1.1 La R´eionisation une ´etape cl´e de l’histoire de l’Univers
2.1.2 Simulations
2.1.2.4 Le code ATON pour le transfert du rayonnement 53
Percebemos em Flores (1996) que a história, a partir de Heródoto, historiador grego, constitui-se como pesquisa tendo como objetivo religioso a narrativa das guerras associadas ao castigo dos deuses. Vejamos, a seguir, outras abordagens da história:
Tucídedes busca as histórias narrativas, pragmáticas, com o objetivo de ensinar ética.
Sob outra perspectiva, a história sociológica ou evolutiva, de Guizot, é a que mostra a utilidade narrativa dos fatos relacionando causa-efeito.
São seus seguidores proeminentes: Mommsen, Ranke, Thierry, Thiers, Macaulay, Carlyle, Oliveira Martins.
A compreensão da história relacionada à sabedoria divina é a forma concebida por S. Paulo, Santo Agostinho e S. Tomás de Aquino.
Outra maneira de ver a história é a dos idealistas (Kant, Hegel e Croce), ou seja, para eles a história é fruto da intervenção da inteligência divina sobre os fatos humanos, ou seja, há aceitação, em parte, da concepção divina onde o princípio intrínseco superior a natureza é o espírito humano.
Temos, também no século XIX, a posição de Comte, Marx, Condorcet e Spengler formam o grupo dos naturalistas contrários à intervenção divina sobre os fatos. À guisa de exemplificação, tomamos as posições de Comte e Marx diante da história: para o primeiro, a história é regida por leis invariáveis dos fenômenos humanos, a partir dos três estágios: teológico> metafísico> científico → história positivista; já o segundo, compreende a história como modificação vice-versa da infra- estrutura pela superestrutura → Materialismo Histórico.
Para finalizar, apresentamos a posição revolucionária dos membros da Revista dos Annales, fundada por Lucien Febvre e Marc Bloch, mudando o perfil do fazer história. Para Bloch, a razão orienta a história mediante a um esforço para entender melhor os atos coletivos humanos, ou seja, a coisa em movimento. No caso, o objeto da história são os atos coletivos humanos. Seguindo esta direção, Fernand Braudel e seus seguidores (Jacques Le Goff, Michel Vovelle, Philippe Áries, Philippe Wolff e George Duby) apontam três níveis de história, a seguir denominados: 1. História de longa duração, apresentando aspectos imutáveis e mutáveis (no
duração, marcada por mudanças e tendências em um tempo médio. 3.
História de curta duração, contempla o tempo do evento e o tempo da
biografia.
O homem, à medida que toma consciência de sua natureza histórica, preocupa-se em registrar tudo o que observa diante de si mesmo e a sua volta. O registro, de uma certa forma, garante ao ser do homem a sua memória que o transcende pela busca de uma certa eternidade.
1.2. Historiografia
Apresentamos, sem nos alongar muito, a noção geral de historiografia deixando de fazer a abordagem da história da historiografia1; e, deste modo, tomamos as posições mais recentes de Pierri Vilar e Michel Vovelle (apud D´ALESSIO, 1998) que melhor traduzem a historiografia atual, sem desmerecer os demais. E, por último, explanamos o motivo da escolha da linha historiográfica geral que mais se aproxima ao intento de nossa pesquisa.
Diante das diversidades de formas conceituais de história, temos, ainda, uma diversidade de abordagens historiográficas. Grosso modo, podemos dividir a historiografia em dois grupos: a Escola História Factual (Revista Histórica – Alemanha) e a Escola dos Annales (Revista dos Annales – França). A primeira procura a relação causa-efeito sob o aspecto pragmático da narrativa dos fatos. E a segunda traduz os atos coletivos humanos sob a luz da razão que direciona o entendimento dos atos sociais.
1
Mendes (2004) sintetiza, a respeito da posição da historiografia atual, o seguinte:
Para os autores, a abordagem historiográfica procura buscar a compreensão da história por meio das obras históricas, das visões ou teorias que as orientam ou circunstanciam, assim como o estudo das forças de percepção, ou seja, das perspectivas ou ideologias que subjazem as obras, no interior das quais ganha realce o significado de temas e problemáticas selecionados. (MENDES, 2004, p.15).
Destarte, a historiografia cumpre um papel crítico ao problematizar a história, quando a visualiza por intermédio dos elementos ideológicos presentes nas narrativas históricas, por exemplo. A ideologia marca as tendências não somente filosóficas, mas sócio-culturais, porque inscreve os atores sociais das narrativas no movimento geral das sociedades. A importância, para o historiógrafo, do elemento da ideologia vem explicar a direção íntima da história. A direção que norteia a narração dos fatos históricos denotando a visão do homem em sua época do período histórico. D´Alessio (op.cit, p.26) aponta-nos que há uma enorme separação entre a abordagem da história “positivista” do final do século XIX e a história feita no momento. A “história-objeto” vem revolucionar a formação do conceito novo de tempo, como por exemplo: “a noção marxiana de estrutura e a ‘dialética da duração’ braudeliana”. Para Marx, no Materialismo Histórico, a modificação na infra-estrutura implica a alteração da superestrutura e vice-versa. O tempo, no caso, é marcado pela mudança da infra-estrutura sobre a superestrutura e vice-versa, ou seja, sempre que houver a mudança em um desses elementos estruturais, ela acarretará, automaticamente, alteração no outro elemento estrutural. Em
Braudel, a “dialética da duração” compreende três níveis da história, assim denominados: história de longa duração, história de média duração e
história de curta duração. Os “aspectos imutáveis” da história de longa duração compreendem os elementos ideológicos, principalmente, presentes em um longo espaço de tempo; e os “aspectos mutáveis” da história de longa duração ocorrem no tempo médio e curto marcado pela expressividade temporária dos acontecimentos históricos. As “mudanças” e as “tendências” dos acontecimentos históricos estão inscritas em um tempo médio da história de média duração. Já o “tempo do evento” e o “tempo da biografia” registram a história de curta duração.
Pierre Vilar e Michel Vovelle representam a historiografia clássica da França. O primeiro é oriundo da “Escola Metódica”, posicionando-se
contrário ao abstracionismo filosófico da história; e o segundo é um dos seguidores de Fernand Braudel, aderindo à idéia de “tempo longo”
possibilitando a observação dos elementos que permanecem com a formulação nocional da mentalidade (D´ALESSIO, op.cit, p. 17 – 21).
Resumidamente, Vilar (apud D´ALESSIO, op.cit, p.69 – 71) aponta- nos três caminhos para abordar a história, assim descritos: 1. Demarcação de um território (Estado, região típica geograficamente, região administrativa desde que atenda “uma unidade possível de ser observada”). Em seguida, faz-se a delimitação temporal estabelecendo ligações de ocorrências que se modificam entre o homem e a terra. 2. Análise de um “evento” que trata da “causa” (âmbito global) dos “fatos sociais, psicológicos, internacionais e o conjunto do mundo em torno do evento”. 3. Exame social de um problema partindo da visão focada na base de uma sociedade para chegar ao seu ápice norteado por “comparações internacionais”.
Ainda sob este ponto, Vovelle (apud D´ALESSIO, op.cit, p.106 – 109) insiste na noção de “ruptura, de mutação no tempo curto” como forma de
olhar a história. Isto não desmerece o reconhecimento legado pela “longa duração braudeliana”. Para ele, “[...] o significado da ruptura, destas formas de aceleração da história, destas seqüências em que, parece, todos os indicadores se põem em movimento na sincronia” (p.107). Assim, não podemos perder de vista a coletividade dos atos humanos entrelaçando-os dialeticamente entre o tempo de curta duração ao tempo de longa duração. A implicação, no caso, é decorrente da aquisição social dos elementos ideológicos norteadores dos processos de ruptura.