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2.5 M´ ethodes de segmentation

2.5.2 Approches r´ egions

A ilha de Parintins, localizada à margem direita do rio Amazonas, com cerca de 106 mil habitantes, de acordo com Souza, Andrade e Cordeiro (2012) é cenário de uma festa folclórica que ilustra um pouco de sua história.O nome Parintins se origina de uma tribo indígena que vivia naquela região há tempos atrás, a tribo que se caracterizava pela sua bravura em guerras, duelava sempre com a tribo Mundurucu, sua maior rival. Acredita-se que essa é a origem do festival, que sempre encena dois lados disputando a vitória.

O Festival Folclórico de Parintins acontece anualmente no último fim de semana de Junho, é reconhecidamente como uma festa popular que representa a criatividade do povo de

Parintins. Na apresentação concorrem apenas duas agremiações, chamadas agremiações folclóricas, são elas: Boi Caprichoso, de cores azul e branca e Boi Garantido, de cores x “ ” que nessa região há o maior rebanho bovino da Amazônia, esse animal é venerado pelos habitantes, surgindo assim a festa folclórica.

É ô “ ” visto que os parintinenses se entregam espiritualmente, de corpo e alma, a essa festa, fazendo com que ela ganhasse características próprias e peculiares, embutidas de nuanças que refletem a concepção do mundo e da vida do caboclo. Seu apego, “ ” o boi, para quem está de fora é de difícil compreensão, mas para o parintinense é natural e normal (PIMENTEL, 2002, p. 38).

A festa simboliza uma guerra entre as duas agremiações, com temas sempre ligados a afinidade do povo com o boi, as agremiações se apresentam muito coloridas, com predominância de sua cor características e ostentando plumas e grandes alegorias. O imaginário, a mitologia, natureza, musica e poesia são representados através do ritual do auto do boi.

Eventos turísticos como esse atraem turistas para a região, Parintins com localização próxima a Amazônia, se construiu de frente para o rio, aproveitando, assim de tudo de bom que ele tem a oferecer. Além de desfrutar das belas paisagens da ilha, o turista pode também acompanhar o festival característico da região, em nenhum outro lugar se vê um desfile como o do Festival Folclórico de Parintins. Assim o turismo representa um fator econômico com grande potencial de geração de lucro para a população, resta saber se esse fenômeno turístico irá trazer mudanças na essência do festival (SOUZA; ANDRADE, CORDEIRO, 2012).

A indústria do turismo talvez não atue diretamente sobre a festa e o que ela representa, até porque a grande maioria das pessoas que visitam a ilha durante o festival provavelmente não se interessam em entender o que está sendo mostrado, e isso é uma queixa dos parintinenses que dizem que, inclusive, os próprios jurados encarregados de avaliar o festival não o entendem e sempre há quem discorde do resultado (PIMENTEL, 2002, p. 40).

Pimentel (2002) salienta ainda que, para assistir o festival tem-se algumas opções: 1) Hospedar-se luxuosos iates aportados às margens do Amazonas; 2) Comprar ingressos de luxuosos camarotes, com serviços de bar e banheiro próprio; 3) enfrentar uma fila de aproximadamente 3 horas e se alojar no Bumbódromo gratuitamente. Segundo o autor é o público da opção 3 que dá identidade a festa, porém corre o risco de sumir, visto que construíram-se novos camarotes, reduzindo o espaço gratuito do Bumbódromo. Os Parintinenses se queixam da perda de espaço e, principalmente, da falta de conhecimento do público visitante da história e tradição do festival, o que acaba por descaracterizar o festival.

O turismo, obviamente, tem função de divulgar eventos como o Festival de Parintins, uma tradicional festa, como essa, tem muito a oferecer aos visitantes, mas não se pode deixar que o povo da ilha, que é quem realmente caracteriza a festa, perca espaço e deixe não só de frequentar o Bumbódromo, mas de participar da organização dos desfiles (SOUZA; ANDRADE; CORDEIRO, 2012).

A festa do boi, que aos poucos se transformou no desfile de Caprichoso contra Garantido, é a fala do povo de Parintins, é sua expressão social e cultural, é a forma encontrada de reviver a tradição de seus antepassados. Por isso, o fenômeno do turismo não pode ser considerado apenas em sua forma política e econômica, a sustentabilidade turística envolve também as faces sociais, culturais e ambientais. O turismo deve ser parceiro da população, conseguindo oferecer melhorias para os moradores da ilha ao mesmo tempo em que preserva sua identidade.

Deve-se pensar nos custos e benefícios que o turismo traz à população residente, ou seja, nos seus impactos econômicos, sociais, políticos e culturais. Destes quatro itens, a nosso ver, o econômico e o político estão sendo trabalhados, enquanto o social no sentido de atender também a população local, no que diz respeito ao impacto causado por aqueles que visitam a ilha durante o festival, impacto não muito explícito, pois não é manifestado abertamente. Quanto ao aspecto cultural, teríamos que verificar até que ponto há essa preocupação por parte dos turistas, tanto em relação ao festival como também à vida cotidiana da população local (PIMENTEL, 2002, p. 40).

A população residente citada por Pimentel (2002) é ligada ao que o boi representa para a comunidade, o boi transmite para o povo energia, virilidade, força, paz, tranquilidade, e segurança. Não se pode deixar que o turismo desenvolvido de forma distorcida afaste a população local de sua cultura e tradição.

3 MÉTODOS

O C “ trabalho de caráter empírico que investiga um dado fenômeno dentro de um contexto real contemporâneo por meio de análise aprofundada de um ou ( ) ” (MIGUEL, 2010, p. 129).

O caso estudado é o carnaval de São Luiz do Paraitinga, seus aspectos positivos e negativos, desde a perspectiva da sustentabilidade de eventos.

No estudo de caso, importa que se analise o objeto de estudo também desde uma perspectiva histórica. O estudo de caso traz como benefícios a possibilidade do desenvolvimento de novas teorias e o aumento do conhecimento sobre a realidade no qual está inserido.

Compondo o estudo, utilizou-se abordagem mista, envolvendo ferramentas quantitativas e qualitativas. A complexidade do carnaval de São Luiz do Paraitinga e a necessidade da compreensão correta de um número grande de as suas variáveis, justifica o uso da abordagem “ de usar todos os métodos e técnicas de coleta de dados disponíveis, em vez de ficar restrito aos de cada abordagem, pode prover evidências mais ” ( IGU L 2010 56).

A abordagem mista e o estudo de caso, utilizados nesse trabalho, implicaram na utilização de múltiplas ferramentas metodológicas para que o evento pudesse ser analisado em suas principais dimensões.

Há de se distinguir, primeiramente, o que pode ser considerado dados primários e dados secundários deste trabalho. A pesquisa bibliográfica é, por sua natureza, referente a fontes secundárias. As entrevistas e a vivência inerente à observação participante foram são exemplos de dados primários colhidos e ulteriormente tratados pela autora.

Quanto aos levantamentos de perfil e de opiniões, há de se fazer uma rápida reflexão. Eles são, de um lado, dados secundários, já que tais pesquisas foram realizadas para outros fins que não a confecção desta dissertação. Eles existiam antes desta dissertação e apesar dela. No entanto, esses levantamentos fazem parte da experiência do grupo da UNESP em relação ao carnaval de São Luiz do Paraitinga, a qual é um dos objetivos registrar de forma sistematizada. Em outras palavras: as surveys realizadas poderiam ser consideradas simplesmente conjuntos de dados disponíveis, mas fazem parte do esforço de entendimento e

de elaboração de propostas para melhorar a gestão do carnaval que se quer registrar e sistematizar. A solução encontrada foi considerar tais levantamentos como fontes secundária, mas incluindo-se o detalhamento das etapas, dos procedimentos e das ferramentas de tratamento utilizadas.

Outra classificação importante para o relato dos métodos é quanto à fase e ao propósito em que foram utilizados: ou na coleta ou no tratamento dos dados.

Quadro 4 – Classificação dos instrumentos metodológicos

Quanto a Fase Quanto ao cesso de dados Quanto a abordagem Instrumento Metodológico Coleta Tratamento Fontes

Primárias Fontes Secundárias Qualitativa Quantitativa Pesquisa bibliográfica e documental X X X

Entrevistas gravadas com stakeholders

X X X

Observação participante X X X

Entrevistas com visitantes X X X

Tratamento e análise das entrevistas com visitantes

X X X

Entrevistas com população luizense

X X X

Tratamento e análise das entrevistas com população luizense

X X X

Matriz Swot X X X

Mapeamento de atores X X X

A seguir, cada tipo de instrumento metodológico é descrito. Eles foram agrupados segundo a primeira classificação do quadro 4, ou seja: em instrumento de coleta ou de tratamento dos dados.

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