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Business overview Results of operations – Central & Eastern Europe68

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O idoso frágil compõe o grupo de indivíduos que demandam maiores cuidados devido ao estado de maior vulnerabilidade, à baixa reserva homeostática e à menor capacidade de responder aos diferentes tipos de estresse. A hospitalização caracteriza um dos resultados da condição de fragilidade comumente relatados na literatura (FRIED et al., 2001).

A busca mais frequente por serviços de saúde (VERAS, 2009) resulta na maior ocupação dos leitos de hospital por idosos e, dentre estes, em condição de fragilidade (PODRAZIK; WHELAN, 2008). Essa síndrome representa impacto significativo nos cuidados hospitalares com idosos (KHANDELWAL et al., 2012).

Isso é corroborado a partir de dados da população brasileira, em que, no período de 2002 a 2011, idosos foram responsáveis por 27,85% das internações hospitalares no âmbito do SUS e 36,47% dos recursos pagos por elas (DATASUS, 2012). Um estudo realizado em Belo Horizonte – MG identificou a condição de fragilidade e pré-fragilidade associadas ao gradiente ascendente na razão de chance para hospitalização (VIEIRA et al., 2013).

Ademais, quando comparados com um grupo de 20 a 59 anos, os idosos apresentaram duas vezes mais chances de hospitalização, com razão aumentada entre idosos com 80 anos e mais de idade (SANTOS; BARROS, 2008).

No município de Uberaba – MG, entre o período de janeiro a junho de 2014, foram descritas 12.750 internações hospitalares. Do total, a maioria das hospitalizações permaneceu vinculada à Clínica Médica e Cirúrgica, em que os indivíduos apresentaram maior tempo de permanência e taxa de mortalidade na primeira especialidade (DATASUS, 2014).

Isso ocorre pelo fato de o idoso apresentar condições crônicas mais prevalentes que outras faixas etárias e dificuldade em se adaptar a um novo ambiente (no caso, o hospitalar), o que faz com que diversos fatores se tornem desfavoráveis a uma recuperação saudável e o tempo de internação possa prolongar, resultando em perda de autonomia e incapacidade (PILOTTO et al., 2012).

Ainda há escassez de estudos nacionais e internacionais sobre a prevalência da fragilidade em idosos hospitalizados. As informações são escassas quanto à significância da variável fragilidade como preditora de hospitalização (JOOSTEN et al., 2014). Dados indicam que a condição de fragilidade apresenta-se maior em idosos no ambiente hospitalar quando comparados à população idosa na comunidade (PARKER; FADAYEVATAN; LEE, 2006).

Em estudo realizado na Índia, utilizando o fenótipo de fragilidade de Fried et al. (2001), 33,2% dos idosos hospitalizados eram frágeis e houve correlação com mortalidade,

prolongação do tempo de internação e, consequentemente, aumento do custo do tratamento (KHANDELWAL et al., 2012). Corroborando com esse resultando, um inquérito com idosos hospitalizados encontrou prevalência de 27% em condição de fragilidade utilizando o mesmo critério mencionado (PURSER et al., 2006).

Uma pesquisa realizada em Unidades Geriátricas na Itália, ao comparar a acurácia de quatro instrumentos de fragilidade, identificou que essa condição foi associada com mortalidade em um mês e um ano após hospitalização (PILOTTO et al., 2012). Os pesquisadores sugeriram a utilização de um modelo multidimensional e integral de fragilidade para o ambiente clínico, ou seja, analisando não apenas o físico, como também o psicológico, o cognitivo e componentes sociais. Isso resultaria em um poder preditivo maior para lidar com os resultados adversos (PILOTTO et al., 2012).

Partindo do pressuposto da fragilidade como um estado de vulnerabilidade, de diminuição da capacidade de homeostase perante um evento estressor, foi identificado em estudo longitudinal que 40% de idosos frágeis estavam hospitalizados em virtude de uma doença aguda (JOOSTEN et al., 2014). Nessa condição, apresentaram associação com comorbidades, dependência nas atividades de vida diárias e mortalidade após seis meses de alta hospitalar (JOOSTEN et al., 2014).

Porém, dados da prevalência de fragilidade variam em pacientes hospitalizados, e as diferentes metodologias adotadas em pesquisas para avaliar essa condição são uma possível explicação (JOOSTEN et al., 2014). Isso é corroborado por meio de dados de diferentes estudos, dentre eles: Hilmer et al. (2009), utilizando a EFS, identificou 36% dos idosos hospitalizados classificados como frágeis; pesquisa utilizando o Study of Osteoporotic Fracture (SOF) e o fenótipo de fragilidade de Fried et al. (2001) verificou 66,4% e 17,9% de idosos frágeis respectivamente (WOU et al., 2013).

Desse modo, para que o idoso seja capaz de obter um poder preditivo maior para lidar com resultados adversos e de mortalidade em ambiente clínicos, é imprescindível o desenvolvimento de um modelo sobre a fragilidade tendo como base o funcionamento integral do indivíduo (PILOTTO et al., 2012). Para isso, são necessários esforços contínuos e estudos de intervenção para reduzir a fragilidade e os obstáculos decorrentes do processo de envelhecimento (SOURDET et al., 2012).

Quando o ambiente hospitalar é objeto de estudo, emerge na literatura outro tema: as readmissões hospitalares. Apesar do aumento na atenção para as readmissões hospitalares, poucos estudos têm examinado o impacto de uma nova hospitalização na sobrevida do indivíduo (LUM et al., 2012) e sua relação com a síndrome de fragilidade.

Entre idosos, vários fatores podem estar relacionados com o risco de readmissão hospitalar, tais como: ocorrência de internação anterior; duração da internação, onde um tempo de permanência maior associa-se com risco de nova admissão a curto prazo; morbidade e incapacidade funcional (GARCÍA-PÉREZ et al., 2011). A mortalidade após um ano de alta hospitalar (LUM et al., 2012) caracteriza um dos desfechos também relatados na literatura. Porém, a relação entre a síndrome de fragilidade como preditora de uma nova ainda não foi proposta na literatura.

Quando abordado o indivíduo com doenças crônicas ou incapacidade crônica, a fragilidade foi considerada preditora de readmissão hospitalar em 60 dias, e indivíduos frágeis foram considerados mais propensos a uma nova hospitalização quando comparados aos não frágeis (MCADAMS-DEMARCO et al., 2013).

Ademais, a readmissão pode estar comumente associada a fatores de risco, que poderiam facilmente ser identificados no início da primeira hospitalização (ALLAUDEEN et al., 2011). Com isso, a fragilidade pode ser capaz de identificar o tipo de risco que leva a uma população específica a uma nova hospitalização (MCADAMS-DEMARCO et al., 2013).

Considerando as consequências de uma readmissão, como desconforto ao paciente e a seus familiares, torna-se imprescindível conhecer o perfil desses indivíduos, assim como sua relação com a síndrome de fragilidade, para um melhor cuidado hospitalar e, principalmente, planejamento de cuidados após a alta, a fim de evitar uma nova hospitalização (BORGES et al., 2008).

Uma estratégia para diminuir o risco de uma nova hospitalização foi desenvolvida em 2002 pelo Sistema de Organização de Saúde Regional Francês, em um Hospital Universitário denominado Post-emergency Geriatric Unit (PEGU) (TRAISSAC et al.,2010). Alguns resultados significativos durante o tratamento em unidades geriátricas podem estar relacionados com redução de quedas, tempo de internação, custos para o serviço e aumento de altas hospitalares para a residência do indivíduo (FOX et al., 2012). A fragilidade não foi proposta como preditora nem como resultado adverso.

O acompanhamento frequente pelos profissionais de saúde deve ser considerado estratégia primordial para esse grupo, com objetivo de manter sua autonomia e capacidade funcional (BRASIL, 2006). Isso pode ser alcançado por meio da promoção, prevenção e controle dos fatores de risco que impedem o desenvolvimento da condição de fragilidade (OLIVEIRA; MENEZES, 2011).

Logo, a hospitalização ou readmissões hospitalares podem ser consideradas como fatores preditores para a condição de fragilidade ou, quando síndrome clínica, como uma consequência para o idoso (PESTANA, 2012).

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