
Nessa perspectiva, conforme categorias de coesão apresentadas por van Leeuwen (2005), compreendemos que a relação da imagem como texto desencadeia, mesmo que sutilmente, uma proposta de ancoragem no que se refere à conexão de informações, uma vez que pela leitura do texto a imagem se torna mais específica. Fora dessa contextualização, não seria possível compreender, por exemplo, a função da imagem representada pela figura 3 do conjunto das figuras.
Considerando esses aspectos, entendemos que, mesmo sendo uma imagem rica de conteúdo tomada de significado, o elaborador do material didático poderia ter incentivado o estudante/leitor a construir sentido nas relações entre elas, bem como estabelecer, a relação das imagens com a temática da aula. Dessa maneira, a fotomontagem, como designada pelo autor do texto, é subestimada enquanto possibilidade de oportunizar reflexões e discussões do conteúdo programático, minimizando, assim, as possibilidades de ampliar o processo de aprendizagem.