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APPENDIX B for learning courteous non-verbal concomitants such as facial

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Voy a estudiar con unos hermanos

Lesson 1 APPENDIX B for learning courteous non-verbal concomitants such as facial

Vitor Hugo Hollas1

1. Introdução

Desde a sua criação, em 1978, o Centro de Apoio ao Pequeno Agricul- tor (Capa) trabalha com metodologias participativas, que possibilitam aos agricultores serem protagonistas dos processos coletivos de construção de propostas, mesmo estando sujeitos a erros e acertos. O Capa aposta na construção conjunta de saberes, tendo como fontes de inspiração o conhe- cimento dos agricultores e as informações geradas pela pesquisa acadêmi- ca. Atualmente, o centro conta com cinco núcleos de atuação, localizados em diferentes regiões de três estados brasileiros: Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. Em meados dos anos 1990, o Núcleo Erexim iniciou um trabalho mais intenso com a cultura da cana-de-açúcar.

A partir da realidade dos agricultores familiares da região do alto Uru- guai gaúcho e catarinense, onde houve uma forte descapitalização e degra- dação do meio ambiente em conseqüência da adoção da Revolução Verde, iniciou-se um processo de transição agroecológica. Eles foram estimulados não só a refletir sobre a forma como produziam e agiam, mas também so- bre a forma como pensa-

vam, buscando a mudan- ça de paradigmas ao enfocar aspectos amplos e não apenas tecnologias limpas.

Além de repensar a matriz produtiva, verifica- mos que também era ne- cessário ver as poten- cialidades locais, conside- rando a aptidão do solo, o clima e também o do- mínio das famílias sobre novas culturas. Era preci-

Avaliação de cultivares de cana-de-açúcar consorciadas com feijão de porco em Alto Bela Vista (SC)

so mudar! Produzir grãos como matéria-prima e/ou convertê-los em prote- ína animal para aquelas famílias não era mais viável econômica, ambiental ou socialmente. A opção construída coletivamente foi partir para a explora- ção e domínio da cadeia produtiva da cana-de-açúcar.

Com o trabalho de assessoria utilizando a metodologia de planeja- mento estratégico participativo (PEP), cada grupo foi identificando seu próprio potencial. A aptidão pela cultura da cana-de-açúcar, o clima favo- rável ao seu desenvolvimento pela localização às margens do rio Uruguai – estando assim protegida do frio intenso –, aliada à prática comum nas famílias de imigrantes em cultivar a cana e dela retirar boa parte de seu sustento, fizeram com que alguns grupos decidissem pelo investimento nessa atividade como principal fonte de renda.

Em praticamente todas as propriedades da região, há o hábito de pro- duzir e utilizar artesanalmente a cana-de-açúcar para alimentação humana e dos animais. Essa é, sem dúvida, uma alternativa viável em termos cultu- rais, econômicos e na contribuição para o aumento e preservação da biodiversidade, uma vez que o manejo é ecológico e encontra microclima propício.

A partir da proposta de que as famílias de agricultores deveriam ter o domínio de toda a cadeia produtiva, que envolve a definição das formas de produção, pesquisa, agregação de valor e o acesso ao mercado, iniciou-se o aprofundamento dessas questões e a implantação das primeiras experi- ências nas unidades produtivas.

Este artigo é uma tentativa de explicitar a trajetória de algumas famí- lias de agricultores que passaram de meros executores de práticas agrícolas convencionais, que lhes tiraram o direito de praticar a agricultura tradicio- nal, para uma nova concepção, onde a sustentabilidade passou a ser o principal objetivo. A partir daí, ações foram implementadas, como a cons- trução coletiva do conhecimento a partir de espaços de formação e da pes- quisa participativa, conforme aqui relatado.

2. O contexto da experiência

A região do alto Uruguai caracteriza-se por uma concentração muito grande de agricultores familiares dividindo espaços com a agricultura pa- tronal que, via de regra, ocupa as melhores áreas do ponto de vista do relevo. Com isso, criou-se uma diferenciação clara entre pelo menos dois agroecossistemas: áreas de monocultivos de grãos produzidos de forma

mecanizada e terrenos de relevos acidentados, na encosta do rio Uruguai, que apresentam uma biodiversidade um pouco mais preservada, voltada para a produção de alimentos e a criação animal, garantindo assim uma maior preservação dos mananciais de água. Esses espaços sofrem uma pres- são maior da agroindústria em função da integração dos sistemas de cria- ção animal (frango, suíno e leite) com o fumo, cujo cultivo tem crescido de forma marcante. Basicamente, são agroecossistemas que vêm sendo mane- jados há pelo menos 100 anos, quando teve início a colonização com imi- grantes europeus, e que desde então vêm sofrendo os reflexos desse ma- nejo inadequado.

O avanço da monocultura se tornou evidente e provocou o desgaste dos solos, a escassez de água, desmatamento, entre outros. Os sistemas produtivos, portanto, estão debilitados e altamente dependentes de insumos externos. Esses modelos foram implantados e executados basicamente por grandes cooperativas, que hoje se encontram falidas, deixando os agricul- tores em situação preocupante, necessitando de alternativas com relação à industrialização e ao mercado.

Para contornar os problemas estruturais, como a desagregação comu- nitária, a degradação ambiental, o avanço de monocultivos, a diminuição

da biodiversidade, entre outros, os agricultores familiares se mostram mui- to dispostos a implementar o processo de conversão, disponibilizando a mão-de-obra necessária.

No entanto, um dos entraves tem sido a escassez de recursos financei- ros. Os agricultores encontram-se descapitalizados, sem capital de giro e sem capacidade de investimento, muito em função do envolvimento ante- rior com as práticas da agricultura industrial. Outros obstáculos têm sido a falta de pesquisa e de assistência técnica e extensão rural, que deveriam ser supridas pelo poder público e voltadas para atender a realidade e as de- mandas da agricultura familiar, além da falta de organização e de apoio aos agricultores para construir coletivamente uma proposta viável.

Considerando essa realidade, o Capa passou a desenvolver ações utili- zando sua estratégia de intervenção e tendo como elementos centrais:

• buscar a autonomia dos agricultores familiares; • fortalecer a organização dos agricultores;

• trabalhar com grupos organizados para irradiar as ações; • construir alianças e parcerias para potencializar as ações; • considerar as diferentes perspectivas de gênero e de geração;

• influenciar as políticas públicas rumo à agricultura sustentável, como componente do desenvolvimento sustentável;

• proporcionar espaços de formação e buscar elevar o nível educacional; e • promover o protagonismo dos agricultores familiares.

Hoje, as organizações dos agricultores, com base no controle social e na autogestão, estão se voltando para a proposta de conversão agroecológica. Com isso, essas organizações - que podem ser associações e grupos comunitários informais ligados aos movimentos sociais e a organi- zações sindicais, ou cooperativas locais e/ou regionais - , têm conseguido se fortalecer, criando novas estratégias de intervenção para o domínio com- pleto das cadeias produtivas, como é o caso da cana-de-açúcar, e estabele- cendo canais próprios e diversos de acesso ao mercado. Com a realização do planejamento estratégico participativo (PEP) nessas organizações, foi possível envolver toda a família, garantir o debate e a prática sobre ques- tões de gênero e geração, e estabelecer missão, princípios e objetivos. Em seguida, foram definidas as prioridades e ações, assim como as responsa- bilidades dos sujeitos individuais sobre a execução do plano e sua monitoria. Além disso, registramos positivamente a presença de mulheres nas dire-

ções das organizações dos agricultores agroecológicos, resultado do tra- balho realizado com as famílias.

Vale ainda destacar que a busca pela construção e aprofundamento do conhecimento acumulado, na região ou fora dela, foi garantida por meio da promoção de intercâmbios, assessorias sistemáticas e cursos de aprofundamento, voltados para os sistemas produtivos nas unidades de produção como um todo.

3. A experiência: discussão e análise

Partindo da lógica de que o desenvolvimento sustentável é participativo, ou seja, que não pode nem deve ser imposto de cima para baixo, as pessoas e comuni- dades envolvidas são capacitadas para assumir a responsabilidade pelo seu presente e futuro, ao iden- tificar suas necessidades, planejar, implementar, monitorar e avaliar todo o processo.

Nessa experiência, portanto, optou-se pela pesquisa conduzida de forma participativa, desde a de- manda por assistência técnica e ex- tensão rural, até a definição de seus parâmetros, sua execução e avaliação, visando à construção coletiva dos saberes e levando em consideração a realidade dos agri- cultores familiares.

A pesquisa foi feita a partir de materiais existentes entre os agriculto- res, definindo as características desejáveis, bem como as áreas próprias para a implantação e o acompanhamento das avaliações. Hoje as famílias conseguem, a partir do conhecimento acumulado e da forma de gestão implantada, planejar e organizar todo o processo produtivo, tendo à dis- posição índices técnicos e econômicos e podendo avaliar a capacidade de produção, industrialização e preço, além de estabelecer metas e possibili- dade de investimento.

Foto: Paulino Menezes

Pesquisa participativa desenvolvida junto aos agricul- tores familiares em Barra do Rio Azul (RS)

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