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Ce qu’ils virent dans le pays d’Eldorado 38

Dans le document Candide ou l'optimisme (Page 59-65)

O movimento para uma Educação Aberta tem se intensificado cada vez mais em busca de processos de ensino e aprendizagem cada vez mais complexos e flexíveis, levando em consideração a diversidade de contextos e os interes- ses dos participantes com vistas à colaboração, à interatividade, à liberdade, sem restrições de uso, reapropriações e compartilhamento. (AMIEL, 2012)

A partir da Declaração da Cidade do Cabo (2007), o movimento da Educação Aberta surge como metodologia de educação, convidando alunos, professores, Governos, editoras, instituições de ensino, dentre outros, a se comprometerem com três estratégias para aumentar o impacto e o alcance dos REA. São elas: a) encorajar educadores e estudantes a criar, utilizar, adap- tar e melhorar os REA de forma colaborativa, fazendo estes, parte integrante da educação; b) disponibilizar e licenciar os recursos em formatos abertos e acessíveis sob o domínio de professores, autores, editoras e instituições e; c) fazer a Educação Aberta como uma prioridade, onde recursos financiados com o dinheiro público devem ser abertos, dando preferência a produção e ao compartilhamento de REA. Segundo a declaração, essas estratégias cons- tituem um bom investimento no ensino e aprendizagem para o século XXI.

A abertura pressupõe o livre acesso aos recursos disponibilizados por terceiros, bem como a ausência de pré-requisitos e qualificações prévias para utilizá-los. Também pressupões que os materiais sejam construídos em aplicativos de formatos abertos para que seja possível a interoperabi- lidade e a padronização entre os diferentes repositórios. Esses recursos podem ser planos de aulas, vídeos, imagens, livros, jogos, sons, textos, softwares e outros materiais de apoio ao ensino e aprendizagem. Eles con- tribuem para uma educação mais acessível a todos, propiciando menos custos e potencializando a evolução das sociedades globalizadas. Assim o compartilhamento, a transparência, a imprevisibilidade, a participação são características de uma prática educacional aberta, onde docentes e discen- tes produzem cultura e conhecimento.

Com isso, o movimento da Educação Aberta depende dos recursos educacionais abertos (REA), que na verdade, são

[...] materiais de ensino, aprendizagem e pesquisa veiculados em qualquer suporte ou mídia, que estejam sob domínio público ou licenciados de maneira aberta por licenças de direito autoral livres, tais como as do Creative Commons10, permitindo que sejam utili- zados ou adaptados por terceiros. O uso de formatos técnicos aber- tos, bem como de softwares livres e formatos abertos de edição, facilita o acesso e a reutilização potencial dos recursos publicados

digitalmente. Os REA podem incluir cursos completos, partes de cursos, módulos, livros didáticos, artigos de pesquisa, vídeos, tes- tes, softwares, e qualquer outra ferramenta, material ou técnica, que possa apoiar o acesso e a produção de conhecimento. (ROSSI- NI; GONZALEZ, 2012, p. 38)

Segundo Rossini e Gonzalez (2012), a filosofia dos REA é tornar os materiais educacionais como bens comuns e públicos, acessíveis a todos, para que possam ser remixados, compartilhados e utilizados de acordo com as especificidades de cada um. Nesse sentido, docentes e discentes se tornam autores nesse processo de produção de REA.

O conectivismo surge como uma teoria pedagógica sintonizada com a era digital, uma vez que as tecnologias têm reorganizado a nossa forma de viver, de comunicar e de aprender. (SIEMENS, 2005) Segundo Downes (2012), o conhecimento é um conjunto de conexões formadas por ações e experiência. As conexões se formam naturalmente, por meio de associa- ções que nos levam ao crescimento e da sociedade. O seu sucesso se dá por meio da diversidade, da autonomia, da abertura e da conectividade das redes de aprendizagem. A aprendizagem não é estruturada, controlada ou processada. Ela se estabelece no caos para que os participantes possam lidar com a complexidade.

De acordo com Siemens (2005), os princípios do conectivismo são: • a aprendizagem e o conhecimento se constituem na diversidade de opiniões;

• a aprendizagem é um processo de conexão de nós especializados ou fontes de informação;

• a aprendizagem pode residir em dispositivos não-humanos; • a capacidade de saber mais é mais crítica do conhecimento atual; • é necessário cultivar e manter conexões para contribuir com a aprendizagem contínua;

• a capacidade de enxergar conexões entre áreas, ideias e conceitos é uma habilidade fundamental;

• a intenção de todas as atividades de aprendizagem conectivistas é atualizar o conhecimento;

• a tomada de decisão é um processo de aprendizagem.

Segundo Siemens citando Art Kleiner (2002), a gestão do conheci- mento é um desafio muito importante, pois é necessário não só conhecer a capacidade cognitiva coletiva com também cultivá-la e aumentá-la. O in- divíduo é o ponto de partida do conectivismo, pois o conhecimento pessoal é composto por uma rede recursiva de aprendizagem, a qual envolve as organizações e as instituições. Assim, os sujeitos se mantêm atualizados por meio das conexões que formaram ao longo do percurso formativo.

De acordo com Inuzuka e Duarte (2012), os MOOC foram concebi- dos a partir da teoria de aprendizagem conectivista, podendo ser suportes adequados para a produção de REA. Para Mackness, Mak e Willians (2010), um curso on-line para ser conectivista precisa contemplar a autonomia, a diversidade, o grau de abertura, a conectividade e a interatividade. Cabe ressaltar que os MOOC, por não terem qualquer tipo de restrição no que diz respeito aos pré-requisitos acadêmicos e a quantidade de participantes, os mesmos são construídos e evoluídos dinamicamente, de acordo com o engajamento e as necessidades dos estudantes, não havendo mediação docente, apenas “facilitadores”. Nesse aspecto, a simples abertura não pro- picia a aprendizagem, sendo necessário um docente provocador que leve em consideração o estabelecimento da interatividade com mediação, tendo estes como elementos essenciais para a construção do conhecimento cola- borativa, autônoma e compartilhada.

Santos (2012, 2014) acrescenta que os MOOC se apoiam em uma metodologia de aprendizagem centrada no aluno. No entanto, no cibe- respaço a rede não tem centro fixo, mas sim dinâmico de acordo com as autorias de docentes, discentes e colaboradores. O desafio é criar currí- culos que se auto-organizem em rede de forma articulada com todos os participantes e objetos técnicos envolvidos. (SANTOS, 2005) Assim, me- todologias de ensino poderão emergir ou serem atualizadas tendo como objetivo a formação dos sujeitos em sintonia com a filosofia da abertura e da autoria cidadã.

A PESQUISA-FORMAÇÃO MULTIRREFERENCIAL COMO

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