C HAPITRE 2 : L’ INTERVALLE VÊLAGE : RELATIONS DIRECTES ET INDIRECTES
II. V ARI ABLES QUANTITATIV ES ET INTERVALLE VÊLAGE MOYEN : ANALYSE UNIVARI ÉE
O Princípio do Ensino da Língua pauta-se em quatro práticas de alfabetização. Essas práticas visam a estabelecer uma coerência com os princípios metodológicos do Bloco e os fundamentos teóricos contextualizados, os quais orientam a práxis voltada a alfabetizar e a letrar os estudantes sem perder de vista a ludicidade. Assim, as estratégias estão voltadas para o desenvolvimento das estruturas cognitivas e das dimensões afetiva, social e motora dos estudantes nas diferentes Etapas do Bloco em análise (DISTRITO FEDERAL, 2006).
As quatro práticas da alfabetização apresentadas e ampliadas por outras contribuições teóricas atuais são, obrigatoriamente, metodologia de trabalho para o Bloco Inicial de Alfabetização e visam contribuir efetivamente para o trabalho de alfabetização e letramento, que se espera cada vez mais coletivo, dialógico e eficaz (DISTRITO FEDERAL, 2010a, p. 89, grifo nosso).
As estratégias pedagógicas para as práticas de alfabetização apresentadas para o BIA em 2006 e 2010 apontam mudanças conceituais ocorridas nessas práticas nas três últimas décadas. As abordagens teórico-conceituais e as metodologias derivadas para a alfabetização foram (res)significadas desde o sistema convencional da escrita (pautada na tendência da Pedagogia Liberal Tradicional) ao contexto da visão socio-histórica (pautada na tendência da Pedagogia Progressista), em que os objetivos e as práticas derivadas da visão socio-histórica se orientam para formar pessoas “letradas no sentido de abrir possibilidades de entrada de outras vozes em suas histórias de vida, em seu mundo, para ver, viver, ser, ter uma perspectiva de sujeitos organizadores e partilhadores dos seus saberes significativos” (DISTRITO FEDERAL, 2006, p. 38).
A ação pedagógica no BIA (DISTRITO FEDERAL; 2006, 2010a) visa a contemplar a alfabetização e o letramento, tendo em vista que, segundo Soares (2010), são dois processos indissociáveis e interdependentes. A proposta precisa assegurar a apropriação do sistema alfabético-ortográfico em sua “dimensão linguística do código com seus aspectos fonéticos, morfológicos e sintéticos, à medida que o aluno se apropria do uso da língua nas práticas sociais da leitura e escrita” (DISTRITO FEDERAL, 2006, p. 37).
E ainda,
A alfabetização no BIA precisa garantir a sistematização dos recursos do código e seus princípios organizadores (codificação e decodificação), pois após a consolidação da alfabetização, essas competências e conteúdos estarão presentes na prática de produção de textos orais e escritos (DISTRITO FEDERAL, 2006, p. 50).
O eixo integrador da ludicidade proposto no Bloco objetiva orientar os professores nos planejamentos de rotina, garantindo que as atividades sejam permeadas pela ludicidade e atinjam as dimensões cognitivas, afetivo-emocionais, interpessoais, éticas, estéticas e que auxiliem no desenvolvimento da autonomia (DISTRITO FEDERAL, 2006). A ludicidade, pela ótica das teorias psicogenéticas do desenvolvimento e da aprendizagem de Wallon, Piaget e Vygotsky, é apontada como elemento essencial para suscitar a curiosidade, a intencionalidade e para instaurar o processo criativo, constituindo assim berço obrigatório das atividades intelectuais indispensável à prática educativa (DISTRITO FEDERAL, 2002; 2006). A alfabetização fundamenta-se na prática pedagógica da perspectiva histórica e se organiza na forma de desenvolvimento de unidades de trabalho pedagógico, sendo trazidas à proposta do BIA pela pesquisadora e professora Lígia Regina Klein (2003 apud DISTRITO FEDERAL, 2006), a saber:
prática de leitura e interpretação;
prática da produção textual (oral e escrito); prática da análise linguística;
prática da produção de atividades para sistematização do código.
Diante do exposto, tem-se a proposta da lógica do processo de aprendizagem do aluno, e não a lógica dos conteúdos a serem ensinados (superação do modelo tradicional, baseado na cartilha). É conforme tal linha metodológica que a alfabetização e o letramento se somam e são processos interdependentes.
Para melhor compreensão da metodologia aplicada à alfabetização no BIA, as quatro práticas são detalhadas a seguir:
a) Prática de leitura e interpretação: “O objetivo do trabalho da leitura é a construção de sentido do que se lê, ou seja, o desenvolvimento da compreensão leitora nos diversos gêneros textuais” (DISTRITO FEDERAL, 2010a, p. 72). É importante reconhecer que a criança já possui experiências com textos escritos e embora ainda não saiba ler por meio dos códigos linguísticos já realiza uma leitura de mundo, trazendo consigo um saber oriundo de diversos recursos expressivos.
A ênfase na prática de leitura e interpretação é dada às funções individuais e sociais da leitura em que seja possível conduzir o aprendiz a vivenciar o processo de decodificação e atribuição de significados a um texto escrito. Porém, a “atribuição de significados depende do que leitor já conhece sobre o assunto, das informações não visuais de que dispõe, do seu interesse e das questões que se colocam” (BARBOSA; SILVARES, 1994, p. 118).
As estratégias pedagógicas do BIA orientam que a leitura de textos deve ser diária e obrigatória, observadas duas situações diferentes: a leitura de pura fruição e a leitura com intervenção pedagógica planejada como estratégia mediadora para o ensino e a aprendizagem. É importante que o planejamento da rotina semanal garanta momentos de pura fruição e de intervenção pedagógica.
A metodologia de leitura indicada na proposta envolve três etapas distintas e complementares: 1) a leitura objetiva (aborda o que está explícito no texto, insere o leitor na dimensão contextual e textual do texto, sua intencionalidade e sua informatividade); 2) a leitura inferencial (aborda o que está implícito com foco na interação leitor-texto, na qual se constrói o significado da leitura); e 3) a leitura avaliativa (momento em que se extrapola o texto, com manifestação de postura crítica e julgamentos pessoais) (BORTONI, 2004, apud DISTRITO FEDERAL, 2010a).
b) Prática da produção textual (oral e escrita): “O objetivo do trabalho de texto oral e escrito é o desenvolvimento da competência leitora e escritora dos estudantes” (DISTRITO FEDERAL, 2010a, p. 74). Nessa prática, considera-se que o estudante já é um escritor, embora não domine o sistema alfabético. Para tanto, busca-se valorizar a linguagem oral, que poderá estender-se aos diversos contextos e situações formais e informais. Nesse sentido, sugere-se explorar as diferenças e as semelhanças entre linguagem oral e escrita; valorizar a heterogeneidade linguística existente entre a norma padrão e a linguagem oral-coloquial, buscando valorizar as diferenças regionais, sociais e estilísticas, favorecendo as capacidades e os usos da linguagem oral próprios em diferentes situações do uso da língua.
Os estudantes devem ser conduzidos a produzir textos de forma individual e coletiva, situação na qual poderão utilizar a escrita sem intervenção direta e a escrita com intervenção. Faz-se necessário também a busca pela valorização do uso social da escrita e a exploração da produção de diversos gêneros e tipos de texto, com suas especificidades, por meio da exploração temática desses textos e do contínuo exercício da oralidade.
Para a prática da produção textual, a Estratégia Pedagógica para o BIA (2010) orienta a aplicação da metodologia da escrita de Zamboni (2004), Klein (1999, 2003), Cagliari (2008) e Antunes (2007). Zamboni (2004 apud DISTRITO FEDERAL, 2010a) ressalta a importância de se preparar o estudante para a escrita, inseridos aí questionamentos do tipo: o que vou escrever? Quem é o destinatário? Que imagem faço do destinatário? Que ideias usar? Bem como questionamentos a respeito da oralidade: ara que se escreve? Para quem se escreve? O que se escreve? Onde se escreve?
Klein (1999, 2003 apud DISTRITO FEDERAL, 2010a) e Cagliari (2007 apud DISTRITO FEDERAL, 2010) orientam quanto à utilização da letra caixa alta pela criança nos primeiros escritos, em que os traçados em linha reta facilitam tal ação. Irandê Antunes (2007 apud DISTRITO FEDERAL, 2010a) apresenta três etapas para o desenvolvimento da atividade de escrita pelos estudantes: 1) planejamento; 2) escrita; e 3) revisão. As três etapas cumprem funções específicas, e a condição final dos estudantes mostrará como elas foram respeitadas (DISTRITO FEDERAL, 2010a).
c) Prática da análise linguística: “O objetivo do trabalho de análise linguística é potencializar o escritor de recursos comunicativos para que sua escrita apresente sentido de acordo com toda a intencionalidade das ideias que se quer comunicar” (DISTRITO FEDERAL, 2010a, p. 80). A prática da análise linguística articula práticas de leitura, produção e reflexão sobre a língua. Duas questões são ressaltadas: a estrutura do texto (coerência, coesão, consistência argumentativa, organização textual, pontuação e outros) e a ortografia (sistematização do código ou apropriação do sistema de escrita) (DISTRITO FEDERAL, 2006; 2010a).
Outra estratégia apontada para a prática da análise linguística é a reescrita dos textos – momento em que o estudante pode fazer a revisão de sua produção. Nesse ponto, cabe ao professor esclarecer as questões de regularidades (diretas, contextuais e morfológico- gramaticais) e irregularidades da língua, com o cuidado de não confundir dificuldades ortográficas com dificuldades de compreensão do sistema de escrita.
Nas estratégias para o BIA (2010), são apresentadas outras orientações quanto às atitudes pedagógicas a serem evitadas na prática de produção textual, a saber: não se deve orientar a criança a prestar atenção no modo de pronúncia das palavras; o professor não deve falar de forma dramatizada, mas sim pronunciar as palavras naturalmente (ZORZI, 2006 apud DISTRITO FEDERAL, 2010a).
As estratégias orientam também uma rotina voltada ao contato de variedades linguísticas, permeando a escrita alfabética, a prática de correções coletivas e a discussão sobre os textos, estimulando os estudantes à atitude crítica em relação às suas próprias produções. Os estudantes devem fazer o registro de quadro de regras, estas pensadas, problematizadas e descobertas por eles mesmos.
d) Prática da produção de atividades para sistematização do código: “O objetivo do trabalho de sistematização do código é a aquisição do sistema gráfico da língua escrita, compreendendo as propriedades do sistema alfabético” (DISTRITO FEDERAL, 2010a, p. 85). Uma das maiores preocupações nessa prática é o risco de os professores insistirem na memorização das famílias silábicas do alfabeto e das regras gramaticais. Segundo Zorzi (2006 apud DISTRITO FEDERAL, 2010a), tal fato compromete a introdução e a produção da realidade da escrita.
Nesta prática, as estratégias pedagógicas orientam para que as três práticas já apresentadas para a alfabetização (leitura, produção de textos e análise linguística) se afinem e se complementem, visto serem imprescindíveis à aquisição do sistema gráfico e à prevenção de dificuldades e transtornos comumente produzidos por equívocos metodológicos ou ineficiências nas práticas concernentes.
No contexto das orientações e das estratégias para a sistematização do código, indica- se também:
o trabalho de consciência fonológica como prática cotidiana;
a compreensão das propriedades do sistema alfabético e suas variantes;
o desenvolvimento de atividades criativas para auxiliar no processo de memorização do código, evitando-se atividades monótonas, repetitivas e mecânicas (BORTONI- RICARDO, 2004 apud DISTRITO FEDERAL, 2010a).
Ressalte-se ainda a necessidade de distinção funcional entre os erros de ortografia que ocorrem entre os traços de oralidade e o sistema de convenções (BORTONI-RICARDO, 2004 apud DISTRITO FEDERAL, 2010a).