Os resultados deste estudo indicam que não há evidências de associação significativa entre o ambiente ético hospitalar percepcionado pelos participantes (HECS) e a sua exaustão emocional (MBI-GS-EE:r=-0,180; p>0,05; ( Erro! A origem da referência não foi encontrada.). A correlação positiva mais forte do ambiente ético é com a eficácia profissional (MBI-GS-EP: r=0, 457; p<0,01), ou seja, níveis mais elevados de perceção do ambiente ético hospitalar (HECS-10) estão associados a níveis mais elevados de eficácia profissional (MBI-GS-EP). Por seu turno, verifica-se uma correlação negativa, embora fraca, com o cinismo(MBI- GS-CI: r=-0, 301, p<0.05) o que significa que, à medida que a ética hospitalar aumenta o cinismo diminui.
Relativamente à resiliência (CD-RISC10), os dados mostram uma evidência de correlação positiva fraca com a ética hospitalar (HECS: r=0,295; p<0,05). Esta (CD- RISC10) correlaciona-se de forma positiva forte com a eficácia profissional (MBI- GS-EP: r=0,631; p<0,01) e negativamente com o cinismo (MBI- GS- CI: r=- 0,483; p<0,01) e com a exaustão (MBI-GS-EE: r=-0, 342; p<0,01). Quer isto dizer que à medida que a resiliência aumenta a eficácia profissional também aumenta e o cinismo e a exaustão diminuem.
Já a dimensão exaustão emocional da MBI-GS correlaciona-se de forma forte e positiva com o cinismo (r=0,745; p<0,01) e negativamente com a eficácia profissional (r=-0,408; p<0,01).
Finalmente, o cinismo da MBI-GS apresenta uma correlação forte e negativa com a eficácia profissional (MBI- GS-EP: r=-0,539; p<0,01).
As correlações Spearman variam entre -1 e 1 e as encontradas neste estudo, seguiram o previsto pelo modelo (Maslach, Jackson, & Leiter, 1996): positiva entre a HECS, a CD-RISC10 e a MBI-EP. Quer isto dizer que, à medida que uma aumenta as restantes também aumentam. Quanto maior é a resiliência maior é a eficácia profissional e
melhor é a perceção sobre o ambiente de trabalho. E que à medida que melhora a perceção sobre o ambiente ético hospitalar (HECS) diminuem as atitudes de indiferença (cinismo). Assim como, à medida que a resiliência aumenta o cinismo também diminui. E como já esperado à medida que a exaustão emocional e as atitudes de cinismo aumentam a eficácia profissional diminui.
E à medida que a perceção dos profissionais sobre o ambiente ético melhora/aumenta, maior é a eficácia destes e, menores são atitudes de cinismo assim como menor é a exaustão sentida pelos mesmos. Ou seja, o ambiente ético hospital tem impacto positivo sobre a eficácia profissional.
E quanto mais resiliente é o profissional maior é a sua eficácia profissional, e menores são as suas atitudes de cinismo (distanciamento) e menor é a sua exaustão. Isto é, a resiliência tem influência positiva sobre a eficácia profissional.
Por seu turno, quanto maior é a exaustão emocional (MBI- GS- EE) maior é a sua atitude de cinismo (indiferença/ distanciamento) e menor é a sua eficácia profissional e capacidade de resiliência.
Quanto ao cinismo (MBI), quanto mais este aumenta, mais exausto fica e menos eficácia e resiliência o profissional tende a ter.
Por último, quanto mais elevada for a eficácia profissional, menor será cinismo e a exaustão e maior ser a capacidade de resiliência e melhor será a perceção do profissional sobre o ambiente ético hospitalar.
Note-se que entre as escalas HECS e CD-RISC10 as correlações são fracas embora significativas (Tabela 14)
TABELA 14CORRELAÇÕESSPEARMAN’S ENTRE AS ESCALAS:HECS, CD-RISC10 E
SUBESCALAS DA MBI-GS
Correlações deSpearman CD-RISC10 MBI-GS- Exaustão Emocional MBI-GS- Cinismo MBI-GS- Eficácia Profissional HECS 26 itens ,295* -,180 -,301* ,457** CD-RISC10 -,342** -,483** ,631**
MBI-GS-Exaustão Emocional ,745** -,408**
MBI-GS-Cinismo -,539**
Nota: *p <0,05 (bilateral).**p <0,01 (bilateral). Valores significativos de correlações estão a negrito.
Nos testes de normalidade de Kolmogorov-Smirnovà distribuição das pontuações das escalas e subescalas rejeitou-se a normalidade em todas as variáveis (Tabela 15) e por isso foram realizados testes não paramétricos.
TABELA 15TESTES DE NORMALIDADE À PONTUAÇÃO TOTAL DAS ESCALAS HECS,
CD-RISC10 BEM COMO ÀS SUBESCALAS DA MBI-GS
Nesta amostra não foram encontradas diferenças significativas (ver Erro! A origem da referência não foi encontrada.) entre os profissionais de cuidados paliativos (n=34) e os restantes profissionais (n=27), em qualquer uma das 3 dimensões de
burnout: exaustão (U=354,5; p=0,13), cinismo (U=375; p=0,219) e eficácia
profissional (U=439; p=0,775).
É curioso notar que neste estudo, tal como se sucedeu com os níveis de burnout, os níveis de resiliência entre profissionais de CP e restantes profissionais também não diferem significativamente (U=448,5; p=0,882).
valor-p do teste Kolmogorov-Smirnov
MBI-GSExaustão 0,000
MBI-GS Cinismo 0,000
MBI-GS Eficáciaprofissional 0,000
CD-RISC-10 0,001
Também em relação ao ambiente ético hospitalar, a perceção que os profissionais de CP têm sobre este não difere dos restantes profissionais (U=449; p=0,888) (Tabela 16).
TABELA 16COMPARAÇÃO DOS NÍVEIS DE BURNOUT, RESILIÊNCIA E AMBIENTE ÉTICO
ENTRE PROFISSIONAIS DE SAÚDE CP E NÃO CP
Neste estudo observa-se que nas três escalas não há uma tendência crescente/decrescente. Contudo, os profissionais que exercem a sua atividade profissional entre 0-5 anos quando comparados com os profissionais que exercem há mais de 30 anos apresentam: maior cinismo (1,80 mediana); maior exaustão (mediana1,60); menor eficacácia profissional (5,25mediana);
Em relação à resiliência os profissionais que exercem a sua atividade profissional entre 0-5 anos quando comparados com os profissionais que exercem há mais de 30 anos apresentam igual valor (29,00 mediana);
Por último, os profissionais que exercem a sua atividade profissional entre 0-5 anos apresentam uma perceção sobre o ambiente ético hospital superior (4,21 mediana) quando comparados com os profissionais que exercem há mais de 30 anos (4,19 mediana) (Tabela 17). Profissionais CP (mediana [IIQ]) RestantesProfissionais (mediana [IIQ]) Valor-p (Mann-Whitney) MBI-GS Exaustão 1,9 [1,2;3] 1,2 [0,8;3,6] 0,13 MBI-GS Cinismo 1,2 [0,8;2,6] 0,8 [0,2;2,6] 0,219 MBI-GS Eficáciaprofissional 5,2 [4,5;5,7] 5 [4,5;5,8] 0,775 CD-RISC-10 29 [27;32] 30 [25;32] 0,882 HECS-PT-26 4 [3,3;4,3] 3,8 [3,6;4,3] 0,888
TABELA 17TEMPO DE ATIVIDADE PROFISSIONAL VSMBI-GS;CD-RISC10;HECS VALORESMÉDIOS
Os resultados deste estudo indicam que a nível estatístico a correlação entre a variável tempo de atividade e as escalas MBI-GS, CD-RISC10 e HECS não têm significância (Tabela 18).
TABELA 18CORRELAÇÃO TEMPO DE ATIVIDADE VS MBI-GS;CD-RISC10;HECS
Correlações de Spearman MBI-GS- Exaustão Emocional MBI-GS- Cinismo MBI-GS- Eficácia Profissional CD- RISC1O HECS Tempo de atividade profissional -,183 -,154 ,180 ,086 ,130 MBI_GS_ Exaustao MBI_GS_ CINISMO MBI_GS_EFI CACIA_PRO FISSIONAL CD_RISC_ 10 HECS_26 Mediana Mediana Mediana Mediana Mediana Tempo de atividadeprofi ssional: 0-5 Ano n=6 (9,8%) 1,60 1,80 5,25 29,00 4,21 6-15 Anos n= 21 (34,4%) 1,60 1,20 5,00 29,00 3,81 16-25 Anos n= 17 (27,9%) 2,00 1,20 5,17 30,00 3,81 26-30 Anos n= 6 (9,8%) 1,70 1,60 5,50 28,50 4,23 >30 Anos n= 11 (18,0%) 1,00 ,80 5,33 29,00 4,19