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3. DEFINITION DES ENONCES AVERBAUX

3.2. EA et modalité assertive

3.2.1. Assertion et prédication

Existe uma série de fatores que contribuem para uma terapia bem-sucedida. São fatores relacionados com o tecido tumoral (e.g. sensibilidade à radiação e a dose absorvida de radiação) e com o radiofármaco, nomeadamente as caraterísticas químicas e físicas do vetor químico e do radionuclídeo(5,16).

De uma forma geral, um radiofármaco deve ser estável in vitro e in vivo, uma vez que a quebra de ligações pode originar a formação de novas moléculas, com uma biodistribuição indesejável in vivo e uma potencial irradiação de tecidos não alvo(6).

Em terapia, um radiofármaco deve ter uma captação elevada e seletiva pelo tecido tumoral e uma longa retenção neste, de forma a permitir uma terapia interna, seletiva e de duração adequada. É desejável uma rápida localização no órgão alvo, uma metabolização e excreção eficientes(16). Os mecanismos de atuação são diversos. Os radiofármacos podem ser

incorporados no ADN dos núcleos das células ou do citoplasma e ligar-se às membranas celulares a partir de recetores celulares ou anticorpos seletivos(5).

Após administração, o radiofármaco é distribuído, metabolizado e eliminado, via excreção urinária ou fecal. A eliminação do sistema sanguíneo e dos tecidos não-alvo deve ser realizada de forma eficiente e no menor período de tempo possível, de forma a reduzir a exposição dos tecidos saudáveis à radiação(6). A eliminação biológica tem um comportamento exponencial,

assim como o decaimento radioativo. Cada radiofármaco possui um tempo de semivida biológica caraterístico (Tb), definido como o tempo necessário para que o organismo elimine

metade do radiofármaco administrado, através de mecanismos biológicos. Num sistema biológico, a eliminação do radiofármaco deve-se ao decaimento radioativo do radionuclídeo e à eliminação biológica do radiofármaco. A semivida efetiva (Te) é descrita em função da

semivida física (T1/2) e da semivida biológica, segundo a expressão(6,11):

1 Te= 1 T1/2+ 1 Tb Eq. 14

Numa situação ideal, o radiofármaco deve ser produzido por processos simples e rápidos. A disponibilidade de radiofármacos para terapia é fortemente condicionada pelas caraterísticas físicas do radionuclídeo, uma vez que os radionuclídeos utilizados são na sua maioria produzidos em reator nuclear. Habitualmente, os radiofármacos para terapia, quando recebidos estão prontos a utilizar(3).

A escolha de um radionuclídeo para o desenvolvimento de um radiofármaco para diagnóstico ou terapia em Medicina Nuclear, depende principalmente das suas caraterísticas físicas, nomeadamente o modo de decaimento, tempo de semivida físico, energia e caraterísticas das partículas e/ou radiação eletromagnética emitida(16).

Os radiofármacos que se destinam ao diagnóstico têm na sua composição um radionuclídeo emissor γ. É desejável que o radionuclídeo incorporado não emita outro tipo de radiação, como partículas β- e α, que contribuem para o aumento de dose de radiação absorvida pelo

paciente e uma diminuição da qualidade de imagem(5,6). A maioria dos radionuclídeos usados

clinicamente para fins terapêuticos são emissores β-. As partículas β- têm um alcance finito e

limitado, assim como um elevado valor de Transferência Linear de Energia (LET), grandeza que mede a energia depositada pela radiação por unidade de matéria atravessada. Devido ao elevado LET e da sua capacidade de penetração dos tecidos, a deposição de energia resulta em danos letais irreversíveis e irreparáveis, que conduzem à morte celular e consequente destruição do tecido tumoral(16).

O tempo de semivida físico é um parâmetro essencial na escolha de radionuclídeos para terapia, devendo adequar-se à farmacocinética do radiofármaco e ao tipo do tumor(4,16).

A seleção de um radionuclídeo para terapia é fortemente condicionada pelo alcance das partículas, que deve ser ajustado às dimensões do tecido tumoral. A radiação deve ser distribuída de forma uniforme e homogénea pelo tecido(4,16).

As partículas β- têm um espetro de energia que varia de 0 até ao valor máximo de energia da

partícula. Este valor determina o alcance máximo com que a energia pode ser depositada. As partículas de maior energia estão associadas a alcances médios nos tecidos na ordem de alguns mm, e podem ser úteis para terapia de lesões desta dimensão, como linfomas e nódulos. Importa considerar, que partículas com energia muito elevada podem resultar na baixa deposição de energia no tecido alvo, e conferir uma dose superior no tecido adjacente saudável. As partículas de gama intermédia, têm um alcance inferior, e podem resultar incompleta do tecido alvo, comparativamente a partículas de alcance superior. As partículas de menor energia são potencialmente úteis para alvos microscópicos, de forma a reduzir a possibilidade de danos nos tecidos normais. Assim, a emissão de energia da partícula deve ser compatível com a dimensão da lesão a irradiar, e resultar na irradiação mínima dos tecidos adjacentes ao tumor(15). A tabela 2 ilustra diferentes radiofármacos com interesse em terapia

e respetivas caraterísticas físicas.

Tabela 2: Radiofármacos com interesse em terapia e respetivas caraterísticas físicas(6,9,16).

Radionuclídeo T1/2 Emáx β- [keV]

Alcance máximo em tecido mole

Emissão gama principal [keV] Iodo-131 (131I) 192 h 806 2,0 mm 364 (81,2%) Lutécio-177 (177Lu) 161 h 498 1,7 mm 113 (6,2%), 208 (10,4%) Fósforo-32 (32P) 343 h 1,71 7,9 mm - Rénio-186 (186Re) 91,6 h 1069 4,5 mm 137 (8,6%) Rénio-188 (188Re) 16,9 h 2120 11,0 mm 155 (14,9%) Ytrio-90 (90Y) 64,1 h 2,27 12,0 mm - Estrôncio-89 (89Sr) 50,5 h 1490 7,0 mm 0,909 (0,10%) Samário-153 (153Sm) 46,3 h 808 2,5 mm 103 (28,3%)

Rádio-223 (223Ra) 273 h Decaimento α (95%) <0,1 mm 100 a 1270 (1,1%)

As partículas β- têm um poder de penetração na ordem dos milímetros. Comparativamente,

as partículas α, cuja deposição de energia ocorre na proximidade do local de emissão, detêm um poder de penetração inferior a 100 μm. Esta caraterística associada ao LET elevado das partículas α tem vindo a suscitar interesse na sua utilização em terapia. Contudo, apesar de existirem mais de 100 radionuclídeos emissores α, a maioria apresenta tempos de semivida

físicos demasiado longos, incompatíveis com aplicações in vivo e de difícil produção. Recentemente, os radionuclídeos emissores de eletrões Auger também começaram a ser considerados para terapia. Os eletrões Auger são eletrões de baixa energia (energia típica de 20-100 keV) e de baixo poder de penetração. No entanto, à exceção de um radionuclídeo

223Ra, todos os radionuclídeos aprovados para uso clínico como agentes terapêuticos em

Medicina Nuclear são emissores β-(4–6,16).

O decaimento β- pode ser acompanhado pela emissão γ. Os raios γ não contribuem para a

eficácia da terapia, mas sim para a irradiação e aumento da dose absorvida nos tecidos saudáveis. Contudo, a energia de emissão gama pode ser adequada para a aquisição de imagem, o que pode constituir uma vantagem, uma vez que permite visualizar a distribuição

in vivo do radiofármaco e estudos de dosimetria(16,17).