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III 4. Processus de traitement de l‟information spatiale

IV. APPROCHE EXPERIMENTALE

Os debates em torno dos meios de comunicação de massa10 foram fecundos e polêmicos desde os primórdios da pesquisa envolvendo as mídias. Eles tiveram início com a expansão de mídias como o cinema, o rádio e a publicidade, por volta dos anos 20 e 30, na Europa e Estados Unidos. Esse período compreendido entre as duas grandes guerras, é marcado por um novo tipo de comportamento possível às classes populares: o acesso aos bens culturais, como os filmes e os programas de rádio. Música e imagens em movimento passaram a compor o cotidiano, principalmente de europeus e norte- americanos e, em menor escala, de latino-americanos e de outros povos.

Na Europa, o fenômeno foi visto com reservas. Estavam em voga conceitos como os de sociedade de massa, tendo como expoentes Ortega y Gasset e Wright Mills, que acreditavam que, devido à urbanização crescente, à divisão do trabalho bem como “O fim dos laços familiares e comunitários”, estava se formando uma horda de pessoas sem capacidade crítica, capaz de aceitar qualquer informação. Segundo as palavras de Mills, “O público é apenas a coletividade de pessoas passivamente exposta aos meios de

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Segundo Anselmo, os meios de comunicação de massa: “Envolvem máquinas na mediação da

comunicação, que permitem, no caso dos meios de impressos, a multiplicação das mensagens em milhões de cópias e, no caso do rádio e da televisão, a produção, transmissão e recepção de mensagens de modo a atingir milhões de receptores”. (1975: 23). A autora (1975: 23) também chama a atenção para o fato que os MCM (forma abreviada para designar as mídias) possibilitam atingir uma vasta audiência,

simultaneamente, e que as mensagens transmitidas se originam, habitualmente, de uma organização ampla, complexa, com grande número de profissionais e divisão de trabalho especializada.

comunicação em massa e indefesamente sujeitas às sugestões e fluxo desses meios”. (1980: 312).

Somavam-se aos conceitos de sociedade de massa o de behaviorismo, advindo da psicologia, cujo expoente, Skinner, segundo avaliação de Fadiman e Frager (1979: 196), acreditava que a liberdade é uma utopia e que o ser humano é fruto de condicionamentos, sendo-lhe negadas as capacidades de discernimento e liberdade de escolha. Concomitantemente, o cinema, o rádio e a publicidade eram utilizados por ditadores como Mussolini e Hitler como meios de divulgação de ideais totalitários, que pregavam a intolerância e uma ideologia belicista.

A adesão das populações italianas e alemãs aos discursos totalitários, (aparentemente influenciadas por filmes e propagandas), levaria os analistas a tecer comentários extremamente desfavoráveis aos meios de comunicação de massa. Essa primeira leva de estudiosos é caracterizada por Mauro Wolf, autor da obra Teorias da Comunicação, como integrantes da “teoria hipodérmica”. De acordo com o autor: “Os principais elementos que caracterizam o contexto da teoria hipodérmica são, por um lado, a novidade do próprio fenômeno das comunicações de massa e, por outro, a ligação desse fenômeno às trágicas experiências totalitárias daquele período histórico.” (1999: 23).

A visão pessimista acerca dos meios de comunicação de massa retornaria em vários outros períodos. Quando os integrantes da chamada Escola de Frankfurt, Theodor Adorno e Max Horkheimer, debruçaram-se, em meados dos anos 40, sobre a análise dos produtos comunicacionais, suas considerações foram alarmistas. Cunharam o conceito de indústria cultural, o qual designa, em linhas gerais, a transformação da arte em mercadoria.

Na avaliação dos dois frankfurtianos, os produtos midiáticos são feitos em série, de forma burocratizada e visam somente o lucro. Segundo suas próprias palavras,

“Filme e rádio se autodefinem como indústria, e as cifras publicadas dos rendimentos de seus diretores-gerais tiram qualquer dúvida sobre a necessidade social de seus produtos (...) a participação de milhões em tal indústria imporia métodos de reprodução que, por seu turno, fazem com que inevitavelmente, em numerosos locais, necessidades iguais sejam satisfeitas com produtos estandardizados”. (Adorno e Horkheimer, 2000: 170).

Se por um lado, os meios de comunicação são vistos como fontes de alienação11, por outro, uma corrente se opõe àquela visão e prega as virtudes que lhes seriam inerentes: possibilidade de integração das populações, democracia do acesso às informações, fontes confiáveis de notícias, entre outras vantagens.

Os MCM seriam um dos subsistemas a integrar o sistema social, e não uma entidade pairando sobre a sociedade (indefesa e frágil, segundo a avaliação dos analistas hipodérmicos ou frankfurtianos). Eles teriam funções específicas e limitadas. A crítica aos meios de comunicação de massa cede lugar ao otimismo e ao desejo de atingir o público eficazmente, sem que, entretanto, a qualidade do produto ou sua interferência na organização cultural das sociedades fosse prioritária.

Analisando as duas proposições, a integradora e a apocalíptica, como as denominam Umberto Eco, na obra Apocalípticos e Integrados, podemos observar que houve, durante muitas décadas, uma ânsia por parte dos pesquisadores em generalizar as características das produções midiáticas. Ao avaliar a situação, Eco propõe-nos: “É preciso observar que a cultura de massa não é a produção para as massas (categoria de subcidadãos) realizada por uma elite de produtores. Pode-se repropor que o tema da cultura de massa é uma cultura exercida ao nível de todos os cidadãos”. (2004: 54).

Na avaliação do pensador italiano, precisamos ter claro que somos todos consumidores de bens culturais midiáticos. Além disso:

“O universo das comunicações de massa é – reconheçamo-lo ou não – o nosso universo; e, se quisermos falar de valores, as condições objetivas das comunicações são aquelas fornecidas pela existência dos jornais, do rádio, da televisão, da música reproduzida e reproduzível, das novas formas de comunicação visual e auditiva”. (Eco, 2004: 11). Estamos, portanto, inseridos numa cultura que não nos permite simplesmente aceitar ou negar as mídias, afinal, elas perpassam a existência dos seres humanos contemporâneos desde sua mais tenra idade até a velhice. Para estudar as mídias exige- se que tentemos compreender o que fazemos com elas e o que elas fazem conosco. Tomá-la generalizadamente é tarefa hercúlea e infrutífera.

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Horton discute a noção de alienação no artigo “Anomia e Alienação: Um problema na ideologia da sociologia” afirmando que ela advém de estudos formulados por Marx, os quais tentam mostrar “como o interesse individual se manifesta como a força motivadora da sociedade, desde que os homens foram alienados de sua atividade social e humana, o trabalho. A doutrina do intereresse individual é um exemplo do pensamento alienado”. (HORTON, John. “Anomia e Alienação: Um problema na ideologia da

sociologia” in Sociologia e Soceidade. Org.: FORACCHI, Marialice Mencarini e MARTINS, José de Souza.RJ/SP, Livros Técnicos e Científicos Editora S.A, 1980, P. 94). Heller, por sua vez, aborda a alienação como sendo a separação entre o ser e a essência. (HELLER, Agnes. O Cotidiano e A História. RJ, Paz e Terra, 1985, p.37).

A partir dos anos 80 do século passado houve uma revisão dos caminhos adotados até então na pesquisa em comunicação. Mauro Wilton de Sousa, no artigo “Recepção e Comunicação: a busca do sujeito”, ao analisar os estudos comunicacionais desenvolvidos no Brasil, entre os anos 50 e 80, acredita (1995:16) que a postura dos pesquisadores locais não foi muito diferente daquela adotada por europeus e norte- americanos, até mesmo porque os modelos utilizados, em sua maioria, eram importados e seguiam a mesma tendência generalizadora de que já falamos.

Na avaliação de Sousa: “As ciências sociais, em especial a sociologia, orientaram as diferentes atualizações teóricas que foram feitas no período em torno dos dois paradigmas sociais básicos, o positivista e o marxista, nas relações com a comunicação”. (1995: 17). O que o autor chama de positivista é o que Eco identificou como os integrados, enquanto que os marxistas podem ser percebidos como os apocalípticos.

Segundo o retrospecto empreendido por Sousa, foi a partir dos anos 80 que os pesquisadores nacionais começaram a rever conceitos e a tentar ultrapassar as antigas dicotomias. Segundo ele, “Havia um movimento pendular entre o individual e o social nessas posturas e práticas; se não cabia abdicar do social nem resgatar o receptor apenas como indivíduo, havia dificuldades para identificar seu lugar nesse mesmo processo”. (Sousa, 1995: 22).

Novas abordagens aos meios de comunicação de massa foram sendo formuladas. Os horizontes se alargaram e, cada vez mais, ficou patente que cabe ao pesquisador escolher os modelos que melhor se adeqüam a seus objetivos e necessidades, evitando assim as generalizações e os conceitos fetiche, termo que Umberto Eco utiliza para designar aquelas noções que “têm a particularidade de bloquear o discurso, enrijecendo o colóquio num ato de reação emotiva”. (2004: 11/12). No Brasil, destaco o emprego de dois modelos, os estudos culturais e os estudos de recepção.

Nos estudos de recepção, é notória uma concepção menos rígida no que tange à abordagem da relação entre emissor e receptor. De acordo com Sousa, “chama a atenção a busca dos condicionamentos do sujeito, das mediações que ultrapassam a noção de um determinismo entre emissor e receptor, ou sujeito e objeto”. (1995: 26). Tal procedimento de análise valeu-se das pesquisas empreendidas por profissionais ligados diretamente ao segmento da comunicação, tais como Martín-Barbero e Umberto Eco, mas, também dos estudos de pesquisadores de outras áreas, tais como a história, área em

que destaco Roger Chartier e a literatura, a exemplo de Regina Zilberman e João Alexandre Barbosa.

Zilberman, na obra Estética da Recepção e História da Literatura, parte dos estudos de Hans Robert Jauss para afirmar que não é possível compreender a vida histórica da obra literária sem que se observe a participação ativa de seu destinatário. Para a autora, isto “recupera a historicidade da literatura, nascida de seus intercâmbios com o público; e chega a esse resultado por restabelecer a relação, rompida pelo historicismo, entre o passado e o presente, condição imprescindível para a reconciliação entre os aspectos estético e histórico de um texto”. (Zilberman, 1989: 33). Com isso, a autora demonstra que uma obra literária não é um monumento que independe das transformações sociais, políticas e culturais que ocorrem no mundo.

Barbosa, por sua vez, afirma que

“Na obra que o leitor sente como realizada, a distância entre o mais e o menos é preenchida pela tensão que se instaura entre o que diz a obra e o que o leitor é capaz de dizer após a leitura. É precisamente esta tensão entre a obra e o leitor (o que impõe tanto o desejo da leitura quanto a atenção exigida para a satisfação dele) que cria os múltiplos significados que levam a ler na literatura mais do que apenas literatura”. (1990: 15).

O autor indica que os significados não são estáticos, ao contrário, eles modificam-se de acordo com as possibilidades dos receptores, as quais estão articuladas às transformações/rupturas que ocorrem nos imaginários sociais.

Chartier, por sua vez, na obra A Ordem dos Livros: Leitores, autores e bibliotecas na Europa entre os séculos XIV e XVIII, - estudo acerca do ordenamento do mundo do escrito entre o fim da Idade Média e o século XVIII – também insiste sobre o fato de que os sentidos das obras são móveis:

“As obras – mesmo as maiores, ou, sobretudo as maiores – não têm sentido estático, universal, fixo. Elas estão investidas de significações plurais e móveis que se constroem no encontro de uma proposição com uma recepção. Os sentidos atribuídos às suas formas e aos seus motivos dependem das competências ou das expectativas dos diferentes públicos que delas se apropriam”. (1999: 09).

Tais proposições rompem com a concepção da obra fechada, imune às transformações culturais e, por outro lado, chama-nos a atenção para a importância de se observar questões relativas às competências e sentidos. Umberto Eco ajuda-nos a compreender isto melhor. Em A Obra Aberta o autor já se perguntava como “uma obra de arte, forma acabada e fechada em sua perfeição de organismo perfeitamente

calibrado, é também aberta, isto é passível de mil interpretações diferentes, sem que isso redunde em alteração de sua irreproduzível singularidade”. (1997: 40). A resposta será, de fato, ou melhor respondida, em uma obra posterior Lector in Fabula, na qual o autor detém-se longamente sobre a questão relativa à estratégia textual.

Para Eco, “Se (...) o texto é uma máquina preguiçosa, que exige do leitor um reinhido trabalho cooperativo para preencher espaços de não-dito ou de já-dito que ficaram, por assim dizer, em branco, então o texto simplesmente não passa de uma máquina pressuposicional”. (2002: 11). A valorização da instância da recepção pode ser melhor compreendidada quando o autor observa que: “Gerar um texto significa executar uma estratégia de que fazem parte as previsões dos movimentos de outros – como aliás em qualquer estratégia”. (Eco, 2002: 39).

A estratégia textual envolve, portanto, segundo Eco (2002: 40), a instituição de um leitor-modelo, noção esta que constitui “um conjunto de condições de êxito, textualmente estabelecidas, que devem ser satisfeitas para que um texto seja plenamente atualizado no seu conteúdo potencial”. (Eco, 2002: 45). Dessa forma, Eco (2002: 46). acredita que a cooperação textual – a possibilidade de interpretação – envolve duas estratégias discursivas e não dois sujeitos individuais.

Observa-se que a maioria dos autores acima citados estão interessados em compreender a complexidade que envolve a recepção principalmente no âmbito da obra literária, entretanto é preciso observar que isto não exclui a possibilidade de se trabalhar com os produtos comunicacionais midiáticos, os quais incluem além de best-sellers, filmes, desenhos, quadrinhos, etc. Os estudos de recepção, segundo Jésus Martín- Barbero no artigo intitulado “América Latina e os Anos Recentes: o estudo da recepção em comunicação social”, propiciaram:

“resgatar a vida, a iniciativa, a criatividade dos sujeitos: quer resgatar a complexidade da vida cotidiana, como espaço de produção de sentido; quer resgatar o caráter lúdico da relação com os meios; quer romper com aquele racionalismo que pensa a relação com os meios somente em termos de conhecimento ou de desconhecimento, em termos ideológicos; quer resgatar, além do caráter lúdico, o caráter libidinal, desejoso, da relação com os meios”. (1995: 54).

Dessa forma, o modelo tem sido utilizado, principalmente, por aqueles que desejam entender quais são as principais variáveis que regem a recepção. Há muito foi descartada a noção simplista de que todas as mensagens são assimiladas indiscriminadamente; tentam-se encontrar as mediações que movem os grupos de receptores, geralmente pensados e divididos por raças, etnias, gêneros, grau de

instrução, dentre outras variantes. Ainda que não vá deter-me especificamente sobre a recepção, é preciso ter claro que as tecnologias de gênero atuam sobre todas as crianças, mas são recebidas em formas e assujeitamentos diversos, abrindo espaços às transformações.

Já a linha de pesquisa denominada estudos culturais, originou-se nos anos 60, no Reino Unido, com o propósito de valorizar as perspectivas culturais e sócio-históricas no âmbito da pesquisa em comunicação. Um grande expoente desta linha, atualmente, é Douglas Kellner que, na obra A Cultura da Mídia redimensiona o paradigma dando origem ao conceito de cultura da mídia, o qual, afirma Kellner “tem a vantagem de designar tanto a natureza quanto a forma das produções da indústria cultural (ou seja, a cultura) e seu modo de produção e distribuição (ou seja, tecnologias e indústrias da mídia)”. (2001: 52).

O autor acredita que

“A cultura contemporânea da mídia cria formas de dominação ideológica que ajudam a reiterar as relações vigentes de poder, ao mesmo tempo que fornece instrumental para a construção de identidades e fortalecimento, resistência e luta. Afirmamos que a cultura da mídia é um terreno de disputa no qual grupos sociais importantes e ideologias políticas rivais lutam pelo domínio, e que os indivíduos vivenciam essas lutas por meio de imagens, discursos, mitos e espetáculos veiculados pela mídia”. (1995: 10/11).

Observo que algumas das preocupações do autor são as mesmas que norteiam minha pesquisa, tais como a referente à necessidade de se perceber que as mídias são um lócus privilegiado de disputa de poderes bem como a sua relevância no processo de subjetivação do ser humano contemporâneo.

Kellner afirma que a cultura da mídia é a cultura principal, hoje em dia, tendo transformado-se “numa força dominante de socialização: suas imagens e celebridades substituem a família, a escola e a igreja como árbitros de gosto, valor e pensamento, produzindo novos modelos de identificação e imagens vibrantes de estilo, moda e comportamento”. (Kellner, 1995: 27). Ainda que não se refira diretamente à questão do imaginário pode-se perceber que o autor dá relevo ao fato de que a socialização promovida pela mídia é ainda mais relevante dado o fato de que ela não age por meio de um discurso monocórdico ou desagradável. Segundo avalia Kellner:

“Em geral, não é um sistema de doutrinação ideológica rígida que induz à concordância com as sociedades capitalistas existentes, mas sim os prazeres propiciados pela mídia e pelo consumo. O entretenimento oferecido por esses meios frequentemente é agradabilíssimo e utiliza instrumentos visuais e auditivos, usando o

espetáculo para seduzir o público e levá-lo a identificar-se com certas opiniões, atitudes, sentimentos e disposições”. (1995: 11).

Ainda que não vá seguir fielmente os modelos dos Estudos Culturais e dos Estudos de Recepção, saliento que várias das questões colocadas pelos autores serão consideradas em minha análise, principalmente as relativas à relevância da mídia nos processos de subjetivação dos indivíduos assim como as questões relativas ao processo de construção social dos textos que vão pontuar a análise dos objetos, quando me referirei diretamente a algumas das colocações de Eco acerca da construção textual, relacionando-o a Dominique Maingueneau.

Ao longo deste capítulo relacionei os meus propósitos para com a pesquisa deixando claro que se trata de uma história marcada pela postura político ideológica feminista, na medida em que pretendo participar dos debates contemporâneos que envolvem pesquisadoras interessadas em compreender como as mídias participam da construção dos gêneros. O princípio norteador da pesquisa é que os gêneros são construídos e estudar as noções de imaginários e representações sociais é um caminho que possibilita o acesso às representações correntes e que integram os desenhos animados e os filmes de animação.

PRIMEIRA PARTE

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