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10 Appendice : Description topologique de

O conceito de sustentabilidade integra três pilares fundamentais: a sustentabilidade económica, a sustentabilidade ambiental e a sustentabilidade sociocultural (OMT, 1998a). Pode-se afirmar que já são evidentes os progressos alcançados em termos da componente económica da sustentabilidade – ainda que muitas vezes as medidas tomadas sejam de curto prazo e beneficiem apenas um dos actores implicados –, pois o turismo é, sem dúvida, um dos principais motores da economia mundial (Fullana e Ayuso, 2002).

Na realidade, a sociedade do séc. XXI está a mudar a um ritmo veloz, vivendo-se tem- pos de grande incerteza, sendo o turismo apontado como um dos factores responsáveis pelas transformações que ocorrem à escala global: a globalização da economia turística, o encurtamento das distâncias, as novas formas de transmitir e gerir a informação e a promoção turística, os novos determinantes da competitividade dos destinos, a sustenta- bilidade ambiental e autenticidade cultural. Estes são os novos factores-chave da agenda turística no início do terceiro milénio (OMT, 1998a).

No entanto, no que respeita à dimensão ambiental, verifica-se que só recentemente é que esta começou a ser introduzida nos sistemas de planeamento e de gestão do turismo (Fullana e Ayuso, 2002). Por sua vez, os valores sociais e culturais são os que têm recebido menor atenção em todo este processo: para além de não existirem muitas iniciativas que incluam aspectos sociais, as poucas que existem não podem competir com as levadas a cabo no campo ambiental (Fullana e Ayuso, 2002).

Ora, este panorama oferece-nos uma sustentabilidade muito descompensada e dá-nos poucas esperanças de encontrar experiências rigorosas, que integrem de maneira harmónica as três dimensões da sustentabilidade. Deste modo, o desafio mais impor-

das três dimensões da sustentabilidade: a eficácia económica, a equidade social e a sus- tentabilidade ambiental (Fullana e Ayuso, 2002). Para tal, é preciso encontrar mecanis- mos apropriados para integrar as considerações económicas e sociais no desenvolvi- mento turístico. Isto é especialmente complexo no âmbito empresarial, embora já exis- tam iniciativas que têm em conta a responsabilidade das empresas no contexto socio- económico. A título de exemplo, podem citar-se algumas iniciativas recentes: a Certifi- cação para a Sustentabilidade Turística, desenvolvida pelo Instituto de Turismo da Costa Rica (Certificación para la Sostenibilidad Turística, 2001, citada por Fullana e Ayuso, 2002), que integra critérios socioeconómicos; a norma de Responsabilidade Social SA 8000 (Social Accountability International, 1997, citada por Fullana e Ayuso, 2002), que estabelece requisitos relacionados com as condições de trabalho (trabalho infantil, trabalhos forçados, saúde e segurança no trabalho, liberdade de associação e direito de negociação colectiva, discriminação, medidas disciplinares, horário de traba- lho, compensação); o projecto SIGMA, que pretende desenvolver uma série de sistemas e de ferramentas de gestão para facilitar às empresas um comportamento mais sustentá- vel (Sustainability Integrated Guidelines for Management, 2001, citada por Fullana e Ayuso, 2002); a iniciativa desenvolvida por The Natural Step, uma organização de educação ambiental sem fins lucrativos, que estabeleceu um quadro de actuação baseado em princípios científicos que podem servir de guia para empresas, comunidades, entidades governamentais e indivíduos (The Natural Step, 2001, citada por Fullana e Ayuso, 2002).

Os outros dois grandes desafios a que importa responder, neste contexto, são a adaptação do turismo às novas tecnologias da informação e comunicação e a cooperação entre os agentes públicos e privados (Fullana e Ayuso, 2002).

Começando pela questão das novas tecnologias, pode-se dizer que o crescimento contínuo da actividade turística implica que se disponibilize uma oferta também cada vez maior de destinos para explorar. Por essa razão, as necessidades de informação sobre a oferta incrementam em quantidade e qualidade. Um instrumento que se está perfilando como fundamental e que inclusivamente constitui uma ameaça para os inter- mediários turísticos tradicionais é a consulta através da Internet ou de telemóvel.

Na Tabela 3.3 apresentam-se alguns endereços da Internet que apresentam informação sobre o turismo sustentável.

Tabela 3.3

Informação na Internet sobre turismo sustentável

_____________________________________________________________________________________ ƒ http://ecotour.org – The Ecotravel Center: proporciona contactos com operadores de ecoturismo

que organizam viagens na América Latina, África e Sudeste Asiático;

ƒ http://www.ecotourism.org – The International Ecotourism Society (TIES): oferece informação sobre os impactes causados pelo turismo e o poder de decisão dos turistas e dispõe de ligações aos membros desta organização, que promove o ecoturismo;

ƒ http://www.greenglobe21.com – Green Globe 21: contém informação e recomendações para o turista. A página integra ligações a empresas certificadas através desta iniciativa;

ƒ http://www.eco-tour.org – ECO-TOUR: contém informação e recomendações sobre produtos do ecoturismo. Engloba uma lista de empresas de alojamento turístico e destinos turísticos que ade- riram a rótulos ecológicos ou que cumprem determinados critérios estabelecidos pela ECO- TOUR;

ƒ http://www.responsibletravel.com – Responsibletravel.com: neste directório as ofertas anuncia- das têm de cumprir determinados critérios ambientais, sociais e económicos mínimos e os ope- radores devem dispor de uma política de suporte correspondente. A página web também publica as opiniões dos turistas sobre a implementação destas políticas nos produtos turísticos utilizados. _____________________________________________________________________________________ Fonte: Adaptado de Fullana e Ayuso (2002: 127).

Isto implica que a informação e a promoção turística respeitantes às iniciativas (empreendimentos ou actividades) de turismo sustentável devem ser adaptadas de modo o máximo proveito destas novas tecnologias da informação e da comunicação. Neste processo é importante que participem todos os actores implicados na oferta turística, tanto da cadeia produtiva, como dos departamentos governamentais que a suportam, uma vez que os consumidores recorrerem massivamente a estas novas fontes de infor- mação.

A Internet, por exemplo, permite um marketing muito eficiente do ponto de vista econó- mico, uma vez que permite chegar a qualquer parte do mundo ao mesmo tempo e ao mesmo preço. A informação divulgada é extremamente dinâmica, pois pode ser alterada e actualizada com as últimas novidades em qualquer altura e praticamente sem custos. Paralelamente, o consumidor tem acesso a um vasto leque de alternativas sem ficar res- tringido aos produtos e preços de uma determinada agência de viagens. No entanto,

podem surgir dúvidas quanto à veracidade dos conteúdos da oferta turística divulgada através destes meios, pois dificilmente se pode garantir a respectiva sustentabilidade. A maioria dos sites simplesmente exige que se preencha um questionário para adesão, sem subsequentemente comprovar que as informações prestadas são correctas. Uma das formas de ultrapassar este problema é sujeitar as iniciativas à certificação por parte de entidades externas (como no caso descrito anteriormente para as eco-etiquetas ou os sistemas de gestão ambiental) e certificar, em paralelo, as informações divulgadas por estes meios electrónicos.

No que toca à cooperação entre todos os agentes envolvidos, já o Relatório Brundtland (WCED, 1987) previa o requisito da colaboração e da criação de consensos como parte integrante do desenvolvimento sustentável. Também a Agenda 21 for the Travel and

Tourism Industry (WTTC/WTO/EC, 1995) enfatiza a importância da colaboração entre

o governo, o sector privado e as organizações não governamentais. O principal desafio consiste em conseguir estabelecer uma forma de cooperação entre empresas turísticas, departamentos governamentais, agências de viagens, operadores turísticos, ONGAs, etc., num sector tão difuso e fragmentado, como é o caso do turismo.

A maioria dos instrumentos voluntários de gestão turística, como as eco-etiquetas, os sistemas de gestão ambiental ou a Agenda 21 Local, concentra-se exclusivamente numa única esfera de actuação: ou nas empresas turísticas ou nos municípios. Para operacio- nalizar o conceito mais amplo de desenvolvimento sustentável é essencial actuar a diversos níveis e envolver tanto as empresas, como a administração pública, num esforço comum. Enquanto, por um lado, a colaboração dos empresários turísticos é necessária para promover uma consciência ambiental no seio do próprio sector, por outro, o apoio das instituições públicas é imprescindível para coordenar toda a actuação.

Nos últimos anos, a investigação tem atribuído grande importância à colaboração e às parcerias, tendo em vista o desenvolvimento sustentável do turismo, tanto ao nível global como ao nível local (Bramwell e Lane, 1999; citada por Fullana e Ayuso, 2002). O recente interesse pela cooperação entre agentes públicos e privados e pela participa- ção da comunidade local no desenvolvimento e gestão do turismo reflectem as tendên- cias que se observam no contexto político mais amplo (Hall, 1999; Jamal e Getz, 1999; citadas por Fullana e Ayuso, 2002). No entanto, é necessário haver uma maior com-

preensão da diversidade destas formas de parcerias, de modo a identificar aquelas que são mais adequadas aos problemas que se pretende resolver ou para tirar partido de cer- tas oportunidades (Selin, 1999; citada por Fullana e Ayuso, 2002).

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