• Aucun résultat trouvé

3. Corpus exploités

3.2. Choix des corpus de productions authentiques

O trabalho possibilitou comparações do custo/aluno do ensino fundamental com os valores anuais por aluno, definidos pela Portaria Interministerial nº. 1.459/2010, tabela 46. O custo-aluno/ano do tempo parcial, para as séries iniciais do ensino fundamental urbano foi de R$ 2.165,61 e das séries finais foi de R$ 2.382,17. Diante da Escola pesquisada, a diferença nas séries iniciais é de R$ 2.988,39 e nas séries finais, R$ 2.772,00. Em relação ao ensino fundamental séries iniciais da área rural o valor definido por Unidade Federativa é de R$ 2.490,45 e nas séries finais rural de R$ 2.598,73, revelando que persiste uma disparidade com o valor aplicado pela Secretaria de Educação, conforme se pode verificar na tabela do Fundeb. A partir da metodologia aplicada, a Secretaria Municipal tem custos maiores que o dobro do valor definido por ente federado, que se refere à despesa e não a custos. Outra comparação é que, a partir dos dados da Portaria n.º 1.459/2010, foi possível verificar que o valor do tempo integral para alunos do ensino fundamental séries iniciais e finais é o mesmo valor atribuído

ao Ensino Médio integral urbano e também para a Educação integral Profissional, R$ 2.815,29. Esse percentual aplicado a estes níveis de ensino ainda é muito inferior ao custo- aluno/ano da escola de tempo integral do campo pesquisada, indicando que o Fundeb, embora importante e significativo para a política de financiamento da educação no Brasil, ainda necessita de recursos novos para atender as necessidades existentes na educação brasileira.

Segundo críticos como Paro, Oliveira e Leonardos (1991), corre-se o risco de multiplicar o esforço por zero, quando idealizadores estendem a escolaridade diária e não atentam para a realidade da escola brasileira, para a disponibilidade de recursos e para os interesses da população. Para os autores, multiplica-se a ausência de educação por dois, gasta- se muito e o resultado é zero. Conclui-se que, considerando o resultado do custo-aluno/ano da Escola, objeto desta pesquisa, esse montante se apresenta mais elevado que o valor do tempo parcial rural para as séries iniciais do ensino fundamental, que é de R$ 2.490,45, e, superior ao custo-aluno/ano do Ensino Médio urbano. Isso não se deve ao quantitativo de matrículas atendidas, definição estabelecida pela Lei nº. 11.648/2007, do Fundeb, sobre a política de distribuição de recursos, mas, sim, pelas disparidades e pela falta de aportes financeiros necessários para uma educação de qualidade, tanto para o campo, quanto para a cidade. Todavia, comprova-se o esforço da Secretaria Municipal de Educação, que, apesar das dificuldades a serem vencidas, tem aplicado um valor significativo na qualidade da escola do campo do Município de Palmas (tabela 46).

Valor anual por aluno estimado, por etapas, modalidades e tipos de estabelecimentos de ensino da educação básica (Art. 15, III, da lei nº11.494/2007) - R$1,00

Estimativa de Receitas FUNDEB 2011 (Art. 15, I e II, da Lei nº11.494/2007) R$ mil UF

ENSINO PÚBLICO

INSTITUIÇÕES CONVENIADAS

EDUCAÇÃO INFANTIL ENSINO FUNDAMENTAL ENSINO MÉDIO ATEND.

EDUC. ESPEC. AEE EDUCAÇÃO EJA CRECHE INTEGRAL PRÉ-ESC. INTEG CRECHE PARCIAL PRÉ-ESC. PARCIAL SÉR INIC. URB. SÉR INIC. RUR. SÉR FINAIS URB. SÉR FINAIS RUR. TEMPO

INTEG. URBANO RURAL TEMPO INTEGRAL INT ED. PROFIS. ESPEC. INDÍG./ QUIL. AVAL. PROCES. INT ED. PROFIS. CRECHE INTEGRAL CRECHE PARCIAL PRÉ-ESC. INTEGRAL PRÉ-ESC. PARCIAL CONTRIB. DOS ESTADOS, DF E MUNICÍPIOS COMPL. DA UNIÃO TOTAL DA RECEITA ESTIMADA AC 2.596,86 2.813,27 1.731,24 2.164,05 2.164,05 2.488,66 2.380,46 2.596,86 2.813,27 2.596,86 2.705,07 2.813,27 2.813,27 2.596,86 2.596,86 2.596,86 1.731,24 2.596,86 2.380,46 1.731,24 2.813,27 2.164,05 562.888,90 - 562.888,90 AL 2.066,46 2.238,66 1.377,64 1.722,05 1.722,05 1.980,36 1.894,25 2.066,46 2.238,66 2.066,46 2.152,56 2.238,66 2.238,66 2.066,46 2.066,46 2.066,46 1.377,64 2.066,46 1.894,25 1.377,64 2.238,66 1.722,05 1.241.808,80 316.486,60 1.558.295,50 AM 2.066,46 2.238,66 1.377,64 1.722,05 1.722,05 1.980,36 1.894,25 2.066,46 2.238,66 2.066,46 2.152,56 2.238,66 2.238,66 2.066,46 2.066,46 2.066,46 1.377,64 2.066,46 1.894,25 1.377,64 2.238,66 1.722,05 1.810.756,00 154.601,80 1.965.357,70 AP 2.920,89 3.164,30 1.947,26 2.434,07 2.434,07 2.799,18 2.677,48 2.920,89 3.164,30 2.920,89 3.042,59 3.164,30 3.164,30 2.920,89 2.920,89 2.920,89 1.947,26 2.920,89 2.677,48 1.947,26 3.164,30 2.434,07 548.292,10 - 548.292,10 BA 2.066,46 2.238,66 1.377,64 1.722,05 1.722,05 1.980,36 1.894,25 2.066,46 2.238,66 2.066,46 2.152,56 2.238,66 2.238,66 2.066,46 2.066,46 2.066,46 1.377,64 2.066,46 1.894,25 1.377,64 2.238,66 1.722,05 4.924.699,20 1.646.918,60 6.571.617,80 CE 2.066,46 2.238,66 1.377,64 1.722,05 1.722,05 1.980,36 1.894,25 2.066,46 2.238,66 2.066,46 2.152,56 2.238,66 2.238,66 2.066,46 2.066,46 2.066,46 1.377,64 2.066,46 1.894,25 1.377,64 2.238,66 1.722,05 2.680.086,90 1.095.730,60 3.775.817,50 DF 2.741,79 2.970,27 1.827,86 2.284,83 2.284,83 2.627,55 2.513,31 2.741,79 2.970,27 2.741,79 2.856,03 2.970,27 2.970,27 2.741,79 2.741,79 2.741,79 1.827,86 2.741,79 2.513,31 1.827,86 2.970,27 2.284,83 1.216.619,30 - 1.216.619,30 ES 2.913,50 3.156,30 1.942,34 2.427,92 2.427,92 2.792,11 2.670,71 2.913,50 3.156,30 2.913,50 3.034,90 3.156,30 3.156,30 2.913,50 2.913,50 2.913,50 1.942,34 2.913,50 2.670,71 1.942,34 3.156,30 2.427,92 2.012.312,00 - 2.012.312,00 GO 2.458,39 2.663,25 1.638,93 2.048,66 2.048,66 2.355,96 2.253,52 2.458,39 2.663,25 2.458,39 2.560,82 2.663,25 2.663,25 2.458,39 2.458,39 2.458,39 1.638,93 2.458,39 2.253,52 1.638,93 2.663,25 2.048,66 2.690.511,30 - 2.690.511,30 MA 2.066,46 2.238,66 1.377,64 1.722,05 1.722,05 1.980,36 1.894,25 2.066,46 2.238,66 2.066,46 2.152,56 2.238,66 2.238,66 2.066,46 2.066,46 2.066,46 1.377,64 2.066,46 1.894,25 1.377,64 2.238,66 1.722,05 1.991.432,00 1.755.952,40 3.747.384,40 MG 2.283,67 2.473,97 1.522,44 1.903,06 1.903,06 2.188,51 2.093,36 2.283,67 2.473,97 2.283,67 2.378,82 2.473,97 2.473,97 2.283,67 2.283,67 2.283,67 1.522,44 2.283,67 2.093,36 1.522,44 2.473,97 1.903,06 8.712.133,80 - 8.712.133,80 MS 2.595,51 2.811,81 1.730,34 2.162,93 2.162,93 2.487,37 2.379,22 2.595,51 2.811,81 2.595,51 2.703,66 2.811,81 2.811,81 2.595,51 2.595,51 2.595,51 1.730,34 2.595,51 2.379,22 1.730,34 2.811,81 2.162,93 1.419.298,30 - 1.419.298,30 MT 2.519,83 2.729,81 1.679,88 2.099,86 2.099,86 2.414,83 2.309,84 2.519,83 2.729,81 2.519,83 2.624,82 2.729,81 2.729,81 2.519,83 2.519,83 2.519,83 1.679,88 2.519,83 2.309,84 1.679,88 2.729,81 2.099,86 1.741.413,20 - 1.741.413,20 PA 2.066,46 2.238,66 1.377,64 1.722,05 1.722,05 1.980,36 1.894,25 2.066,46 2.238,66 2.066,46 2.152,56 2.238,66 2.238,66 2.066,46 2.066,46 2.066,46 1.377,64 2.066,46 1.894,25 1.377,64 2.238,66 1.722,05 2.324.144,10 1.826.356,60 4.150.500,80 PB 2.066,46 2.238,66 1.377,64 1.722,05 1.722,05 1.980,36 1.894,25 2.066,46 2.238,66 2.066,46 2.152,56 2.238,66 2.238,66 2.066,46 2.066,46 2.066,46 1.377,64 2.066,46 1.894,25 1.377,64 2.238,66 1.722,05 1.488.434,40 170.557,20 1.658.991,60 PE 2.066,46 2.238,66 1.377,64 1.722,05 1.722,05 1.980,36 1.894,25 2.066,46 2.238,66 2.066,46 2.152,56 2.238,66 2.238,66 2.066,46 2.066,46 2.066,46 1.377,64 2.066,46 1.894,25 1.377,64 2.238,66 1.722,05 3.291.802,60 476.074,80 3.767.877,40 PI 2.066,46 2.238,66 1.377,64 1.722,05 1.722,05 1.980,36 1.894,25 2.066,46 2.238,66 2.066,46 2.152,56 2.238,66 2.238,66 2.066,46 2.066,46 2.066,46 1.377,64 2.066,46 1.894,25 1.377,64 2.238,66 1.722,05 1.229.730,00 358.854,30 1.588.584,30 PR 2.137,17 2.315,26 1.424,78 1.780,97 1.780,97 2.048,12 1.959,07 2.137,17 2.315,26 2.137,17 2.226,22 2.315,26 2.315,26 2.137,17 2.137,17 2.137,17 1.424,78 2.137,17 1.959,07 1.424,78 2.315,26 1.780,97 4.566.228,20 - 4.566.228,20 RJ 2.416,36 2.617,72 1.610,90 2.013,63 2.013,63 2.315,67 2.214,99 2.416,36 2.617,72 2.416,36 2.517,04 2.617,72 2.617,72 2.416,36 2.416,36 2.416,36 1.610,90 2.416,36 2.214,99 1.610,90 2.617,72 2.013,63 6.191.267,20 - 6.191.267,20 RN 2.072,30 2.245,00 1.381,54 1.726,92 1.726,92 1.985,96 1.899,61 2.072,30 2.245,00 2.072,30 2.158,65 2.245,00 2.245,00 2.072,30 2.072,30 2.072,30 1.381,54 2.072,30 1.899,61 1.381,54 2.245,00 1.726,92 1.413.352,90 - 1.413.352,90 RO 2.398,28 2.598,14 1.598,86 1.998,57 1.998,57 2.298,35 2.198,43 2.398,28 2.598,14 2.398,28 2.498,21 2.598,14 2.598,14 2.398,28 2.398,28 2.398,28 1.598,86 2.398,28 2.198,43 1.598,86 2.598,14 1.998,57 910.530,30 - 910.530,30 RR 3.498,52 3.790,06 2.332,35 2.915,43 2.915,43 3.352,75 3.206,98 3.498,52 3.790,06 3.498,52 3.644,29 3.790,06 3.790,06 3.498,52 3.498,52 3.498,52 2.332,35 3.498,52 3.206,98 2.332,35 3.790,06 2.915,43 407.805,90 - 407.805,90 RS 2.039,22 2.209,16 1.359,48 1.699,35 1.824,46 2.013,49 1.925,95 2.101,04 2.276,12 2.039,22 2.124,19 2.209,16 2.209,16 2.039,22 2.039,22 2.039,22 1.359,48 2.189,35 1.869,29 1.359,48 2.209,16 1.699,35 3.976.757,80 - 3.976.757,80 SC 2.562,38 2.775,91 1.708,25 2.135,31 2.135,31 2.455,61 2.348,85 2.562,38 2.775,91 2.562,38 2.669,14 2.775,91 2.775,91 2.562,38 2.562,38 2.562,38 1.708,25 2.562,38 2.348,85 1.708,25 2.775,91 2.135,31 3.070.308,30 - 3.070.308,30 SE 2.359,83 2.556,48 1.573,22 1.966,53 1.966,53 2.261,51 2.163,18 2.359,83 2.556,48 2.359,83 2.458,16 2.556,48 2.556,48 2.359,83 2.359,83 2.359,83 1.573,22 2.359,83 2.163,18 1.573,22 2.556,48 1.966,53 1.043.018,60 - 1.043.018,60 SP 3.168,45 3.432,49 2.112,30 2.640,38 2.640,38 3.036,43 2.904,41 3.168,45 3.432,49 3.168,45 3.300,47 3.432,49 3.432,49 3.168,45 3.168,45 3.168,45 2.112,30 3.168,45 2.904,41 2.112,30 3.432,49 2.640,38 24.310.946,40 - 24.310.946,40 TO 2.598,73 2.815,29 1.732,48 2.165,61 2.165,61 2.490,45 2.382,17 2.598,73 2.815,29 2.598,73 2.707,01 2.815,29 2.815,29 2.598,73 2.598,73 2.598,73 1.732,48 2.598,73 2.382,17 1.732,48 2.815,29 2.165,61 907.120,40 - 907.120,40 BR - - - 86.683.699,00 7.801.532,90 94.485.231,90

Tabela 46 - Anexo I Portaria Interministerial n. 1.459 de 30 de dezembro de 2010.

Fonte: INEP

9 CONCLUSÃO

Considerando de fundamental importância, no atual momento econômico nacional e internacional, que os planejadores e gestores educacionais conheçam a viabilidade de projetos sociais efetivos para implementação em outros sistemas de ensino ou escolas, o presente trabalho buscou analisar uma proposta de Escola Municipal de Tempo Integral do Campo e dos custos envolvidos neste projeto

Com relação ao primeiro objetivo traçado, de avaliar, por meio das percepções da comunidade escolar, o alcance dos objetivos da proposta de Escola Municipal de Tempo Integral do Campo e o grau de satisfação dos beneficiários, chegou-se a conclusões relevantes sobre a implementação da referida proposta.

A satisfação com a proposta de tempo integral foi verificada, inicialmente, por meio de pesquisa com a equipe diretiva e professores. A equipe diretiva da Escola pesquisada aprova a escola de tempo integral, sendo o percentual de discordância de apenas 20,0%.

Os resultados mostram que os pais e alunos também estão satisfeitos com o tempo integral. Segundo a equipe diretiva, os pais estão satisfeitos porque não precisam pagar alguém para cuidar de seus filhos enquanto trabalham. Em sua avaliação, a escola de tempo integral é um lugar de encontro com amigos, prática de esportes e acesso a um currículo mais amplo e abrangente. Apesar de, por meio das observações, não ser possível perceber um currículo escolar que privilegie a realidade do campo, a equipe diretiva considera que a Escola proporciona possibilidades de crescimento da autonomia dos alunos.

A escola pesquisada apresenta mais características de uma escola urbana localizada na zona rural do que uma escola com uma proposta pedagógica voltada para as necessidades da população do campo. A equipe diretiva avalia negativamente a estrutura física da escola para ser de tempo integral. Todos os participantes da pesquisa também apontaram a falta de estrutura física como o principal problema da escola de tempo integral. Apesar disso, 83,3% dos professores declararam que os pais estavam satisfeitos e o mesmo percentual de professores preferiam o tempo integral para alunos do campo.

Os pais relataram que a escola de tempo integral foi “a melhor coisa que aconteceu”, pois podem trabalhar despreocupados, sabendo que seus filhos não estão na rua e não estão se envolvendo com drogas. Os pais consideram também que o tempo integral retira as crianças do trabalho infantil.

Cabe destacar que em nenhum momento foi dito que era esta uma escola para alunos pobres. Conforme foi citado anteriormente, parte dos pais de alunos no Rio de Janeiro rejeitou a proposta de tempo integral dos CIEPs porque esta era sinônimo de escola para as classes

menos favorecidas, considerando que, para a implementação deste projeto, não houve diálogo com a comunidade, apenas discussão de um grupo que decidiu o que era melhor para a comunidade (LEONARDOS, 1991).

Ao contrário, a proposta de tempo integral da Escola pesquisada foi exaustivamente discutida com a comunidade, que no início aprovou de forma apreensiva, justamente porque pensava que a escola não tinha estrutura física adequada. Entretanto, em um segundo momento, os pais ficaram satisfeitos com a possibilidade de seus filhos aprenderem pintura, música, dança, ou seja, terem outras oportunidades. Assim, abraçaram o projeto e solicitaram até mesmo a abertura de turmas para a pré-escola. Isso demonstra, certamente, que o fato de a proposta ter sido discutida com a comunidade escolar tornou-se primordial para a sustentabilidade e continuidade do projeto.

Os alunos declararam que os pais gostam do horário integral porque enquanto estão na escola, não estão na rua, o que não deixa de ser uma realidade. Os pais aprovaram as atividades da escola, disseram que as oficinas são muito boas e ressaltaram que são muito bem atendidos quando procuram a Escola, o que põe em evidência características positivas da gestão escolar.

Sobre o grau de satisfação dos professores, um ponto forte corresponde à afirmação dos professores de que os profissionais da escola têm interesse no projeto, fator que pôde ser constatado por meio das observações realizadas. Os resultados mostram que mais de 90,0% dos atores envolvidos se empenharam para a implantação do projeto, o que comprova a importância de se ter um elevado grau de interesse dos profissionais no projeto.

Os pais avaliaram de forma negativa o fato de, às vezes, faltar funcionários durante o recreio, momento em que seus filhos “ficam muito soltos” e as crianças maiores são misturadas com os menores. Ainda assim, menos de 0,2% das mães manifestaram não gostar da escola de tempo integral.

Em relação às atividades pedagógicas, 75,0% dos professores afirmaram que a escola possui atividades específicas para atender as necessidades dos alunos do campo, mas não se pode desconsiderar o percentual de discordância, que no caso é expressivo. Constatou-se que há atividades para o campo, mas é preciso maior atenção a estes aspectos, a fim de que sejam suficientes para atender às Diretrizes Operacionais para Educação Básica do Campo.

Com relação ao calendário escolar, ao serem questionados os professores se ele foi alterado para atender às necessidades dos alunos e famílias, a maioria manifestou-se positivamente, sendo que 83,3% também considerou o calendário específico para atender alunos do campo. Todos os professores concordaram que o calendário satisfaz às Diretrizes e

que os alunos estão satisfeitos com o horário e o tempo das oficinas curriculares. Já os pais apontaram o calendário como um ponto negativo, especialmente pelo fato de não terem com quem deixar seus filhos na sexta-feira. Conclui-se, portanto, que é importante realizar a adaptação do calendário escolar em função das necessidades do meio rural, e não simplesmente visando a ajustes de carga horária para que haja tempo, por exemplo, para o planejamento semanal das aulas ou outras atividades dos professores.

A grande maioria dos professores concordou que o projeto fortalece as relações interpessoais entre os professores, funcionários, alunos e pais no meio rural. Os alunos também concordam, manifestando que se tornaram “mais educados”.

A maioria dos professores considerou que as ações da Escola norteavam e consolidavam a prática democrática da gestão escolar, ampliando o direito de participar, que as ações eram inovadoras e construíam uma educação significativa para os alunos, na medida em que orientavam as ações teórico-metodológicas.

A maioria dos alunos manifestou satisfação com o tempo integral, sendo que menos de 0,2% dos alunos se revelaram insatisfeitos. Os alunos apontaram como pontos negativos a constante falta de água, a falta de uma quadra de esportes coberta e uma piscina.

Em relação ao Projeto Político Pedagógico (PPP), a equipe diretiva concordou totalmente que a Escola promovia avaliação do PPP. Porém, cerca de 20,0% concordaram totalmente que ele tenha sido construído com a participação de toda comunidade escolar. Verificou-se pela análise documental que o PPP propunha a formação específica para a equipe dos profissionais da Escola, mas os entrevistados garantiram que o treinamento foi apenas no período da implantação do projeto, o que significa que não era oferecida formação continuada em serviço. Pôde-se verificar ainda que um expressivo percentual do pessoal não docente possui a escolaridade em nível fundamental, recebendo um salário mínimo mensal, o que demonstra falta de qualificação para o trabalho em tempo integral.

Para os professores a situação não era diferente, todos concordaram que a Escola promovia a avaliação do PPP e 75,0% destes concordaram que tinha sido construído com a participação de todos, inclusive dos pais. Estes resultados comprovam que a Escola promovia a avaliação do PPP, mas que a participação dos pais e comunidade não era tão unânime assim. As observações realizadas comprovaram a falta de espaço adequado e de material didático-pedagógico para o desenvolvimento das atividades propostas no PPP, constando, entre elas, as oficinas curriculares. Quanto às oficinas, os professores concordaram que estas contribuíam para a melhoria do rendimento dos alunos. A escola propôs um horário diferenciado de funcionamento, onde as disciplinas do núcleo comum se intercalavam com as

oficinas curriculares. Sobre o planejamento, os professores afirmaram ser participativo, além de prioritário, mas a presente pesquisa não constatou direcionamento pedagógico à realidade social dos alunos do campo. Não se observou, ainda, nenhum trabalho articulado entre os professores das disciplinas do núcleo comum e os que ministravam as oficinas curriculares. Os alunos não mencionaram qualquer atividade para ser realizada em casa na sexta-feira, conforme propunha o PPP e, pelo contrário, afirmaram que gostavam do horário para descansar e ter folga. Esses dados demonstram que não havia tentativa de integração curricular, apesar de o planejamento ser realizado semanalmente. Todavia, na avaliação dos alunos, um dos pontos de maior aprovação eram as oficinas curriculares.

Foi alto o nível de respostas “não sei”, por parte dos professores, quando questionados sobre as oficinas. Ainda que mais de 40,0% dos professores tenham se declarado satisfeitos com o tempo integral, esse mesmo percentual não admitiu gostar das oficinas. Assim, a contradição está constantemente presente nas respostas dos professores. Os resultados mostraram que os pais estavam muito satisfeitos com o tempo integral, com a gestão da escola e com as oficinas. Eles achavam que seus filhos podiam aprender música, pintura, violão, dança e outras atividades que podiam melhorar suas condições de vida.

Ao avaliarem a profissão docente na escola de tempo integral, a maioria dos professores não concordou que houvesse algum tipo de vantagem para a carreira, e ainda reclamaram da sobrecarga de trabalho sem nenhum tipo de adicional de salário pela especificidade da escola. Grande parte dos professores morava próximo à escola e se declarava satisfeito por não ter dificuldades de acesso. Para 75,0% dos respondentes, o número de alunos por turma era adequado, mas em relação às condições de trabalho, os professores se dividiram, tendo o percentual quase empatado, assim evidenciando a indefinição por parte dos professores. Em relação ao grau de satisfação salarial, novamente os professores se dividiram. Embora tenham afirmado que estavam satisfeitos com o tempo integral, os resultados revelaram contradição em suas respostas. Ao serem questionados, se caso pudessem, trabalhariam em uma escola da cidade, apenas 8,3% concordaram e mais de 90,0% marcaram não sei. Em outro momento, ao serem questionados, se caso pudessem, mudariam de profissão, a resposta não sei atingiu novamente um percentual significativo de quase 60,0%. O mesmo percentual afirmou que gostariam de ganhar um salário melhor, revelando, portanto, insatisfação salarial. 91,7% declararam que gostariam de trabalhar com alunos mais interessados. Os resultados revelaram as relativas desmotivação e insatisfação com a carreira docente e permanece a antiga alegação de que o problema é o desinteresse do aluno.

Sobre a contribuição da escola de tempo integral para a melhoria do rendimento dos alunos, grande parte dos professores entendia que o tempo integral motivou os alunos para irem à escola. Os resultados revelam que 75,0% dos professores concordaram que a escola de tempo integral atingiu seus objetivos, fez uso de estratégias para melhorar o ensino e as taxas de aprovação aumentaram. Os dados da Escola comprovam um crescimento nas taxas de aprovação. Em relação ao exame Prova Brasil a Escola pesquisada se situou abaixo das médias nacional e municipal, os resultados indicam a necessidade de avançar no IDEB. As taxas de aprovação cresceram e o número de alunos evadidos do ensino fundamental apresentou uma significativa melhoria entre os anos de 2007 a 2009, o que comprova a afirmação dos professores sobre o desempenho da escola.

A pesquisa investigou também a indisciplina dos alunos. A análise documental revelou que a indisciplina é um tema frequente nas reuniões de pais. Para tratar dos problemas de indisciplina, os professores não tinham um procedimento padrão estabelecidos. Metade dos professores entendia que a escola de tempo integral contribuía para a melhoria da disciplina dos alunos.

Sobre a prática da gestão democrática, a grande maioria dos professores afirmou que a Secretaria promoveu encontros para discutir o projeto e que todos os pais foram convidados, o que comprova o envolvimento da Secretaria de Educação. Mais de 80,0% dos professores afirmaram que a Secretaria Municipal promoveu palestras sobre o tempo integral para os pais e professores, e que a Escola recebeu visitas de especialistas em educação para verificar a viabilidade do projeto. Os professores apontaram também, em sua opinião, os principais fatores que influenciaram diretamente no rendimento dos alunos, sendo eles: primeiramente, um currículo interessante, a formação dos professores, as oficinas curriculares e a participação dos pais na vida escolar dos alunos; em segundo lugar, a estrutura familiar e a autonomia financeira da escola, e, por último, as condições socioeconômicas, o interesse dos alunos pelos estudos, o apoio da família e o tempo integral. Dos professores respondentes mais de 90,0% concordaram total e parcialmente que a escola de tempo integral ajudou os pais a tirar os filhos da ociosidade.

A pesquisa mostrou a importância da gestão do tempo e do espaço na estrutura física disponível, sendo esta estrutura adequada ou não. Na Escola pesquisada, todos os entrevistados foram unânimes em apontar como principal dificuldade da escola de tempo integral a falta de estrutura física adequada e a consequente falta de espaço para realização das atividades propostas para o tempo integral. De acordo com as observações realizadas, pode-se

constatar que, além de não ter espaço adequado, a Escola não conta com disponibilidade de terreno para construções e ampliações sem comprometer o ambiente escolar.

Alguns concordam que deveria ser construída uma escola nova. A inadequação das instalações físicas e a falta de ambientes adequados acabam por não contribuir para o desenvolvimento e aprendizagem das crianças, jovens e adultos. Na há como ensinar hábitos de higiene sem banheiros suficientes. Não há como vivenciar boas maneiras e regras sociais de como se comportar nas refeições sem um refeitório com mesas e cadeiras para todos. Os pais e alunos apontaram a falta de área de lazer e a falta de espaço para as aulas de música e dança. Ainda que a quadra de esportes esteja sendo coberta e reformada, esse espaço não será suficiente para suprir todas as necessidades da Escola.

Os alunos reclamaram pelo fato de serem todas as atividades realizadas dentro da sala de aula ou no pátio, sem calçada e ao sol. Apontaram também a falta de uma sala de multimeios, tão essencial para uma escola de tempo integral. Constatou-se, conclusivamente, que a estrutura física ainda não corresponde à proposta pedagógica da escola.

Ainda assim, todos os participantes da pesquisa afirmaram que o projeto deve ser mantido, embora tenha ficado evidente que a proposta da escola ainda não atendia totalmente às Diretrizes Operacionais para a Educação Básica do Campo. Isso demonstra que havia aprovação quanto à ideia da escola, e o esforço deve ser no sentido de proporcionar as condições necessárias para a efetivação da proposta.

Nesse sentido, os resultados evidenciam os desafios da gestão administrativa e financeira da escola de tempo integral do campo. Sobre as decisões administrativas e financeiras da gestão escolar 81,8% dos professores declararam que as decisões sobre o que e onde gastar são tomadas por meio da Associação de Apoio. Por meio das atas de reuniões pode-se constatar que o processo decisório realmente acontece via consulta à Associação de Apoio, revelando mais uma vez a tendência da gestão democrática. Os resultados evidenciaram que o gestor promovia a avaliação do PPP e a sua construção contava com a participação da comunidade, embora essa participação não fosse tão expressiva.

Os documentos analisados permitiram verificar que existia um esforço em vivenciar princípios democráticos na gestão escolar e que os problemas eram discutidos coletivamente. Os resultados mostram que, na categoria participação dos pais, a prestação de contas foi o tema de maior frequência. Outros resultados permitiram inferir a tendência da gestão democrática e participativa foi que 90,0% dos professores afirmaram que a escolha dos membros da Associação é voluntária e o mesmo percentual afirmou que a composição da Associação é de professores, pais e comunidade em geral, inclusive foi possível verificar que

alguns entrevistados afirmaram pertencer à Associação. Constatou-se também por meio de documentos oficiais que as listas de presença tinham a assinatura dos mesmos. Apesar de 100,0% dos professores declararem que existe um cronograma especifico de reuniões da Associação, isso não foi constatado na análise documental e nas observações. Na opinião dos professores 90,9% concordaram que o Conselho Fiscal da Associação supervisionava, orientava e acompanhava a realização das ações, o que também não foi constatado nas observações realizadas. Um percentual acima de 60,0% dos alunos apontou a falta de sabor da merenda escolar, fato que confirmava a falta de acompanhamento. Ao serem questionados se o Conselho mantinha as contas em dia, 83,3% dos professores concordaram, porém não foi constatado, ao contrário, a julgar pela dificuldade de acesso aos dados tanto na Escola pesquisada quanto na Secretaria Municipal. Os resultados revelaram que tanto a equipe