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Axes de progrès

Dans le document D OCUMENT DE R ÉFÉRENCE 2010 (Page 132-147)

Projeção Universal Transversa de Mercator Meridiano central: 51° W. GR. Escala 1:15.000 200 0 200 400 600 m  Abludef  Antena  Asilo  Centro social  Creche  Centro clínico  Hospital  Posto saúde  Promenor  Estação de recalque 

Reservatório de água potável



Terminal transporte coletivo



Templo religioso



Escola Perímetro urbano Curso d'água canalizado Curso d'água Rua

Limite da área estudada com restituição digital Limite da sub-bacia hidrográfica

              692500 692500 693000 693000 693500 693500 694000 694000 694500 694500 7 01 80 00 701 80 00 7 01 85 00 701 85 00 7 01 90 00 701 90 00 7 01 95 00 701 95 00 7 02 00 00 702 00 00 7 02 05 00 702 05 00

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deslizamentos em Jacinto Machado, houve a recomposição parcial da cobertura vegetal, com gramíneas e pequenos arbustos.

O risco de deslizamento é maior em adensamentos médios, como lembra Farah (2003). Esta é a situação da área estudada, onde trechos de encostas já ocupados convivem com trechos de terrenos desmatados e expostos. Fatores que contribuem para a instabilização constituem-se em cortes e aterros indiscriminados, ocupação de aterros não contidos, retirada da cobertura vegetal, modificação inadequada do regime de escoamento das águas pluviais, ocupação de drenagens naturais, infiltrações de águas pluviais, de esgotos e lançamento de lixo nas vertentes.

Na área de estudo, a proporção de área verde com relação à área construída é cada vez menor. A retirada da cobertura vegetal que serve como uma camada de proteção contra o impacto da incidência das chuvas é evidente, tanto nas encostas e topos dos morros, quanto nas margens dos cursos d’água. Não são respeitadas as restrições legais (mapa 10 – capítulo 2) referentes à preservação da cobertura vegetal nas margens dos rios (faixa variável conforme a largura dos mesmos), junto às nascentes, no terço superior dos morros, em declividades acima de 100%, conforme determinadas pelo Código Florestal, e pela

Resolução do CONAMA No. 004/85 e pela Lei Complementar No. 140/97, que compõe o

Plano Diretor de Blumenau. Esta última define ainda que as áreas urbanizadas consideradas de risco, determinadas após levantamento geotécnico, poderão ter as faixas não edificáveis e não aterráveis ampliadas de acordo com a gravidade de cada caso e fixadas após parecer técnico pelo Órgão Municipal do Meio Ambiente.

Na área de estudo, o acesso às edificações é difícil, bem como a manutenção do sistema viário; há ocupações irregulares, a estrutura urbana é densa, desenhada na forma de um labirinto, sem disposição das habitações de acordo com limites seguros de declividade, dificultando a provisão de serviços de infra-estrutura, especialmente rede de esgoto, drenagem, sistema viário e transporte.

A dificuldade de acesso cria problemas de mobilidade, destacados nas entrevistas por alguns moradores que afirmam ter transtornos para transportar produtos de maior porte e, em emergências médicas. A reduzida dimensão dos becos, vias e escadarias dificulta a utilização de bicicletas, além de não permitir em alguns trechos a circulação de veículos automotores, presentes em 30% das famílias. A grande maioria dos moradores deslocam-se preferencialmente de ônibus, o qual passa somente na Rua Araranguá de 20 em 20 minutos, e a distância entre os pontos de parada é em média de 200 metros.

Com relação à infra-estrutura básica de saneamento, na área de estudo o maior problema relaciona-se ao esgoto e drenagem. Em 2002, 60% das famílias possuíam esgoto a céu aberto e 40% fossa séptica. A rede de drenagem quando existe é sub-dimensionada, ocasionando problemas de enxurradas. A rede de água abastece 94% das famílias, sendo

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que somente 2% possuíam poço e 4% utilizavam água de nascentes. A rede de energia elétrica abrange 97% das moradias.

O recolhimento de resíduos sólidos ocorre em praticamente todas as ruas, exceto naquelas com declividade muito acentuada como é o caso de algumas nas micro-áreas C, E, G e H, e uma na A. Na Rua Araranguá a coleta é diária, e nas transversais três vezes por semana; contudo, a colocação de lixo nas encostas é um problema, agravando a ocorrência de deslizamentos. Conforme lembra Maricato (1997) o saneamento básico nunca foi preocupação no Brasil, desde a época da colonização.

4.3 As relações cotidianas: uma leitura do lugar e seus significados

Em seu estudo sobre a dinâmica intra-urbana, Lago (2000) expõe que na década de 70 a periferia metropolitana do Rio de Janeiro era a principal receptora das pessoas da própria capital. Já as favelas das zonas centrais recebiam os migrantes de outros estados. A migração direta direcionava-se para as áreas centrais e a periferia constituía-se na segunda etapa do processo de migração, e com a possibilidade de obtenção da casa própria. Nos anos 80, apesar da reduzida taxa de crescimento das grandes cidades, sua tendência de aumento populacional foi fortemente periférica e o crescimento das áreas de exclusão deve- se mais ao empobrecimento da população que à chegada de novos migrantes.

Analisando-se as fotografias aéreas dos anos de 1957, 1978 e 1993, fotografias 16, 17 e 18, respectivamente e considerando o índice de crescimento populacional de Blumenau, é possível constatar a evolução da malha urbana e as transformações ocorridas na área estudada. Na década de 50 a paisagem local caracteriza-se pela existência de lotes maiores utilizados para agricultura e pastagem. Somente as ruas principais encontravam-se implantadas e a ocupação urbana era predominantemente lindeira à Rua Araranguá.

Nas décadas de 60 e 70 são realizadas as mais importantes alterações na paisagem local e em todo o município. O uso agrícola é substituído pela abertura de novas vias e prolongamento das existentes, implantando-se conseqüentemente novas edificações e ocorrendo um processo de regeneração da cobertura vegetal em algumas áreas.

As intervenções no sistema viário foram bem menos significativas na década de 80 até o ano de 1993, realizando-se apenas o prolongamento de algumas vias já existentes.

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Fotografia 16 – Ruas construídas na Sub-bacia do Ribeirão Araranguá - Aerofoto de 1957 Fonte: Cruzeiro do Sul S.A. (escala original 1:25.000)

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Fotografia 17 – Ruas construídas na Sub-bacia do Ribeirão Araranguá - Aerofoto de 1978 Fonte: Cruzeiro do Sul S.A. (escala original 1:25.000)

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Fotografia 18 – Ruas construídas na Sub-bacia do Ribeirão Araranguá - Aerofoto de 1993 Fonte: Aeroimagem (escala original 1:8.000)

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Na sub-bacia, dos 4.665 moradores cadastrados em 2001, aproximadamente 40% eram blumenauenses e 60% eram provenientes de outras cidades. De modo geral, acima de 50% dos moradores da Sub-bacia do Ribeirão Araranguá está residindo há mais de 10 anos em Blumenau e na área estudada (Gráfico 8). Com um tempo de moradia menor que 10 anos, há um número maior de moradores que estão há mais tempo na sub-bacia que em Blumenau. Esta aparente distorção confirma que muita gente tem vindo morar diretamente na sub-bacia, proveniente de outras cidades.

0% 5% 10% 15% 20% 25% 30% menos de 1 ano 1 a 4,9 anos 5 a 9,9 anos

10 a 19,9 anos 20 a 39,9 anos 40 a 59,9 anos

acima de 60

anos

Blumenau Sub-Bacia

Gráfico 8 – Tempo de moradia em Blumenau e na Sub-bacia do Ribeirão Araranguá Fonte: Banco de Dados da autora (2001)

Em contato com os moradores, pode-se constatar que aqueles nascidos em Blumenau mudaram-se para a área, por razões financeiras, caracterizando um empobrecimento da população, ou então, sua possibilidade de aquisição de casa própria. Já os migrantes ao chegarem, dividem a moradia com parentes ou pagavam aluguel; neste período passam por rápidas mudanças de endereço, em busca de aluguéis mais baratos, ou maior conforto. Após algum tempo, quando as redes sociais já estão estabelecidas e quando há maior estabilidade financeira, as pessoas adquirem sua casa própria na sub- bacia. Como lembra Maricato (1997), a habitação é uma das maiores demandas ligadas à melhoria da qualidade de vida. Por isso, a queda de número de casas de aluguel é concomitante ao aumento das áreas de exclusão.

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Nos dados referentes ao cadastramento de 2001, a maior parte dos moradores da sub-bacia é natural dos Estados de Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul. Os catarinenses perfazem um total de aproximadamente 80% dos moradores. O mapa 16 mostra a distribuição dos moradores segundo as cinco cidades de Santa Catarina onde nasceram: Blumenau, Lages, São José do Cerrito, Itajaí, Rio do Sul (em ordem decrescente). De modo geral, a distribuição é bastante dispersa, com exceção dos moradores provenientes de São José do Cerrito, os quais concentram-se na micro-área H, especialmente na rua Nestor Justino da Silva.

Os paranaenses somam 9% dos moradores e sua distribuição espacial pode ser observada no mapa 17. Concentrando-se principalmente nas micro-áreas C, D e E, eles são naturais das cidades de Curitiba, Capanema, Guarapuava, Pinhão e Francisco Beltrão; na micro-área C concentram-se principalmente moradores de Capanema e na E os de Guarapuava.

Os riograndenses constituem 3% dos moradores e concentram-se principalmente nas micro-áreas C e E (mapa 18). Eles são naturais das cidades de Rio Grande, Vacaria, Esmeralda, Passo Fundo e Porto Alegre.

A concentração dos moradores, em função da naturalidade, nos pequenos vales que formam a sub-bacia, configuram inúmeros lugares com características próprias, que coincidem basicamente com a delimitação das micro-áreas definidas pelo posto de saúde local, exceto para a “A” e “J” que conformam um só lugar, pois distribuem-se ao longo da via principal, e pelas “H” e “E” que se dividem em dois vales, configurando lugares diferenciados. É desta maneira que a área estudada esconde lugares diferenciados aos olhares de quem passa.

Isso faz com que a maioria dos entrevistados conheça apenas a rua onde mora ou algumas outras de maior acessibilidade, pelas quais passam. Das 30 pessoas entrevistadas apenas 12 dizem conhecer as ruas transversais à Araranguá, enquanto sete se manifestam negativamente, e o restante menciona apenas algumas.

Os morros funcionam como barreiras físicas, delimitando os olhares e restringindo a convivência e a interface entre os vários agentes sociais. A forma física, ou seja, o relevo, condiciona a experiência dos moradores com a paisagem, delimitando-se lugares diferenciados que apresentam identidade própria, dentro de uma extensa rede de vínculos que compõem a sub-bacia. O condicionamento gerado pelo relevo enquanto aspecto físico da paisagem, também é destacado nas entrevistas realizadas por Buss et al. (2000), em que a descrição da catástrofe no Vale do Rio Pinheirinho em Jacinto Machado/SC variou de acordo com o lugar de moradia (alto, médio ou baixo vale).

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Edição: Rafaela Vieira e Carlos Eduardo de Souza. Fonte: Base Cartográfica = Carta Topográfica, Escala 1:2000, Aeroimagem (folhas 928018; 928019; 928020,1994/1995)

Este mapa é parte integrante de tese de doutorado "Um olhar sobre a paisagem e o lugar como expressão do comportamento frente ao risco de deslizamento", PPGEO/UFSC, FEV/04, de Rafaela Vieira.

LEGENDA

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