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APPROCHE PSYCHOPATHOLOGIQUE

Mortalité suicidaire

LANGAGE ET INCONSCIENT

VII. APPROCHE PSYCHOPATHOLOGIQUE

Primeiramente, é oportuno relembrar que trabalho na EEFM Almir Pinto desde o ano de 2004, quando assumi o cargo de professor através do Concurso para servidor efetivo da Rede Estadual de Ensino. Dessa forma, eu já mantinha uma relação amistosa com os sujeitos, embora não conhecesse nenhum dos quatro profundamente. Nossas relações aconteciam basicamente no âmbito profissional.

Embora, fazendo parte do corpo docente da escola, o afastamento para o mestrado oportunizou o distanciamento necessário para que retornasse àquele espaço não na condição de professor ou de membro daquela casa, mas como pesquisador. Restabeleci o contato com os colegas de trabalho, agora denominados de sujeitos desta pesquisa.

Conversei com cada um dos professores que hoje compõem o corpus das narrativas e

previamente agendamos o momento das entrevistas. Para não atrapalhar muito a rotina de cada um, busquei marcar as entrevistas nos espaços que eles tinham entre as aulas, as

chamadas “janelas”. Nem sempre a entrevista aconteceu quando planejado, devido a reuniões

da escola ou compromissos pessoais dos docentes.

No primeiro momento da entrevista, com cada um dos professores, falei de minha pesquisa e dos meus objetivos e deixei claro o queria com aquela entrevista narrativa. Expliquei que não faria um jogo de perguntas e respostas com eles, e pedi que narrassem a sua trajetória de vida a partir de suas experiências com a leitura na família, na escola, na formação acadêmica (inicial e continuada) e na prática docente.

Com isso, dei quatro eixos temáticos para que eles norteassem a sua narração e me pus a ouvi-los. Posso afirmar que os momentos narrativos transcorreram de maneira bastante produtiva. Houve poucas interrupções, às vezes, algumas confirmações através de gestos ou de frases curtas de estímulo à continuidade da narrativa.

Assim, os sujeitos foram convidados a partilhar sobre os aspectos formativos com relação à leitura e

sua história familiar, sua trajetória escolar e acadêmica, sua convivência com o ambiente de trabalho, sua inserção cultural no tempo e no espaço. Provocar que ele organize narrativas destas referências é fazê-lo viver um processo profundamente pedagógico, onde sua condição existencial é o ponto de partida para a construção de seu desempenho na vida e na profissão. Através da narrativa ele vai descobrindo os significados que tem atribuído aos fatos que viveu e, assim, vai reconstruindo a compreensão que tem de si mesmo (CUNHA, 1997, p. 3).

As narrativas autobiográficas revelam as inúmeras influências que o professor sofre na constituição de seu ser e a atividade de narrar sua história de vida faz com que ele reconstitua sua própria trajetória, perceba o seu desempenho pessoal e profissional e, quiçá, favoreça uma avaliação de seu fazer pedagógico.

Antes do momento de gravação das entrevistas narrativas houve uma interação com os sujeitos a fim de facilitar a condução do processo da investigação. Durante a realização das entrevistas narrativas, percebi diferenças tanto no meu comportamento como no dos sujeitos. Nesse sentido, farei aqui breves observações que serão aprofundadas nas análises das narrativas.

Vale ressaltar que não houve a necessidade de manter o anonimato dos professores visto que todos optaram por manter seus próprios nomes. Tal escolha favoreceu o tratamento dos dados, pois não houve uma preocupação em tentar substituir ou ocultar nomes.

O primeiro sujeito entrevistado foi a professora Tatiane Cruz. Sua entrevista foi agendada para o turno da noite e a realizamos na sala do núcleo gestor da EEFM Almir Pinto. A entrevista aconteceu num clima descontraído e iniciei dizendo que a professora ficasse bem à vontade e discorresse sobre suas experiências formativas com a leitura. Fiz poucas interrupções, mas necessárias no sentido de elucidar algo que não ficara claro ou completar alguma palavra em que a entrevistada teve dificuldade em pronunciar e/ou relembrar. Percebi também que houve algumas dificuldades da entrevistada em relembrar o nome de algumas obras.

A segunda entrevistada foi a professora Meiry Oliveira. Sua entrevista foi agendada para o turno da manhã e a realizamos na sala dos professores. Expliquei o objetivo da entrevista e motivei a professora para que narrasse suas trajetórias de formação e experiências com a leitura. Esta iniciou dizendo que estava muito feliz em participar daquele momento. Quase não houve interrupções durante a entrevista e, da minha parte, só houve pequenas complementações. Como a entrevista foi realizada na sala dos professores, algumas vezes estes chegavam e começavam a conversar conosco, mas quando percebiam que estava sendo gravado, pediam desculpas e/ou sorriam e o relato continuava. A professora falava muito rápido, o que me deu bastante trabalho no momento de transcrição.

A terceira entrevistada foi a professora Nice. Sua entrevista foi agendada para o turno da manhã e a realizamos na sala dos professores. Acredito que eu já estava com maior experiência no exercício do ouvir e, praticamente, não fiz nenhuma interrupção ao longo da narrativa. A professora falou muito compassadamente e a entrevista transcorreu de maneira produtiva. Foi a entrevista mais longa de todas.

A última entrevista foi realizada com o professor Agapito, no período da tarde, na sala dos professores. O professor teve muita dificuldade em começar a narrar a sua história e eu tive que fazer várias intervenções para motivar a sua fala. O professor fez várias pausas em seu discurso e ficou um pouco preso ao roteiro apresentado. Ele também salientou que tivera um problema de saúde e tem dificuldades de relembrar alguns fatos. Com isso, por várias vezes houve pausas. Das quatro entrevistas narrativas, essa foi a que teve a menor duração.

De um modo geral, todos os sujeitos afirmaram ter apreciado a experiência de narrar suas trajetórias e sentiram-se felizes em poder contribuir com o desenvolvimento de minha pesquisa.