2.4 Approches coop´ eratives pour le traitement du probl` eme des r´ eponses pl´ ethoriques
2.4.3 Classification des r´ eponses pl´ ethoriques
de homenagem a Leal da Câmara
Aquilino Ribeiro é um nome que Leal da Câmara gosta de in- cluir na lista dos conferencistas em programas de exposições. A participação do escritor garante a qualidade da iniciativa cultu- ral e a presença do público artístico e literário da capital. No con- junto das missivas de Leal da Câmara há referência a pedidos de colaboração a Aquilino Ribeiro para participar em conferências com o tema à sua escolha e para a redação do texto de apresenta- ção do catálogo da exposição de homenagem a Leal da Câmara, promovida pela Sociedade Nacional de Belas Artes, em 1947.
Num postal de 26 de fevereiro de 1938, ainda endereçado do ateliê do artista na rua do Século, ilustrado com um desenho de um pássaro e com o escrito – Humoristas Portugueses –, com poema de Camões (ver anexos, postal D11/1072), Leal da Câmara, que preside à Sociedade do Grupo dos Humoristas, vem pergun- tar a Aquilino Ribeiro se sempre está disponível para partici- par, com uma conferência, no programa da exposição do artista
caricaturista, para março. Pela missiva, Aquilino ainda não tinha respondido a uma carta anterior de Leal, na qual lhe teria pro- posto a participação como conferencista.
Neste postal de fevereiro, o artista quer a confirmação de Aqui- lino Ribeiro, apesar de o Mestre caricaturista já ter sabido pelo pintor Abel Manta da aceitação do escritor “Você ainda não res- pondeu à minha carta mas o Manta voltou a confirmar a sua bôa disposição em fazer a tal conferência, o que desde já muito agra- deço (…) Convinha-me que fosse o fecho deste “plano quinquenal” que tenho estado desenvolvendo por humorismo (…). Diga-me se posso anunciar a sua palestra para o dia 16 de Março.”168
Leal da Câmara, numa outra carta, não datada, em papel tim- brado do Grupo dos Humoristas Portugueses, com um verso de Almeida Garrett e assinado L.C. (ver anexos, carta D11/1072), fala a Aquilino Ribeiro da realização da exposição que estará patente ao público em Lisboa, entre os dias 5 e 16 de março (1938). O artis- ta está a contar com a palestra prometida pelo escritor Aquilino Ribeiro e, por isso, pede-lhe que escreva para o seu ateliê a con- firmar-lhe o dia e o tema da conferência. Leal concretiza:
Como a nossa exposição se realizará entre 5 e 16 de Março, conviria que a conferência, fosse um d´esses dias. Meus os dias 5-6-14- pois nos dois pri- meiros dias há inaugurações e no dia 14 fará o Matos Sequeira, uma pa- lestra sobre a “Graça de outros tempos” desde o Cancioneiro até ao século XVIII. Diga, portanto, para esta casa, o dia – ou seja a noite que prefere e o titulo da palestra para que eu organize o que é necessário, prepare o local da conferência.169
Leal da Câmara refere novamente a Aquilino Ribeiro que Abel Manta lhe tinha comunicado sobre a palestra que iria proferir no âmbito da exposição e Leal diz-lhe “Disse-me o Manta que você lhe falara na palestra prometida e aqui venho também lembrar- -lhe que nós todos esperamos o seu sinal para anunciarmos “urbi e orbi “[à cidade de Roma e ao mundo] a sua conferência”.170 Este
ímpeto de Leal sobre a anunciação da conferência de Aquilino Ribeiro mostra como o escritor Aquilino Ribei-
ro é conhecido e recebido pela intelectualidade literária e artística da capital.
No programa do ciclo de conferências da ex- posição, Leal indica o nome do jornalista e es- critor Gustavo de Matos Sequeira (1880-1962) para dia 14 de março e refere-se ao título do tema da sua conferência. Sequeira é jornalista da Ilustração Portugueza, Atlantida e Panorama,
166. Carta de Lisboa, rua do Século, 50, s/d., D11/1114. 167. idem 168. Carta de Lisboa, Rua do Século, 50, 26 de fevereiro de 1938, D11/1072. 169. Carta de Lisboa, Largo do Calhariz, 17, s/d., D11/1116. 170. idem
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entre outras, político republicano (chefe de gabinete do Ministro das Finanças, Herculano Galhardo, em 1915) e escritor Olissipó- grafo. Na carreira profissional de Gustavo Sequeira (Wikipédia), na lista de conferências proferidas pelo escritor, consta uma pa- lestra de 1938 com o nome “O Humorismo de outros tempos”, na Sociedade dos Humoristas. Seria o primeiro nome do título da conferência de Matos Sequeira para inserir no programa provi- sório das conferências da exposição que teria sido alterado pos- teriormente, sem mudar o conteúdo do tema.
Nesta última carta, Leal da Câmara envia a Aquilino “um bole- tim e um palavreado” sobre a organização da exposição para ele ler e ver se tem “qualquer desenho ou gravura ou livro ou folheto para a secção A ou qualquer objeto popular das suas Beiras natais para a secção C (…) e se tiver qualquer coisa, mande para a expo- sição, pois é só do concurso de todos é que ela depende”. 171
Numa carta de 10 de janeiro de 1941, do ateliê do Largo do Ca- lhariz, em papel timbrado (ver anexos, carta D11/1073), Leal da Câmara escreve sobre a participação de Aquilino Ribeiro para uma outra conferência, no futuro congresso do Grupo dos Humo- ristas. Aquilino Ribeiro já tinha prometido a Leal da Câmara que participaria com uma comunicação sobre o conhecido caricaturis- ta português e escritor de ascendência francesa, André Brun que conhecera em Paris. Aquilino Ribeiro evocará na dita conferência o desenhador humorista pelo que ele teve “de espirito literário, de escriptor e de observador”.172 Brun tinha feito parte do grupo de
escritores que criaram a Sociedade Portuguesa de Autores (1925), tendo o escritor Aquilino Ribeiro como o grande impulsionador.
Na missiva, Câmara informa Aquilino que o jornalista e escri- tor Luiz de Oliveira, a quem Leal da Câmara tinha também so- licitado a sua presença com uma conferência, no Congresso e Exposição dos Humoristas, tinha passado pelo ateliê no Largo do Calhariz, para propor-lhe o tema da sua comunicação, que seria sobre o caricaturista André Brun. Leal da Câmara escreve que sugeriu a Luiz de Oliveira que falasse com Aquilino Ribeiro, uma vez que também o escritor tinha pensado participar com um tema sobre o desenhador humorístico.
Quando em 1947 a Sociedade Nacional de Belas Artes realiza uma homenagem ao artista pintor e caricaturista Leal da Câmara, patente ao público entre janeiro e fevereiro, com uma exposição sobre a sua obra (pintura, caricatura, móveis e decoração), com catálogo da exposição, Leal da Câmara, em 5 de janeiro, escreve a Aquilino Ribeiro para que lhe envie, com uma certa urgência, o texto que lhe tinha prometido escrever para a apresentação
do catálogo da exposição, uma vez que a data da exposição se aproxima “Preciso (…) que você me envie para o Calhariz, 17, o prefácio que me prometeu para o catálogo e que no dia 14 já lá esteja”.173 Na mesma carta, o artista pede a Aquilino Ribeiro para
lhe emprestar “os bonecos parisienses que lá tem, também se- ria bom que lá deixasse no (Calhariz) com quaisquer observações para efeito do catálogo” para terem lugar na exposição, assim como desenhos também oferecidos pelo amigo.
Numa outra carta de 16 de janeiro, Leal da Câmara adverte Aquilino para que combine com a tipografia, onde está a ser im- presso o catálogo da exposição, para lhe darem a prova do texto para o catálogo da exposição para ele rever “o mais depressa pos- sível pois o catálogo derivará da 1ª parte que é o seu texto”. 174
Em carta de 14 de fevereiro de 1947, Leal da Câmara agradece a Aquilino Ribeiro a sua colaboração no texto de apresentação do catálogo para a exposição das Belas Artes “desejo manifestar-lhe o meu reconhecimento pela colaboração que deu à “tal” home- nagem que me foi feita e marcará, pela sua data, esse episódio nacional, “caricaturesco”, como o teria classificado Goldóz”. 175
Leal escreve nesta carta que a data da exposição de homenagem pela Sociedade de Belas Artes ao artista (finais de janeiro e pri- meiros dias de fevereiro de 1947) marcará “esse episódio nacional caricaturesco”. Leal da Câmara refere-se à tentativa da revolu- ção republicana de 31 de janeiro de 1891? O dia revolucionário em que se chega a proclamar a República da varanda da Câmara Municipal no Porto, se hasteia a bandeira vermelha e verde, e, parecendo segura a conquista política republicana, bastam dois tiros para que num ápice se desmantele a força republicana? Será pelo desenrolar deste acontecimento revolucionário que Leal da Câmara relembra o político e escritor realista espanhol Benito Pérez Goldós (1843-1920) que retrataria
este episódio da História Nacional como “ca- ricaturesco”? A vasta cultura política, literá- ria e artística de Leal da Câmara e de Aquilino Ribeiro repercute-se, necessariamente, na sua correspondência.
Neste ano de 1947 aparece no espólio da corres- pondência de Leal da Câmara uma carta de 1 de agosto, expedida de Rinchoa, num dia antes da ida de Leal da Câmara para as Termas dos Cucos (Torres Vedras), com uma grave crise de gota, na qual envia uma carta da Sociedade de Belas Artes, com o nome do republicano jornalista
171. Carta de Lisboa, Largo do Calhariz, 17, s/d., D11/1116. 172. Carta de Lisboa, Largo do Calhariz, 17, 1 de março de 1941, D11/1078. 173. Carta de Lisboa, Largo do Calhariz, 17, 5 de janeiro de 1947, D11/1085. 174. Carta de Lisboa, Largo do Calhariz, 17, 16 de janeiro de 1947, D11/1086. 175. Carta de Lisboa, Largo do Calhariz, 17, 14 de fevereiro de 1947, D11/1088.
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e escritor Francisco Rocha Martins (1879-1952), que tinha sido endereçada a Leal da Câmara pela Escola de Belas Artes por não saberem da direção do escritor e lhe pedem para completar a dire- ção e para colocar a carta no correio. Câmara, com certeza muito abalado com o ataque de gota, solicita o favor a Aquilino Ribeiro para ele entregar a carta ao escritor Rocha Martins porque “cons- tato que êlle móra na Academia das Sciencias pois não acredito, pois não me parece que Rocha tenha o mau gosto de dormir com o Dantas ou com o Leitão. Aqui lhe entrego a carta que peço lh´a en- tregue pois também não sei a livraria onde ele costuma pousar”.176
Aquilino Ribeiro é sócio correspondente da Academia das Ciências de Lisboa desde 1935 (sócio efetivo em 1958), por isso, Leal pensa que talvez o escritor saiba da direção de Rocha Mar- tins que, desde 1913, é sócio efetivo da Academia. O artista Leal da Câmara, mesmo muito doente, não deixa de fazer uma críti- ca velada ao escritor Rocha Martins por este estar na Academia, juntamente com o escritor Júlio Dantas (1876-1962), que repre- senta a geração de escritores ainda do século XIX, como retrata Almada Negreiros no seu manifesto Anti Dantas.
Leal da Câmara, apesar de muito frágil de saúde, é um homem com um ânimo avassalador, cujo pensamento fervilha até mor- rer. Ainda a 2 de fevereiro de 1948, a poucos meses do seu faleci- mento (27 de julho), Leal escreve um postal a Aquilino, que deixa na Livraria Bertrand, convidando-o para um almoço na Paste- laria Marques, no Chiado. Leal escreve “Como lhe disse naque- le encontro “relâmpago” à porta da Bertrand. Gostaria de trocar impressões consigo a respeito de projectos e “pinsamentos” que afinal, não seriam afins em uma almoçarada colectiva, nas hor- tas”.177 Leal, sempre confiando, no seu amigo deseja falar-lhe, em
primeiro lugar, em algum projeto que tem em mente para, de- pois, talvez na sua Casa da Rinchoa, “nas hortas”, numa roda com outros amigos, provavelmente os mais indicados para a realiza- ção do projeto em mente, discutam objetivos e as ações.
2.6.6. Homenagem a Rafael Bordalo Pinheiro