• Aucun résultat trouvé

By Michael S. Hunt

Dans le document ... Getting Started in (Page 80-84)

60 Júlio Dinis terá provavelmente tido conhecimento da opinião formulada por Guilherme

Braga, já aqui referido, a propósito do livro de Luciano Cordeiro, e que aquele considerou uma insignificância literária, cf. Jornal do Porto, n.º 220, 26 Setembro 1868.

61 Veja-se no capítulo seguinte, a referência aos contos e às diversas edições que os

mesmos conheceram. A edição em causa foi precedida de estudos da autoria de Pinheiro Chagas, o qual consiste no artigo já aqui mencionado e publicado no Jornal do

Porto, bem como o de Luciano Cordeiro, publicado no Livro de Críticas.

1871 foi rico em evocações de Júlio Dinis, já que foi também este o ano da morte do romancista63. Sousa Viterbo destacava, no Jornal do

Porto, o mesmo que havia tornado públicas “as pérolas da nossa

literatura”, a qualidade de observador profundo da vida que caracterizava o ficcionista, ainda que nunca tivesse manchado “a sua pena nas torpezas da comédia humana” (Cartas e Esboços Literários, p. 291)64.

Em “Palavras Preliminares” que introduzem o volume de publicação póstuma, Inéditos e Esparsos65, confirmava o brio literário do jovem romancista, a par da sobriedade, modéstia de temperamento e resignação. Herdeiro e continuador do espírito bucólico de Rodrigues Lobo, entre outros, viu ainda no autor de As Pupilas “um pintor que soube espiritualizar os seus retratos”, atribuindo-lhe, mais do que a preocupação da verdade, ‘a expressão da verosimilhança’ (Inéditos e Esparsos, p. xiv.). Apesar de não ser um escritor genial e do seu estilo não apresentar ‘fulgurações e vernaculidade irrepreensíveis’, merecia seguramente um lugar de relevo pela influência exercida na fixação de um género novo e de outros valores estéticos e doutrinários.

63 Refira-se Inocêncio Silva, “Júlio Dinis”, Dicionário Bibliográfico Português, Lisboa,

Imprensa Nacional, 1858-1927, vol. XXIV, pp. 54-57; vol. XII, 5º. Suplemento, pp. 380- 381; A. Teixeira de Macedo no Comércio do Porto, de 14 de Setembro; o artigo da

Correspondência de Portugal, transcrito na Gazeta do Povo, de 5 de Outubro; o artigo de

Sousa Viterbo, no Jornal do Porto de 13 de Setembro; o Diário Popular de 14 de Setembro e outros periódicos, de Setembro e Outubro deste ano. No dia seguinte ao da sua morte, o Jornal do Porto, o primeiro a acolher as publicações de Júlio Dinis, foi também quem primeiro evocou a sua memória. Devido ao aparecimento de tantas notícias, apenas mencionaremos aquelas que, pela riqueza dos seu conteúdo, se destacaram; também os autores que já aqui foram referidos, não voltarão a sê-lo, como é o caso de Pinheiro Chagas. Alberto de Queirós, em artigo publicado na Revolução de

Setembro, 15 Setembro 1871, elogia Júlio Dinis principalmente através da qualidade de

paisagista, comparando o seu trabalho à pintura de Goya e Cláudio Loreno, p 1.

64 “Observador profundo, enamorava-se do que havia de belo na alma popular e deixava

no escuro as misérias que enegrecem a vida” cf. Cartas e Esboços Literários, p. 291.

65 O volume Inéditos e Esparsos foi parcialmente refundido em 1947 em Cartas e

Esboços Literários. Existem, contudo, algumas diferenças quanto a conteúdos, em

prejuízo deste último. Entre elas, parecem-nos de grande valor os extractos de um livro manuscrito que oportunamente retomaremos.

Destacando, entre outros aspectos, o temperamento equilibrado, a modéstia incontestável - que não foi todavia impecável, a julgar pela forma como tratou certos companheiros de letras da sua época, lembramos apenas Camilo e Ramalho - a presença constante da doença na família e a questão da orfandade, de que se ressente toda o obra de Júlio Dinis, Sousa Viterbo chamou a atenção para o gosto que Gomes Coelho sempre manifestou, desde cedo, para as representações dramáticas e que também podemos avaliar através da grande espontaneidade com que escrevia, regra geral, os diálogos. Recorde-se que chegou mesmo a fazer parte de uma companhia de ‘curiosos’, cujas representações deram origem a matéria noticiosa nos periódicos que então circulavam66.

Quanto à educação da mulher, a quem não raramente dedicava o pensamento, - para já não mencionarmos a quase totalidade da sua escrita - Sousa Viterbo considerava Júlio Dinis um ‘visionário’, facto com o qual não discordamos inteiramente porque, mesmo atendendo à época em que escrevia ‘para’ e ‘sobre’ as mulheres, reconhecemos que a sua ideologia está carregada de certa utopia, principalmente no que respeita à maternidade e ao desempenho da mulher no estreito âmbito familiar. Talvez por isto mesmo tenha um dia escrito: «Tenho sempre escrúpulos de me rir dos visionários e utopistas, receio que os vindouros riam do meu riso» (Inéditos e Esparsos). Este pensamento remete não só para a consciência que possuía dos ideais a que particularmente aspirava mas, também, para o que pretendia da sociedade em que vivia.

66 Cf. Inéditos e Esparsos, p. xxvii. Júlio Dinis teria representado com os irmãos Luso, um

dos quais era responsável pela escrita dos originais das peças; as actuações decorriam inicialmente num pequeno teatro que para o efeito funcionava numa casa e mais tarde num antigo teatro. É esta época da vida de Júlio Dinis que Faustino Xavier de Morais recordava, em carta que escreveu ao romancista, referindo-se-lhe como “a antiga actriz do teatro de Camões”, Cartas e Esboços Literários, pp. 287-289.

“Escritor progressivo” é-o no sentido em que a sua escrita vai caminhando, de forma cada vez mais segura, desde os poemas e as peças dramáticas da juventude até aos contos, culminando nos romances, expoente de uma maturidade literária. Não tivesse a vida de Júlio Dinis sido tão cedo interrompida, difícil é prever até onde poderia ter chegado. Progressivo é também o acto de escrita propriamente dito, no sentido em que sabemos hoje o cuidado que punha na preparação dos esboços que estruturavam tantos dos seus textos, fossem eles dramas, contos ou romances.

Não tratava os assuntos de afogadilho; confiado na inspiração momentânea, antes tracejava primitivamente o plano geral, acentuando os pontos principais67.

O esboço inicial que elaborou e que constitui o manuscrito de onde mais tarde veio a extrair separadamente matéria para dois dos seus romances - As Pupilas e A Morgadinha68 é bem elucidativo do método de trabalho adoptado.

Foi também Sousa Viterbo quem chamou a atenção para as cartas de Júlio Dinis destinadas a familiares e amigos, que vinham sendo publicadas na revista quinzenal Portugal Artístico. São cerca de meia centena e reportam-se a um período da sua vida, que abarca mais de dez

67 Inéditos e Esparsos, p. xvi, Sousa Viterbo menciona a existência do esboço de um

romance histórico «A excelente senhora», que ficou incompleto e que decorre durante o reinado de D. João II, figura por quem o romancista demonstrou predilecção. Encontra-se também em Cartas e Esboços Literários, pp. 312-335. Noutro esboço de um conto, igualmente incompleto, intitulado «A vida nas terras pequenas», deixou-nos Júlio Dinis um plano dos capítulos, bem como uma lista das personagens sucintamente caracterizadas e ainda indicações quanto aos seus anseios e motivações, que poderiam levar ao desenvolvimento da sua vida interior e constituição da história. Dos outros escritos incompletos de que temos conhecimento, a maioria são esboços de contos que pretendia inserir num novo volume de Serões da Província, que então arquitectava, cf.

Cartas e Esboços Literários, pp. 307, 309.

68 Parte do conteúdo desse manuscrito encontra-se publicada em Cartas e Esboços

Literários; a reconstituição do manuscrito só é parcialmente possível, permitindo-nos

fazer uma ideia do conteúdo global, graças a diversos outros trechos que Egas Moniz publicou no seu estudo. Voltaremos a este assunto no capítulo seguinte.

anos69, pelo que o seu valor se afigura incontestável. A propósito da

personalidade do romancista, esclarecia:

Eu não sei se Júlio Dinis pensou alguma vez que as suas cartas familiares se tornassem públicas [...] Ele, porém, não tem muito a queixar-se das suas indiscrições epistolares, embora [...] sobretudo na correspondência trocada com Custódio de Passos, nos leve a descer do conceito que ficara da sua ingenuidade, da sua timidez, da sua candura. Não, ele não era um ingénuo, [...] e é com certa sobranceria e desdém, que ele olha de soslaio para alguns literatos e sujeitos de vulto [...] de quem fala incidentalmente (Inéditos e Esparsos, p. XIX).

A consciência literária que o ficcionista possuía e que os preceitos estético - literários claramente enunciados corroboram traduzia-se também na forma como reconhecia o isolamento em que vivia relativamente ao restante panorama cultural e literário da época. Consciente desta postura isolacionista, foi igualmente por este motivo que sempre se afastou de outras agremiações literárias:

Estou convencido de que é provável que a posteridade leia com mais interesse o romance de costumes, do que, com seriedade, os ditames, que uma pretensiosa e pedantesca corte de rapazelhos lhe está ditando, [...] como se gozassem do privilégio de videntes. (Serões da Província, p. 125)

Também Eça de Queirós concluiu, por altura da morte do escritor, em subtil alusão à sua misantropia literária, que, para o jovem romancista do Porto, se tinha resolvido finalmente a Questão - ”Trabalhou, criou e morreu”. O futuro se encarregaria de lhe fazer justiça, já que As Pupilas, segundo afirmava, era um livro ‘real’, fruto de um meio literário artificial, em que via florescer de modo geral uma literatura ‘pasmada’ e

69 Portugal Artístico, publicação ilustrada da Livraria Magalhães e Moniz, 1ª série, Porto,

1905, pp. 26-32, 55-64, 92-96, 123-128, 151-160, 182-192, 222-224, 251-256, 283-288. As cartas começaram a ser publicadas entre 15 de Fevereiro de 1904 e 15 de Junho do mesmo ano, por iniciativa de Eduardo Sequeira. Estavam na posse de Cruz Coutinho, o filho do editor dos romances de Dinis e também proprietário do Jornal do Porto.

‘alheada’70. Constatando que, depois da publicação deste primeiro

romance, a restante obra do autor de As Pupilas – ‘gentil e fácil’, assim se lhe referiu - passou desapercebidamente aos olhos da opinião pública, Eça recordou-o, mas com alguma complacência:

À maneira daqueles povoados que ele mesmo desenha, escondidos no fundo dos vales sob o ramalhar dos castanheiros, os seus livros serão procurados como lugares repousados, de largos ares, onde os nervos se vão equilibrar e se vai pacificar a paixão e o seu tormento. [...]71

Todavia não foram exactamente estas as palavras que Eça escreveu a propósito do autor de As Pupilas. Efectivamente, o texto publicado mais tarde em Uma Campanha Alegre encontra-se ligeiramente alterado. Na versão inicial, o julgamento que fez assemelha-se-nos mais inflexível e taxativo, contribuindo para de alguma forma denegrir a imagem do jovem romancista do Porto. Para além de negar a popularidade que Júlio Dinis, em boa verdade, já tinha alcançado, mesmo em vida, associou ao sentimentalismo que transbordava da sua escrita um certo 'pieguismo', destituído de sinceridade72. Que o autor de As

Pupilas havia sido essencialmente um paisagista, cujas aguarelas suaves

abundavam na obra romanesca, não o negou Eça de Queirós. Mais tarde, contudo, e contradizendo opiniões anteriormente formuladas, afirmava que as mesmas paisagens se resumiam a uma simples ‘impressão genérica de paisagem’, comparando-as a “um Fromentin sem cor”73.

70 Eça de Queirós, Uma Campanha Alegre de “As Farpas”, vol. 2, Porto, 1979, p. 25. 71 Idem, Ibidem, pp.196-197; a homenagem que Eça prestava a Júlio Dinis foi

inicialmente publicada nos folhetos em que as Farpas circulavam, logo em Setembro de 1871, havendo contudo diferença de conteúdos, relativamente ao texto saído em Uma

Campanha Alegre.

72 As Farpas, crónica mensal de política [...], Lisboa, 1871, pp. 47-51.

As suas aldeias, apesar de verdadeiras, são poetizadas, idealizadas e cobertas de névoa poética, tal como a realidade em geral, - essa mesma realidade que Eça entrevia de forma ‘fugidia’ no autor de A

Morgadinha. E, no entanto, chegou a confessar alguns anos depois, «foi

o artista que entre nós mais importância deu à realidade»74. O resultado

era na prática uma ‘impressão’ da realidade, ainda que genérica, ainda que levemente esbatida, mas todavia já a realidade.

Concordamos por certo com a afirmação de Isabel Pires de Lima, quando menciona alguma incapacidade de Eça em compreender a dimensão inovadora da obra de Júlio Dinis75. Julgamos que reside,

precisamente, nessa inovação que revelou em todos os romances, o grande mérito da sua obra. Podemos ainda deduzir, a partir daquilo que Eça deixou escrito, que, de algum modo, reconsiderou a postura assumida relativamente à primeira avaliação que fez da escrita ficcional dinisiana, reconhecendo nela a preocupação inegável com a realidade, a par de um idealismo e de um sentimentalismo intrínsecos ao próprio carácter do autor de As Pupilas.

Noutro texto que Eça escreveria alguns anos mais tarde, pareceu- nos ver, de algum modo, a legitimação do recurso ao idealismo como modo de valorização da própria obra de arte. Esse era o caminho que Eça trilhava naquela altura. Assim, ficou também reabilitada a memória de Júlio Dinis:

Esta maneira de pintar a verdade levemente esbatida na névoa dourada e trémula da fantasia, satisfazendo a necessidade de idealismo que todos temos nativamente, e ao mesmo tempo a seca curiosidade do real que

74 Eça escrevia em 1879, a propósito da criação da personagem da Morgadinha, fruto da

idealização em vez da observação, In Cartas Inéditas de Fradique Mendes, pp. 181-183 «nunca porém se desprendeu do seu idealismo e sentimentalismo [...], A realidade tinha para ele uma crueza exterior que o assustava: de modo que a copiava de longe, [...]adoçando os contornos exactos[...]»

75 «Júlio Dinis, o "romance rosa moderno"», Catálogo da Exposição, Biblioteca Municipal

nos deram as nossas educações positivas [...] A arte poetiza singularmente a existência76.

O maior ‘senão’ da homenagem de Eça a Júlio Dinis reside, a nosso ver, não tanto na relativa condescendência com que, em poucas linhas, se referiu ao romancista e à sua obra, mas fundamentalmente na vulgarização imediata sofrida pelas suas próprias palavras, não tivessem sido proferidas por um dos maiores nomes da nossa literatura. Pensamos que a expressão se generalizou e, desprendida do seu contexto inicial, desvinculou-se também do seu significado primeiro, mais profundo do que à primeira vista podia parecer. Divulgando-se, adquiriu foros de lugar comum, andando hoje arredada, segundo cremos, da intenção queirosiana77.

Que «viveu de leve, escreveu de leve, morreu de leve» foram de facto as palavras do grande romancista Eça de Queirós a propósito de Júlio Dinis, num dos poucos actos de opinião literária que praticou78. Não

sendo profundamente elogiosas, nem inteiramente depreciativas, pautam- se por certo indiferentismo. Eça deixou implícita a ideia de que a obra de Júlio Dinis passou ‘de leve’ por entre as atenções da época, afirmação que não deixa de ser verdadeira, se comparativamente pensarmos na divulgação que teve, por exemplo, a vastíssima obra de Camilo Castelo Branco.

76 «Prefácio dos Azulejos do Conde de Arnoso», Notas Contemporâneas, p. 148.

77 Refira-se a este propósito um artigo que saiu em jornal diário - com a divulgação que

isso mesmo implica - a propósito da exibição da adaptação do romance homónimo de Júlio Dinis, As Pupilas do Senhor Reitor, uma produção de uma rede de televisão brasileira. A articulista apresenta Júlio Dinis, sem qualquer outra explicação, por detrás de um título certamente eficaz em linguagem jornalística, mas redutor de um ponto de vista semântico: «viveu de leve, morreu de leve» condiciona a imagem do romancista perante o público em geral, menos sensibilizado para estas questões literárias e que poderá ser levado a fazer um juízo precipitado sobre a obra do romancista, cf. Eunice Cabral, “Escreveu de leve, morreu de leve”, In Público, artes e ócios, “Destaque”, 31 de Outubro de 1997, p. 5.

78 A opinião é de Vitorino Nemésio, “Júlio Dinis e Eça de Queirós”, In Ondas Médias,

Cerca de 1871, ainda, Ramalho Ortigão escrevia em As Farpas, com aquele estilo “desapiedado” e provocatório que tanto irritava Júlio Dinis - a avaliar pelo que deixou escrito - um comentário sintético sobre o romancista de As Pupilas. Aproveitando a publicação de O Crime do

Padre Amaro, acontecimento que, na altura, fez correr muita tinta, pela

novidade e pelo ineditismo que, em todos os aspectos, trazia, e, confrontando-o com os romances de sentimento de Camilo, chamou aos de Júlio Dinis ‘meras narrativas de salão’. Pertencentes à “literatura de

tricot”, género desenvolvido em Inglaterra pelas velhas misses, concluiu

que, apesar dos lances de paisagista, das descrições e do pitoresco, os romances são destituídos de alcance social79.

Muito embora Júlio Dinis não tivesse tido conhecimento das palavras que, a seu respeito, Ramalho havia pronunciado, desde sempre reconheceu no estilo daquele escritor um tom crítico e incisivo que lhe desagradava profundamente. Numa outra carta, destinada a Custódio Passos, datada de Outubro de 1869, as palavras que proferiu deixam transparecer a agitação cultural dos meios literários da época:

Vi o Ramalho na Biblioteca da Academia. [...] Leu diante de mim e do Soromenho o original de um folhetim [...] em que dá no Gaio duma maneira desapiedada e naquele estilo irritante com que ele costuma escrever as suas descomposturas literárias. Se o folhetim se publicar, temos provavelmente polémica literária como a do D. Jaime. (Cartas e

Esboços Literários, p. 144).

Sabemos que, tanto na altura em que esta carta foi escrita, como na época em que Ramalho elaborara o seu apontamento acerca da literatura de crochet do autor de As Pupilas, havia já acontecido entre ambos uma curiosa polémica, de que daremos conta mais

79 As Farpas, 1991, p. 257 (1ª ed. dos folhetos, Tipografia Universal, 1871). É de notar o

tom diferente de Ramalho, relativamente à forma que assume o juízo acerca de Júlio Dinis. As expressões que utiliza remetem para um ambiente predominantemente feminino, o mesmo que a correspondência trocada em tempos com Júlio Dinis - Diana de Aveleda também encerrava.

pormenorizadamente no capítulo seguinte, na medida em que ela se insere no contexto da correspondência literária do romancista e se enquadra num contexto mais específico de doutrinação literária. Podemos desde já acrescentar que essa polémica se gerou sob o pseudónimo literário de Diana de Aveleda, por detrás do qual Gomes Coelho também se ocultou. Na altura em que trocaram empolgada correspondência, por volta do ano de 1863, Ramalho desconhecia, por completo, a verdadeira identidade de tal 'senhora'.

Dans le document ... Getting Started in (Page 80-84)

Documents relatifs