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AVIS DES AUTORITES CIVILES ET MILITAIRES

De acordo com Mattos (2006), a orçamentação é um processo realizado antes do inicio da obra, onde são determinados os prováveis custos para sua execução, e se este processo for executado de modo correto, há grandes possibilidades de o construtor obter lucros em sua edificação. Mattos também diz que orçar não é um trabalho de adivinhação, mas sim um

sistema que deve ter critérios bem estabelecidos, se valendo de informações confiáveis que gerem valores próximos do que será gasto.

Por se basear em previsões, qualquer orçamento é aproximado, pois mesmo que todas variáveis sejam pesquisadas há sempre uma estimativa associada, sendo assim o orçamento não precisa ser exato, porém deve ser preciso, para que o valor final se aproxime do custo real.(MATTOS, 2006).

Mattos (2006) diz que, a aproximação de um orçamento está ligado a alguns itens, entre eles: mão de obra, materiais e equipamentos, além dos custos indiretos. A mão de obra depende da produtividade das equipes e dos encargos sociais, já os materiais se analisa o preço dos insumos, as perdas e o reaproveitamento, e no caso dos equipamentos, é necessário ver o custo horário e a produtividade.

2.5.1 Graus de detalhamento de orçamento

Na questão do grau de detalhamento de um orçamento, Mattos (2006), classifica em três tipos: estimativa de custos, orçamento premiliminar e orçamento analitíco ou detalhado. A estimativa de custos é uma avaliação mais branda, com base em custos históricos e comparação de projetos semelhantes, é nela que se encaixa o CUB, que fornece valores a serem considerados como referência para o cálculo de custos de uma construção, porém ele deixa de lado alguns itens como elevadores, fundações especiais, entre outros.

Já o orçamento preliminar segundo Mattos (2006), é mais detalhado que a estimativa de custos, por levar em conta o levantamento de algumas quantidades e custo de determinados serviços. Neste orçamento se tem uma diversidade maior de indicadores, colaborando na facilitação da orçamentação, pois se tem maior número de preços atribuídos.

Por fim tem o orçamento analitíco, que de acordo com Mattos (2006), possuí maior precisão na hora de prever os valores, este orçamento é elaborado a partir das composições de custo e de grande pesquisa do preços dos insumos. Ele leva em consideração a composição de custos de cada serviço gerado na obra, onde estão mão de obra, materiais e equipamentos gastos na execução.

2.5.2 Composições de custo

Composição de custo é o processo de determinação dos custos relacionados a execução de algum serviço ou atividade, individualizando os insumos de acordo com requisitos estabelecidos. Cada composição é realizada listando todos os insumos que estão

dentro do tipo de serviço a ser elaborado, com a respectiva quantidade que será utilizada, e com seus custos unitários e totais (MATTOS, 2006).

Segundo Mattos (2006), a composição envolve as categorias de custos que fazem parte de um serviço, podendo conter mão de obra, material e equipamento, sendo a essência da composição de custo a definição da contribuição de cada parte. Em um modo geral ela pode ocorrer antes da execução de uma atividade, ou após esta ser concluída.

Quando a composição é efetuada antes do inicio dos trabalhos, ela se denomina estimativa ou orçamento, ou ainda conceitual, e colabora para que se tenha um conhecimento do quanto será gasto para o serviço em questão. Já quando feita após a conclusão dos trabalhos, a composição tem outro papel, e é utilizada para controle de custos, contribuindo na identificação de possíveis erros no orçamento original (MATTOS, 2006).

Detalhando a composição de custos, Mattos (2006) da a definição de cada item que está presente em uma composição, como a seguir:

 Insumo: material, mão de obra e equipamento que entram na execução do serviço.

 Unidade: é a unidade de medida do insumo, que pode ser em m², m³, kg, entre outros; para mão de obra a unidade é h (homem-hora), e para equipamento h (hora de máquina).

 Índice: é a incidência de cada consumo na realização de uma unidade do serviço.

 Custo unitário: é o custo de uma unidade do insumo.

 Custo total: é o custo total do insumo, se obtem multiplicando o índice pelo custo unitário.

2.5.3 Índice e produtividade

A produtividade segundo Mattos (2006), é definida como a quantidade de trabalho que uma pessoa ou equipamento produz em determinado intervalo de tempo, usualmente hora, onde a produtividade tem o objetivo de explanar a eficiência em transformar a energia e tempo em produto. Então, quanto maior o valor da produtividade, menor será o tempo gasto para alcançar o produto final.

Em relação ao índice, Mattos (2006), comenta que ele pode ser considerado o inverso da produtividade, pois enquanto a produtividade mostra a produção pelo tempo, o índice relaciona o tempo pela quantidade de produção. Um exemplo é, a produtividade de um armador ser 10 kg/h, sendo assim seu índice será 0,10 h/kg, ou seja, para calcular seria uma

regra básica, enquanto ele demora 1 hora para produzir 10kg, ele demorará 0,1 horas para produzir 1kg.

A importância de conhecer e ter entendimento sobre os índices, ocorre por alguns fatores, pois eles mostram o consumo dos materias e a produtividade, seja mão de obra ou equipamento, fornecem um indicador para comparar o orçado com o realizado, e ajudam o construtor a estabelecer metas de desempenho para sua equipe.(MATTOS, 2006).

O índice da mão de obra também pode ser nomeado de RUP – Razão Unitária de Produção, sendo que quanto menor a RUP, maior é a produtividade, e quanto maior a RUP, menor é a produtividade. E afim de que a produtividade seja gerada com precisão os registros devem abranger períodos de tempo relativamente longos, porém tendo um acompanhamento diário, fazendo assim, ser possível observar as oscilações de produtividade, pois em alguns momentos ocorrerá falta de materiais, ou problemas em equipamentos, além de outros fatores (MATTOS, 2006).

Segundo Mattos (2006), por mais confiáveis e abrangentes que as composições de custos unitários de livros possam ser, elas partem de estudos realizados em várias obras e com construtoras de tamanhos diversos, então no caso de uma construtora o ideal seria desenvolver seus próprios índices, pois podem representar de maneira mais realista a produção da empresa, obtendo valores que reflitam o ambiente da sua obra.

2.5.4 Custos com mão de obra

De acordo com Mattos (2006), muitos paramêtros são levados em conta nos custos da mão de obra, o valor é composto por, hora-base, impostos e benecífios, além de outros itens que podem ser incluídos, e pelo motivo de que o valor de uma construção possa ter de 50% a 60% dos custos compostos pela mão de obra, a aferição do custo correto é de grande importância.

O custo de um operário não pode ser confundido com o valor do salário base, pois neste custo estão inclusos os encargos sociais, constituíndo um valor muito superior, e com relação aos encargos, são diferentes para os trabalhadores horistas e mensalistas, na qual os horistas são aqueles remunerados com base na quantidade de horas trabalhadas e os mensalistas tem um salário mensal (MATTOS, 2006).

Os encargos sociais são muitos e Mattos (2006), os descreve passo a passo, sendo os encargos dos horistas maior, porque como leva em conta as horas efetivamente trabalhadas, ficam inclusos as porcentagens sobre o repouso remanal remunerado, faltas justificadas, o

auxílio enfermidade e a licença paternidade. No caso dos mensalistas todos estes encargos citados, já são levados em conta no salário, fazendo com que seja uma porcentagem menor sobre o salário base.

Existe também os encargos em sentido amplo, que são todos os encargos relacionados a hora do trabalhador, e podem englobar, refeição, vale transporte, cesta básica, seguro de vida, equipamentos de proteção individual (EPI), ferramentas, entre outros itens, que devem ser somados juntamente com o salário base e os encargos sociais (MATTOS, 2006).

Além disto há os adicionais legais, que Mattos (2006) diz que é destinado a quem trabalha sobre condições desfavoráveis, e são eles: adicional noturno, insalubridade e periculosidade. Estes adicionais não tem a natureza de encargos, portanto devem ser somados ao salário base, e em cima deste valor são aplicados os devidos encargos.

2.5.5 Custo com material

O estudo do custo do material também é de grande relevância na concepção das composições de custo de uma atividade, porque os materiais estão em quase todos os serviços da obra e frequentemente representam mais da metade do custo unitário da tafera. Tendo isso em vista, a cotação de preços dos materiais se torna uma tafera que precisa atenção, pois sempre há particularidades a serem levadas em conta (MATTOS, 2006).

De acordo com Mattos (2006), para que não haja erros a cotação de preços precisa incluir todos os possíveis gastos que poderão incidir sobre o custo do material, como custo do frete ou outra taxa existente. O valor da cotação poderá ser alterado conforme o andamento da negociação, dependendo da quantidade a ser comprada, da unidade e embalagem, dos prazos de entrega e das condições de pagamento, lembrando que os fornecedores conferem datas de validade para os orçamentos requeridos, e com isso o valor pode ser alterado se o prazo vencer.

No caso do número de cotações mínimas, se os valores cotados sejam muito diferentes entre si, o orçamentista precisará obter mais preços até que consiga ter confiança para atribuir um valor que achar correto (MATTOS, 2006).

2.5.6 Custo com equipamento

De acordo com o porte da obra, os equipamentos acabam estando em muitas etapas da obra, e dependendo do tipo de serviço a ser executado o equipamento pode ter uma parcela

consideravel do custo, sendo o ápice de sua representatividade nas obras de terraplanagem (MATTOS, 2006).

Mattos (2006), diz que a maneira habitual de atribuir valor a um equipamento é pela hora de utilização, pois desta maneira que está representado nas composições de custo unitário. O custo horário total neste caso é uma soma de parcelas de diferentes itens, sendo eles, custo de propriedade, custo de operação e custo de manutenção, onde o custo de propriedade leva em conta a depreciação e juros, o de operação considera gastos com pneus, combustível, lubrificação e mão de obra do operador, restando ainda o custo de manutenção (MATTOS, 2006).

De acordo com Mattos (2006), os custos de um equipamento podem ser divididos entre as horas produtivas (CHP) e as improdutivas (CHI), onde a produtiva é quando o equipamento está em funcionamento, e a improdutiva quando o equipamento está a disposição para o serviço, porém não está sendo utilizado, assim a CHP leva mais fatores em consideração no momento do cálculo, como o custo com combustíveis ou energia.

Mattos (2006), explana que os custos de propriedade do equipamento são inevitáveis, porque com o decorrer o tempo a máquina acaba perdendo valor de mercado, e para recuperar o dinheiro investido, uma parcela deve ser cobrada em cada serviço em que o equipamento for empregado. Em relação aos juros, também são levados em conta, pois ao adquirir um equipamento, está sendo gasta uma quantia em dinheiro que podia estar sendo aplicada, afim de render ganhos com os rendimentos (MATTOS, 2006).

Os custos de operação abragem basicamente pneus, combustíveis, lubrificantes, energia (caso seja um aparelho elétrico) e a mão de obra, na qual cada item tem suas variáveis e suas particularidades na hora de medir os gastos (MATTOS, 2006).

Para finalizar se tem os custos com a manutenção, que podem ser com a aquisição de peças de reposição ou com a mão de obra para sua reparação, sendo que em algumas obras, dependendo do tipo de manutenção pode ser feita na própria obra, como em casos de limpeza, lavagem, inspeção, ajuste, entre outros (MATTOS, 2006).

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