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Analysis of the ODE of Interest

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Analisaram-se os diagnósticos já elaborados na primeira etapa do Projeto, conduzido com famílias participantes e o Diagnóstico Comunitário, realizado com o grupo de pescadores no desenvolvimento da Chamada, bem como os planos individuais e comunitários. Buscou-se características comuns dentro do grupo para caracterizar um modo de vida particular.

42 Compulsórias dizem respeito aos temas obrigatórios nas atividades, que são elaboração do diagnóstico da UPF e seu Plano, DRP comunitário e o Plano de Desenvolvimento, as visitas de atualização do perfil e as avaliações anuais. Selecionáveis são os temas que foram diagnosticados como demanda das UPFs e das comunidades/grupos e que serão aplicados em duas visitas, dois Intercâmbios, um Dia de Campo e uma Oficina em cada ano de execução. (CHAMADA PÚBLICA nº 10/12).

43 A comprovação da participação dos "beneficiários" é feita por meio de um "ateste" que deverá ser assinado por um membro da família no caso da atividade individual, ou pelo número mínimo de 16 "beneficiários" (e máximo de 24), no caso das atividades coletivas.

44 Municípios e número de famílias beneficiadas: Amaral Ferrador – 100 famílias; Camaquã – 400; Cristal – 100; Chuvisca – 200; Canguçu – 700; D. Feliciano – 300; Encruzilhada do Sul – 100; Pelotas – 400; Piratini – 200; São Lourenço do Sul – 600; Turuçu – 100, envolvendo o trabalho técnico dos Escritórios Regionais da Ascar/Emater-RS de Porto Alegre, Pelotas e Soledade. (PROPOSTA TÉCNICA, 2012). 45 Do ano de 2012 até 2015, na função de Supervisora Regional no Escritório Regional de Pelotas, estive na Equipe de Coordenação Lote 48 do Projeto.

Realizou-se uma entrevista coletiva com o grupo de pessoas participante da Chamada na comunidade de pescadores da Colônia Z3, para buscar extrair as percepções dos pescadores. Por limite de tempo, foi realizado apenas um encontro. Esse momento foi considerado o mais importante. Este encontro e seus achados serão descritos adiante.

Foram aplicados questionários semiestruturados, de igual teor, com os técnicos envolvidos, sendo levantadas e descritas as suas percepções sobre o desenvolvimento do projeto. Tanto o grupo entrevistado quanto as entrevistas semiestruturadas foram gravadas e transcritas para análise. Utilizou-se, portanto, o quadro mais geral de uma pesquisa qualitativa, lançando-se mão da análise documental e da pesquisa de campo como procedimentos para o estudo.

Utilizou-se o conceito de percepção social para que, partindo da visão dos próprios participantes da política, se possa verificar o que os mesmos pensam e entendem sobre ela. Considerou-se “que a percepção tem uma função mediadora entre o mundo caótico dos sentidos e o mundo mais ou menos organizado da atividade cognitiva” (GERHARDT; SILVEIRA, 2009, p.19). Complementarmente, se buscou alguns aspectos da percepção dos técnicos sobre o projeto, buscando as relações ou contradições entre as percepções.

O contato com a comunidade foi feito através da equipe do Escritório Municipal da Ascar/Emater-RS de Pelotas. Solicitou-se contato com a liderança do grupo de pescadores e agendou-se a reunião que precisou ser reagendada devido à enchente que atingiu a comunidade nesses dias. A entrevista ocorreu dia 30/10/2015. Certamente nesse dia a comunidade ainda se encontrava sob o impacto da cheia e a casa da liderança onde ocorreu a reunião estava abrigando quatro famílias atingidas, além de servir de guarda e distribuição para os materiais doados.

Após iniciada a reunião, foi explicado a todos os objetivos do trabalho de pesquisa, alguns detalhes sobre o projeto e sobre a dinâmica da reunião e solicitada a autorização para gravação. Após, começou-se a aplicar o roteiro previamente estabelecido (ver Apêndice 1). A tarefa da pesquisadora, durante o tempo de duração da reunião (1h e 10 min), foi de buscar manter o foco no roteiro proposto, evitando cortar a palavra dos participantes e estimulando o quanto possível a interação entre eles.

Realizaram-se, também, entrevistas semiestruturadas com os técnicos do escritório municipal da ASCAR/EMATER-RS que estão mais diretamente envolvidos com a Chamada. As entrevistas foram realizadas separadamente, seguindo um roteiro previamente elaborado (ver Apêndice 2). A técnica foi entrevistada durante o deslocamento de retorno da comunidade e teve a duração de 40 min. O diálogo foi focado na experiência de trabalho com esse público especial46. Nesse aspecto foi muito interessante o posicionamento da técnica, que

descreveu que teve sua construção profissional na Reforma Agrária e que foi desafiada a trabalhar com os pescadores, público que até então era totalmente desconhecido para ela. Considera que é necessário estudar muito sobre a atividade pesqueira e que os técnicos que são deslocados para esse tipo de trabalho deveriam ter capacitação específica e permanente. Hoje, em sua avaliação, ela já está bem integrada à comunidade, buscando sempre entender a dinâmica da pesca, “que é bem diferente do agricultor, né?” (fragmento da entrevista) e

46 Nas Diretrizes Institucionais da EMATER/ASCAR-RS são descritos os públicos a serem trabalhados pela ATER e são especificados os agricultores familiares e os públicos especiais: quilombolas, indígenas, assentados da reforma agrária e pescadores artesanais. (DIRETRIZES DA ASCAR/EMATER-RS, 2011).

considerada muito complexa. Entende que se não fosse essa Chamada certamente eles (Equipe da Emater) não iriam à comunidade com a frequência que vão, já que sempre existem outras prioridades, que não os pescadores.

A segunda entrevista realizada foi com o chefe do escritório e engenheiro agrônomo, no dia 11 de novembro de 2015. A conversa seguiu o roteiro pré-estabelecido (Apêndice 2) e teve a duração aproximada de uma hora. A dificuldade em adequar a Chamada para os pescadores foi uma preocupação levantada, mesmo que em sua avaliação essa dificuldade tenha sido superada pela integração entre o grupo e os técnicos “e pra surpresa nossa acho que tá indo até bem...” (fragmento da entrevista).

Os métodos e técnicas adotados permitiram a apreensão de vários elementos disponíveis para as análises e reflexões que seguem.

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