Chapter 5. Platform Prototype
5.3 Implementation
5.3.2 System Architecture
associado ao potencial de perdas e danos e de magnitude das conseqüências, até o período anterior à Revolução Industrial os acidente eram vistos como manifestação dos deuses. Da Antiguidade até meados do século XVIII, eventos como incêndios, inundações, furacões, maremotos, terremotos, erupções vulcânicas, avalanches, fomes e epidemias eram compreendidos como manifestações da providência divina, de modo que, para revelá-los e prevê-los, tornava-se necessário interpretar os sinais sagrados (TEHYS apud ROUQUAYROL; ALMEIDA FILHO et al., 1999 p. 116).
Já Covello et al. (1985) nessa mesma referência, assinalam que a palavra risco tinha suas origens identificadas no século XVII, e só três séculos após ocorreriam importantes transformações que contribuíram para o surgimento da avaliação e do gerenciamento de riscos, por meio de procedimentos científicos institucionalizados, como parte do modo contemporâneo de pensar e enfrentar os perigos. Tais procedimentos surgiram em determinado período histórico, como resposta técnica a problemas simultaneamente sociais in: (VALLE; TELLES, et al., 2003, p. 116).
Para Torreira (1997) a palavra risco significa uma condição ou mudança de um conjunto de circunstâncias que apresentam determinado potencial para a existência de danos, doença ou prejuízo. Esses danos podem ser entendidos como lesões às pessoas, danos a equipamentos e instalações, danos ao meio ambiente, perda de material em processo, ou redução da capacidade de produção in: (CARVALHO, 1999, p. 4).
Para Giddens (apud VALLE; TELLES et al., (2003, p. 113) a palavra risco reflete
a dinâmica de uma sociedade propensa à mudança, que deseja determinar o seu próprio futuro. Desde suas origens, o termo risco, que tem como sua antítese complementar o termo incerteza, pressupunha que seríamos capazes de regular o futuro, normatizá-lo e submetê-lo ao nosso domínio.
O termo risco, tal como se conhece atualmente segundo a Fundação Getúlio Vargas (FGV), 1987, surge com a constituição das sociedades modernas ocidentais, com o próprio processo de constituição das sociedades contemporâneas, a partir do final do Renascimento e início das revoluções cientificas, quando ocorrem intensas transformações sociais e culturais, associadas ao forte impulso nas ciências e nas
técnicas, às grandes navegações e à ampliação e fortalecimento do poder político e econômico de uma nascente burguesia. Deriva da palavra italiana riscare, cujo significado original era navegar entre rochedos perigosos, e foi incorporada ao vocabulário francês por volta do ano de 1660 (ROSA et al., apud VALLE; TELLES, et al., 2003, p. 114).
Webster in: Vieira et al. (2000, p. 56) define riscos em três aspectos: riscos
biológicos são: bactérias, fungos, bacilos, parasitas, protozoários e vírus, entre outros.
Portanto, para cada risco ambiental existe uma tabela de avaliação de acordo com o tipo do agente atingido, constando informações básicas sobre os riscos em questão, bem como influências, normas, equipamentos de medição etc. Riscos físicos - diversas formas de energia a que possam estar expostos os trabalhadores, tais como: ruído, vibrações, pressões anormais, temperaturas extremas, radiações ionizantes, radiações não ionizantes, bem como o infra-som e o ultra-som. Riscos químicos - substâncias, compostos ou produtos que possam penetrar no organismo pela via respiratória em forma de poeira, fumo, névoa, neblina, gás ou vapor, que, pela natureza da atividade de exposição possa ter contato ou ser absorvido pelo organismo através da pele ou por ingestão. Reste estudo volta seu foco para os perigos e riscos que representa a exposição às drogas Qt-an, já discutida detalhadamente no item específico quando manuseadas de forma adequada por profissionais de enfermagem, podendo às vezes, acarretar doenças ocupacionais.
A Organização Mundial de Saúde (OMS), define assim esses termos: perigo - à presença de agentes biológicos, químicos, ou físicos, com potencial de causar efeito adverso à saúde. E risco - envolve probabilidade estimada ou medida de um efeito adverso à saúde ocorrer como conseqüência do perigo e sua severidade. Desta forma o risco depende do nível de exposição ao perigo, ainda que a existência do perigo, por si só, não implique risco potencial (WALKER apud VALLE; TELLES et al., 2003, p. 93).
Perigo e risco em relação à avaliação de segurança de substâncias químicas são
conduzidos de acordo com o paradigma: identificação do perigo; caracterização do perigo; avaliação da exposição ao perigo; avaliação de segurança e avaliação de risco. A avaliação é adotada para qualquer substância química, entre elas o risco de
exposição às drogas Qt-an. Portanto, é necessário distinguir, claramente, perigo e risco, pois, nesse contexto, as duas palavras não são sinônimas (VALLE; TELLES et al., 2003, p. 92).
Sabe-se que o limite de tolerância para agentes químicos nos ambiente de
trabalho, adotado pela legislação brasileira, está em sua maioria, desatualizado e
inclui um número reduzido, desses agentes, considerando o volume de substâncias novas introduzidas no mercado. De maneira geral, segundo Carvalho (1999, p. 92) refere os gases e vapores tóxicos presentes no ambiente hospitalar afetam o organismo causando as mais variadas reações, como vertigem, fraqueza (astenia), desmaio, sonolência, convulsão, vômito, diarréia, depressão, cefaléia, perturbação da visão, tremor, tosse, lacrimejamento da conjuntiva, podendo gerar perda de sentido, coma e até a morte.
Conhecidas as definições de vários autores sobre riscos, passaremos a palavra
exposição, que segundo Valle e Telles et al., (2003, p.113) significa:
[...] dose, ou seja, quantidade determinada de um agente que pode desencadear efeitos adversos ao organismo. A exposição humana a inúmeros agentes químicos, de origem natural ou sintética, implica em toxicidade. A toxicidade, por sua vez, está intimamente relacionada à absorção que depende da capacidade de penetração do agente através de membranas biológicas, seja na sua forma original ou biotransformada.
Após as explanações relacionadas a essa questão em estudo, cabe ao profissional de saúde, especialmente a equipe de enfermagem que trabalha em serviços de Qt-an, capacitar-se para gerenciar situações que envolvam perigos e riscos
associados a essas drogas Qt-an. Deve também, estar pronto para tomar decisões
emergenciais, caso sejam necessárias.
Os autores, Covello et al. (1985); Otway (1985); Theys (1987); Krimsky (1992) ressaltam que, por um lado, os avanços científicos e tecnológicos contribuíram para a reduzir a prevalência de determinadas doenças infecto-contagiosas; por outro lado, contribuíram para surgirem novos riscos, de origem tecnológica, envolvendo agentes radioativos, químicos e biológicos. São, fundamentalmente, diferentes, em termos de características e magnitude, dos encontrados no passado e atribuídos à natureza.
Passaram a fazer parte do cotidiano de milhões de pessoas, nos seus locais de habitação ou trabalho, na cadeia alimentar, no solo que pisam, no ar que respiram, nas águas que consomem, implicando mudanças nos modos predominantes de adoecer e morrer (VALLE; TELLES, et al., 2003, p. 116).