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Section II La réduction du phénomène entrepreneurial aux seules entreprises nouvellement créées ou E.N.C.

Encadré 16 : les organisations incubatrices

B) Arguments d’efficience

Os cuidadores entrevistados se mostraram significativamente dependentes da relação com os profissionais de saúde, em especial, com os médicos. Todos relataram estarem buscando uma relação de confiança e transparência com eles. P2 e P6 encontraram o que buscavam nessas relações, enquanto a maioria (P1, P3, P4 e P5) sentiu pouca confiança e transparência, especialmente devido aos cuidados pouco humanizados que receberam da parte dos profissionais.

O processo de morrer traz consigo a necessidade de tomar certas decisões éticas difíceis. Nesses momentos, não há certo e errado, nem um protocolo a seguir. E, se o protocolo existe, em muitas situações, pode mais atrapalhar do que auxiliar, pois se apresenta com rigidez e objetividade em uma situação que exige delicadeza, sensibilidade, flexibilidade. Nesse cenário, quanto mais claras forem as informações passadas às pessoas com doença

potencialmente fatal e seus familiares responsáveis, mais subsídios terão para poder se posicionar sobre os tratamentos a serem seguidos ou não, e sobre o prolongar ou não a vida.

Nesta pesquisa, os colaboradores destacaram a necessidade de serem melhor esclarecidos pelos médicos a respeito da situação em que a pessoa doente se encontrava, sem escamotear informações. Pois, a falta ou distorção dos esclarecimentos necessários dificultou ainda mais a tomada de decisão, principalmente nos momentos finais de vida, quando o ente querido já estava incapacitado de se posicionar.

P1 referiu que os médicos não foram claros em relação à proximidade da morte de sua mãe em momento algum. A colaboradora acredita que eles não se posicionaram para não serem responsabilizados mais tarde. Dessa forma, não recebeu informações suficientes e não percebeu que a mãe foi encaminhada para morrer em casa. Assim que a mãe passou mal, foi pega de surpresa, se desesperou e chamou o resgate. P1 e a mãe não queriam e pediram que não fosse realizada a intubação, porém ela foi intubada, pois os profissionais que a atenderam na emergência disseram ter que seguir protocolos, que são regidos pela busca do salvar as vidas a qualquer custo. Assim, houve um prolongamento da vida de sua mãe desnecessário e com muito sofrimento, o que constitui o que se conhece como distanásia.

Segundo Pessini (2009), a palavra distanásia tem origem grega: o prefixo dys significa ato defeituoso ou errado, e a palavra thánatos significa morte. Nesse sentido, a distanásia se refere a “uma ação, intervenção ou procedimento médico que não atinge o objetivo de beneficiar a pessoa em fase terminal e que prolonga inútil e sofridamente o processo do morrer” (p.319). Prolonga-se, dessa forma, de modo exagerado o sofrimento e morte, através de meios artificiais e invasivos, em situações clínicas irreversíveis e terminais. Essa conduta tem sido chamada também de ‘tratamento fútil e inútil’ ou ‘obstinação terapêutica’.

P3 também sofreu com a distanásia praticada com sua esposa. Teve uma sensação diferente da de P1; acredita que houve dolo por parte dos profissionais de saúde que os

acompanharam. Por se tratar de uma instituição de saúde privada e bastante cara, os profissionais de saúde utilizaram artifícios para manter sua esposa viva a qualquer custo, ligada a diversos aparelhos, realizando ainda procedimentos invasivos quando já não havia respostas. Enquanto P3 pagava muito dinheiro pelos procedimentos aplicados, relatando que foram muitos, a instituição tinha lucros. Foi preciso um amigo que é médico intervir na situação para que o óbito de sua esposa fosse declarado.

P4 também teve uma difícil experiência com o médico nos momentos finais de vida de sua esposa. O profissional queria interromper os tratamentos/procedimentos técnicos, inclusive desligar os aparelhos, quando sua esposa já não esboçava reações na UTI. P4 não concordava com isso. Não houve conversa/escuta mais atenta para que o familiar pudesse expor suas motivações religiosas.

Por outro lado, aqueles familiares que receberam bom respaldo, foram bem informados e tiveram melhor suporte dos médicos/equipe de saúde conseguiram decidir com mais recursos sobre o que fazer nos momentos finais de vida. Os entes queridos de P2 e P6 puderam falecer em casa, com acompanhamento de equipe de saúde constante.

P2 contou que a médica ofereceu bons esclarecimentos e orientações, por isso puderam decidir pelos tratamentos não invasivos e pela chegada da morte de seu pai em casa. P6 relatou que a médica que acompanhou a ela e a seu filho “era como uma mãe”, que a esclareceu e auxiliou em todos as ocasiões a decidir pelos melhores tratamentos, até mesmo nos momentos aproximados da morte. A médica então começou a alertá-la gradativamente de que a morte de seu filho já estava bem próxima.

A maioria dos colaboradores relatou também outras experiências ruins na relação com os profissionais de saúde/médicos que os assistiram; P1 e P5 no setor público; P3 e P4 no privado. Porém, as dificuldades do serviço público e do privado apresentaram algumas peculiaridades.

P1 e P5 sofreram com as grandes filas de espera, dificuldades para marcar exames e para ter acesso a tratamentos técnicos e/ou medicamentosos, além da falta de informação e da indiferença dos profissionais que os assistiam.

P3 e P4 também sofreram com a escassez de informação, ou com informações distorcidas; e com a falta de espaços de escuta e acolhimento.

No caso de P5, ela e a tia não foram incentivadas a procurarem o serviço de Cuidados Paliativos, quando houve interrupção dos tratamentos que visavam a cura da doença, devido à difícil relação com a médica que as atendeu. Após algumas sessões de quimioterapia, a profissional referiu que o tratamento seria interrompido, e que então a tia seria encaminhada para os Cuidados Paliativos, pois já “não havia mais nada a fazer”. O que foi entendido por P5 e pela tia que não haveria qualquer diferença em serem assistidas em um programa de Cuidados Paliativos ou se aguardassem, sem nenhum suporte, a morte em casa.

Outros estudos, assim como nesta pesquisa, também discorrem a respeito da importância da relação dos pacientes/familiares cuidadores com os profissionais de saúde que os assistem. Alguns deles são: Caress et al., 2009; Hebert et al., 2009; Sulzbacher et al., 2009; Sousa e Carpigiani, 2010; Kaarbo, 2010; Rosa et al., 2010; Ambrósio e Santos, 2011; McCarthy, 2011; Schaepe, 2011; Almeida e Cardozo, 2012; Ferrell e Baird, 2012; Given et al., 2012; Lind et al., 2012; Northouse et al., 2012; Wittenberg-Lyles et al., 2012; Gallagher e Krawczyk, 2013; Queiroz et al., 2013; Silva et al., 2013.

Waldrop et al. (2012), realizaram estudo sobre a relação entre familiar cuidador e profissionais de saúde. E, corroborando com que neste presente estudo se delineou, observaram que uma atitude fria, impessoal ou mesmo superficial do profissional provocou maior dor, medo, raiva e insegurança nos familiares. Por outro lado, uma atitude transparente e continente ajudou no enfrentamento da difícil situação pelos envolvidos e, ainda, facilitou a tomada de decisões sobre o prolongamento ou não da vida do ente querido.

O exposto acima leva ao questionamento sobre o porquê se tem observado tantas dificuldades ocorridas na relação entre pessoas com doença potencialmente fatal/familiares com os médicos/profissionais de saúde que os assistem? Acredito ser esse outro tema bastante importante e que não pode ser abordado de modo simplificado.

Portanto, minha intenção, neste momento, é destacar apenas uma faceta desta questão que acredito ser importante assinalar neste trabalho: os profissionais de saúde são seres humanos, antes de qualquer papel que exercem. São pessoas com angústias e medos, encarnados nessa sociedade e no cenário em que a saúde tecnocientífica se encontra. Dessa forma, experienciam também dificuldades em lidar com a morte e seus desdobramentos.

Mesmo em equipes de saúde com princípios e incentivo à maior comunicação sobre a questão da morte, surgem obstáculos. Sousa e Carpigiani (2010) realizaram pesquisa com profissionais de saúde que trabalham em programa de Cuidados Paliativos de hospital público, com a temática da comunicação entre a equipe. Entrevistaram 7 profissionais com funções diferentes na equipe, como a médica e a secretária. Verificaram que os profissionais se comunicam entre si a respeito de procedimentos técnicos em relação aos pacientes atendidos; nesse aspecto a comunicação é eficaz. Porém, não falam sobre o que sentem, pensam, como lidam com as mortes dos pacientes, que ocorrem frequentemente. As autoras observaram que neste serviço não há tempo/espaço para essa forma de comunicação na equipe.

Também há grande dificuldade entre profissionais de saúde em lidarem com a efemeridade e finitude humanas. E estes profissionais precisam, do mesmo modo, receber atenção e serem assistidos em suas dificuldades.

Sulzbacher et al. (2009), entrevistaram profissionais de saúde que trabalham constantemente em contato com a questão da morte em suas atividades diárias e analisaram essa problemática. O que se destacou no estudo foi o sofrimento destes profissionais. Assim, a

pesquisa ressalta a importância das instituições de saúde oferecerem serviços que deem suporte aos profissionais de saúde em meio à sua prática cotidiana.

Outros estudos ainda destacam a questão das dificuldades enfrentadas pelos profissionais de saúde e a importância do cuidado ao cuidador profissional. Alguns deles são: Fontana, 2010; Saint-Louis, 2010; Júnior et al., 2011; Santos e Sales, 2011; Almeida e Cardozo, 2012; Mendonça et al., 2012; Rodrigues e Zago, 2012; Nietsche et al., 2013; Queiroz et al., 2013; Santos & Hormanez, 2013; Silva et al., 2013; Vasques et al., 2013.

Porém, cuidados como esses espaços de escuta e acolhimento aos profissionais são reduzidos nos hospitais e instituições de saúde no Brasil. Tanto na instituição pública, quanto na privada, tem-se presenciado que os profissionais precisam cumprir cargas horárias extensas, às vezes sem tempo para descansos considerados obrigatórios. A mentalidade que parece imperar é a de que não há espaço/tempo a “se perder” com momentos de escuta aos profissionais. Pois, na “perda” desse tempo, perdem-se também lucros. Ou, no serviço público, atende-se um menor número de pessoas e não se recebe a verba acordada para um certo número de atendimentos ao mês.

Assim, a relação com os profissionais é muito importante na vivência do familiar cuidador. Porém, os profissionais também apresentam suas dificuldades em lidar com o sofrimento e a finitude humanas, o que fica latente ao acompanharem pessoas com doenças potencialmente fatais. Assim, é necessário que também recebam cuidados em meio à sua prática cotidiana. Pois, também fazem parte do núcleo ‘pessoa com a doença-familiar cuidador-equipe de saúde’; que, ao mesmo tempo que se distinguem também se unem, e que não podem se separar no processo de fim de vida dos pacientes que esses profissionais assistem.