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1 Problem Statement

2.1 Theoretical Background

2.1.3 Choice of Variables

O início do governo FHC e a sua aliança com o liberalismo mais conservador expresso pelo PFL, mostrou que o bloco no poder conseguiu reorganizar-se rapidamente depois do desastre de Collor, expandindo inclusive sua base social. Essa “grande aliança” faz com que as esquerdas tenham que se re-posicionar diante do novo quadro.

É nesse contexto que ocorre o X Encontro Nacional do PT96 e onde se expressa a consolidação das correntes moderadas do partido, que se materializa na

95 Ver o artigo Não esqueçam o que escrevi, disponível no endereço eletrônico : < http://carosamigos.terra.com.br/da_revista/edicoes/ed84/cesar_benjamin.asp >. Acessado em 17 de setembro de 2007

96 Realizado entre 18 e 20 de agosto de 1995 em Guarapari-ES, que conta com a presença de 440 delegados. São apresentadas 7 teses e são lançadas 4 chapas para o Diretório Nacional, assim como pela primeira vez ocorreu uma disputa para a presidência do partido. Até então o presidente era eleito por aclamação e em chapa única.

162 formação do Campo Majoritário, uma coalizão da ART, da DR e de outras correntes menores, cujo objetivo central é dar a capacidade diretiva à liderança partidária, sempre envolta em embates políticos internos.

É também o momento em que a esquerda do partido se une na chapa Socialismo e Democracia97, que obtém 189 votos contra 165 dados a ART. A vitória da esquerda petista é, entretanto, ofuscada pela aproximação da ART com a chapa centrista Novos Sonhos, Velhos Desafios, que obtivera 24 votos, e da Democracia Radical (DR) que conseguira 31 votos. Mesmo na esquerda há defecções em direção a uma aproximação com a ART (Rui Falcão e Candido Vacarezza).

O ápice desse processo se dá na eleição para a presidência do partido que opõe José Dirceu, que representa as correntes de esquerda moderada e que obtém 215 votos (54,0%), a Hamilton Santiago que obtém 183 votos (46,0%). Consolida-se, por conseguinte a vitória dos moderados, que se refletirá nas resoluções e nas ações do partido daí em diante. Além disso, a eleição de Dirceu reforça a tese majoritária de que o partido deve desfazer a “imagem” de que é um agregado de correntes que se digladiam entre si, o que exige a consolidação de um núcleo dirigente unido e homogêneo.

Por outro lado o Encontro se dá após os primeiros meses do governo Fernando Henrique onde, dispondo de maioria absoluta no parlamento e forte apoio da mídia, este lança uma série de propostas de emendas constitucionais que tratam

97 Formada pela chapa Na Luta PT, que era uma coalizão composta pela Força Socialista (FS), maoísta-leninista; pela Tendência Marxista (TM) e pelos trotskystas-lambertistas da corrente O Trabalho (OT), e pela chapa Uma Opção de Esquerda, que era composta pela ART-E e pela trostkysta-mandelista Democracia Socialista (DS).

163 da desregulamentação da economia e de uma série de privatizações do serviço público e das estatais.

Derrotado eleitoralmente, o PT passa a se debruçar sobre a estratégia a ser seguida num contexto de refluxo das forças de esquerda em todo o mundo e do esgotamento das políticas de corte keynesiano ou intervencionistas. A tese da maioria dos dirigentes é que há um enfrentamento de uma grande ofensiva neoliberal e o reconhecimento da força do grupo que chega ao poder nas eleições de 1994.

Para derrotar o projeto neoliberal [...] será preciso mais do que resistir ou articular a luta contra as reformas constitucionais do governo. O PT terá que dar um salto de qualidade: reelaborar sua estratégia de poder, desenvolver um projeto de sociedade e seu projeto partidário, Terá que atualizar e reelaborar programa democrático e popular, articulando forças sociais amplas em torno de um projeto para a sociedade brasileira, alternativo ao neoliberalismo e ao nacional-desenvolvimentismo. (PT, 1998:612)

Por conseguinte o eixo central da luta política passa a ser o enfrentamento ao programa de reorganização do Estado e as propostas de mudanças na regulamentação do trabalho. O certo é que a vitória das forças conservadoras trouxe à tona a questão do projeto de poder o que leva o partido a propor a re-elaboração da sua estratégia de poder e isso leva a propor uma reaproximação com os movimento sociais.

Para o partido, o combate ao governo Fernando Henrique torna necessário criar uma agenda alternativa para o país e isso se expressa não apenas na tática de enfrentamento político via mobilização popular, mas a formulação de propostas políticas exeqüíveis e que tragam os setores médios para a base social do partido.

164 O partido reconhece que a aliança de classes que governa o país tem como principal motivação com o “[...] modelo nacional-desenvolvimentista instaurado a partir dos anos 30. Desenha-se um novo padrão, tardio, de acumulação de capital, de inspiração neoliberal” (PT, 1998:615). A construção desse “novo padrão” se realiza através do controle político do parlamento, do apoio dos meios de comunicação de massa e através de um forte embate com o movimento sindical, o que faz com que o PT torne-se uma espécie de “alvo preferencial” das ações do governo.

A derrota da esquerda no primeiro grande embate depois do fim do socialismo real mostrou que derrota do “modelo soviético” de construção do socialismo acabou por influenciar toda a esquerda na medida em que essa referência, positiva ou negativa, era um parâmetro político e sua perda impôs a necessidade de olhar para todo o ideário marxista ou socialista não-marxista e re-avaliar suas estratégias e táticas frente ao processo de luta de classe.

O PT não escapou desse processo e o partido teve que buscar recompor sua liderança no seio da esquerda através de três grandes ações: fazer com que os governos municipais e estaduais se afinassem com os princípios gerais do partido (anti-imperialista, anti-monopolista e anti-latifundiário); aproximar a base parlamentar da direção do partido; e reconstruir a base de apoio do partido, ampliando sua inserção nas camadas médias, uma penetração nas massas dos excluídos e na recomposição de sua aliança com os movimentos sociais e sindicais.

O Plano Real dá mostras de que é mais do que um mero plano econômico e sim um vasto programa de re-ordenamento do Estado brasileiro sob bases liberais e

165 isso faz com que as lideranças petistas passem a defender uma “nova orientação estratégica” (PT, 1998:618) levando em consideração o forte avanço das idéias neoliberais na sociedade. É, dessa forma, uma estratégia “defensivista” que buscará conter esse avanço e para tanto exigirá do partido uma nova ação para recompor sua liderança na esquerda.

As resoluções que saem do Encontro propõem uma agenda política “alternativa” calcada em três eixos fundamentais: uma nova política econômica com reformas sociais; a defesa da Nação; e a defesa da democracia.

Reformas sociais significam, nesse momento, a defesa do salário, a re- orientação da política econômica a partir do combate às altas taxas de juros e a defesa do emprego. Não há nada de novo nessas propostas, mas sim nas propostas mais específicas do partido. Reforma do sistema financeiro, reforma tributária, política cambial e de comércio externo que recupere a balança comercial, políticas de estímulo à pequena e média indústria para combater o desemprego e uma forte discussão acerca do caráter público das empresas estatais, revela que o PT se propõe a re-ordenar o sistema capitalista brasileiro, mas sem mudar sua estrutura global.

Esse conjunto de propostas revela que a vitória das esquerdas petistas neste Encontro, embora não signifique a direção desta no partido, influencia o projeto político petista no que tange a uma postura mais agressiva em relação ao neoliberalismo. Mas também revela que essa mesma esquerda não consegue obter a maioria absoluta para uma re-orientação mais profunda (voltar às raízes históricas do partido) e a direção partidária, controlada pelos moderados é o definidor das

166 ações que são propostas pelas resoluções, ou seja, tem-se uma análise de conjuntura reafirmando de forma contundente o posicionamento anti-neoliberal do partido e a ação política que pressupõe a construção de uma aliança política de centro-esquerda para se contrapor ao governo.

Por outro lado nota-se que quando trata da “defesa da Nação” o partido busca adequar seu Programa Democrático-Popular às imposições da conjuntura política e isso significa construir uma proposta política que atraia setores que ainda são reticentes a uma aproximação com o PT. O partido reconhece a crise que afeta as forças de esquerda:

Estamos diante de uma contra-reforma capitalista (econômica, política e cultural), que destrói as conquistas democráticas através do desemprego de longa duração (e que convive com o crescimento econômico), da precariedade laboral, da persistência da velha pobreza e do advento de novos pobres, das exclusões de todos os tipos, das catástrofes ecológicas e da crise dos valores éticos e morais. A contraposição da agudização das desigualdades e das injustiças é o crescimento da instabilidade e da violência no mundo, das expressões das barbáries modernas. (PT, 1998:625)

Plínio de Arruda Sampaio, uma das lideranças da esquerda petista, defende essa estratégia e tática petista98 como uma forma de propiciar uma acumulação de forças num momento de avanço das forças conservadoras, sendo que essa acumulação significa ampliar a aliança de classe envolvendo os trabalhadores “incluídos” no sistema capitalista (com carteira assinada) e a massa de excluídos que foi formada pela integração dependente do país à “nova ordem” mundial. Nesse

98 Ver “Tática para a Atual Conjuntura”, publicada na Revista Teoria e Debate e disponível no endereço eletrônico : < http://www2.fpa.org.br/portal/modules/news/article.php?storyid=1670 >, acessado em 23 de fevereiro de 2007.

167 Encontro a esquerda petista e os moderados têm a mesma visão estratégica, mas não a mesma concepção tática.

Nos documentos do partido, a derrota de 1994 impõe ao mesmo a superação de suas disputas internas, que acabam gerando uma imagem negativa perante o conjunto da população, e a realização de “[...] um ajuste de contas mais severo com as duas heranças socialistas deste século: o comunismo e a social-democracia” (PT, 1998:629). Além disso, o PT re-afirma que a questão dos governos locais ainda é subestimada dentro dele e isso, num país que é uma federação, é um elemento que dificulta a melhoria da imagem petista.

O EN revela um partido que ainda se ressente da homogeneidade política interna, mesmo depois dos expurgos de 1992, e as disputas internas com o surgimento de uma esquerda (1993) fizeram com que o partido passa-se por um novo processo de tensão interna. Há uma forte crítica desse período “[...] marcada pela falta de um projeto político coerente e pela carência de solidariedade interna” (PT, 1998:633) e que provocou dificuldades na elaboração de uma proposta política agregadora e na própria organização interna.

Tais análises parecem colocar a questão da organização interna como o elemento fundamental para explicar as dificuldades do PT no cenário político, colocando em um plano inferior a questão ideológica, que como uma cunha, atravessa a estrutura partidária refletindo-se na concepção da estratégia partidária.

168 Trata-se de garantir a “governabilidade” 99 do partido através da garantia de legitimação e de autoridade política da direção nacional e de sua executiva.

Ao iniciar-se 1997 e diante da necessidade de re-construir as alianças à esquerda para se contrapor ao governo, que mantém forte apoio da população em geral, embora enfrentando dificuldades devido à supervalorização cambial, o partido vê emergir com força no seu interior análises que propõem re-leituras de temas caros ao partido. Tarso Genro, por exemplo, introduz no debate a necessidade de uma “nova referência utópica” (TD 33) que reconheça o estado de direito como mediador social. Para Genro a luta de classe não é o que move a sociedade e sim a questão do emprego e suas conseqüências.

Essa reflexão se lastreia na idéia de que a chamada Terceira Revolução Tecnológica fez surgir novas formas de lutas sociais e para o ex-prefeito de Porto Alegre (1993-96) um conjunto de práticas sociais, ações políticas, programas de governo e projetos culturais é que deverão provocar uma nova dinâmica social. Para ele a esquerda deve incorporar conceitos como solidariedade e cidadania partilhada. Essa postura, embora seja exposta por um membro de uma corrente minoritária (a DR), provoca o debate entre as diversas tendências, pois encontra eco entre os principais dirigentes do partido senão na sua concepção mais geral, mas na re-leitura proposta. Raul Pont (da DS), embora reconheça as dificuldades que o

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O termo é colocado por José Luís Fiori, como uma expressão surgida na década de 60 como uma inflexão conservadora das teorias da modernização ou do desenvolvimento político. O artigo “Governabilidade, por que e

qual” escrito pelo autor (disponível em: <

http://www2.fpa.org.br/portal/modules/news/article.php?storyid=1745> e acessado em 17 de outubro de 2006) faz um tour sobre o desenvolvimento desse conceito e crítica a esquerda por tê-lo absorvido sem os devidos cuidados.

169 partido tem em articular a esquerda, coloca o problema na indefinição ideológica do mesmo, o que o faz aproximar-se, embora de forma diversa, das opiniões de Genro.

Para Pont, a causa dos problemas do partido está basicamente no personalismo dos dirigentes (TD34), nas constantes divergências entre o partido, os seus governantes e a base parlamentar. Para ele todos esses problemas, somados à coalizão “reformista” que dirige o partido fez com este perdesse a referência dos movimentos sociais e populares.

Uma outra crítica, que perpassa várias tendências, é a de que a introdução das prévias para a escolha de candidatos majoritários acabou por criar um “ambiente eleitoral” dentro das instâncias locais levando, não raro, a formação de grupos antagônicos. Defensores e críticos dessa forma de decisão partidária concordam que o partido enfrenta dificuldades na introjeção dessa nova prática política.

O XI Encontro Nacional do PT ocorre no início de agosto de 1997100. O fortalecimento do governo FHC se expressa na vitória da proposta de reeleição que foi aprovada pelo Congresso Nacional. Contraditoriamente é um momento em que a economia brasileira sofre ataques especulativos e mostra a fragilidade de sua “integração positiva” ao processo de globalização.

José Dirceu é reeleito presidente do partido com 52,3% dos votos, derrotando a Milton Temer, que obteve 47,4% dos votos, consolidando sua posição como

100

Foram inscritas 10 teses, sendo que 3 delas não chegaram a ir a plenário. A tese Articulação – Unidade na Luta, de José Dirceu, recebeu 222 votos, tornou-se a tese guia. Neste Encontro aconteceram as primeiras eleições para a presidência do partido e Dirceu, com 284 votos, venceu Milton Temer, apoiado pelas esquerdas, que teve 256 votos. Nas eleições para o DN a chapa Luta Socialista (Misa Boito, Valter Pinheiro, Ivan Valente e Luciano Zica), 208 votos; Articulação – Unidade na Luta (Benedita da Silva e Aloísio Mercadante), 191 votos; Democracia Radical – DR (Genoíno, Estilac Xavier), 65 votos; Socialismo e Liberdade (Tilden Santiago, Edson Gonçalves,Jaques Wagner), 61; Nova Democracia (Paulo Teixeira e Rui Falcão), 25.

170 articulador do processo de homogeneização da liderança partidária. Já as correntes moderadas conseguiram 57,6% dos votos para o Diretório Nacional. A Comissão Executiva Nacional eleita pelo DN expressa essa maioria101.

O partido concentra toda a sua atenção nas eleições presidenciais de 1998 e lança a proposta de construir uma aliança “[...] político-cultural em defesa do Brasil e por uma alternativa de desenvolvimento sustentável com justiça social” (PT, 1998:653) reforçando a tese da “revolução democrática” como sendo necessária para que o neoliberalismo seja contido e que se promova uma “democratização radical” da sociedade e do Estado.

Completamente imerso na concepção liberal de “Estado de Direito” o partido reitera a necessidade de reformas as estruturas do aparelho estatal a fim de torná-lo acessível à sociedade. O “controle social” do Estado é a forma mais democrática que o PT visualiza na sua perspectiva de transformação do sistema.

De ruptura o partido passa a propor a construção de uma “perspectiva histórica anticapitalista” (PT, 1998) que se fundamenta numa mudança de paradigma de desenvolvimento dentro dos marcos do sistema capitalista:

A tarefa fundamental da economia é a inclusão de milhões de brasileiros, hoje à margem da produção e do consumo. Queremos um modelo de desenvolvimento orientado para a produção de bens de consumo de massa e serviços públicos essenciais, que priorize as condições básicas de subsistência e cidadania. (PT, 1998:654)

101 Nas funções mais importantes, a ART detém a 1ª. vice-presidência (Mercadante), a secretaria sindical (Delúbio Soares) e as relações internacionais (Marco Aurélio Garcia); a ART-E fica com a 3ª. Vice-presidência (Valter Pomar) e os movimentos populares (Sônia Hipólito); e a DS com a organização (Joaquim Soriano) e formação política (Jorge Almeida); e o Movimento PT emplaca Chinaglia na Secretaria-Geral.

171 O partido, que declarara ser o Plano Real um engodo das classes dominantes, reconhece seu sucesso quanto ao combate do processo inflacionário, ou seja, o plano macroeconômico do governo tucano-pefelista estava correto na essência, embora as bases que sustentaram essa estratégia tenham levado o país a se integrar no mercado mundial de forma mais dependente, estando sujeito às instabilidades inerentes à própria reprodução de um sistema, agora caracterizado pela financeirização.

Esse é o centro do ataque petista ao governo e mostra que a luta pelo poder agora está totalmente concentrada no campo da institucionalidade vigente, ou seja, na busca para derrotar o “projeto neoliberal de FHC” o partido passa a colocar as mudanças no sistema como um fim e não um meio de se chegar a uma nova alternativa política.

Essa perspectiva se torna evidente quando o partido tenta, de forma muito tímida, colocar sua perspectiva sobre o socialismo. Essa tentativa coloca o socialismo como um “problema teórico e político” (PT, 1998:662) e que deve ser reafirmado sobre novas perspectivas.

Um novo projeto socialista contemporâneo deve dar conta dos grandes problemas onde o socialismo do século XX acabou fracassando: promover o crescimento acelerado da economia, que os países periféricos exigem, realizando um processo sustentado de distribuição de riqueza. É fundamental mudar radicalmente a organização dos processos de trabalho em todas as esferas da atividade econômica, fazendo com que as atividades produtivas sejam cada vez mais momentos criativos de autoconstrução individual e coletiva. (PT, 1998:663)

A busca do PT é a de reafirmar sua crença na viabilidade de construção de uma alternativa socialista que tenha na democracia seu elemento basilar; na

172 estratégia de construção de um projeto de desenvolvimento nacional; e numa economia sustentável e solidária. A proposta petista inscreve-se numa estratégia de aproximação do partido com os segmentos médios da sociedade e dos partidos de centro-esquerda, cujo propósito específico é a formação de uma grande frente anti- neoliberal para o projeto eleitoral de 1998.

Essa busca em articular um movimento de oposição é reforçada pela crise que o Real atravessa em 1997 com freqüentes ataques especulativos à moeda e com três fenômenos decorrentes das políticas implementadas a partir de 1994: explosão da dívida pública que passou a inviabilizar as políticas de financiamento governamentais; o desemprego, gerado pela desorganização que a abertura comercial provocou nas empresas nacionais e pela falta de dinâmica do mercado interno: e pelo aumento exponencial da massa de excluídos, fruto do ajuste macroeconômico do governo, que acabou por limitar a entrada no mercado de trabalho devido às próprias condições de produção existentes.

Em fins de 1997 o partido vê nessa situação uma oportunidade de rearticular o chamado campo democrático e popular e ampliar tais alianças para os setores do pequeno e médio empresariado e das bases do Partido Popular Brasileiro (PPB) e do PMDB, que fazem parte da base governista. Explorar as contradições existentes no governo e ampliar as alianças políticas são a tônica do PT para vencer as eleições de 1998.

Entretanto o Encontro Nacional deixou claro que, embora as correntes moderadas sejam majoritárias, as divergências internas ainda pressionam a estrutura partidária e impedem sua dinamização, ou seja, a direção petista ainda

173 vive um processo em que as tensões internas estão presentes, afetando sobremaneira a relação da direção com os organismos intermediários e de base do partido.

José Dirceu, presidente reeleito, deixa claro que o partido precisa “decantar” as correntes que resistem ao “novo momento” do PT102. Para ele as divergências sobre os rumos a serem seguidos pelo PT permaneceram vivos durante o XI EN, exigindo uma discussão mais aprofundada sobre o projeto político-programático do partido. O presidente, líder da ART e do Campo Majoritário e cada vez mais próximo de Lula, afirma que o partido necessita ter um perfil mais homogêneo, a fim de evitar a persistente idéia de que as tendências têm a força para fazer mudar os resultados encontros. Isso significa fortalecer a direção petista e, por tabela, a visão de partido defendida por esta.

A fim de consolidar a posição referente a uma articulação para se contrapor a