68020 Real Time Multi Processor CPU Board
BLOCK DIAGRAM OF THE SYS68K1CPU-21Y
Se a construção de um modelo metodológico apresenta como exigência a adequação aos objectivos da pesquisa, ao quadro de referência teórica e às características do objecto de estudo, também a natureza específica dos procedimentos a adoptar lhes impõe, para adquirirem pertinência e rigor, que tenham de ser diversificados e flexíveis (Bell, 2004; Bogdan e Biklen,1991; Costa, 1986; Iturra, 1986; Lüdke e André, 1986; Quivy e Champenhoudt, 1992).
(23)
Nesse sentido, o método de pesquisa e recolha de dados utilizado integra as técnicas da observação participante, da entrevista em profundidade e da análise documental, sendo o tratamento e cruzamento de dados feitos através de um processo dinâmico que se socorre da análise de conteúdo.
Esta opção prende-se com o facto de serem técnicas privilegiadas no âmbito dos estudos de caso de natureza qualitativa; por permitirem a triangulação de dados e consequente validação, alcançada pela confrontação de dados obtidos a partir das várias técnicas e por haver a necessidade de contactar directamente com os sujeitos e os submeter a entrevistas, para captar, com maior profundidade, as suas percepções e expectativas sobre o objecto de estudo. No que respeita à análise documental, esta opção justifica-se pelo facto de complementar os dados obtidos pelas outras técnicas e confirmar ou apontar novos aspectos da realidade estudada. Só a complementaridade entre estas técnicas nos permitia percepcionar de forma integradora a realidade, compreendê-la heuristicamente e, simultaneamente, tornar mais “sólido” o plano de investigação.
Considerando que “o trabalho de campo é o processo de procurar o conhecimento através de vários procedimentos” (Iturra, 1986: 149), procurámos sempre ter uma atitude de empatia, promotora de relações de confiança e de colaboração, mas mantendo uma certa distanciação, que visava uma interacção natural e não intrusiva com os sujeitos e minimizava os efeitos da presença do investigador.
Os convites da autarquia para observar acontecimentos, a preocupação em discutir connosco as iniciativas que se revestiam de interesse para a investigação e, por parte dos Conselheiros, o interesse, informalmente, demonstrado em saber o “andamento” da investigação, são alguns dos momentos que marcaram a “aceitação” do investigador por parte dos sujeitos da investigação e que registamos com apreço.
Em inúmeras situações reflectimos demoradamente sobre o significado dos dados recolhidos, na tentativa de entender os vários pontos de vista existentes para uma mesma situação e não somente sob o “nosso olhar”. A nossa preocupação com o rigor na análise dos dados, para além da subjectividade inerente, prendeu-se também com a necessidade de garantir que os resultados traduzissem com exactidão a realidade estudada e com a fiabilidade (Carmo e Ferreira, 1998: 218) que estes trabalhos exigem.
4.2.1 A observação
Considerando que “observar é seleccionar informação pertinente, através dos órgãos sensoriais e com recurso à teoria e à metodologia científica, a fim de poder descrever, interpretar e agir sobre a realidade em questão” (Carmo e Ferreira, 1998: 97), a opção por esta técnica apresenta grande pertinência em estudos de caso de natureza qualitativa. É uma técnica indispensável para entender e interpretar a realidade social, pois possibilita ao investigador “mergulhar” na realidade e nela participar, sentir e conhecer.
A observação é naturalística, em termos funcionais, pois resulta da observação in
loco das situações objecto de estudo, mas também por se pretender apreender a
realidade, reconhecendo que a complexidade das suas múltiplas interacções intervêm no quadro global; por se estabelecer uma inter-relação entre o observador e os observados; e ainda por se focalizar nas diferenças e nas semelhanças dos objectos e no desenvolvimento de hipóteses de trabalho ligados ao contexto particular estudado (Guba, 1981 cit por Postic e De Ketele, 1988: 141).
Nesta investigação e no seguimento da perspectiva apresentada por Lüdke e André, considerámos também que a técnica da observação se revestia de grande utilidade “para «descobrir» aspectos novos de um problema. Isto se torna crucial nas situações em que não existe uma base teórica sólida que oriente a colecta de dados” (1986: 26), como é o caso em relação ao funcionamento interno e formas de operacionalização do CME. Das cinco funções essenciais da observação apresentadas por Postic e De Ketele (1988: 48-49), encarámos como prioritárias as funções descritiva e heurística, que presidiram à definição e planificação dos instrumentos e estratégias de observação.
Assim, após a selecção da técnica de observação, delimitámos o grau de participação no trabalho de pesquisa. A opção pela observação participante mostrou- -se a mais adequada, por razões deontológicas (a revelação da identidade do investigador e dos objectivos do estudo são princípios dos quais não abdicámos durante a investigação) e pelas características dos momentos e sujeitos de observação,
embora se pretendesse que fosse uma “observação participante passiva” (Margaret Mead, 1966)(24).
Em termos operacionais, o carácter global e integral inerente à Política Local de Educação impõem que sejam objecto de observação iniciativas com características, parceiros e objectivos distintos, que decorrem das várias dinâmicas locais. Assim, quando iniciámos o trabalho de campo, solicitámos a colaboração da autarquia na identificação das situações que nos permitissem captar a amplitude dessa intervenção. Para além das reuniões do CME, muitas outras iniciativas são reveladoras da Política Educativa implementada para e com esta comunidade local.
Podemos agrupar as situações de observação realizadas (Anexo 2) em três grandes tipologias: i) Conselho Municipal de Educação: as reuniões ordinárias e extraordinárias deste órgão (o lado interior do órgão) e uma reunião entre um representante e os seus representados (a perspectiva exterior do órgão); ii) os projectos educativos: as reuniões de preparação, a apresentação e a avaliação de projectos (um projecto integrador no âmbito do desenvolvimento da Educação Cívica; outro no domínio do teatro e outro no domínio musical) com outros parceiros sócio- -educativos; iii) encontros e seminários para a comunidade educativa.
Deste modo, pudemos observar momentos de definição/planificação, execução e avaliação da política local de educação que, ao nível da educação formal e não formal, integrou diferentes iniciativas, abrangeu domínios distintos, direccionou-se para destinatários diferenciados e envolveu diversos parceiros. O quadro 1 apresenta uma breve descrição das catorze iniciativas por nós observadas:
Tendo realizado observações “participantes passivas”, com excepção das reuniões do CME, a nossa presença foi nas restantes iniciativas pouco evidente para os observados (mas sempre com o conhecimento da autarquia), em virtude do carácter público dos eventos ou dado o seu alargado auditório.
Nas reuniões do CME, tentámos aperceber-nos dos efeitos que a nossa presença poderia introduzir e tentámos minimizá-los, procurando actuar de forma discreta e
(24)
Esta autora considera que este tipo de observação ocorre quando “o observador participante entra no jogo,
observa, mas não toca em nada” (cit por Postic e De Ketele, 1988: 50). Também Goetz e LeCompte consideram que
a observação directa de situações sociais, como são os estudos em contexto educativo, é sempre uma observação participante, embora os observadores possam alargar ou reduzir as suas interacções com os sujeitos (1998:153).
integrada com o grupo de sujeitos. Foi nossa opção ocupar um lugar na mesa de reuniões, embora numa das margens, já que em alternativa a nossa posição era muito mais evidente e perturbadora. Desta forma, também os nossos registos pessoais eram discretos, integrando-se com os apontamentos dos Conselheiros durante a reunião. Quadro 1 - Esquematização das observações realizadas
DATA INICITIVA LOCAL DURAÇÃO CÓD.
22/10/2004 Apresentação de resultados de um projecto de investigação: “Disciplina /Indisciplina”
Museu Municipal
16h15 às
18h00 PO.01 07/12/2004 Reunião de apresentação do projecto de
investigação e formalização da autorização.
CML/Gabinete do Vereador da
Educação
15h30 às
16h40 PO.02 10/12/2004 Reunião do Conselho Municipal de
Educação CML/ Paços do Concelho 18h00 às 20h00 PO.03 02/02/2005
Reunião entre o Representante do Ensino Básico no CME e os Órgãos de Gestão dos agrupamentos de escolas do Concelho
Escola EB 2,3 Azul
15h00 às
17h20 PO.04 17/03/2005 Reunião do Conselho Municipal de
Educação
CML/ Paços do Concelho
18h00 às
20h05 PO.05 05/04/2005 Seminário: ”Qualidade educativa – Práticas
para a melhoria”
Biblioteca Municipal
9h30 às
17h15 PO.06 27/04/2005 Reunião de preparação do Projecto:
“Esboços de Arte” CML/ CR
16h00 às
17h45 PO.07 28/04/2005 Reunião do Conselho Municipal de
Educação (Extraordinária)
CML/ Paços do Concelho
18h00 às
20h10 PO.08 09/05/2005 Apresentação do Projecto: “E sobe ao palco
a escola…”
Cinema Municipal
9h30 às
13h00 PO.09 19/05/2005 Apresentação do Projecto: “Esboços de
Arte”
Parque Munic. Monte Alto
14h25 às
17h45 PO.10 16/06/2005 Reunião de avaliação do Projecto: “Esboços
de Arte” CML/ CR
16h00 às
17h30 PO.11 06/07/2005 Apresentação da actividade da Divisão de
Educação aos agentes educativos
Biblioteca Municipal
15h00 às
17h20 PO.12 11/07/2005 Reunião de avaliação do 1º ano de
implementação do projecto: “Dó, Ré, Mi”
Esc. EB 2,3 de Laranja
15h00 às
17h05 PO.13 28/07/2005 Reunião do Conselho Municipal de
Educação
CML/ Paços do Concelho
18h00 às
21h10 PO.14
Foi também nossa opção “partir” para o campo de observação sem uma grelha de observações pré-definida, por forma a não (pré) estruturar os dados a recolher. Assim, de uma forma ampla e de acordo com as dinâmicas e interacções observadas, tomámos notas que, seguidamente, deram origem aos catorze protocolos de observação (P0.01 a P0.14, Anexo 3). Estes são relatos descritivos das situações observadas, de modo a constituírem dados qualitativos essenciais para orientar a
entendimento do objecto de estudo. Para se proceder ao estudo dos protocolos de observação, foi mobilizada a análise de conteúdo.
4.2.2 A entrevista
Se a técnica da observação permite ao investigador contactar directamente com os sujeitos de estudo e, no local, percepcionar os seus comportamentos, acções e interacções, apresenta, no entanto, limitações na recolha dos discursos dos actores sobre os valores, opiniões e expectativas que motivam os seus comportamentos. Considerando que a pesquisa de terreno deverá perspectivar procedimentos de recolha de informação sobre as múltiplas dimensões da realidade a investigar, complementámos a observação participante passiva com entrevistas aos sujeitos. A fundamentação por esta opção encontra-se expressa nas palavras de Costa:
“Na recolha de informação pela via da entrevista ou do questionário tem de se ter sempre em conta que, mesmo nas questões ditas mais objectivas, tudo o que se obtém é uma declaração do sujeito sobre a observação que ele faz do seu próprio pensamento, comportamento ou situação. Em sentido inverso, a observação directa, restritamente entendida, dá um acesso muito limitado ao sistema de classificações, à configuração das representações e ao universo de sentido dos protagonistas das práticas sociais. Entretanto, esses fenómenos da subjectividade são um elemento objectivo fundamental da realidade social. Para angariar informação acerca das categorias que organizam essa subjectividade e acerca dos respectivos conteúdos específicos é necessário complementar a observação directa de práticas, objectos e símbolos com a conversação e a entrevista.” (1986: 142)
Em complemento com outras técnicas, a entrevista apresentou-se assim como a mais adequada para podermos obter informações individualizadas, quer descritivas, resultantes da experiência dos entrevistados, quer expositivas, das suas percepções e expectativas, informações essas que são ainda reveladoras das suas concepções educativas. Assim, seleccionámos a entrevista semi-estruturada, que se desenvolve a partir de um esquema inicial, mas que não implica a sua aplicação de forma rígida e restrita por ser um instrumento mais flexível (permitindo as adaptações necessárias) e mostrar-se mais apropriado às pessoas a contactar e à especificidade das informações a recolher (Lüdke e André,1986: 34).
Na fase de preparação da entrevista, o investigador deve definir os objectivos a alcançar e posteriormente ordená-los logicamente em blocos de temas que respeitem o sentido de encadeamento, elaborando assim um roteiro, o guião da entrevista, que nas entrevistas semi-estruturadas assume maior relevância. Também a formulação das questões deve ser cuidadosamente elaborada, de modo a satisfazer as exigências de uma boa pergunta e não induzir ou excluir possibilidades de respostas.
Tal como na técnica anterior, também os procedimentos a adoptar antes, durante e depois da entrevista, exigem ao investigador sensibilidade, bom senso e o cumprimento de questões éticas.
Realizámos entrevistas a sete Conselheiros Municipais de Educação e ao Vereador da Educação (Quadro 2), com o intuito de recolher informações (no discurso próprio dos seus actores), sobre as suas percepções e expectativas sobre a Política Local de Educação em geral, e sobre o Conselho Municipal de Educação de Lilás, em particular, dado que estes são “informadores qualificados” (Carmo e Ferreira, 1998: 129) pois contactam directamente e participam na realidade em estudo(25).
A Lei Nº 41/2003 de 22 de Agosto introduziu alterações na composição do Conselho Municipal de Educação (ponto 2 do Artº 5º), que passa a incluir 15 representações (alíneas a) a p)). Deste total de elementos, a nossa selecção ficou condicionada aos seguintes aspectos:
- neste CME não existem as representações mencionadas nas alíneas a); b) e i); - a substituição do representante das forças de segurança, alínea p), que desde Julho de 2004 se aguardava, apenas ocorreu na última reunião observada, Julho de 2005;
- a tomada de posse do representante da Segurança Social, alínea m), teve lugar na reunião de Março de 2005, pelo que o seu contacto e percepção sobre este órgão seriam ainda diminutas;
- o reduzido contacto que estabelecemos com os restantes Conselheiros: alínea j), representante das IPSS, presente na reunião de Dezembro e de Julho; alínea o), representante dos serviços de juventude e desporto, participou na reunião de
(25)
Durante o trabalho de campo pudemos constatar que muitos dos Conselheiros reuniam um vasto conjunto de experiências pelo desempenho de diversos cargos (educativos, sociais ou políticos) - assunto que posteriormente
Dezembro e alínea n), representante dos serviços de emprego e formação profissional, ausente no período por nós observado.
Quadro 2 – Plano das entrevistas efectuadas
DATA ENTREVISTADO Lei
41/2003 DURAÇÃO CÓD.
06/07/2005 Representante do pessoal docente do Ensino
Secundário público c) 57 minutos PE.ES
01/07/2005
Presidente da Junta de Freguesia eleito pela Ass. Municipal em representação das freguesias do Concelho
d) 72 minutos PE.JF
22/06/2005 Representante do pessoal docente do Ensino Básico
público e) 55 minutos PE.EB
17/06/2005 Representante do pessoal doente da Educação Pré-
escolar pública f) 49 minutos PE.JI
20/06/2005 Representante dos estabelecimentos de Educação e
Ensinos básico e secundário Privados g) 56 minutos PE.EP 16/06/2005 Representante das Associações de Pais e Encarregados
de Educação h) 51 minutos PE.AP
21/06/2005 Representante dos serviços públicos de saúde l) 48 minutos PE.CS
08/07/2005 Vereador da Educação da Câmara Municipal de Lilás 1 c) 80 minutos PE.VE
Em termos de uma breve caracterização dos entrevistados, podemos mencionar que quatro são do sexo feminino e quatro do sexo masculino; quatro exercem funções docentes e quatro têm outras profissões e todos têm idades superiores a 40 anos.
Bogdan e Biklen afirmam que uma das vantagens das entrevistas semi- -estruturadas é ter a certeza de obter dados comparáveis entre os vários sujeitos (1991: 135), por isso adoptámos, como critério para a construção dos guiões de entrevistas, manter os blocos temáticos. Na preparação da entrevista ao Vereador da Educação, embora respeitando esse critério, foram acrescentados blocos ou objectivos específicos directamente relacionados com o papel da autarquia ou com as suas competências. Esta opção deve-se ao facto de este ser uma “testemunha” privilegiada, cuja função preponderante lhe permite reunir um vasto conhecimento sobre a problemática.
Assim, o guião das entrevistas a realizar aos Conselheiros (Anexo 4) estrutura-se em quatro blocos temáticos:
Bloco B - Política Local de Educação: fundamentos e objectivos; dinâmicas locais e modos de administração;
Bloco C - aspectos formais do Conselho Municipal de Educação; Bloco D - Conselho Municipal de Educação: as práticas;
Para cada um destes blocos foram identificados objectivos específicos a alcançar e formuladas questões-guias, tendo em consideração o objecto de estudo, os objectivos da entrevista, a experiência e o papel dos entrevistados.
O Guião da entrevista a realizar ao Vereador da Educação desta Câmara Municipal integra seis blocos temáticos, dois construídos para este entrevistado, três iguais ao guião mencionado anteriormente e mais um onde foram acrescidos objectivos específicos. Em termos gerais tem a seguinte estrutura:
Blocos A e B – iguais aos anteriores A e B; Bloco C - intervenção da autarquia na educação;
Bloco D - relações entre a Câmara Municipal e os outros agentes educativos e autárquicos;
Bloco E - igual ao anterior C;
Bloco F - ao anterior D foram incluídos objectivos relativos à Presidência do CME e à articulação entre a autarquia, o CME e o ME.
As entrevistas foram realizadas individualmente e sem uma ordem pré- -estabelecida, apenas tendo em conta a disponibilidade dos entrevistados (calendarização no Anexo 5), embora, e intencionalmente, tenhamos procurado agendar a entrevista ao Vereador da Educação para o final. Por sugestão da autarquia, contactámos telefonicamente todos os entrevistados, solicitando-lhes a sua colaboração para a realização da entrevista e explicitando os objectivos do estudo. Sem qualquer excepção, o interesse e disponibilidade para colaborarem connosco foi de imediato expresso.
A escolha do local onde se efectuaram as entrevistas foi deixado ao critério do entrevistado, com o intuito de propiciar um clima agradável de colaboração e confiança. As entrevistas realizaram-se nas respectivas escolas (quatro), no gabinete de trabalho (duas) e na Câmara Municipal (duas) – a autarquia disponibilizou um espaço para efectuar a entrevista ao Representante das Associações de Pais. Em todas elas
pudemos usufruir de um local sossegado, que propiciou um ambiente descontraído, interrompido apenas em duas situações pelo toque do telemóvel. Com excepção da entrevista ao Vereador da Educação, que se fez acompanhar da técnica superior da Divisão de Educação, todas as outras entrevistas foram realizadas individualmente.
Ao iniciarmos as entrevistas tivemos a preocupação de relembrar os objectivos da mesma, o objecto de estudo, a garantia de confidencialidade e qual o uso das informações recolhidas. Solicitámos ainda autorização para proceder à sua gravação em áudio. Durante a entrevista procurámos estimular os entrevistados a manter um discurso fluído e descontraído, mostrarmo-nos abertos ao surgir informação imprevista e não directamente relacionada com os objectivos definidos e interessados em aprofundar ou esclarecer as suas ideias.
Posteriormente transcrevemos o conteúdo de cada uma das entrevistas e os protocolos foram enviados para todos os entrevistados (os códigos constam do quadro 2 e os protocolos no Anexo 6). Apesar dos nossos contactos, um entrevistado não o devolveu, pelo que se assumiu que não havia alterações a introduzir.
Para o estudo do conteúdo das entrevistas foi utilizada a análise de conteúdo.
4.2.3 A análise documental
Os documentos escritos constituem um potencial de informações que o investigador não poderá ignorar. Das vantagens que encerram, Guba e Lincoln (1981) destacam, entre outros, o facto dos documentos constituírem uma fonte estável e rica de informações; permitirem o enriquecimento ou a fundamentação de evidências e representarem uma fonte “natural” de informação, de um determinado contexto (cit por Lüdke e André,1986: 39). Reconhecendo essas potencialidades, decidimos mobilizar também a técnica de análise documental, perspectivando cruzar ou complementar a informação proveniente de outras fontes e técnicas.
A técnica de análise documental visa seleccionar, tratar e interpretar a informação que contém, exigindo por isso procedimentos metodológicos específicos. À partida, impõe-se a selecção de documentos em função dos objectivos a alcançar e não por outros critérios arbitrários, como a busca de documentos que apoiem deduções já
efectuadas (Bell, 2004). A selecção recairá também no tipo de documento (oficial, técnico ou pessoal), devendo o investigador ter presente, aquando da sua análise, a finalidade que presidiu à sua elaboração, a sua validade e objectividade.
Quadro 3 – Documentação escrita consultada
Fonte Documentos
Poder Central
- Legislação relativa ao Sistema de Ensino - Legislação relativa ao Poder Local
- Legislação relativa ao Conselho Municipal de Educação
Autarquia
- Plano Director Municipal
- Orçamento 2004 e Grandes Opções do Plano 2004-2007 (Div. Educação) - Orçamento 2005 e Grandes Opções do Plano 2005-2008 (Div. Educação) - Relatório Anual de Actividades – 2004 (Divisão de Educação)
- Relatório de avaliação e Contas de Gerência da Divisão de Educação (2001/2002 a 2004/2005)
- Estatísticas de caracterização da rede escolar
- Ofícios para o ME sobre o processo de constituição de agrupamentos escolares - Boletins Municipais
- Brochuras e material de divulgação de projectos e iniciativas - Publicações da autarquia (Revista e Jornal Local)
- Site da autarquia - Informação diversa Conselho
Municipal de Educação
- Ofícios para as Escolas relativos ao processo de constituição - Regimento Interno
- Actas das reuniões
- Documentação de apoio às reuniões (distribuída aos Conselheiros)
Em termos de procedimentos efectuados, a análise documental foi realizada de forma transversal e visou a caracterização do quadro normativo e, posteriormente, a recolha e selecção de documentação produzida pela autarquia local. Assim, recolhemos e analisámos documentos oficiais e técnicos oriundos de fontes distintas. Numa primeira fase, procedemos a uma leitura não orientada dos documentos recolhidos, por forma a seleccionar documentos e textos pertinentes aos objectivos propostos. A documentação seleccionada foi posteriormente agrupada em diferentes categorias (Quadro 3).
Esta selecção inclui documentos informativos e documentos de índole política, como entrevistas e notícias divulgadas pela autarquia, cuja análise nos permitiu, no primeiro caso, complementar e triangular estes dados com os recolhidos através de