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Variadíssimos têm sido os esquemas propostos, em substituição do de WEENDE, para a análise e fraccionamento dos glúcidos alimen­ tares. Alguns destes esquemas baseiam-se numa determinação siste­ mática dos diversos constituintes glucídicos, enquanto outros consti­ tuem tentativas de fraccionamento mais simples não se procedendo à análise de todos os grupos de glúcidos e mantendo-se por isso o critério de calcular uma parte por diferença.

CRAMPTON e WHITING (42) propuseram um esquema de aná­ lise em que faziam a determinação analítica da celulose e dos hidratos de carbono solúveis e a percentagem de lenhina era obtida por dife­ rença.

ELY e col. (52a) no estudo que fizeram sobre os constituintes das fracções fibra bruta e extractivos não azotados do feno de Dactylis glomerata, L. e sua digestibilidade em vacas leiteiras, concluíram que em virtude de os coeficientes de digestibilidade da a-celulose, holo- celulose, pentosanas e celulose bruta de MATRONE (46) serem muito semelhantes, é possível agrupar numa única fracção —a holoce- lulose— a qual se pode determinar, uma grande parte dos consti­ tuintes da fibra bruta e das substâncias extractivas não azotadas.

Os autores definem:

Holocelulose = hidratos de carbono totais — (amido + açú­ cares)

e

Hidratos de carbono totais = (fibra bruta + Ext. n/ azota­ dos) — (lenhina + ácidos orgânicos)

O esquema de fraccionamento pressupõe portanto a determina­ ção da lenhina, ácidos orgânicos, amido e açúcares.

DETERMINAÇÃO DA UTILIZAÇÃO DIGESTIVA DOS ALIMENTOS 123

No seu trabalho ELY e col. (52a) fizeram, tanto nos alimentos como nas fezes, as determinações dos açúcares, amido, ácidos orgâ­ nicos, pentosanas, a-celulose, 3 e y-celulose e lenhina, além do habi­ tual doseamento da fibra bruta pelo método de Weende e cálculo das substâncias extractivas não azotadas. Para a determinação da celulose bruta usaram o método de MATRONE e col. (46), e definiram a a-celulose como a fracção da celulose bruta de Matrone insolúvel em hidróxido de sódio 17,5 N, de acordo com o método descrito pela Technical Association of the Pulp and Paper Industry (Tentative Standard, T203, M-40).

A celulose bruta de MATRONE inclui uma parte importante das hemiceluloses a qual foi determinada pelos autores como pentosanas, na própria celulose bruta a fim de obterem uma celulose bruta corri­ gida. As 3 e y-celulose constituem a diferença entre celulose de MA­ TRONE corrigida e a-celulose. Assim

Celulose Bruta de Matrone = a-celulose + Pentosanas da ce­ lulose de Matrone + 3 e y-celulose

Em última análise, o esquema proposto por ELY e col. (52a) divide os glúcidos dos alimentos numa fracção que é formada efecti- vamente por glúcidos fàcilmente digestíveis —amido e açúcares — e outra fracção, a holocelulose, que engloba todos os constituintes da parede celular excepto a lenhina que juntamente com os ácidos orgâ­ nicos são doseados separadamente.

RICHARDS e REID (53) sugeriram que nos estudos sobre a digestibilidade e composição das forragens se substitua a determi­ nação da fibra bruta pela determinação da lenhina pelo método de ELLIS e col. (46) e que se considerem os hidratos de carbono como constituindo um único grupo. Esta sugestão, tem de facto justificação para o caso das forragens e sobretudo quando nos situamos no campo da alimentação dos ruminantes, mas não satisfaz quando se trata de apreciar outros alimentos para outras espécies pecuárias.

Tendo em consideração o carácter puramente arbitrário e os inconvenientes da divisão dos glúcidos em fibra bruta e substâncias extractivas não azotadas, GUILLEMET e JACQUOT (43) [cit. por JACQUOT (56) ] propuseram que se fizesse uma discriminação entre

glúcidos assimiláveis e indigestivei glucídico. O insolúvel fórmico, fJACQUOT e FERRANDO (57)] é uma medida, que pode ser adop- tada, do indigestível glucídico. Experiências directas efectuadas no rato e no homem, mostraram que nestas espécies o insolúvel fórmico do ingesta se recupera nas fezes na sua quase totalidade (± 10%). Representa bem, portanto, o indigestível glucídico. O insolúvel fór­ mico inclui, além da celulose, a lenhina. A fibra bruta (método de WEENDE) é normalmente muito inferior ao insolúvel fórmico, mas verifica-se em grande número de alimentos haver uma certa concor­ dância entre o teor de insolúvel fórmico e a soma celulose verdadeira

(método de KÚRSCHNER) mais lenhina. Tendo em conta as caracte- rísticas do insolúvel fórmico, RERAT (56) aconselha que a estima­ tiva deste constituinte e simultâneamente do redutor total, pode ser para o caso dos suínos, uma forma bastante aceitável de apreciar a fracção glucídica dos alimentos.

CHARLET-LERY, FRANÇOIS e LEROY (52) propuseram tam­ bém um esquema analítico que permite separar os glúcidos em gru­ pos muito mais bem definidos. O processo baseia-se num doseamento sistemático da lenhina, celulose verdadeira (método de KÚRSCH­ NER), substâncias pécticas, pentosanas, outros compostos urónicos e hexosanas, e açúcares (expressos em glucose). Embora bastante pormenorizado é no entanto um processo demasiado trabalhoso para análises de rotina.

Posteriormente JARRIGE (53) [cit. por RERAT (56)] apre­ sentou um novo processo que se mostrou muito interessante sobretudo no caso das forragens. O processo fundamenta-se numa nova classi­ ficação dos constituintes glucídicos e numa distinção entre as subs­ tâncias que formam a parede celular (complexo celulósico formado pela celulose verdadeira e outros poliósidos, hemiceluloses poliuró- nicas compreendendo as pentoses e os ácidos hexaurónicos, substân­ cias pécticas e lenhina) e os glúcidos citoplásmicos (açúcares: glu­ cose, frutose e sacarose; frutosanas e certas glucosanas).

Seguindo uma orientação semelhante GAILLARD (55) e (57a) apresentou também um esquema de análise sistemático e muito por­ menorizado dos glúcidos alimentares e estudou as modalidades da sua aplicação a diferentes tipos de alimentos: palhas, fenos, forragens verdes e beterraba forrageira (Beta vulgaris, ssp vulgaris var. crassa Alef.).

DETERMINAÇÃO DA UTILIZAÇÃO DIGESTIVA DOS ALIMENTOS 125

Em esquema, o processo proposto por GAILLARD (55) permite dosear as seguintes fracções:

I — Hidratos de carbono solúveis 1 — Mono e dissacaridos 2 — Frutosanas

II — Hidratos de carbono estruturais e lenhina 1 — Lenhina

2 — Substâncias pécticas 3 — Hemiceluloses 4 — Resíduo celulósico

5 — Porção das hemiceluloses contendo ácido aldobiuró- nico

As hemiceluloses podem ainda ser divididas em fracções, de acordo com a sua solubilidade:

— fracção solúvel na solução de oxalato de amónio a 0,5 % — fracção solúvel na solução de hidróxido de potássio a 5 % — fracção solúvel na solução de hidróxido potássio a 24 %

— fracção insolúvel nestes solventes

O processo inclui o doseamento dos açúcares de cada uma das fracções feito por cromatografia descendente em papel a partir dos correspondentes hidrolizados.

DERIAZ (60) estudou um método analítico para análises rápidas de rotina dos hidratos de carbono e da lenhina das forragens pelo qual se determinam separadamente os glúcidos solúveis e os consti­ tuintes da parede celular (structural carbohydrates).

Seguindo uma sugestão inicialmente feita por NORMAN (35) alguns autores nomeadamente GRIFFITH e JONES (63) e (65) têm-se referido a um método para a determinação da fibra nas forra­ gens o qual se baseia numa única digestão ácida da substância com ácido sulfúrico normal (Normal Acid Fiber — NAF). O método na sua forma mais aperfeiçoada, GRIFFTH e JONES (65), prevê uma digestão prévia com pepsina em meio clorídrico antes da hidrólise

com ácido sulfúrico normal, verificando-se uma correlação muito ele­ vada entre os valores encontrados para a NAF e a digestibilidade da matéria seca das forragens.

2.3 —A DETERMINAÇÃO DA CELULOSE E DA LENHINA E O