5.6 The real line and the Scott domain
5.6.2 The Scott Domain
Já anteriormente mencionamos neste relatório que o papel do professor se tem vindo a alterar ao longo dos últimos anos. Antes do surgimento da abordagem
45 comunicativa, o professor assumia um papel central, como fonte de input e como modelo que transmitia o conhecimento. Contudo, a abordagem comunicativa
supone la inversión de las relaciones profesor-alumno propias de los programas centrados en el profesor, según los cuales, éste es el eje alrededor del que gira todo el proceso y el foco que le da vida. En la aplicación del enfoque comunicativo, el eje y el foco son el alumno" (Ceular, 1993: 138-139).
Assim sendo, o professor passa a assumir o papel de facilitador, de organizador de recursos e materiais, de guia das atividades e de observador, que aprende para melhorar o sucesso do processo de ensino aprendizagem. Como se pode ler no PEPOC (Ministério da Educação, 1997: 31)
a sua intervenção pedagógica resulta de um equilíbrio entre vários aspectos da sua actuação: como fonte de informação linguística, ao falar essa língua, ao seleccioná-la e organizá-la; por outro lado, como organizador e gestor das actividades lectivas, não podendo, em caso algum, monopolizar o protagonismo na aula"24.
Adicionalmente, cabe-lhe a ele, também, basear "o ensino e a aprendizagem das línguas nas necessidades, motivações, características e recursos dos aprendentes [...] definindo, com o máximo de rigor, objectivos válidos e realistas25", tal como preconiza o QECR (Conselho da Europa, 2001: 21), propondo temas, tarefas e atividades que possam ser adequados à turma em geral, sem descurar aspetos como os diferentes ritmos de trabalho e os distintos estilos cognitivos de cada indivíduo, em particular.
Adicionalmente, a crescente importância atribuída ao desenvolvimento da competência comunicativa intercultural dos alunos lança outros desafios ao professor: este deve "convertirse en un 'mediador intercultural'" segundo Buttjes e Byram (1991), referidos por Castro e Pueyo (2003: 67), e em um "representante diplomático por su posición estratégica entre las dos culturas" (Castro e Pueyo, 2003: 67). Assim sendo, segundo Meyer (1991), citado por Oliveras (2000: 38) o professor deve ajudar os seus alunos a percorrer três etapas distintas até que alcancem a competência intercultural. Numa primeira fase, que denomina de Nivel Monocultural, o indivíduo/aluno observa e interpreta a cultura estrangeira unicamente desde a perspetiva da sua própria cultura, pelo que prevalecem os estereótipos e os preconceitos. Numa fase posterior, no Nível Intercultural, os alunos estão mentalmente situados entre as duas (ou mais) culturas em questão, pelo que já conseguem identificar e explicar as diferenças culturais. Mas é só quando atingem o Nível Transcultural que os alunos conseguem um distanciamento que lhes permite estar "acima" das duas (ou mais) culturas contrastadas na aula e funcionar
24
Manteve-se a escrita original, anterior ao Novo Acordo Ortográfico de 1990. 25
46 como mediador entre elas, cooperando, comunicando e desenvolvendo a sua própria identidade. Atingir este último estádio pressupõe esforço e um trabalho contínuo e progressivo. Por isso, Sercu (2001), referido por Castro e Pueyo (2003: 67) alerta para o facto de, antes de estimular a consciência intercultural dos alunos ser "menester que el profesor haya pasado por el mismo proceso crítico y de reflexión, y que, como consecuencia, haya experimentado cambios en su autoconcepto, en sus cualificaciones profesionales, en sus actitudes y en sus destrezas". Ou seja, o professor deverá levar os seus alunos a percorrer o caminho (árduo) que ele já antes trilhou.
A nível metodológico, a tarefa de desenvolver a competência intercultural dos alunos pressupõe uma aproximação da aula à realidade exterior (as sociedades e as suas culturas), pelo que o uso de materiais autênticos assume especial importância. Funcionam como mostras culturais vivas do tempo presente e facilmente refletem aspetos do dia-a-dia. Neuner (1998: 72) refere que
in foreign language teaching - as opposed to second language teaching (within the sociocultural environment of the target language) - contact with the foreign world is hardly ever a direct one but transferred via the media: via texts for listening and reading; pictures; videos; films; etc. - similar to the contact with the foreign world outside the classroom (e.g. via television)".
Também Byram (1998: 19) nos diz que
telematics are potentially a significant development in the opportunities for putting learners in personal and direct contact with others in other cultures and societies. They bring a 'virtual reality' of the otherness into [...] the classroom. But this is a virtual reality inhabited by real people in other countries, not one invented by the computer".
Por isso, as tecnologias de informação (especialmente a Internet) e os meios de comunicação social (televisão, rádio, jornais, etc.) são importantes fontes de recursos culturais autênticos e motivadores. É através da observação dos conteúdos destes materiais autênticos e do contraste com a suba própria realidade (a sua cultura nativa) que o professor ajudará o aluno a descobrir semelhanças e diferenças culturais em relação a si e ao Outro, promovendo um questionamento implícito e explícito dos seus próprios valores, condutas e opiniões. É o que Castro e Pueyo (2003: 67) denominam de "sensibilización cultural crítica" e que o QECR (Conselho da Europa, 2001) integra na construção da competência existencial. Para tal, deve o professor propor materiais e atividades que estimulem a observação, comparação, discussão e interpretação de dados culturais, no intuito de ajudar a diluir o natural etnocentrismo do aluno e de lhe possibilitar relativizar as diferenças culturais, sem menosprezar uma cultura em detrimento da outra, aceitando que "both are needed, not that one is 'correct' and the other 'false'. This would
47 be a very effective way of developing a sophisticated level of savoir-être, in particular its affective aspect "(Byram, 1998: 20), potenciando a desconstrução de estereótipos e a destruição de preconceitos, favorecendo a empatia e a comunicação intercultural.