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The Bit-Manipulation Operators

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Algumas propriedades18 únicas das células-tronco são objeto de intensas pesquisas e fazem com que os cientistas busquem nelas a possibilidade de encontrar a cura para muitas doenças degenerativas.19 A terapia consiste em usar grupos de células-tronco para tratar doenças e lesões através da substituição de tecidos doentes por tecidos formados por células saudáveis. Essas doenças causam a morte prematura ou mal-funcionamento de tecidos, células ou órgãos, dentre elas, as doenças neuromusculares, diabetes, doenças renais, cardíacas ou hepáticas (SOUZA & ELIAS, 2005, p. 6).

As CTE têm sido usadas na reconstituição de tecido cardíaco em pacientes que sofreram infarto do miocárdio. Estudos experimentais têm sido realizados em modelos animais usando-se as células-tronco para doenças neurológicas, como doenças de Parkinson ou Alzheimer. A pesquisa com as CTE tem se tornado uma esperança no tratamento da diabetes, na reconstituição óssea e dentária, na regeneração de tecido renal e hepático. Pesquisas com as CTE, ainda, têm sido vistas por muitos pesquisadores como a mais importante ferramenta na recuperação de pacientes que sofreram lesão na medula espinhal e hoje vivem em cadeiras de rodas. O uso clínico das células-tronco embrionárias apresenta-se como a principal esperança da ciência no tratamento de diversas doenças neuromusculares degenerativas e de inúmeras outras doenças sem cura até o presente momento (PRANKE, 2004, p. 34).

Outra possibilidade consiste em utilizar algumas linhagens de células-tronco experimentalmente para testar a potência e a eficiência de determinadas drogas, como as que se usam no tratamento de alguns tipos de câncer, por exemplo, e muitas outras drogas potentes, antes da sua indicação para uso em humanos, além da geração de células capazes de serem usadas como terapia substitutiva de células danificadas por doenças, em lugar dos transplantes (SOUZA & ELIAS, 2005, p. 6).

18 Diferenciar-se e constituir diferentes tecidos no organismo e auto-renovação.

19 O transplante de medula óssea para o tratamento das leucemias é uma forma de tratamento com células-tronco de eficácia comprovada. A medula óssea do doador compatível contém as células-tronco ematogênicas que irão formar as novas células sanguíneas sadias.

Pesquisas recentes mostram resultados que parecem muito promissores. Um grupo israelense mostrou recentemente (Kehat et al., 2001) que células embrionárias em cultura conseguem transformar-se em células cardíacas, o que abre possibilidades terapêuticas enormes tanto para patologias genéticas como para doenças adquiridas (ZATZ, 2002, p. 94).

São as células do embrião que apresentam a maior potencialidade para diferenciação e aplicação terapêutica. Para a maioria dos cientistas, as células-tronco derivadas de embriões são as que apresentam melhor eficiência nos resultados em pesquisas realizadas até o presente momento, uma vez que o potencial de diferenciação ainda encontra-se em seu estágio inicial. Para tanto, são produzidos embriões humanos ou utilizados embriões excedentes de fecundações in vitro, ou criopreservados, propiciando-se o desenvolvimento até a fase de blastocisto inicial. Nesta fase é realizada a retirada do embrioblasto ou massa celular interna, operação que resulta na destruição do embrião (PUSSI & PUSSI, 2005, 65).

Apesar das favoráveis perspectivas, o uso de embriões para obtenção de células-tronco (clonagem terapêutica20) ainda se encontra em estágio evolutivo e seu potencial é objeto de muita especulação e expectativas, principalmente devido às resistências de ordem ética, moral e religiosa, mesmo após a aprovação da Lei de Biossegurança. Os argumentos contra o uso de embriões para a clonagem terapêutica são de que podem abrir caminho para a clonagem reprodutiva humana; gerar um comércio de embriões ou destruir vidas ao se destruir o embrião cujo destino seria ser descartado em clínicas de fertilização. A fundamentação desses argumentos, conforme a posição da Igreja Católica, é de que os embriões devem ser considerados como seres humanos, pois a vida começa no momento da concepção. A opinião não é exclusiva de religiosos, pois encontra repercussão em partidos democrata-cristãos que, na Alemanha, por exemplo, junto com o Partido Verde, formou forte oposição à utilização de verbas públicas da União Européia para a pesquisa com células-tronco embrionárias (VOGT, 2004).

Dentre os contrários no Brasil, destacam-se a médica veterinária e pesquisadora Alice Teixeira Ferreira, coordenadora do Núcleo Interdisciplinar de Bioética da Universidade Federal de São Paulo e integrante do Núcleo Fé e Cultura da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, juntamente com Dalton Luiz de Paula Ramos, da Universidade de São Paulo e membro da Pontifícia Academia Pro Vita. Os dois publicaram em 2004 o Manifesto contra a

utilização de embriões humanos em pesquisa, que expressa posição contrária à clonagem

terapêutica e a utilização de embriões humanos em pesquisas, mesmo os que estão congelados em clínicas de reprodução assistida. O texto chega ainda a propor a proteção dos embriões dos processos de reprodução assistida (VOGT, 2004). Ambos os pesquisadores são citados pelo

ex-procurador Claudio Fontelles na ADI 3510 e asseguram que as células-tronco adultas podem agir como as embrionárias.

Existe a possibilidade de que uma célula-tronco adulta ser transformada e obter as características das embrionárias. Uma pesquisa de uma empresa norte-americana, a Prime Cell, comprovou isso com células germinativas (as células-sexuais ou gametas). Esta empresa agora tem as patentes dessa técnica e passará a comercializar células com potenciais diferentes de formar pele, ossos, músculos e até mesmo nervos. Sugiro a quem busca a cura para doenças em células embrionárias que passe a pesquisar como transformar as células-tronco adultas do líquido amniótico (TEIXEIRA apud PERRI, 2007).

Não há consenso claro a respeito de qual tipo de célula-tronco (embrionária ou adulta) seja a mais adequada, como também parece não haver ainda evidências científicas suficientes que comprovem a eficácia delas no tratamento das doenças degenerativas. Outro argumento de pesquisadores divergentes dos benefícios das pesquisas com células-tronco provenientes de embriões congelados, é a possibilidade de rejeições, tumores, diferenciações e anormalidades, conforme uma lista de 10 argumentos científicos, elencados pela bióloga Lilian Piñero Eça, em artigo publicado no jornal Folha de S. Paulo, juntamente com o jurista Ives Gandra da Silva Martins (2005). Os dois citam o trabalho científico do norte-americano Rudolf Jaenisch, para quem “o segredo está guardado numa ‘chave’ molecular: o gene Oct-4”. A idéia também é reforçada por outro pesquisador, Antônio Carlos Campos de Carvalho (2001), do Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, que menciona essa descoberta feita em pesquisas com camundongos, segundo a qual mesmo as células- tronco adultas seriam pluripotentes.

1) No caso da utilização das células de embriões congelados há mais de três anos, trata-se de um transplante heterólogo, com grande possibilidade de rejeição, visto que, à medida que essas células se diferenciam para substituir as lesadas num tecido degenerado, elas começam a expressar as proteínas responsáveis pela rejeição (Jonathan Knight).

2) Allegrucci e colegas dizem que células-tronco de embriões congelados estão longe de ser a "perfeita fonte de células para terapias", pois originam teratomas (tumores de caráter embrionário).

3) Além disso, ocorrem mutilações no DNA dos embriões congelados, que não são passíveis de identificação, aumentando o risco de silenciarem genes. Portanto, não servem para a pesquisa.

4) Há total descontrole das células embrionárias, surgindo diferenciações em tecidos distintos nas placas de cultura, com o que se poderia estar renovando experiências atribuídas a Frankstein.

5) Cada blastocisto fornece entre 100 e 154 células-tronco embrionárias. É preciso saber quantos embriões humanos frescos seriam sacrificados. Por exemplo, na terapia com autotransplante de células-tronco adultas provenientes da medula óssea,

é necessário um total de 40 milhões de células-tronco, vale dizer, haveria a necessidade de 300 mil a 400 mil embriões, pois não se pode expandir o número dessas células em placas, por motivo de contaminação.

6) Andrews e Thomson, em 2003, referem que as células-tronco humanas em cultura apresentam anormalidades cromossômicas à medida que se diferenciam, com risco de se malignizarem.

7) Quanto à clonagem terapêutica, não se conseguiu até agora clonar um primata. Ao tentar, obtém-se meia dúzia de células aneuplóides (células cujos núcleos contêm um número diferente de cromossomos).

8) Feeder layers são camadas de tecidos retiradas de fetos vivos em qualquer estágio, vendidas em dólares nos Estados Unidos, as quais estão sendo utilizadas para garantir a qualidade do cultivo das células-tronco embrionárias.

9) Joel R. Chamberlain e colegas mostraram em estudo que há doenças genéticas que podem ser tratadas, mas com células tronco adultas, modificadas geneticamente, como na Osteogenesis Imperfecta, a qual origina desordens ósseas no esqueleto. Os resultados demonstrados foram um sucesso.

10) "Célula adulta age como embrionária", de acordo com o cientista Rudolf Jaenisch. O segredo está guardado em uma "chave" molecular: o gene Oct-4. A molécula trabalha no estágio inicial do embrião, "segurando" as células para não se diferenciarem antes da hora. No tempo adequado, o gene se desliga e as células formam, então, os tecidos certos. Com o controle do gene, é possível fazer com que certas células-tronco adultas sejam mantidas nesse estágio sem diferenciação, o que pode expandir seu campo de atuação na pesquisa de novos tratamentos (www.cell.com).

Vemos alternativas para estudar a cura das doenças. Cresce o número de trabalhos nos quais se verifica, com sucesso, a recuperação de tecidos ou órgãos lesados, utilizando células-tronco adultas. Um exemplo é o trabalho de Nadia Rosenthal, publicado no "Proceedings of the National Academy of Sciences", sobre o sucesso em usá-las para recuperar tecidos musculares. Devemos lembrar, também, do sucesso do pioneirismo brasileiro nas aplicações de células-tronco adultas em seres humanos, no tratamento das cardiopatias, doenças auto-imunes, lesão de medula espinhal, lesão de nervos periféricos, entre outras (MARTINS & EÇA, 2005).

Todavia, os cientistas que apostam nas pesquisas com células-tronco embrionárias refutam a plasticidade das células-tronco adultas e atacam os colegas divergentes de fundamentarem suas posições em restrições de cunho moral e religioso. É o que pensa Mayana Zatz, coordenadora do Centro de Estudos do Genoma Humano e pró-reitora de pesquisas da Universidade de São Paulo (USP): “trabalho com doenças neuromusculares, para as quais as CTA não servem, e com as pesquisas com CTE poderíamos ter esperanças de vida (ZATZ apud PERRI, 2007). Visão igual possui Patrícia Pranke, farmacêutica e professora de hematologia da Faculdade de Farmácia e pesquisadora do programa de pós-graduação em Medicina: Ciências Médicas da UFRGS e PUCRS:

Muitos estudos mostram que a plasticidade das CTA [célula-tronco adulta] é uma esperança crescente, enquanto vários outros questionam a sua plasticidade. Além disso, outros trabalhos mostram que as CTA apresentam problemas como o fato dessas células não crescerem bem em cultura ou apresentarem maiores problemas de compatibilidade. Outra vantagem das CTE [células-tronco embrionárias], quando

comparadas com as CTA, é em relação a telomerase, a enzima que restaura os telômeros, a parte final do DNA, o que controla o número de vezes que as células podem se dividir. A telomerase está presente em grandes concentrações nas CTE, mas não nas CTA. Sendo assim, nas CTA os telômeros estão encurtados o que limita a capacidade de proliferação celular. Em outras palavras, as células são mais velhas e, portanto, têm uma vida mais curta. Devido a esses fatores, muitos pesquisadores acham necessário estudar as CTE, frente a incerteza da plasticidade das CTA e de sua capacidade regenerativa, pois apenas através da pesquisa as respostas a essas perguntas serão obtidas. Diante disso, acredita-se que o melhor tipo de célula-tronco a ser utilizado com essa finalidade seria a célula-tronco embrionária (PRANKE, 2004, p. 34).

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