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2011 Burlington, Ontario

Dans le document Compte rendu 2011/056 (Page 39-44)

As experiências de vida, independentemente do contexto onde ocorrem, representam oportunidades de crescimento pessoal para o ser humano, revelando-se fundamentais e obrigatórias na descoberta de si próprio (Monsarraz, 1998 cit. Fernandes, 2012). Segundo Martins (2011), os conhecimentos do enfermeiro são o resultado não só de conhecimentos teóricos e técnicos, através da formação académica, mas também de saberes adquiridos com a experiência e com a relação que estabelece com os doentes e com todos os profissionais no seu local de trabalho. Neste sentido, os enfermeiros de alguns estudos referiram que as suas experiências anteriores em contexto profissional representaram uma fonte de conhecimentos que os auxiliou na sua prática profissional:

Experiência como fonte de saber

- (...a experiência profissional interfere no cuidar...)E1; (...eu com estes anos de serviço que tenho já falhei muito mais do que o que estou a falhar agora, inicialmente era muito mais difícil...)E1; (...no início...tudo era mais chocante, muito mais complicado e agora continua a ser complicado, mas já consigo lidar melhor com a situação...digamos, que adquiri defesas...)E2; (...eu acho que com a experiência que ganhámos no serviço e com as dicas dos colegas e com aquilo que eu vou tirando do que correu bem e menos bem nas mortes que assisti, acho que fui ganhando algum saber...)E3; (...a pessoa depois com alguma prática, alguma experiência também consegue lidar com as situações e consegue prever as situações, preparar-se para as situações e fazer com que as situações o afetem o mínimo possível...)E4; (... ao longo destes últimos anos talvez nestes últimos seis anos a forma de estar perante um doente em sofrimento evolui no sentido positivo ou seja desenvolveram-se estratégias que vão de encontro ao alívio do sofrimento...)E5; (...e daí vem a revolta mas isso nota-se quando somos jovens a trabalhar porque eu lembro-me quando estava aqui há pouquinho tempo chegava a casa e chorava muitas vezes...)E7; (...perceber porque é que a pessoa que está à

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nossa frente...está reagindo daquela forma... ajudou-me um bocado nos doentes que estão revoltados, deu-me mais capacidade...)E8; (...sim a experiência, tem-me vindo a dar mais sensibilidade e a perceber melhor o estádio do doente...)E9; (...é o reflexo que vamos tendo ao longo dos anos de trabalho...tem a haver com a experiência profissional que temos com o doente no dia a dia e não logo quando iniciamos a nossa carreira...não existe maturidade suficiente não existe sensibilidade...)E9; (...até a minha experiência faz com que eu queira investir mais nessa pessoa mas em certa altura conhecendo a doença que o doente tem, e pequenas coisas que vão acontecendo percebo...tudo isto me tem vindo a ser adquirido ao longo dos anos pelas vivências/ experiências...)E9; (...tenho um pouco de dificuldades para lidar com isso aqui na instituição, mas com o tempo e com algumas pesquisas eu estou melhorando...)E14; (...apesar de alguns anos trabalhando com oncologia, eu ainda não tenho um emocional suficientemente preparado para suportar os processos de morte e morrer...)E15; (...a gente tem um melhor entendimento da morte na prática do que teoria...você vivenciar aquele processo é diferente...)E20; (...quando a gente é acadêmica não está preparada para isso, então, às vezes, a gente se desespera um pouco, mas aos poucos vai aprendendo a lidar com isso...)E20; (...I have to find my way to work through that, but I also think that experience helps you grow and helps you the next time, so maybe it is not so difficult...)E39.

Os enfermeiros recorrem à sua experiência de vida e aos conhecimentos adquiridos por essas experiências para ultrapassar as dificuldades no processo de cuidar ao doente terminal e à sua família. A experiência profissional e o número de anos de serviço parecem capacitar os enfermeiros perante as situações de terminalidade, sendo que o processo de adaptação foi mais difícil de gerir no início da sua carreira profissional.

Segundo Martins (2006, p.54), "o permanecer junto do doente em fase terminal, com uma

forma de estar que vai ao encontro das suas necessidades físicas, psíquicas, intelectuais ou espirituais, é algo que para além de tudo o que é ensinado durante o curso, só se adquire à própria custa, pela experiência do vivido no dia-a-dia". Também para Correia (2012), o

processo de construção do conhecimento para o indivíduo baseia-se no investimento do próprio processo de adaptação ao meio onde se encontra inserido. Assim, o maior número de anos de experiência profissional a cuidar de doentes terminais parece conduzir a uma maior maturidade pessoal e profissional, originando uma maior sensibilidade pelos enfermeiros em lidar com o processo de morrer e de morte dos doentes (Sapeta & Lopes, 2007).

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Experiências e vivências de morte na vida pessoal

- (...se nós tivermos assistido à morte de alguém ou seja, vivenciamos situações de morte, temos mais afinidade ou menos e mais ou menos dificuldade...)E1; (...ao fim e ao cabo porque todos nós já tivemos experiências, ou morreu a avó, ou alguém próximo que já nos morreu e acabamos por porque dar...dar o melhor de nós...)E1; (...conforme o tipo de vivências que a pessoa experiência, eu acho que também é isso que as faz estar mais sensíveis ou não para certos problemas...)E1; (...quando vivenciamos certas coisas na nossa vida pessoal, muitas vezes a gente aprendemos e crescemos com elas, na vida profissional...)E1; (...na minha infância eu passei por isso a...a minha mãe faleceu eu tinha seis anos...com uma neo...)E1; (...eu hoje reconheço que a experiencia que vivi com um familiar me ajuda hoje a olhar para estes pormenores que reconheço que são fundamentais na ajuda á pessoa que sofre...)E5; (...my dad died of cancer....and for me, having looked after my dad and seeing what it was like....as upsetting as it was...it sort of turned my dad’s dying into a positive thing, you know, that I could understand then what it was like for other people...)E27.

As experiências vividas são tanto mais significativas quanto maior for a valorização memorial que lhes é atribuída, sendo caracterizadas por um conjunto de significados resultantes da interação entre o homem e o mundo (Fernandes, 2012). Neste sentido, as experiências podem ser categorizadas em três formas: quando são agradáveis são apetecíveis, quando provocam o desconforto são ameaçadoras e, quando são neutras, provocam os sentimentos de indiferença (Paldrön, 2006 cit. Fernandes, 2012).

Para Sapeta & Lopes (2007), os fatores relacionados com às características pessoais dos enfermeiros, como a idade, as crenças religiosas, a maturidade ligada à sua história de vida e às experiências prévias podem influenciar a sua prática em cuidados paliativos. Segundo Frias (2001), os enfermeiros referem que a sua experiência os capacita nas suas ações, sendo que a morte recente de um familiar os pode condicionar perante a morte do doente terminal. Igualmente, Parece (2010) refere que a forma como os enfermeiros compreendem o conceito de morte está diretamente relacionado com as vivências pessoais de perdas anteriores, dentro e fora do contexto profissional, influenciando a sua atuação perante a morte. Assim, o confronto dos enfermeiros com o processo de morrer e de morte encontra-se associado à sua história pessoal de perdas, à elaboração dos processos de luto, à cultura em que encontra inserido, à sua formação académica e à sua capacitação em contexto laboral (Kovács, 2010).

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