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Braid translation of Logarithmic CFTs

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4.3 From boundary to bulk LCFTs: braid translator

4.3.3 Braid translation of Logarithmic CFTs

Em resumo, Marx relata como o governo Camphausen representou o afastamento da revolução do povo, algo que possibilitou o fortalecimento da contrarrevolução, numa tentativa de instaurar um governo da burguesia sem a participação popular, dando esse verniz liberal à contrarrevolução. Assim, “(o) ministério Camphausen vestira a contrarrevolução com sua roupagem liberal-burguesa. A contrarrevolução sente-se suficientemente forte para livrar-se da importuna máscara.” (MARX, 2010j, p. 112). Quando a administração Camphausen cai, Marx prevê que o único governo apto a sucedê-la seria o governo do príncipe da Prússia, uma vez que logo a nobreza não teria mais necessidade de continuar agradando a burguesia, já que o seu fortalecimento, através da manutenção dos institutos feudais, estava a pleno vapor: “(c)abe a Camphausen a honra de ter dado ao partido absolutista feudal esse seu chefe natural e, a si próprio, seu sucessor.” (MARX, 2010j, p. 112).

Além do favorecimento da burocracia prussiana, Marx aponta que outro feito de Camphausen que fatalmente prejudicaria a revolução foi o fortalecimento do exército. Esse

processo ocorreu através da deflagração de diversos pequenos conflitos internacionais no período, responsáveis por levar o exército para combate e, com isso, reanimar a sua disposição de enfrentamento do povo e do seu ímpeto revolucionário: “Na guerra dinamarquesa, na polonesa, nos inúmeros pequenos conflitos entre a tropa e o povo, o exército não teve todo o tempo para se transformar numa soldadesca brutal?” (MARX, 2010j, p. 112).

O primeiro desses conflitos, a guerra em Posen, não foi apenas uma guerra contra a revolução, mas caracterizou-se como um conflito representativo do avanço da contrarrevolução na Europa, refletindo nas futuras quedas da Itália, de Viena e do proletariado na França (MARX, 2010a, p. 319), que serão posteriormente detalhadas. Houve também o conflito com a Dinamarca, que teve como objetivo “[...] conferir uma certa popularidade ao general Wrangel e a seus famigerados regimentos da Guarda, e reabilitar a soldadesca prussiana em geral.” (MARX, 2010a, p. 319) e custou à Alemanha um armistício concluído por Camphausen com o auxílio da Assembleia Nacional Germânica. O saldo final dessa guerra em termos políticos foi o apontamento de Wrangel, associado à corte reacionária, como comandante-em-chefe do distrito militar de Brandenburg, região que incluía Berlim (COTRIM, 2010, p. 319, nota 387), fato que interferiria diretamente no desenrolar da contrarrevolução ao permitir ao rei, através do exército, um canal de pressão sobre a Assembleia que ali se localizava.

Marx também afirmava que o ministério Camphausen havia cometido alguns equívocos de outra ordem que acabaram enfraquecendo a burguesia. O primeiro deles seria a introdução de eleições indiretas para a Assembleia Nacional, o que permitiu a formação de um corpo legislativo fraco, incapaz de se posicionar firmemente contra o executivo caso fosse necessário (MARX, 2010a, p. 319). Outro teria sido a permissão para que o príncipe da Prússia pudesse voltar para casa após fugir da Revolução de Março. O príncipe depois se consolidaria como o principal artífice da contrarrevolução9 (MARX, 2010a, p. 319), ou seja, seria a figura central sobre a qual se estruturaria o golpe de estado. Porém, mesmo que tais fatores tenham tido algum grau de importância e devam ser mencionados, parece inconteste que o grande pecado de Camphausen foi a manutenção do território jurídico e da burocracia prussianos.

9 Durante a Revolução de Março o príncipe da Prússia fugiu para a Inglaterra com medo da revolução. Entretanto, com o auxílio do ministério Camphausen, em 4 de junho de 1848 ele retorna para a Prússia, justificando a sua saída do país como uma viagem de estudos (SAZONOV, 2010, v. 8, p. 556, nota 150).

A contrarrevolução, em resumo, teve o seu germe inicial no fato da burguesia não mais ver uso na revolução. Depois de usado para neutralizar a aristocracia e permitir que a burguesia assumisse o controle do estado, o povo passou a ser uma inconveniência nos olhos dos burgueses prussianos: “A burguesia não está farta da revolução?” (MARX, 2010j, p. 112).

Essa postura, porém, custará caro à classe burguesa no futuro. Inocentemente ela tentou se livrar do povo e parar a revolução, estabelecendo uma situação que assegurasse os seus interesses contra qualquer tentativa de contestação por parte dos proletários, tentando assim assegurar as condições que permitiam o seu domínio. A burguesia não terminou a sua própria revolução, não solidificou a sua conquista. O ministério Camphausen, entretanto, achou que poderia fazê-lo, que aliando-se à aristocracia feudal poderia retirar o povo da equação e terminar a revolução, transformando-a na sua reforma particular. Essa burguesia, embriagada pela modernidade, julgou que a consolidação das condições sociais para a sua ascensão econômica eram absolutamente irreversíveis. Ela não contava com um contra-golpe de uma aristocracia que parecia acabada mas que se recusou a entregar o seu poder e encerrar a era feudal. Assim, o ministério Camphausen:

A serviço da grande burguesia, teve de procurar privar a revolução de seus frutos democráticos; em luta contra a democracia, teve de se aliar ao partido aristocrático e tornar-se o instrumento de seus apetites contrarrevolucionários. Este se sente suficientemente fortalecido para desembaraçar-se de seu protetor. O senhor Camphausen semeou a reação no sentido da grande burguesia e colheu-a no sentido do partido feudal.10 (MARX, 2010j, p. 113, grifo do autor).

Dessa forma, o ministério Camphausen cumpriu o seu papel de ser um governo de transição. Ele atuou como um elo intermediário entre a burguesia que precisava do povo e aquela que renunciava à revolução, entre a burguesia que se opunha à Coroa e aquela que se aliou a ela. Foi o ministério que realizou a resistência passiva à revolução, na medida em que ele a rejeitou num plano teórico e resistiu aos seus avanços e apelos num plano prático, enquanto era tolerante com fortalecimento das antigas autoridades jurídicas-políticas (MARX, 2010a, p. 329).

O ministério Camphausen, por conseguinte, foi uma administração passiva. Isso porque a sua resistência à revolução não tomava uma forma abertamente ofensiva, ele ainda evitava avançar claramente contra as conquistas da revolução: “Em conformidade com o seu

10 No artigo “A burguesia e a contra-revolução”, publicado na Nova Gazeta Renana No. 165 em 10 dezembro de 1848, Marx resume esse parágrafo com a seguinte modificação: “Ele semeou a reação no sentido da burguesia, ele a colherá no sentido da aristocracia e do absolutismo.” (MARX, 2010a, p.XX 158, grifos do autor).

papel, o ministério Camphausen se limitava com pudor virginal à resistência passiva contra a revolução.” (MARX, 2010a, p. 329, grifo do autor). A sua rejeição da revolução, portanto, focou-se principalmente no plano teórico, como evidenciava a teoria ententista. Ele trabalhou para estreitar as relações da burguesia com a burocracia prussiana, mas não chegou a utilizar essa última como arma de ataque aberto ao povo num primeiro momento. Ele aproveitou a oportunidade para tentar firmar sua nova posição política, inclusive contra o avanço reacionário das antigas autoridades feudais. Não era, portanto, o momento propício para se iniciar qualquer ofensiva, mas sim para primeiro resistir às pressões que sua nova posição impunha e que surgiam tanto do flanco relativo ao povo quanto à aristocracia: “Ele a rejeitou [a revolução], por certo, em teoria, mas na prática somente se opunha às suas pretensões e não tolerou a não ser a reconstituição dos velhos poderes estatais.” (MARX, 2010a, p. 330, comentário nosso e grifos do autor).

Foi esse o ministério responsável por consolidar o poder da burguesia após a revolução, fazendo a transição. Após cumprido esse papel, Marx afirma que esse governo perdeu a sua função, sendo que esse teria sido o real motivo da sua resignação. Foi o governo que, por ser o que se seguiu à revolução, teve que atuar sob o disfarce de que ele realmente representava o povo, de que exercia uma ditadura popular. Era um governo que carregava um certo ranço de ambiguidade em relação à origem da sua soberania, algo que impunha restrições à sua plena atuação reacionária. Superado esse primeiro momento, a burguesia se julgou forte o bastante para prosseguir contra a revolução mais abertamente, e essa foi a função primordial assumida pelo substituto de Camphausen:

A burguesia acreditava, entretanto, ter chegado ao ponto onde a resistência passiva devia transformar-se em ataque ativo. O ministério Camphausen demitiu-se, não porque tenha cometido este ou aquele erro, mas pela simples razão de que foi o primeiro ministério depois da revolução de março, porque foi o ministério da revolução de março e, de conformidade à sua origem, devia ainda dissimular o representante da burguesia sob o ditador popular. Esta sua ambiguidade de origem e seu duplo caráter impunham-lhe ainda certas convenances, reservas e considerações nos confrontos com o povo soberano, que começavam a enfastiar a burguesia, e que um segundo ministério, saído diretamente da Assembleia ententista, não devia mais observar. (MARX, 2010a, p. 330, grifos do autor).

Assim surgiu o ministério Hansemann. Ele foi o encarregado de mudar a postura da burguesia, fazer com que ela passasse a tratar a revolução de uma forma confessadamente mais ofensiva, permitindo a ela atuar concretamente contra as conquistas do período. Passado a etapa transacional assegurada por Camphausen, restou a Hansemann comandar a aliança entre a burguesia e as elites feudais no seu projeto de silenciar o povo, utilizando para tanto as

bases firmadas pelo primeiro ministério burguês. A partir dessa fundação é que ocorreu o momento de fortalecimento das estruturas burocráticas no período seguinte, necessário para subsidiar o ataque ativo às lideranças e vozes revolucionárias.

No ministério Hansemann, portanto, o terreno jurídico assegurado num primeiro momento por Camphausen finalmente viria a mostrar a sua face agressiva. O terreno jurídico então desdobrou-se no projeto reacionário, tanto no plano abstrato de elaboração das leis quanto na atuação das autoridades judiciais. Enquanto num primeiro momento destacou-se uma atuação jurídica passiva, com destaque para a teoria ententista, no período seguinte a burocracia prussiana assume destaque no direcionamento do aparato jurídico-policial contra o proletariado e o campesinato. Foi o período no qual os opositores da burguesia, fossem eles líderes trabalhistas, democratas ou outros cidadãos, acabaram sendo perseguidos, processados e aprisionados pela estrutura repressiva do estado prussiano. O direito, que num primeiro momento foi um escudo contra o povo, transmutou-se numa lança para fustigá-lo.

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