Análise de conteúdo das entrevistas efectuadas a todos os pais. (anexo 5)
• Primeira Questão: Por que motivo escolheu este Jardim de Infância para o seu filho?
Razões que motivaram a escolha do estabelecimento de ensino
CATEGORIAS SUBCATEGORAS Proximidade Casa Proximidade Local de trabalho Informação Boas referências
Informação Sugestão de outrem
Informação
Sem referências
Factores económicos Custos
Tipo de serviço Maior cobertura de horário
Outras razões Gosto pessoal
Outras razões
Problemas de adaptação
• Segunda Questão: Na sua opinião, como acha que deveriam ser atendidas as crianças com deficiência?
CATEGORIAS SUBCATEGORIAS
Inclusão como vantagem
Igualdade de oportunidades
Inclusão como vantagem
Igualdade no atendimento Inclusão como vantagem Aprendizagem partilhada Inclusão como vantagem
Desenvolvimento da escolaridade em contexto regular
Inclusão como vantagem
Integração sócio-profissional
Entraves à inclusão
Falta de condições na escola Entraves à inclusão Atitude segregadora
Entraves à inclusão
Falta de apoios
Factores propiciadores de mudança
Melhoria das condições
Factores propiciadores de mudança
Formação dos docentes Factores propiciadores de mudança Articulação escola-família Factores propiciadores de mudança
Tentativa de descentração
• Terceira Questão: Que expectativas tem face ao futuro do(a) seu (sua) filho(a)?
Expectativas dos pais face ao futuro dos filhos
CATEGORIAS SUBCATEGORIAS
Expectativas do grupo A
Aposta na aprendizagem em contexto regular
Expectativas do grupo A Esperança no desenvolvimento académico
Expectativas do grupo A
Esperança no desenvolvimento pessoal e social
Expectativas do grupo A
Medo/insegurança no futuro
Expectativas do grupo B Área do desenvolvimento académico Expectativas do grupo B
Área do desenvolvimento pessoal e social
(porque peias nossas veias corre a mesma seiva 2 - DISCUSSÃO DOS RESULTADOS
Após a definição de categorias e subcategorias, tentaremos agora fazer uma leitura dos resultados obtidos.
Este estudo pretende ser um contributo para o esclarecimento do que pensam os pais sobre a inclusão de crianças com deficiência evidente no sistema regular de ensino, ao nível do pré-escolar, bem como das percepções destes sobre as reacções da comunidade escolar.
De acordo com a primeira questão colocada ao universo de entrevistados estes referem ter escolhido o Jardim de Infância que os seus filhos frequentam por diversas razões das quais se destacam a proximidade ao seu domicílio e ao
local de trabalho. Tiveram em conta informação diversa como boas referências que possuíam sobre o Jardim e também a sugestão de outras pessoas.
Foram evocadas ainda outras razões que se prendem com factores económicos e
tipo de serviço prestado pela instituição como maior cobertura de horário.
Apenas dois pais evocaram outras razões: um destaca uma questão de preferência pessoal e outro refere que a sua criança teve dificuldades de adaptação noutro infantário e por conseguinte escolheu o actual.
Nesta questão, nenhum dos entrevistados do grupo A referiu, como razão de escolha, as condições do Jardim de Infância, a competência pedagógica das educadoras ou a sua experiência com crianças com deficiência. No entanto, noutra questão, um dos entrevistados referiu a larga experiência do Jardim de Infância na inclusão de crianças com deficiência evidente (A4). Também para os pais do grupo B não constituíram factores de referência as condições do Jardim ou particularidades da sua experiência enquanto instituição, do que se pode inferir o relevo que os pais dão a questões de ordem logística em detrimento de questões pedagógicas.
Passando agora as questões apenas apresentadas ao grupo de pais codificado como A, estes percepcionam a inclusão do seu filho no Jardim de Infância em duas vertentes opostas que vão da atitude exclusora à inclusiva.
Relativamente à atitude da instituição, alguns pais referem atitudes marcantes de exclusão nomeadamente o entrevistado A2:
"Foi uma situação muito difícil. (...) Realmente foi-me dito que davam soração ao problema dela. Eu esperei e nada foi feito. Depois disseram-me que a L. era uma criança que realmente tinha problemas, que era muito difícil comer sozinha, ir à casa de banho, e que ...enfim, não a aceitaram. (...) Ela precisava muito de contactar com outras crianças para aprender mais e desenvolver a linguagem. Os problemas físicos não podiam fazer com que a recusassem."
Esta instituição parece viver à margem da legislação actual que, para além de legitimar a inclusão, prevê um atendimento diferenciado para crianças com deficiência evidente e estabelece regimes de excepção na inclusão das mesmas nas estruturas regulares de ensino (Dec-Lei 319/91).
Este foi um testemunho marcado pela dureza das vivências ocorridas no momento descrito e que é exemplificador das dificuldades sentidas pelas famílias destas crianças.
Mas a grande maioria das referências situam-se ao nível da atitude inclusiva. Os pais percepcionam a entrada dos seus filhos na instituição como adequada e positiva caracterizando a instituição como receptiva e o pessoal docente e não docente como desencadeadores de inclusão. Podemos ilustrar esta perspectiva com as opiniões dos pais Al e A4:
"Houve sempre muita receptividade da parte de todas as pessoas e não...nunca vi qualquer entrave fosse em que aspecto fosse, antes pelo contrário. As pessoas disponibilizaram-se sempre que foi necessário eu conversar com elas, sempre que foi necessário esclarecer dúvidas, sempre que necessitei de informaçâo."(Al);
"(...) é um jardim perfeitamente aberto, é um jardim receptivo e é um jardim que consegue contornar as situações, o que facilite bastante quer aos pais quer ao próprio jardim que começa a ter um historial e que sabe como trabalhar e que trabalha bem. "(A4
Apenas um dos entrevistados refere uma total ausência de feed-back face à inclusão do seu filho no Jardim de Infância.
Questionados sobre os seus sentimentos, aquando da entrada do seu filho no Jardim de Infância, os pais referem duas fases distintas. Numa primeira fase
(Porque peias nossas veias corre a mesma seiva
alguns pais experimentaram sentimentos positivos e alguma tranquilidade enquanto que outros pensam que foi um processo difícil gerador de ansiedade, angústia e medo. O entrevistado A3 refere-se a esta período da seguinte forma:
"Ao princípio difícil porque ele não queria, chorava muito e as duas primeiras semanas foi terrível. Como era a primeira vez sabe.. Ele tinha estado sempre em casa, náo estava habituado com outras crianças. Só connosco..." (...) "Sim. Senti uma angústia muito grande... ele ficava a chorar e eu não sabia como ia ser e tudo... ao princípio ainda fiquei umas manhãs com ele."(A3)
Na segunda fase que os pais apontam, apenas falam de sentimentos positivos que ocorreram após algum tempo da entrada da criança no Jardim de Infância
Nesta questão, os sentimentos dos pais face à entrada da criança no Jardim de Infância são bem notórios e traduzem os receios que estes têm no confronto com novas vivências sociais. Se para os pais em geral a entrada dos seus filhos numa instituição representa um factor de stresse, para os pais das crianças com deficiência evidente ele pode ser acrescido, uma vez que o medo de ver o seu filho rejeitado ou marginalizado assume nestas etapas proporções assustadoras. (Alarcão, 2002)
Quando questionados quanto à sua percepção em relação à atitude das outras crianças na inclusão dos seus filhos, os pais referem igualmente duas fases distintas: o impacto que corresponde basicamente ao início da frequência do estabelecimento de ensino e a fase do conhecimento. Na fase de impacto registaram reacções de estranheza, de curiosidade e, por vezes, algumas dificuldades na aceitação. Os pais referem que as crianças do grupo faziam perguntas e observavam mas entendem estas reacções de forma positiva achando-as adequadas à situação, tal como refere A2:
"Ao princípio a Educadora falou com elas pronto, preparou-as. Disse que iam receber uma criança diferente, com alguns problemas e ... e elas quando viram a L. claro perguntaram porquê. Porque é que ela tinha a cara assim? O que é que ela tinha nas mãos? Acharam estranho..."
"E a educadora explicou e aceitaram-na muito bem. Acho que sim, que a aceitaram sem dificuldades. Pelo menos ela fala muito dos meninos, que brinca muito com eles e gosta muito cia escola e dos meninos."
Na fase de conhecimento, referida pela população entrevistada, são
apontadas apenas reacções de compreensão e de aceitação sem restrições tendo, esta última, uma grande preponderância sobre a anterior. Alguns pais referem como factor de mudança nas atitudes dos pares a influência dos Educadores na promoção da inclusão. Como exemplo destacamos partes do discurso dos pais A l e A4:
"Portanto, eu acho que a resposta da (nome da Educadora) ou digamos assim, a (nome da Educadora) salvaguardar a posição do M aqui, foi muito bem escolhida este frase... Pronto o M foi visto como um bebé grande. Que é de facto uma criança grande, em tamanho, mas que o resto, pronto, acompanhará ao longo do tempo precisa de tempo. Mas este momento maréou-me porque eu vi que para as crianças estava tudo bem. Elas aceitavam o meu filho, com as suas hmitações. É obvio que com a ajuda das educadoras, não é ? Mas havia uma atitude...e foi isso que me marcou."(Al)
"(... )naquele jardim como já havia crianças com necessidades e todos os colegas de grupo, de turma estavam habituados, tinham um carinho muito especial por essas crianças. Portanto isto de uma maneira geral."(A4)
"Tinham uma atitude extremamente positiva relativamente a crianças como o meu filho. Ora bem, portanto, por aí não houve qualquer problema. Por outro lado, as crianças têm uma fase de adaptação incrível. "(A4)
Na questão seguinte os pais falam da sua percepção sobre as reacções dos
outros pais do Jardim de Infância em relação à inclusão. Dos seus discursos
podemos destacar alusões a reacções positivas e não discriminatórias, por vezes associadas a alguma curiosidade. Apenas o entrevistado Al relata algumas dificuldades na aceitação por parte dos outros pais. Parece-nos, pelo seu discurso, que essas dificuldades não se referiam à criança com NEE em si, mas ao estatuto que ela detinha dentro da instituição escolar, nomeadamente no que concerne à
(Porque peias nossas veias corre a mesma seiva
obtenção de apoio. Subentende-se ainda que, se por um lado os pais (em geral) chamavam a si legitimamente a utilização de um recurso da escola (a Educadora de apoio) que seria utilizado em benefício geral, por outro lado esta estratégia poderia pôr em causa a frequência da criança com deficiência.
"No início, quando ele vinha temporariamente (antes dbs 3 anos de idade), e depois o porquê de ter uma educadora que lhe dava mais atenção a ele do que aos outros meninos, inclusivamente porque é que a Educadora de apoio dele não poderia estar com os outros meninos na falta da Educadora da sala. Acho que isso foi um bocado difícil para os pais aceitarem e... suscitar algumas duvidas, não é? Talvez porque também não fossem bem esclarecidos que aquela Educadora estaria aqui enfim, com um objectivo não ë? E que além de estar aqui tinha que se deslocar a outros lados porque não existe só uma criança M! Existem muitos M, ... infelizmente."(Al)
Quanto à percepção dos pais sobre os sentimentos dos seus filhos em relação à frequência do Jardim de Infância, estes apenas referem reacções positivas por parte da criança. Ao nível dos sentimentos declaram que as suas crianças são felizes e declaram ainda que as suas atitudes são bastante demonstrativas desse sentimento.
"Sim muito, muito feliz porque ela todos os dias pede para ir para a escola. Muito feliz mesmo. Coisa que eu nunca esperei que ela se sentisse tão bem Eu fico muito feliz de a deixar sempre bem. Ela é uma criança muito alegre, gosta muito de todos, fala muito de todos."(A2)
"Eu penso que ele gosta muito; Ainda no outro dia... às vezes nos adormecemos e ele chama pelos pais para virem trazer à escola. Ou eu ou o pai vimos trazê-lo conforme os horários, então ele gosta muito da escola. Vem sempre contente e quando chega ao portão corre cá para dentro."(A3)
Todos os pais se manifestam desta forma relatando factos e vivências que demonstram a satisfação da criança por estar no Jardim.
Quanto às questões colocadas ao grupo de pais codificado como B elas diferem substancialmente das do grupo A, e destinam-se a conhecer as perspectivas dos primeiros face à inclusão das crianças com deficiência evidente no Jardim de Infância e as suas opiniões e percepções quanto ao enquadramento legal da mesma.
Este grupo de pais que vê a inclusão como beneficio refere e reconhece a igualdade de direitos das crianças e destaca como aspecto positivo o desenvolvimento de valores e atitudes. Ao falar da inclusão como benefício colocam ênfase na troca de saberes que ela proporciona e valorizam o reconhecimento da diferença. São exemplo disso os pais cujas opiniões a seguir ilustramos:
"Aprendem com os outros muitas coisas e os nossos também aprendem a ajudá-los e isso é bonito. O meu J Gosta muito do menino e feia muito dele."(BI)
"Acho... Acho que é muito importante as outras crianças depararem-sè com uma situação diferente e começarem assim a viver a vida com crianças diferentes. Acho que é muito bom para todas as crianças."(B4)
Quanto à igualdade de direitos referem que ela deve ser respeitada, tanto no que se refere às crianças como no que se refere à escola, reconhecendo a importância desta no desenvolvimento da criança com deficiência evidente.
"Acho que...portanto acho que ele tem o direito de conviver com outras crianças normais não é? Não quer dizer que ele não seja uma criança normal, simplesmente tem algumas...diferenças portanto. Más eu acho que está bem-'Achoque sim."(Bl>
"Eu não conhecia a criança só fiquei a saber depois. E acho que vir à escola é muito importante para esses meninos. Os meus filhos são normais mas nunca se sabe o que acontece. Eu acho isso bem porque também gostava que os meus filhos fossem bem tratados na escola, se eles tivessem problemas, claro! Felizmente não os têm mas compreendo como deve ser difícil ter um filho assim e tudo. Estes meninos precisam de mais ajuda e estar na escola é bom para eles."(BI)
No que se refere ao desenvolvimento de valores e atitudes os pais falam de cumplicidade, convivência e entreajuda, atitudes que o convívio comum pode desenvolver. Parecem também acreditar que a inclusão escolar é desencadeadora de atitudes anti-discriminatórias em geral.
"Não vamos discriminar uma criança por ter uma deficiência. Isso é um grande erro porque ela está cá, não pediu pára nascer assim e é uma criança como outra qualquer."(B2)
"Na altura fui informada disso. Tenho ideia de que fui! Ah... Na altura não me fez qualquer tipo de... de... impressão ou o que quer que fosse porque eu sou um bocado (palavra ininteligível) de que as crianças deverão conviver com todo o tipo de ... diferenças que possam existir.''(B5)
(Porque peias nossas veias corre a mesma seiva
"Exactamente... parece, parece que há um maior cuidado. As crianças reparam no que ele fez e ajudam-no quando ele não consegue fazer qualquer coisa. Também já vi isso quando vou levar a nnnhafilha."(B4)
"E que os outros meninos também aprendem coisas com o M. Aprendem a conviver com meninos... quer dizer... um bocadinho diferentes e que têm mais dificuldades. E eles também aprendem a conviver todos juntos. Isso é bom. No meu tempo não era nada assim. Estes meninos não iam à escola e ficavam em casa ou os que não aprendiam eram tratados como burros e isto não estava certo, portanto..."(BI)
"Eu acho que sim, até mesmo ao nível emotivo. Para as crianças... para elas terem um sentimento, uma forma de actuar diferente. É perceber que há diferença do que eles fazem para os outros colegas. E que para aqueles tem que ser diferente."(B4)
"A ocorrência de uma condição de deficiência é um factor adicional de diversidade (não o único, mas um facto adicional). (...) Hoje entendemos que a diversidade e a diferença são valores positivos e factores importantes de progresso. " (Rodrigues, 2001: 22)
Após uma breve apresentação do enquadramento legal português à inclusão e a prática da mesma os pais manifestaram a sua concordância com os princípios, reconhecendo-lhe vantagens. No entanto não são alheios à praticabilidade da mesma, reconhecendo-lhe dificuldades na operacionalização e também alguns factores condicionantes.
A sua concordância com a inclusão assenta em três vectores distintos: o reconhecimento da igualdade de direitos, a valorização do convívio e da aprendizagem em comum e a mais valia que, aprender a conviver com a diferença, pode constituir no desenvolvimento da cidadania.
Apesar deste discurso dos pais, ainda subsistem opiniões que apenas reconhecem vantajosa para a criança com deficiência a sua inclusão na escola, abstraindo-se dos benefícios comuns ao desenvolvimento de todos que uma escola inclusiva desencadeará. Senão vejamos:
"Para as nossas penso que não faz diferença, para eles penso que vai ser muito bom. Mesmo muito bom, para eles.(...)Porque sentem-se integrados com os colegas, não se sentem rejeitados. Não é? E ao ponto de ser uma felicidade para eles é eles precisam de ser felizes. Não é?"(B4)
Existe contudo um reconhecimento efectivo das dificuldades na operacionalização da inclusão. Os pais referem falta de formação dos docentes, falta de preparação das escolas, dificuldades económicas das famílias e dificuldades de aceitação pelos pares. Mas percepcionam a segregação como um entrave à aprendizagem desses alunos.
"Se colocarem essas crianças de parte elas não aprendem. Ficam sem saber como é conviver com as outras."(Bl)
Apesar de todo este discurso indiciador de uma forma de pensar inclusiva, alguns pais colocam restrições à inclusão, entrando em contradição discursiva neste ponto. Algumas destas opiniões são manifestamente exclusoras.
"Eu penso que isso é uma coisa que deve ser e para mim é normal. Isso também depende de criança para criança. Há crianças com deficiências que se integram bem e há outras crianças que têm mais dificuldades. Portanto depende também se essa criança não vai, por exemplo, para uma sala de aula perturbar. Por exemplo... agora num jardim de infância é brincar e não perturba nada. Toda a gente brinca e toda a gente dá atenção mas... por exemplo quando chegam a uma primária é diferente. Porque as crianças vão para aprender e agora depende se a criança vai perturbar a aprendizagem das outras crianças ou não. Portanto há muita coisa que tem que ser posta em questão...eu por mim é normal uma criança com deficiência/XB3)
"'Sei lá. se calhar para as nossas crianças não será tão complicado como se calhar para eles. Não é?"(B4)
"Porque uma criança dessas se calhar não consegue ter capacidade para acompanhar os outros. não vai conseguir, com certeza que não vai. Quando chega a um certo nível como é que é? Se
calhar não consegue acompanhar. (B4)
"Pois mas mesmo assim será difícil não? Eu não sei muito disso mas não estou a ver como é que o F vai estar numa sala como no ciclo, por exemplo. Deve ser difícil e complicado. Até para os que acompanham e se desenvolvem mais rápido é difícil quanto mais para estas crianças..."(B4)
Os pais referem nomeadamente que neste nível de ensino não há problema com a inclusão mas já pode surgir como entrave noutro nível de ensino. E é aqui que surge um dos pontos de reflexão que gostaríamos de deixar como contributo fundamental deste estudo.
Em primeiro lugar gostaríamos de referir que, com base nestes testemunhos não é reconhecida à educação pré-escolar valor enquanto educação. A tónica é colocada no carácter lúdico que remete para uma posição de menor seriedade
(porque pelas nossas veias corre a mesma seiva
face a outros níveis de ensino. A não obrigatoriedade deste nível de ensino não é alheia a este tipo de referências. Por outro lado o carácter académico dos outros níveis de ensino e o reconhecimento do seu valor social numa sociedade cognitivista e sem comtemplações ao nível da competição, coloca os alunos com deficiência evidente em notória desvantagem. Para os pais, do grupo B, a inclusão destas crianças nestes níveis pode constituir um entrave à aprendizagem dos demais alunos e todas as capacidades das crianças com deficiência evidente são postas em causa e negligenciando aquilo que, ao nível do pré-escolar, valorizam como experiências enriquecedoras de todos. Aqui se esquece a aprendizagem de valores, a troca de conhecimentos, e o direito à igualdade de oportunidades largamente referida nesta e noutras questões. Esta contradição discursiva clara não deixa muitas dúvidas quanto à diferença de conclusões a que