CHAPITRE 5 : OXYDATION D’ÉTHERS ALIPHATIQUES
2. Cinétique du processus d’oxydation des éthers
Para realizarmos este estudo, torna-se necessária a escolha por uma teoria prosódica, a fim de nortear os procedimentos e as análises. Optamos pela teoria de Halliday (1970). A escolha por tal teoria se deu em função de esta nos fornecer uma noção clara de grupo tonal, além de ela ser muito bem construída e descrever a entonação de uma maneira objetiva.
O sistema adotado por Halliday (1970) é relativamente simples e trata dos aspectos rítmicos e melódicos que definem uma unidade entonativa. De acordo com a teoria de Halliday, existem quatro unidades fonológicas hierarquicamente relacionadas: o grupo tonal, o pé, a sílaba e o fonema.
O ritmo do português permite a formação de pés fonéticos iniciados sempre em uma sílaba tônica e que terminam imediatamente antes da próxima sílaba acentuada. O pé é a unidade básica do ritmo. Esta noção de pé foi proposta inicialmente por Abercrombie (1967) e desenvolvida por Halliday (1970). Posteriormente, foi melhor desenvolvida por teorias fonológicas, como a teoria métrica. Cada pé consiste em uma ou mais sílabas. A primeira sílaba no pé é sempre a saliente (acentuada). Assim, cada pé normalmente consiste em uma sílaba saliente sozinha, seguida de uma ou mais sílabas não-salientes (fracas). No nível do pé, são especificadas as relações abstratas de proeminência.
Passemos agora à definição de grupo tonal (GT), que é a unidade da entonação. Este é estruturado por dois elementos: o elemento tônico e o pretônico, sendo cada um deles composto por, pelo menos, um pé completo. Dentro do GT, há uma parte que é especialmente proeminente. É a parte que o falante quer mostrar ser a mais importante da mensagem. Esta parte proeminente é chamada proeminência tônica. A sílaba tônica é freqüentemente mais longa, mais forte e apresenta uma maior variação melódica do que as outras sílabas salientes do GT. Normalmente, em sua forma neutra, ela ocorre no final do GT, no último item lexical da frase. A função da tônica é mostrar o foco da informação: expressar o que o falante decide fazer com o que seja o ponto mais importante da mensagem.
É importante salientar que o GT não coincide necessariamente com nenhuma unidade gramatical, ele é, em si, uma unidade de significado, de informação. Podemos observar, dessa forma, que Halliday não define muito claramente os
limites do grupo tonal, mas, de maneira geral, este tende a coincidir com uma oração. Para o autor, o que determina o GT é uma variação melódica importante em uma sílaba tônica. Havendo uma só variação, haverá somente um GT.
Para a definição de fronteiras, segmentando o fluxo contínuo de fala em unidades melódicas, devemos levar em consideração os três sistemas de entonação descritos por Halliday: a tonalidade, a tonicidade e o tom.
A tonalidade nos permitirá uma divisão do contínuo melódico em grupos tonais. A tonicidade nos permitirá identificar a tônica proeminente. O tom corresponde a uma categoria abstrata que reduz o grande número possível de contornos melódicos foneticamente distintos que podem ser usados na fala em um número reduzido de contornos definidos dentro de funções gramaticais.
A relação entre tom e tonicidade pode ser entendida da seguinte forma dentro da teoria de Halliday (1970): enquanto o tom expressa as funções do discurso, a proeminência tônica expressa a estrutura da informação. Ou seja, a escolha do tom é relacionada ao modo, à modalidade, aos atos de fala, às atitudes, a todos os fatores que construirão a relação entre falante e ouvinte. E a escolha da proeminência tônica mostrará como a mensagem é dividida em unidades de informação, onde está a “informação nova” e como ela é ligada com o que foi dito antes.
O tom é a configuração melódica de um grupo tonal, é uma abstração feita do sistema melódico no nível fonológico. De acordo com Halliday, no Inglês, podemos
reconhecer cinco tons simples, que ele chama de tons primários, além dos tons compostos (constituídos por grupos tonais com duas sílabas tônicas salientes) e secundários (os quais indicam o uso marcado de um enunciado). Cagliari (1980) realizou uma adaptação deste sistema de tons para o Português, utilizando seis tons primários simples e três tons primários compostos. Apresentaremos, a seguir, os cinco tons simples de Halliday, adaptados para o Português.
Para todos os exemplos apresentados, é feita uma marcação indicando os pés ( / ), as tônicas ( __ ), os tons (1, 2, 3, 4 ou 5) e os grupos tonais (//), de acordo com a marcação convecionalizada por Halliday (1970).
Tom 1: descendente
A tônica se inicia no mesmo nível da pretônica e termina em um nível baixo de F0, implementando o movimento descendente. É o tom mais freqüentemente utilizado para as declarativas.
Ex: // 1 /Eles não /foram /lá. //
Tom 2: ascendente alto
A tônica apresenta-se com uma configuração melódica ascendente. É o tom utilizado para as interrogativas.
Tom 3: ascendente baixo
A tônica começa em um nível mais baixo e faz uma subida discreta. É um tom não final, reticente.
Ex: //3 Mas /ele não /pode... //
Tom 4: descendente-ascendente
Este tom é usualmente utilizado em enunciados exclamativos, mas expressa também alguma reserva, em que a produção do falante contrasta ou deixa evidente uma contradição sobre o que é esperado.
Ex: //4 Vo/cê não sabia /disso?//
Tom 5: ascendente-descendente
Este tom configura-se como o inverso do tom 4. A tônica tem uma subida que é interrompida. O movimento final é uma descida plena. Este tom expressa completude, sem nenhuma reserva, com entusiasmo e compromisso.
Ex: //5 Eu gostei de/mais do e/xame. //
Dessa forma, em uma situação de fala contínua, a entonação pode ser vista como uma escolha que se faz em um sistema composto pelos cinco tons primários ilustrados acima.
A proposta desta pesquisa consiste em utilizar a teoria apresentada (HALLIDAY, 1970) como fundamentação para o desenvolvimento da nossa análise dos dados de produção oral, obtidos das crianças pesquisadas. Contudo, especificamente esta exposição sobre os tons foi feita apenas para um melhor conhecimento da teoria, não nos interessando, para o presente estudo, os tipos de tons, mas a identificação dos grupos tonais e de seus constituintes. Estes dados foram também submetidos à análise acústica computadorizada, conforme será descrito posteriormente, no capítulo sobre metodologia.
Esta seção apresentou a teoria de Halliday (1970), cuja aplicabilidade será discutida no capítulo seguinte, no qual faremos a exposição de nossa metodologia. A próxima seção traz um apanhado geral sobre algumas pesquisas, encontradas na literatura pesquisada, envolvendo a prosódia na leitura em voz alta.