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Esta pesquisa foi realizada nos municípios de Macarani e Maiquinique no interior da Bahia. Estes foram escolhidos, primeiro, por fazerem parte do Território de identidade 08 – Médio Sudoeste da Bahia, que se constitui como consequência da nova formação regional da Bahia, composto por 13 municípios23.

Os territórios de identidade da Bahia são, hoje, os resultados de um processo de planejamento territorial que, no Brasil, iniciou-se visando minimizar os desequilíbrios regionais. Isso porque as grandes desigualdades regionais e, consequentemente, políticas e econômicas, provocadas pelo planejamento nacional que não progredia, geraram a insatisfação dos Estados junto ao governo federal que reivindicou o planejamento regional a nível estadual (DI LAURO et al., 2009). Assim, “a Bahia vai emergir como um dos primeiros Estados a promover a sua política de planejamento territorial. Para isso, serão adotadas diferentes regionalizações que culminaram, para efeito de análise, nos atuais territórios de identidade”, conforme as autoras (p. 4). A figura 5 mostra a divisão da Bahia por territórios de identidade.

23 Fazem parte os seguintes municípios: Caatiba, Firmino Alves, Ibicuí, Iguaí, Itambé, Itapetinga,

Figura 05: Mapa dos Territórios de Identidade da Bahia.

Fonte: http://www.seplan.ba.gov.br/territorios-de-identidade/mapa.

Outras tentativas de planejamento regional antecederam a esta dos territórios de identidade, mas não obtiveram sucesso. A territorialização da Bahia foi proposta visando a diminuir as diferenças socioeconômicas e culturais e promover a implantação de políticas públicas, levando em consideração as peculiaridades de cada região (DI LAURO, et al., 2009; DUARTE, 2009). Dessa forma, território é entendido como “[...] chão da população, isto é, sua identidade, o fato e o sentimento

de pertencer àquilo que nos pertence. O território é a base do trabalho, da residência, das trocas materiais e espirituais e da vida, sobre os quais ele influi” (SANTOS, 2000, p. 96). O território está vinculado à base, tanto geográfica (localização) quanto cultural e está ligado as relações de poder.

A atual divisão regional difere da anterior, conforme explicitado por Duarte (2009, p. 2):

Difere da divisão regional estabelecida pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), que corresponde a micro-regiões geográficas, ou organizadas como regiões econômicas (ex.: Região Sudoeste da Bahia), que norteavam a ação governamental e se constituíam na base para a formulação de políticas públicas e organização de dados estatísticos. Esta delimitação de região a partir da dimensão econômica segue um eixo norte-sul (ex.: vincula cidades que tem como base o comércio e a pecuária como atividade mais forte, como as micro-regiões geográficas de Vitória da Conquista, Jequié, Itapetinga). Já a noção de Territórios de Identidade segue um eixo leste-oeste (ex.: do Planalto da Conquista à Serra Geral e Chapada Diamantina Meridional) estruturada mais a partir laços cotidianos, do fluxo de pessoas em busca de serviços e as relações comerciais.

A atual divisão da Bahia realizada pela SEI (Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia) e INCRA – (Instituto Nacional de Colonização Rural e Reforma Agrária), abarca um total de 27 territórios de Identidade.

Dessa forma, foi solicitada autorização para a realização desta pesquisa em cinco municípios do território de identidade 08 (Figura 06), mas apenas nos dois citados houve disponibilidade de colaboradores.

Figura 06: Mapa do Território de Identidade 08 – Bahia, 2012. Fonte: http://www.seplan.ba.gov.br/territorios-de-identidade/mapa.

Conforme já citado os municípios onde foi realizada a pesquisa pertencem ao Território de Identidade 08 (Figura 6) e a mesorregião do centro-sul baiano. O primeiro, Macarani, localiza-se a aproximadamente 620 km da capital do estado da

Bahia, possui uma área geográfica de 1.288 km²e, conforme censo 201024, abarca

uma população de 17.093 habitantes. A história do município é marcada por várias mudanças, ligada, principalmente ao município de Encruzilhada criado em 1921, sendo um território desmembrado do município de Vitória da Conquista. Seis anos depois foi criado o distrito de Macarani, pertencente ao município de Encruzilhada. Em 1943, a partir do Decreto-Lei Estadual nº 141, a sede município de Encruzilhada foi transferida para a vila de Macarani, que foi elevada à categoria de cidade. Posteriormente, o município aparece sob a nova denominação de Macarani, sendo integrado por Encruzilhada, como um dos seus 4 distritos. Somente em 1952, pela Lei Estadual nº 511, o município de Macarani perdeu parte do seu território para a formação do município de Encruzilhada, que foi restabelecido por essa mesma Lei. O nome da cidade é de origem indígena e significa “gruta dos índios carany”, tribo que habitou na região. Foi dessa forma que nasceu o município de Macarani, através do Decreto Lei nº 141 de 31 de dezembro de 1943, transferindo a sede do município de Encruzilhada para o município de Macarani (IBGE, 2010).

Dessa forma, Macarani foi fundada em 03 de abril de 1944 (instalação oficial). Localiza-se no bioma mata atlântica e tem um clima tropical. Possui uma população urbana de 13.631 e rural de 3.457. Macarani faz limite com os seguintes municípios: Itapetinga, Itambé, Ribeirão do Largo, Maiquinique, Itarantim, Encruzilhada e Bandeira (MG). Sua taxa de urbanização é de 79,77% (2010) e sua economia é baseada principalmente na pecuária de corte e leite e a extração de minérios e a indústria de calçados Azaléia e de Laticínios (IBGE, 2010), tendo oito escolas rurais no ano de 2010 e nove em 2011.

O outro município, Maiquinique, localiza-se a aproximadamente 660 km da capital do estado da Bahia, possui uma área geográfica de 492 km² e, conforme censo de 201025, abarca uma população de 8.782 habitantes. Primeiramente, essa região foi habitada pelos índios mongoiós e imborés. Mas foi em 1935 que esta começou a ser povoada por sertanejos que desenvolveram a pecuária. Nesse ano, Francisco Martins adquiriu de Aleixo Pereira Passos, terras, às margens do rio Maiquinique e através de um mutirão entre os fazendeiros vizinhos, posseiros e vaqueiros, construiu as primeiras casas, formando o povoado Maiquinique. Esse povoado pertenceu a Macarani por um determinado período pela Lei Estadual nº

24 http://cidades.ibge.gov.br/xtras/perfil.php?lang=&codmun=291970. 25 http://cidades.ibge.gov.br/xtras/perfil.php?lang=&codmun=292000.

628, de 30/12/1953 e permaneceu assim até 1962 quando foi elevada a categoria de município. O nome da cidade é de origem indígena e significa “rio de peixes pequenos” (IBGE, 2010).

Esse município foi fundado em 20 de janeiro de 1935, mas só obteve sua emancipação em 16 de julho de 1962. Localiza-se no bioma mata atlântica e tem um clima semiárido. Possui uma população urbana de 6.916 e rural de 1.866. Tem como vizinhos os municípios de Itapetinga, Macarani, Itarantim e Jordânia (MG). Sua taxa de urbanização é de 78,75% (2010) e sua economia é baseada na pecuária, na agricultura de subsistência e indústrias (Azaléia Calçados e Grafit) (IBGE, 2010), tendo sete escolas rurais no ano de 2010 e nove em 2011.

Foram colaboradores dessa pesquisa os professores em início de carreira, que atuavam na zona rural, no período de coleta de dados, ano de 2011, nos municípios de Macarani e Maiquinique. Assim, constituíram-se colaboradores dessa pesquisa uma professora do município de Macarani e um professor do município de Maiquinique.

Após a aprovação do projeto de tese pelo Comitê de Ética e Pesquisa da UFSCar, foi solicitada autorização para a realização da pesquisa e, a partir do deferimento da solicitação nesses lugares, a pesquisadora participou de uma reunião com os professores rurais, onde foram dadas as informações sobre a pesquisa. Em Macarani a reunião foi realizada no dia 08 de abril de 2011 e em Maiquinique no dia 30 de abril de 2011. Após as explicações, a pesquisadora conversou somente com os professores em início de carreira, a fim de convidá-los para participar da pesquisa. Ao final, três professores aceitaram colaborar com a pesquisa. Esta começou a ser realizada com três professores rurais, mas devido a um deles não ter atendido aos objetivos da pesquisa, foi retirado, permanecendo dois colaboradores26.