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ÉVALUATION DES RISQUES POUR L'ARCTIQUE CANADIEN

Dans le document Compte rendu 2011/056 (Page 27-30)

A percepção da experiência vivida do processo de morrer e de morte pelos enfermeiros é única e subjetiva, sendo que cada enfermeiro vai encarar e percecionar a sua vivência de acordo com as suas referências, contribuindo em muito o seu referencial teórico e paradigmático que fundamenta a sua postura profissional (Fernandes, 2012). Nesta categoria, foram agrupados os relatos dos enfermeiros relativamente à sua filosofia de cuidados, nomeadamente com o modelo holístico e biomédico:

Modelo holístico

- (...nestes casos devemos fazer tudo pela pessoa, porque os últimos momentos que ela passa, os últimos meses, os últimos dias que ela passa, eu acho que ela deve partir com o máximo de lembranças positivas digamos assim...)E1; (...humanizar um pouco a morte...a morte não deve ser encarada como algo que devia ser vivido de forma isolada e impessoal...)E3; (…diria que devemos tratar e cuidar o doente de forma holística, cuidar do sofrimento humano faz parte dos conceitos e filosofia dos cuidados de enfermagem…)E5

; (...cuidar na minha opinião significa zelar pelo paciente ... é você dar assistência integral...)E12; (...procuro prestar uma assistência humanizada atendendo a todas suas necessidades humanas básicas...)E14; (...tem que ser uma assistência humanizada, entendendo todas as partes da doença, desde a sua descoberta até a aceitação, tentando entender os problemas e os questionamentos do paciente...)E17; (...o cuidado físico, de higiene...não vai deixar de instalar um concentrado de hemácias....uma hidratação subcutânea....)E18; (...you come into the world relying on somebody to look after you, to nurture you, to care for you, to clean you, to basically do everything for you and I've seen in the palliative care unit that as you deteriorate, you, the patient, becomes more reliant on you [nurse] for those exact same things...)E26; (...hospice

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care stresses that we can’t divide human life into parts, especially that we can’t focus on physical aspects but ignore the others...I like this idea...)E29; (...I think the nurses who come into palliative care, um, do it because they feel passionate about providing good care and good complete, holistic care, whereas I think in the general wards, I think their time is so restricted that they forget all about the other elements that are necessary. And here, the nurses are unwilling to compromise on care...)E32; (...thinking holistically, um, not just thinking holistically or saying you're thinking holistically and ticking it off but actually doing it. there's a huge difference between sort of saying you're doing holistic care and actually doing it...)E32;(...I can’t draw a line between it because the physical is very much dependent on all of the other um what’s the word I want, the other things that are done, you know the spiritual, mental, and all because I just can’t, I just can’t separate them...)E38.

Nos depoimentos, os enfermeiros reconheceram que os cuidados na terminalidade devem ser baseados no modelo holístico, em que o doente é encarado com um todo, de forma integral e global.

A palavra holismo provém do grego holikós, que designa o ser humano como um todo, inteiro e completo (Lemos et al., 2010). Os mesmos autores referem que o holismo faz parte da filosofia de enfermagem, conduzindo o pensamento e as ações do enfermeiro, capacitando-o para a construção de uma realidade mais humana. Segundo o Artigo 89º do Código Deontológico do Enfermeiro (OE, 2003), referente à humanização dos cuidados, o enfermeiro deve prestar cuidados tendo em conta a pessoa como uma totalidade única, inserida numa família e numa comunidade.

Modelo biomédico

- (...a maior parte das vezes não estamos vocacionados para cuidar do sofrimento, porque para uns há a visão de existir sempre cura e estes são muitos, enquanto para outros o fim de vida exige medidas de conforto, o que dificulta atender o sofrimento…)E5

; (...a falta de critérios para atender o sofrimento e a morte é angustiante, enquanto uns de nós procuram intervir numa filosofia mais de cuidados paliativos, grande parte da equipa ainda utiliza estratégias muito centradas no modelo biomédico...)E5; (…as culturas que possuímos, uma cultura assente em princípios biomédicos, interfere na forma como valorizamos o sofrimento do doente e da sua família...)E5; (...continuamos a ter medicação de antibioterapia e sem ser de analgesia, continuamos aí a ter bastantes doentes com dores...temos aí doentes do foro paliativo neste momento cá...que não estão medicados se quer para a dor, que continuam a

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sofrer com dores...)E6; (...a assistência é a mesma dos pacientes, só é um pouquinho diferenciado porque a gente fica mais atenta aos acessos venosos, vê se tem flebite, se tem é... alimentação deles a gente se preocupa um pouquinho mais...o mais importante é isso, cuidado dos acessos venosos porque é meio de infeção, nós sabemos que o que mais desenvolve infeção de uma hora para outra, acho que é isso...)E17; (...actually we just try to extend their life with chemical drugs, even if we see how they suffer from those drugs and how many difficulties they have...)E30; (...every day when I did it, it was hard....because I felt I was doing something that he [the patient] did not wish, but I simply did it. I felt the work was meaningless, because the only purpose was to make him survive for a little while against his wishes. It gave me nothing. I thought it was unworthy that this treatment he didn’t want was forced upon him...)E31.

O modelo biomédico consiste na representação dominante da saúde e da doença nas sociedades ocidentais e representa a doença como um desvio do estado normal (Costa, 2011). Para Frias (2008), este modelo de cuidados poderá ser funcional a nível técnico, mas é imensamente redutor na essência do cuidar. Já para Watson (2002), o cuidar tem sido desvalorizado, focando-se em aspetos altamente sofisticados. Também Mendes (1997) refere que apesar da profissão de enfermagem apresentar os seus próprios valores, encontra-se muito subordinada ao modelo biomédico, sendo a cura o objetivo máximo da sua atividade. Esta cultura focada na promoção da cura, muito imposta em ambiente hospitalar, dificulta a personalização dos cuidados, empobrecendo todo o processo de interação entre enfermeiro- doente-família (Sapeta & Lopes, 2007).

Assim, o modelo biomédico em nada favorece a qualidade dos cuidados prestados na terminalidade, sendo necessário que os enfermeiros recusem todas a formas de obstinação terapêutica, uma vez que acarretam elevado sofrimento ao doente e à sua família.

Dans le document Compte rendu 2011/056 (Page 27-30)

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