CHAPITRE 3 PRÉSENTATION DES RÉSULTATS
3.3 Élaboration du cahier des charges de l’outil d’aide à la décision
A metafunção composicional está relacionada, diretamente, aos aspectos do
layout, dos elementos visuais da imagem. Por essa razão e por compreender que é a forma
que se aproxima do entendimento mais amplo dos recursos multimodais no que se refere à composição, utilizaremos esta metafunção, sempre que possível, para analisar as imagens presentes no material didático, uma vez que buscaremos nos aspectos composicionais, encontrar elementos que assegurem a relevância de se ler a imagem como texto a partir da concepção apresentada por Kress e van Leeuwen (1996[2006]). Reconhecemos, também, na composição visual a inserção informações que podem ser determinantes no processo de ensino e aprendizagem e, por isso, devem ser reconhecidas sem serem subutilizadas. Afinal, as imagens são dotadas de muitos significados e a presença, especialmente, em um material didático não pode ser minimizada à função estética do texto como todo.
Para melhor compreender os significados composicionais, Kress e van Leeuwen (1996[2006]) apresentam como mecanismo para análise das imagens na perspectiva estrutural da imagem as seguintes categorias: valor informativo, saliência e estruturação apresentados a seguir.
a) Valor informativo
Podemos observar que a metafunção composicional, além do que a GDV expõe como categoria de análise, também é apresentada por van Leeuwen (2005) com tipo de coesão entre os elementos que compõem o texto. Assim, como vimos no Capítulo 3, o tipo de coesão que trata de aspectos composicionais traz muitas semelhanças ao que a GDV apresenta como valor informativo, sendo a relação entre as duas perspectivas a seguinte:
Figura 20 – Relação entre a coesão composicional e o valor informativo
Vejamos, na sequência, como essa relação entre os elementos da imagem ganham significado a partir da sua disposição composicional realizada pela posição em que o participante e o espectador ocupam (esquerda/direita; topo/base; centro/margem) compondo as estruturas.
i. Esquerda/direita
O elemento localizado à esquerda da página é apresentado como dado, e o elemento à direita como o novo. Segundo Kress e van Leeuwen (2000, apud Novellino 2006, p.82). O que está à esquerda da composição imagética é familiar ao leitor, contém informações já fornecidas e compartilhadas e é considerado como ponto de partida para a leitura da mensagem como um todo. No entanto, a informação que está à direita da imagem é considerada como novo e, por essa razão, é necessário que seja disponibilizada maior atenção. Dessa forma, podemos inferir que a informação que está à direita da estrutura imagética possui maior relevância em relação aos demais elementos da imagem.
ii. Topo/base
O elemento localizado no topo da página é apresentado como ideal, e o elemento na parte inferior é o real. Essa categorização possui uma carga ideológica no que diz respeito ao posicionamento dos elementos imagéticos, uma vez que Kress e van Leeuwen ([1996] 2006) atribuem a essa disposição imagética a ideia de que o que está disponibilizado na parte superior da imagem é uma representação idealizada do que é considerado real, ou seja, o que apresenta elementos factuais disponibilizado na parte inferior da composição como um todo. Coesão composicional Horizontalidade Esquerda/direita Valor informativo Verticalidade Topo/Base Centralidade Centro/margem
iii. Centro/margem
O elemento localizado no centro é apresentado como central, e o elemento localizado na margem como marginal. Dessa forma, a GDV considera como mais relevante os elementos disponibilizados no centro da composição em relação ao que está à margem do texto. Portanto, o que está posto no centro será o núcleo da mensagem e os elementos marginais terão menor valor, sendo considerados como subordinados ao elemento principal.
Na tentativa de esquematizar o grau de relevância de um elemento visual em relação à composição imagética como um todo, criamos um quadro que sintetiza as definições apresentadas por Kress e van Leeuwen para sistematizar o valor informativo da imagem no texto.
Figura 21 – Resumo da categorização do valor informativo da imagem adaptado da GDV (1996[2006])14
Com base na perspectiva apresentada por Kress e van Leeuwen (1996[2006]), entendemos que o grau de relevância de um determinado elemento em uma composição imagética, ou seja, o seu valor informativo, é possível a partir da disposição deste elemento no texto. Assim, tomando o esquema apresentado na Figura 21 como base para nossas considerações, reconhecemos que a informação apresentada no canto superior direito possui maior grau de relevância em relação aos demais elementos. Dessa forma, o ponto A, representado na imagem, possuirá maior valor informativo do que o ponto B. Por essa razão, 14 Estruturação nossa. CENTRO A B DADO RE A L ID E A L <-M A R G EM -> <-M AR GEM -> Gra u de rele vânc ia <-M A RG EM -> <- M A R G EM -> NOVO
ao dispor um elemento no referido quadrante da imagem, o produtor do texto estará dando a essa informação um alto valor informativo, como indica a seta que representa o grau de relevância presente no esquema. Da mesma forma, ao distanciar desse ponto central e avançar para a margem do texto, em especial, a margem do quadrante inferior esquerdo, será atribuído a essa informação um baixo valor informativo.
Figura 22 – Imagem da capa do Filme Sociedade dos Poetas Mortos (Aula 5 – IEL)
Ainda utilizando a imagem da capa do filme Sociedade dos Poetas Mortos, Figura 22, podemos constatar, quanto ao valor de informação e considerando o grau de relevância, que a imagem do professor é mais relevante que os demais elementos da imagem tendo em vista a sua disposição na estrutura imagética. Nesse sentido, os elementos que estão à margem, incluindo os estudantes, possuem menor grau de relevância. Essa categorização confirma a imagem do professor como protagonista da história e reforça a teoria defendida por Kress e van Leeuwen (1996[2006]) ao sistematizar as categorias de análise presentes na GDV, bem como os aspectos de coesão apresentados por van Leeuwen (2005) em estudos posteriores. Dessa forma, podemos afirmar que a imagem possui coesão, bem como é tomada por detalhes que afirmam o valor de informação da trama do filme já bem conhecida do público em geral. CENTRO A B DADO RE A L ID E A L <-M A R G EM -> <-M AR GEM -> Gra u de rele vânc ia <-M A R G EM -> <- M A R G EM -> NOVO
b) Saliência
Realizada pelos efeitos do tamanho, cores e localização no primeiro plano, moldura distintiva e profundidade de foco, a saliência refere-se à ênfase dada a certos elementos em relação a outros na imagem. Por isso, o grau de importância ou relevância de uma determinada informação se dá em razão do uso desses atributos, assim, os elementos poderão ser realçados na medida em que são construídos tendo como artifícios de produção a intensificação da cor, do contraste, da superposição em relação a outros elementos, entre outros.
Figura 23 – Saliência – Imagem da capa da revista Nova Escola (Aula 1 – IEL)
No exemplo utilizado para demonstrar a categoria saliência, Figura 23, encontramos a capa da revista Nova Escola que trata da temática de inclusão. Para dar ênfase ao tema, o produtor aplicou alguns atributos à imagem, especialmente às mãos para ilustrar a leitura em braile e, assim, contemplar os portadores de deficiência visual como indivíduos inseridos na temática: evidenciou o tamanho das mãos e as colocou em primeiro plano e aplicou distinção de foco para chamar atenção para as mãos em relação ao fundo da imagem. Analisando nesse prisma, podemos constatar que o produtor salientou a imagem em relação ao texto verbal desencadeando em um conjunto coeso no aspecto da complementaridade entre o texto escrito e o não verbal. Ressaltamos que, mesmo o exemplo apresentado tendo usado o tamanho em uma proporção maior como atributo para saliência, não necessariamente um dispositivo saliente tem de ser grande.
Nessa perspectiva, entendemos que a escolha de um ou outro artifício que resulte na composição imagética a ênfase a um determinado elemento, pode ser considerada uma estratégia do produtor da imagem, uma vez que, em relação à estrutura do texto, a imagem propriamente dita, a relevância por que passa um elemento ocorre em razão da necessidade de chamar atenção a uma informação considerada, pelo elaborador do texto, como mais importante em detrimento das demais. Portanto, essa estratégia seria a força argumentativa para atribuir maior grau de importância e, dessa forma, despertar no observador essa intenção do produtor da imagem.
c) Estruturação
Essa categoria de análise diz respeito à presença ou à ausência de objetos interligados, ou seja, é o nível de conexão entre os elementos da composição imagética. Por isso, as identidades visuais podem se relacionar quando estão conectadas ou podem estar separadas à medida que não possuem mecanismos que possibilitem a identificação de que há relação entre elas.
Almeida (2008, p. 8), amparada nas concepções de Kress e van Leeuwen (1996), aponta que
A conexão é criada toda vez em que as conjunturas que marcam as unidades distintas dos textos visuais estão ausentes. Diz-se, então, que a imagem possui uma estrutura fraca, já que os seus elementos estão interligados em um fluxo contínuo, através de cores e formas semelhantes, vetores conectivos, ou seja, em função da ausência de linhas de estruturação, o que evoca um sentido de identidade de grupo. (ALMEIDA, 2008, p. 8)
Nesse contexto, entendemos que o contrário ocorre quando os elementos estão desconectados. Neste caso, os contrastes de cores e formas estão em evidência, criando uma ideia de individualidade e, dessa forma, atribuindo um valor de estruturação forte entre os elementos do texto visual, tendo como parâmetro a categorização apresentada para a metafunção composicional.
Destacamos para exemplificar, a partir do Material Didático analisado, uma imagem, Figura 22, que tem como atributo de composição a estruturação categorizada como fraca, ou seja, uma imagem em que não há conexão entre os elementos composicionais.
Figura 24 – Estruturação fraca (Aula 13 – HEB)
Ao observar a imagem, percebemos que não há uma linearidade na estruturação, desencadeando uma imagem com baixa conexão entre os elementos imagéticos, ou seja, como estruturação fraca. Veremos, mais adiante, no capítulo de análise das imagens, quais os impactos que essa categorização pode exercer no leitor em relação à compreensão e entendimento da imagem como texto, uma vez que, por si só, essa imagem é um todo dotado de significado e muito tem a dizer ao leitor, especialmente no contexto em que foi inserida.
No capítulo seguinte, apresentaremos as condições de produção do material didático utilizado como objeto dessa pesquisa, dando ênfase à produção das representações imagéticas, bem como aos atores envolvidos no processo.