PARTIE 6 : Bilan et perspectives actuelles de la personne de confiance en
6.3. CHAPITRE 3 : Perspectives
6.3.3. Changer la loi
Todo e qualquer processo de variação, seja ele de natureza social ou estilística, é condutor de significado social ou, nos termos de Eckert (2000), porta significado social, ou mesmo que tenha significado localmente identificado, pode ser relacionado dentro de situações específicas e sistematicamente relacionado a padrões mais gerais encontrados em diferentes investigações.
Como já se assinalou anteriormente, a variação estilística passou despercebida ou não foi investigada a contento pela leva produtiva e significativa dos estudos linguísticos que incorporaram o elemento social e/ou estilístico como condicionador de regra variável.
Labov (2008[1972], em seu clássico trabalho seminal que trata do isolamento de estilos contextuais que favorecem a identificação de processos variáveis de natureza estilística, reconhece que “os linguistas sempre tiveram consciência dos problemas de variação estilística. A prática normal é pôr essas variantes de lado” (2008[1972], p. 91). Contudo, admite-se que os resultados alcançados de uma análise estilística possibilitam compreender uma série de aspectos relacionados ao falante, ao local onde compartilha normas dialetais, ao contexto de interação comunicativa, ao seu destinatário e/ao tópico abordado, dentre outros.
Deste modo, ninguém tem dúvidas: a noção de estilo é central em uma análise sociolinguística. Mas, em que consiste o estilo? Que dimensões e/ou nuanças o constituem? Diversas são as respostas encontradas no interior dos estudos linguísticos e que remetem
necessariamente a diferentes aparatos teórico-metodológicos, como se verificará na seção seguinte. Por enquanto, procura-se situar a variação estilística como mecanismo eficiente de análise e de descrição de usos espontâneos da fala.
Neste sentido, segundo Hora & Wetzels (2011, p. 148), “o estilo é visto como uma restrição que pode favorecer ou não a escolha de uma dentre as diferentes variantes que constituem uma variável.” Desse modo, a tarefa do pesquisador é isolar e/ou reconhecer os contextos favorecedores ou desfavorecedores da realização da regra variável em estudo na comunidade de fala observada.
Assim, percebe-se que a análise sociolinguística não basta apontar a correlação existente entre usos linguísticos e fatores (internos e externos), mas constitui-se no esforço complexo da tarefa descritiva que envolva aspectos diversos relacionados aos usos estilísticos, ao significado social, mesmo que passe pela localização de categorias sociodemográficas (idade, gênero/sexo, classe social, níveis de escolaridade, local de origem, profissão, etc.), ou que se remete às noções de prestígio ou estigma, ao significado local, dentre outros, é necessário desvelar aspectos da natureza da variação estilística.
Por sua vez, Campbell-Kibler (2006, p. 196) assim descreve estilo: “style may exist as a way for listeners (and therefore speakers) to understand variation and organize its social baggage”.38 E mais adiante em sua análise, a referida autora vai apresentar o estilo como
“cognitive construct” (2006, p. 203)39. Assim, inicialmente, sua definição estilística se
aproxima daquele formulada por Labov (2008 [1972], 2001).
Pensar nos aspectos relacionados à variação estilística dentro de uma teoria, que toma a língua em seu contexto social de uso, remete-se necessariamente à discussão das questões vinculadas à variação estilística intrafalante ou à variação estilística entre falantes. Segundo Görski (2011), essas questões dependem fundamentalmente das motivações que estão subjacentes aos modelos que abordam distintamente esses dois tipos de variação estilística. Assim, por exemplo, para Labov, a atenção dada ao vernáculo – mesmo reconhecendo a existência do Paradoxo do Obsevador - constitui o mecanismo central para o uso preferencial de determinado estilo, enquanto que para Bell (1984) será o(s) destinatário(s) envolvido(s) na interação verbal.
Neste sentido, Hora & Wetzels (2011, p. 149) afirmam “a variação estilística envolve variação na fala de falantes individuais mais do que entre grupos de falantes, ela está mais
38 "Estilo pode existir como uma maneira para os ouvintes (e, consequentemente, falantes) para compreender a
variação e organizar sua bagagem social."
presente intrafalante do que entre falantes.” Verifica-se nas afirmações desses autores a nítida filiação à proposta laboviana de análise de variação estilística, de um lado; e, do outro lado, permite-se compreender que a descrição dos aspectos estilísticos variáveis pode ir além da ancoragem na noção de comportamento e reconhecer outras questões relacionadas aos contextos sociais da língua (contexto, tópico, destinatário(s) presente(s) ou ausente(s), identidade, práticas sociais diversas, dentre outras).
Com relação à segunda pergunta direcionada a esta seção: qual o papel do estilo nos processos de variação e/ou de mudança linguística?, algumas constatações podem ser inicialmente esboçadas e, em um segundo momento, de acordo com os dados que serão analisados, podem ser reelaboradas teoricamente.
Percebe-se que, de acordo com Hora & Wetzels (2011), a noção de estilo e sua relação com práticas variacionistas estão diretamente inseridas na proposta de restrições (fatores sociais, estruturais e estilísticos) descrita por WLH (2006 [1968]), ao apresentarem os princípios empíricos de uma teoria da mudança linguística.
De outro lado, ainda se verifica que essa relação está presente por meio da própria constituição interna da Sociolinguística, pois como assevera Cardoso (2012, p. 02): “a sociolinguística opera com a mudança em propagação, não com a mudança em sua origem, pois assim lhe é permitido pela abordagem quantitativa.” Assim, desse modo, reconhece-se que há certa complexidade envolvida em qualquer processo de variação, seja ela de natureza social e/ou estilística, que pode ser detalhada por meio de análises estilísticas.
Nesta direção, outra citação de Labov (2010, p. 208) é esclarecedora à discussão aqui realizada: “the behaviour of individual cannot be understood without knowledge of the larger community that her or she belongs to.”40 Neste sentido, concebe-se que a investigação de
processos variacionistas de natureza social e/ou estilística ou, ainda, que envolva análise de atitudes, percepção e avaliação ou de outros aspectos está envolvida em processos que são bastante complexos em seus mecanismos internos e/ou externos. Assim, a variação e a mudança estão imbricadas, e o estilo constitui o mecanismo de verificação e/ou de atuação destes processos ou daqueles relacionados às análises atitudinais e avaliativas dos usos linguísticos.
Essa imbricação é atestada por diferentes estudiosos da língua. Por exemplo, Eckert (2005, p. 01) afirma “there has been an emerging focus on variation not as a reflection of social
40 "O comportamento do indivíduo não pode ser entendido sem o conhecimento da comunidade maior a que ele
place, but as a resource for the construction of social meaning.” 41Assim, entende-se que a
análise da variação estilística permite identificar os meios ou processos dessa construção de significado social que há nos usos de diferentes fenômenos linguísticos. Outra afirmação da autora corrobora as ideias até aqui ventiladas: “the relation between variables and categories that allows variation to be a resource not simpley for the indexing of place in the social matrix but for the construction of new places and of nuanced social meanings” (ECKERT, 2005, p. 22).42
A variação estilística constitui a chave de acesso aos processos que formam a natureza do significado social dos usos da língua. E assim, pode-se constatar como Labov (2008[1972], p. 135) fez após a análise no Lower East Side, “descobrir um padrão regular de comportamentos governando a ocorrência dessas variáveis [/r/] na fala de muitos indivíduos.” Assim, essa é uma das tarefas empreendedoras da análise de variação estilística.
Na seção seguinte, descreve-se a perspectiva de abordagem da variação estilística segundo Labov (2001). E, desse modo, pretende-se responder a terceira pergunta norteadora deste capítulo: como abordar a variação estilística?