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Approche Expérimentale

2. CHAPITRE 2 : APPROCHE EXPERIMENTALE :

A imagem televisiva é móvel. E ela é móvel não só porque percebemos os movimentos internos à moldura/quadro (os movimentos das personagens, por exemplo), mas também porque percebemos os movimentos da moldura/quadro com relação ao campo da imagem, isto é, os movimentos que a própria câmera realiza no momento da produção, os chamados movimentos de câmera.

Soulages (1999) observa que os movimentos de câmera podem assumir várias funções distintas, tais como:

a) uma função descritiva de identificação-localização, cujos exemplos mais

evidentes são as panorâmicas sobre as paisagens;

b) uma função de localização-identificação, cujos zooms sobre objetos e

personagens e faces são bons exemplos dessa função;

c) uma função de seguir a ação ou de acompanhamento dos atores, evidenciada

a partir de travellings sobre a ação das personagens;

d) uma função pontuativa,

A câmera pode, portanto, mover-se realizando uma ou algumas das funções assim. O quadro 3 abaixo apresenta os principais movimentos de câmera que nos interessa para a análise dos efeitos patêmicos no ato de linguagem telenovelístico.

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Movimento Definição Ilustração21

Panorâmica horizontal (PAN-

H)

A PAN-H é um movimento horizontal da câmera sobre sua base, seja para a esquerda ou para a direita, sem deslocamento do aparelho. É comumente usado para seguir o sujeito focalizado, na medida em que ele se move.

Panorâmica vertical (PAN-V)

ou tilt

Corresponde ao movimento vertical, da câmera sobre sua base. Como na PAN-H, não há deslocamento do aparelho, sendo o movimento realizado pelo eixo vertical do mesmo, que pode mover-se para cima ou para baixo.

Dolly

Diz respeito ao movimento total da câmera em direção ao sujeito focalizado, aproximando-se ou afastando-se dele. Quando a câmera se desloca em direção ao sujeito, fala-se de dolly-in, quando a câmera afasta do sujeito focalizado, fala-se de dolly-out.

Travelling ou truck

Corresponde ao movimento completo da câmera em qualquer direção que não seja de aproximação ou afastamento em relação ao objeto de cena. Trata-se, literalmente, de um

‘passeio’ de câmera, como o próprio nome travelling sugere.

Esse movimento é geralmente usado para seguir os atores através do cenário, mantendo-se uma distância constante deles.

Zoom

O zoom não é, propriamente, um movimento de câmera, mas um efeito óptico de movimento. Ele é obtido pela variação da distância focal das lentes, dando um efeito de aproximação (zoom-in) ou de afastamento (zoom-out) do sujeito ou objeto filmado. Embora tanto o zoom quanto o dolly aproximem ou afastem o sujeito focalizado, o resultado visual de cada um desses movimentos é diferente. O movimento em dolly muda a relação do primeiro plano com o plano de fundo do quadro, enquanto que com o zoom isso não ocorre. Por exemplo, quando é feito um dolly através de uma porta, os batentes parecem mover-se para as laterais e o interior da sala torna- se gradualmente visível; já o zoom traz a cena inteira para frente, sem revelar nada mais da sala em frente.

Quadro 3 - Movimentos de câmera

A partir das considerações sobre os movimentos de câmera apresentadas no quadro 3 acima, elaboramos a grade a seguira para a descrição dos movimentos de câmera nas sequências audiovisuais que compõem o nosso corpus.

Sequência Patemização Movimentos de Câmera

Pan-V Pan-H Dolly-in Dolly-out Travelling Zoom-in Zoom-out

CAP01SEQ01 Patêmico

Não Pat.

CAPxSEQn Patêmico

Não Pat.

Grade Resumida 6 - Movimentos de Câmera

65 3.2.3. Formas de transição entre tomadas

Qualquer programa de televisão utiliza um conjunto de tomadas para constituir o todo unificado que é o programa, uma vez que a tomada22 é a unidade básica da televisão.

Por tomada, compreendemos, à maneira de Stasheff et al. (1978), aquilo que aparece na tela da TV num dado instante, ou seja, aquilo que é visto no vídeo desde o momento em que uma câmera é posta no ar, até ser substituída por outra.

Qualquer programa televisivo, incluindo as telenovelas, é constituído de várias tomadas, existem várias maneiras de se passar de uma tomada para outra. Aos modos de passagem entre tomadas, damos o nome de formas de transição.

Segundo Stasheff et al. (1978), as formas de transição podem indicar que certa parte do programa está terminada e que uma nova está para começar, podem também introduzir uma outra face da realidade filmada; ou ainda podem mostrar a continuidade de uma ação sob um outro ponto de vista, além, é claro, de poder indicar passagem de tempo ou mudança de lugar. De um modo geral, essas técnicas de montagem e edição do programa televisivo é o que garantem a continuidade do que está sendo apresentando.

Assim, as formas de transição, pela sua natureza de convenção de montagem e edição, dão pistas aos telespectadores, ajudando-os a acompanhar o desenrolar dos acontecimentos exibidos na “telinha”. Logo, podemos considerar tais formas como signos do sistema da imagem televisiva.

O quadro 4 abaixo apresenta as principais formas de transição levantadas por Melo (2003).

Formas Definição

Corte direto Constituído pela mudança instantânea de uma tomada para outra. Fusão

Dissolução da imagem, isto é, a imagem vai se extinguindo lentamente dando lugar a uma outra imagem que aparece já definida ou vai se definindo gradualmente.

Flou Envolve a cena numa leve camada de gaze atenuando os contrastes tonais da imagem e evocando a atmosfera dos sonhos.

Clareamento É o aparecimento progressivo da imagem desde o preto total até sua completa nitidez. Escurecimento É o inverso do clareamento.

Quadro 4 - Formas de transição entre tomadas

22 A noção de tomada apresentada nessa seção corresponde à terceira acepção de plano arrolada por Aumont

e Marie (2010), tal como apresentamos acima (vide nota 15). Embora as noções sejam correspondentes, achamos adequado empregar o termo tomada no lugar de plano, pelo fato de teóricos da produção televisiva, como Stasheff et al. (1978) e Zettl (2010), utilizarem tal termo, o que permite distinguir os dispositivos de cada uma dessas mídias (televisão e cinema).

66 Para a descrição das formas de transição em nosso corpus, propomos, a partir das considerações apresentadas, a seguinte grade:

Sequência Transição entre tomadas

Corte Fusão FLou Clareamento Escurecimento

CAP01SEQ01 CAPxSEQn

Grade Resumida 7 - Transição entre tomadas

* * *

Encerramos a primeira parte de nosso trabalho com esse capítulo que apresentou as principais categorias linguageiras que serão utilizadas para a descrição e interpretação do estrato visual-fílmico em nosso corpus. Além do mais, apresentamos nessa parte os pressupostos teóricos e metodológicos que norteiam nossas análises, tanto do ponto de vista do estrato verbal, quanto do estrato visual-fílmico.

A segunda e a terceira partes desse trabalho, que serão apresentadas nos capítulos a seguir, serão restritas à apresentação dos resultados de nossas análises considerando nossos objetivos de pesquisa. A segunda parte apresenta a análise descritiva do corpus a partir da decomposição do mesmo nos modos de organização do discurso. Dessa forma, iremos apresentar os resultados para cada um dos modos de organização, sob o ponto de vista de cada um dos estratos linguageiros considerados. Ainda nessa segunda parte, descreveremos o contrato comunicacional que configura a telenovela O Astro, nosso objeto de estudo, bem como faremos uma descrição da forma como o nosso corpus de pesquisa foi constituído e organizado.

A terceira parte expõe os resultados do ponto de vista interpretativo, ou seja, nessa parte apresentaremos nossa interpretação das estratégias discursivas de patemização no corpus, considerando os dados levantados em cada um dos modos de organização, bem como as condições contratuais em que o ato de linguagem em análise se realiza. Logo, contemplamos com esse percurso metodológico as duas etapas de uma análise semiolinguística do discurso: a descritiva e a interpretativa.

68 CAPÍTULO 4

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