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Chapitre 7 Moteur de dialogue dirigé par le modèle

7.2. Compléments au MCPM

7.2.3. Arbre d’information

O foco do interesse da AD não é nem a gramática, nem a língua, embora estas sejam inerentes ao discurso. O foco do interesse da AD é o discurso. Para isso, investiga como um objeto simbólico produz sentido. Logo, busca analisar o sujeito em sua história20, desvenda a historicidade e os mecanismos imaginários subjacentes à

linguagem, acatando as suas “condições de produção”. Esta é uma noção fundante da AD, tendo sido trazida da psicologia social, e re-elaborada por Pêcheux para o campo discursivo.

Na AD, o discurso está além do sentido empírico da fala, relacionado ao efeito de sentido entre os interlocutores. Tal efeito é um processo histórico-social que produz seus efeitos, cabendo à AD buscar compreender os processos de produção destes discursos. Para Pêcheux (1983), a materialidade específica da ideologia é o discurso, enquanto que a materialidade do discurso é a língua. Assim, a ideologia não é um ocultamento da realidade, tampouco uma visão de mundo, mas, uma estrutura- funcionamento.

A ideologia, por sua vez, é interpretação de sentido em certa direção, direção determinada pela relação da linguagem com a história em seus mecanismos imaginários. A ideologia não é,

87 pois, ocultação mas função da relação necessária entre a linguagem e o mundo (ORLANDI, 2004, p. 31).

O conceito de ideologia enquanto instância metafísica foi criticada por Bakhtin em 1929, colocando a mesma como um processo semiótico. Logo, sujeito a múltiplas interpretações.

No entendimento de Pêcheux (1983) a produção do discurso compreende fundamentalmente o sujeito e as “condições de produção”, condições essas que permitem a linguagem se relacionar com a exterioridade. As “condições de produção” consistem basicamente no sujeito e no lugar ocupado pelo mesmo.

Vale salientar que o lugar ocupado pelo sujeito ou posição-sujeito, anteriormente mencionada, não compreende apenas a realidade física ou institucional ocupada pelo sujeito. A esta pertence também as representações imaginárias que os participantes do discurso fazem da sua própria identidade, bem como dos próprios referentes do discurso. Nesta perspectiva, para uma mesma posição física ocupada por distintos sujeitos, poderão existir distintas posições-imaginárias. As posições- imaginárias são constituídas pelos já ditos por outras vozes esquecidas, mas que participam do jogo discursivo. Com isso, pode-se inferir que o discurso realiza-se no sujeito, porém, não se origina no mesmo. Origina-se na topografia imaginária construída e ocupada pelo sujeito.

Devido ao vínculo com as condições de produção, na AD não se investiga como um texto significa, tal como se procede na análise de conteúdo. Na AD procura-se investigar o que o texto quer dizer.

A partir da perspectiva das condições de produção dos discursos, faz sentido perguntarmos quais as representações que os professores constroem acerca do lugar ocupado pelo professor no contexto educacional? Que implicações estas representações trazem para a sua prática profissional? Que vozes são determinantes para estas representações? Que vozes participam do discurso escolar?

Orlandi (2002) considera que as condições de produção dos discursos podem ser relevadas em duas perspectivas. Na primeira, em sentido estrito, a qual se relaciona com o contexto imediato da enunciação21. A segunda, em sentido amplo22, na qual as

condições de produção relacionam-se com o contexto sócio-histórico e ideológico.

21

No present e est udo, parte do cont exto imediato é constituída pelos professores entrevistados, os locais de trabalho dos mesmos, bem como todas as condições mat eriais disponibilizadas para a concretização do trabalho dos mesmos. A outra part e são os livros didát icos em si.

88 Orlandi (op. cit.) acrescenta ainda que as condições de produção que constituem os discursos funcionam de acordo com alguns fatores. O primeiro destes é chamado de relação de sentido, para o qual todo discurso relaciona-se com outros que o sustentam, como também aponta para dizeres futuros. Seguindo esta linha de entendimento, em um discurso não há um começo, tampouco um final absoluto.

Outro fator relacionado com as condições de produção que constituem as estratégias discursivas é o mecanismo de antecipação. Através deste, o locutor poderá tentar colocar-se no local daquele que ouve as palavras. Com isso o sujeito poderá regular a argumentação de tal forma que optará pelo modo que produz ou pensa produzir o efeito desejado no interlocutor. Ou seja, o sujeito dirige o processo de argumentação de acordo com o efeito que deseja produzir no interlocutor (ORLANDI, 2006a).

O terceiro fator relacionado com as condições de produção que constituem os discursos é denominado relações de forças. Nesta noção, o lugar do qual o sujeito fala constitui o que ele diz. Reportando-se às relações de força que permeiam o contexto educacional, Orlandi (2002) assinala:

Assim, se o sujeito fala a partir do lugar de professor, suas palavras significam de modo diferente do que se falasse do lugar do aluno (p. 39).

Novamente, destacamos que o lugar ocupado pelo sujeito não é o lugar físico, mas o lugar imaginário advindo da estrutura social e representado pelo sujeito nos processos discursivos. Assim, não há um sujeito único, aquele que fala, mas uma diversidade de posições-sujeitos, diretamente relacionada com as formações discursivas e ideológicas ou formações imaginárias (Pêcheux, 1983).

Teorizações acerca da influência do lugar ocupado pelo sujeito em seu discurso foram amplamente debatidas por Foucault (2005) ao reportar-se à legitimação do discurso psiquiátrico, discurso este que, no Ocidente, é oriundo do ambiente hospitalar.

A relação de um discurso, e não outro, com a autoria também é defendida por Foucault (op. cit.)

22

Como cont exto amplo, consideramos as relações que os professores travam em salas de aula, com as coordenações e direções das escolas, as conseqüências da má remuneração, bem como a própria formação dos mesmos. Em relação aos livros didáticos, consideramos com contexto amplo, as mediações dos autores com os editores, as at enções as demandas dos mercados editoriais, et c.

89 Quem, no conjunto de todos os sujeitos falantes, tem boas razões para ter esta espécie de linguagem? Quem é seu titular? Quem recebe dela sua singularidade, seus encantos, e de quem, em troca, recebe, se não a garantia, pelo menos a presunção de que é verdadeira? Qual é o status dos indivíduos que têm – e apenas eles – o direito regulamentar ou tradicional, juridicamente definido ou espontaneamente aceito, de proferir semelhante discurso? (p. 56).