Chapitre 4 Classification
6.3 L’article
Antes de começar a tratar do trabalho pedagógico especificamente da Educação Física para os Anos Iniciais, é necessário entendermos o termo em um contexto mais geral. Segundo Frizzo (2008), o trabalho pedagógico se configura como uma prática social, munida de forma e conteúdo que se expressam a partir de sua determinação política e ideológica e visões dominantes em uma sociedade. Estas assumem uma ordem geral correspondentes aos movimentos da economia e, consequentemente, a escola, constituída como espaço de formação humana, procura cumprir as determinações desta prática social e o trabalho pedagógico dar conta dessa tarefa.
Concordamos com Freitas (1995) e Frizzo (2008) que a nomenclatura trabalho pedagógico refere-se a uma noção ampliada da atividade desenvolvida por professores e alunos com vistas ao acesso ao conhecimento sistematizado (na sala de aula e na escola em geral) e a articulação entre o trabalho do professor e a macroestrutura sociopolítica. Outras nomenclaturas e concepções não dão conta de contemplar todos os envolvidos, alunos e professores (trabalho docente), nem consideram a educação como uma atividade produtiva que tem relação com a teoria e com a reflexão crítica (prática pedagógica).
Seguindo esta mesma linha, Bezerra e Paz (2006) defendem que o trabalho pedagógico não deve ser reduzido à apenas uma atividade essencialmente prática, pois no seu entendimento a dissociação da relação teoria-prática para um protocolo de atividades burocráticas possibilita que as atividades sejam executadas por indivíduos treinados durante a graduação através de disciplinas denominadas de práticas. Sob estes aspectos, os autores entendem que o trabalho pedagógico esteja revestido essencialmente de uma perspectiva prática, pois não leva em conta as perspectivas filosóficas e humanistas, mas caracteriza-se como fundamentalmente técnica.
O trabalho pedagógico no seio das políticas neoliberais de educação, afirmam Frizzo et al. (2013, p.559), tem como finalidade prioritária
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[...] o disciplinamento para a vida social e produtiva, subordinando os sujeitos à esfera de produção, no qual o professorado se insere na “linha de montagem” educacional. O tempo de aprendizagem não tem valor por si mesmo, tornando-se preparação para a “verdadeira” vida, ou seja, o trabalho capitalista fora da escola, ao passo que, comparativamente, a escolarização é dispendiosa, improdutiva ou, quando muito, reprodutiva.
O trabalho pedagógico, neste sentido, sofre influência do trabalho produtivo baseado no modelo capitalista. A escola passa a atender diferentes demandas e a principal delas advém das políticas educacionais baseadas na produção de resultados, as quais direcionam o modelo como vai ser realizado o trabalho institucional da escola. Em conformidade, Kuenzer (2002) afirma que o trabalho pedagógico em uma sociedade dividida em classes, na qual predominam relações de exploração, terá a função de executar elementos demandados pelo projeto hegemônico, ou seja, pelo capital.
Baseado neste modelo de escola capitalista, o trabalho se coloca para os alunos como externo a eles, exaustivo, involuntário e realizado para os outros, obtendo nota para satisfazer os professores ou atender às exigências dos pais.
O trabalho educativo é aquele que produz humanização, alcançando sua finalidade quando cada indivíduo singularmente se apropria da humanidade produzida histórica e coletivamente, quando se apropria dos elementos culturais necessários a sua humanização.
À luz de Frizzo (2008), entendemos que o trabalho pedagógico na escola deve partir do conhecimento historicamente produzido pela humanidade, baseado nas relações estabelecidas e desenvolvidas no âmbito social, político, econômico, possibilitando, através destes, o entendimento da realidade e a compreensão das dinâmicas sociais que diferenciam o homem dos outros seres e que garantem a luta pelo espaço, autonomia e a liberdade, visando a superação das desigualdades sociais.
A função da escola é mediada pela organização do trabalho pedagógico, atendendo a uma determinada função social. Dizemos, então, que a escola capitalista cumpre suas funções de subordinação e exclusão pelo modo em que organiza o trabalho no interior da escola, ou seja, pelo modo em que organiza os conteúdos, os espaços, os tempos, os procedimentos, as relações pelos sistemas de seriação, de simultaneidade e pela estrutura de poder. Para que se possa levar esta estruturação baseada num modelo de educação humanizadora, é preciso que se altere a forma de organização do trabalho pedagógico na escola.
Esta escola capitalista que se está vivenciando cria uma organização do trabalho pedagógico que não leva aos alunos um tratamento igualitário, pois o processo didático se torna engessado, assim como os tempos de aprendizado, não permitindo que os professores
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visualizem seus alunos como sujeitos de direitos, reconhecendo nos mesmos suas peculiaridades e diferentes ritmos de aprendizagem.
De acordo com Freitas (1995), está ausente atualmente nas escolas o trabalho material socialmente útil. Conforme ele, os professores argumentam que a sala de aula está desvinculada da prática e buscam mecanismos para incorporá-la, mas conseguem com isso apenas criar uma prática artificial. Baseado nas inserções destes professores, o autor ainda afirma que a escola está desvinculada da prática porque está desvinculada do trabalho material, que foi substituído pela atividade do professor, e mais, pelo verbalismo do professor.
Outro elemento de discussão que está evidenciado neste modelo capitalista de ensino é o conhecimento que, de acordo com Freitas (1995), encontra-se cada vez mais fragmentado. Esta fragmentação dos conteúdos impõe à escola uma avaliação também fragmentada, conduzida isoladamente pelo professor. Neste sentido, a fragmentação e isolamento estão diretamente ligados ao individualismo, já citado anteriormente, que, baseado no modelo de escola capitalista, é um eixo central de suas ações frente aos alunos.
Para superação desta fragmentação no processo de ensino, Freitas (1995) defende que à escola estabelecida na sociedade capitalista caberá buscar uma metodologia que possa operar integralmente, no sentido de estudar os fenômenos em suas relações, ação e dinâmica recíprocas, compreendidos como parte de um processo histórico, constituindo grupos de fenômenos em objetos de estudo.
É importante lembrar que esta fragmentação acontece apenas como uma das características da produção do conhecimento na sociedade capitalista. Entendemos que não se trata apenas de redefinir os conteúdos escolares em bases críticas, mantendo intacta toda a organização do trabalho pedagógico, considerando que a superação da escola capitalista não se encerra no currículo, tampouco tem aí sua centralidade.
O trabalho pedagógico, em nosso entendimento, é aquele que proporciona mecanismos de valorização do coletivo de alunos e professores, funcionários, pais e direção da escola, de forma que façam parte das decisões no entorno dos assuntos escolares, apropriando-se da escola de forma crítica, de modo que tal apropriação se estenda para a ação pedagógica, rompendo com formas autoritárias de apropriação do saber.
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3.2 O Trabalho Pedagógico do Componente Curricular Educação Física nos Anos