4.5 Numerical simulations
4.5.2 An HVDC transmission system
O que foi possível aprender é que a Chamada Pública nº 10/12, que está sendo executada na comunidade pesqueira da Colônia Z3, está sendo muito bem aproveitada pelos "beneficiários" e estreitando uma relação entre a ATER oficial e a comunidade, que extrapola as ações do projeto. A capacitação e tempo de dedicação dos técnicos às famílias parecem ser as maiores dificuldades
A mediação posta em prática pelos técnicos, em especial a técnica que já acompanha o projeto há dois anos, e toda a rede de suporte construída, tem sido suficiente para adequar as atividades propostas à realidade e demandas das famílias de pescadores artesanais "beneficiárias". A dialogicidade expressa na relação permitiu a construção de atividades que foram valiosas para as famílias que participaram da entrevista.
Apesar das especificidades, confirmadas na pesquisa no que diz respeito ao território e ao modo de vida dos pescadores artesanais e sua distinção com a categoria dos agricultores familiares cultivadores da terra, isso não tem sido empecilho ao desenvolvimento da
Chamada, antes pelo contrário, tem proporcionado o intercâmbio entre eles. Essa talvez seja a
maior potencialidade do projeto.
O que parece evidente é que não está em questão a metodologia, mas sim a presença do técnico na comunidade, conversando, levando e trazendo informações, motivando, reunindo, elaborando projetos, construindo junto o desenvolvimento e a autonomia das famílias. Necessário parece ser a sua capacitação para ter a confiança de propor ideias e construir soluções aos problemas refletidos pelo grupo.
Mesmo assim, em termos de metodologia, os intercâmbios são bastante comentados e bem-vindos pelo grupo. Cada um deles foi relatado com detalhes e risadas, mas com muito aprendizado. Para os técnicos, envolve outro tempo, o tempo de preparação de toda a estrutura, desde a articulação da atividade, os convites, a contratação de serviços, organização da alimentação e bem-estar dos participantes. Ainda assim, o relato foi muito empolgado e definido por um deles como a melhor metodologia que existe, “não tem outra...”.
Apesar do bom desempenho da aplicação do projeto em si, não se pode perder de vista as especificidades reafirmadas dos pescadores artesanais e seu universo de realidades e lendas. Dessa forma, entende-se que projetos de aproximação com os pescadores artesanais devam levar em consideração a capacitação dos técnicos que nele atuarão, para que seja mais qualificada essa intervenção, como possa ser mais adequada para as famílias participantes, frutificando o diálogo e a ação.
REFERÊNCIAS
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Apêndice 1
Roteiro para entrevista com o grupo na comunidade da Colônia Z3
O que vocês entendem pela palavra “sustentabilidade” O que vocês entendem por "Chamada da Sustentabilidade" Quem propôs essa Chamada a vocês?
Como vocês passaram a fazer parte dessa Chamada? Vocês sabem de onde vem o dinheiro para as atividades?
O que vocês acreditam que a participação na Chamada ajudou na vida de vocês? E no trabalho?
O que vocês mais gostaram?
O que vocês acham que deveria ser diferente? O que lhes motiva a participar?
Como vocês avaliam a atuação dos técnicos envolvidos na Chamada? Como vocês avaliam a atuação das famílias participantes da Chamada? Por que algumas pessoas desistiram de participar dessa Chamada? Façam seus comentários sobre a chamada.
Apêndice 2
Roteiro para entrevista com técnicos da Emater
Como você explica o termo/noção/ideia de sustentabilidade? O que é a "Chamada da Sustentabilidade"?
Por que você está envolvido nessa Chamada?
Como foi feita a seleção dos pescadores para participar da Chamada?
O que você avalia que a Chamada levou de positivo para as famílias participantes? O que poderia ser diferente?
Você acha que a Chamada está atingindo seus objetivos? Por que algumas famílias deixaram de participar da Chamada? Como você avalia a sua atuação na Chamada?
Como você avalia a atuação das famílias na Chamada? Teça seus comentários sobre a Chamada.
Análise da reprodução social da agricultura familiar do Sudoeste do Paraná
Ana Paula Schervinski Villwock – Doutoranda no PPGExR/UFSM. Engenheira Agrônoma.
Marco Antônio Verardi Fialho – Professor no PPGExR/UFSM. [email protected]
Patricia Eveline dos Santos Roncato – Doutoranda no PPGEXR/UFSM e Professora da Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA). [email protected]
Resumo
A crescente orientação das práticas sociais para o mercado fez com que a reprodução social dos agricultores familiares fosse alterada. Sabendo que na agricultura moderna a reprodução social da agricultura familiar se consolida pela capacidade de adaptação aos novos contextos sociais, questiona-se sobre quais seriam as características socioeconômicas dos agricultores familiares do Sudoeste do Paraná? Para tanto, procurou-se analisar as estratégias de reprodução social baseada em três indicadores: terra, capital e trabalho. Nesse sentido, selecionaram-se 50 famílias que representam os sistemas de produção da agricultura familiar do Sudoeste do Paraná, observando o ano de 2013. Como resultado identificou-se que as unidades produtivas avaliadas possuem como principais estratégias de produção o leite a pasto e a produção de soja, que os mesmos são sistemas de produção eficientes para reprodução social das famílias em termos de renda, e por outro lado, demandam força de trabalho, área de terra e investimento em tecnologias.
Palavras-chave: reprodução social, agricultura familiar, indicadores socioeconômicos.
Abstract
The increasing orientation of social practices to the market meant that the social reproduction of family farmers were changed. Knowing that in modern agriculture the social reproduction of family farming is consolidated by the ability to adapt to the new social contexts, raises questions about what are the socioeconomic characteristics of family farmers in southwestern Paraná? Therefore, we tried to analyze the social reproduction strategies based on three indicators: land, capital and labor. In this sense, they selected 50 families representing the production systems of family farming in the southwestern Paraná, noting the year 2013. As a result it was found that the production units have evaluated main production strategies milk pasture and soybean production, that they are efficient production systems for social reproduction of families in income, and on the other hand, require labor force, land area and investment in technology..
1. INTRODUÇÃO
Os estudos e pesquisas referente a reprodução social da agricultura familiar vem mostrando diferenças no modo de reprodução da agricultura familiar brasileira, pois o meio rural passou por inúmeras mudanças influenciadas pelo processo de modernização. Foram alteradas não somente as relações sociais, mas também as relações de produção, com a família e também com o mercado, sendo que essas transformações ocorreram em torno de uma discussão acerca do grau de atraso do modelo de produção agrícola do país, e observou-se uma série de medidas que resultou na modernização conservadora, seguindo os ditames da Revolução Verde, centrado na tecnificação agrícola.
Com a Revolução Verde, o Brasil passou por significativas mudanças ao longo dos anos. O setor agrícola absorveu quantidades crescentes de crédito agrícola, incorporou os chamados "insumos modernos" ao processo produtivo, aumentou a produtividade, mecanizou a produção, integrou-se aos modernos circuitos de comercialização, permitiu o aumento da produção de matérias-primas e alimentos para a exportação e para o mercado interno.
Em outras palavras, houve a alteração da base técnica da agricultura, que associada à sua articulação com a indústria produtora de insumos e bens de capital para a agricultura levou à formação do chamado "complexo agroindustrial” (GRAZIANO DA SILVA, 1993). Essa modernização teve efeitos como, por exemplo, êxodo rural acentuado, aumento da taxa de exploração da força de trabalho nas atividades agrícolas, crescimento da taxa de auto- exploração nas propriedades menores, diminuição da qualidade de vida da população trabalhadora do campo e as disparidades de renda.
Além dos fatores citados acima, segundo Graziano da Silva (1999, p. 91-92), o processo de modernização da agricultura brasileira, “[...] ao promover a substituição de elementos produzidos internamente pelo complexo rural por compras extra-setoriais (máquinas e insumos químicos) e intra-setoriais (sementes, mudas, reprodutores animais etc.), colabora para o desenvolvimento do mercado interno”. Segundo Graziano da Silva (1993), o agricultor precisa se adaptar, se apropriar das tecnológicas, para se manter integrado ao mercado e inserido no contexto da modernização. Entretanto, segundo Corona (1999), para que esse agricultor familiar esteja inserido no contexto da modernização e consiga se adaptar, ele acaba recorrendo a sua própria experiência (camponesa) e procurando adaptar-se, as novas “provocações” e desafios do desenvolvimento rural.
É nesse ponto que a proposta teórica formulada por Lamarche et all (1993) deve ser analisada, pois o autor afirma que os agricultores familiares são portadores de uma tradição (baseada na família, nas formas de produzir e nos modo de vida), mas devem adaptar-se as condições modernas de produzir e de viver em sociedade, uma vez que todos estão inseridos no mercado e recebem a influência da chamada sociedade englobante. Isso deixa evidente que as estratégias de reprodução dos agricultores familiares baseiam-se na valorização dos recursos que dispõem internamente no estabelecimento familiar e que destina garantir a sobrevivência da família no presente e no futuro.
Inclusive, os sujeitos desse estudo são agricultores que trabalham e decidem suas ações em família, mas que podem recorrer ao trabalho assalariado. Esses agricultores herdam ou conquistam o direito de trabalhar numa propriedade territorial, sendo que a maioria adquire
o usufruto e o direito de trabalhar na terra e reproduzir, sempre que possível, condições sociais de crescimento patrimonial que tiveram seus -antecedentes familiares .
Para ter a concepção do processo de reprodução da agricultura familiar é preciso observar, assim como Perondi e Ribeiro (2000), que os processos produtivos e reprodutivos são simultâneos, e que a reprodução não é somente material e produtiva, mas também social, cultural e ideológica. As sociedades reproduzem condições específicas de sua existência, como um agricultor quando se mune de uma contínua reconversão de parte de seus produtos em meios de produção, criando no seu processo e dos que se assemelham condições de reproduzir toda uma sociedade camponesa.
As atitudes tomadas pelas unidades de exploração familiar como, variar intensidade do trabalho, o ciclo e a divisão do trabalho, ampliando ou restringindo o consumo, são formas que as famílias encontram para se protegerem das forças externas como exploração e restrição fundiária. Essas variações feitas pelos agricultores familiares são algumas alternativas que regem a reprodução da agricultura familiar.
As estratégias de reprodução de uma unidade de produção familiar devem-se aos fatores internos, mas também, estão simultaneamente ligadas aos fatores externos à unidade de produção. Assim, sabendo que na agricultura moderna a reprodução social da agricultura familiar se consolida pela capacidade de adaptação aos novos contextos sociais, questiona-se: quais seriam as características socioeconômicas dos agricultores familiares do Sudoeste do Paraná? Para tanto, procurou-se analisar as estratégias de reprodução social baseada em três indicadores: terra, capital e trabalho. Nesse sentido, selecionaram-se cinquenta famílias que representam os sistemas de produção da agricultura familiar do Sudoeste do Paraná, observando o ano de 2013. Para essa análise diferenciou-se os produtores por meio da renda, com o objetivo de avaliar as possibilidades de reprodução dessas unidades em função da lógica de organização da produção adotada na agricultura familiar. Salienta-se que esse estudo justifica-se pela mesorregião Sudoeste Paranaense ser considerada uma das menos urbanizadas do Paraná e possui grande predominância da agricultura familiar.