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Analyse structurale des échantillons après décapage

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Chapitre V. Qualité de surface de l’acier après recuit et décapage

I. Étude de la surface en fin de décapage

I.1.4. Analyse structurale des échantillons après décapage

Passo a delinear algumas características da videodança espontânea, desde sua preparação (roteiro e produção) até a execução (captação de imagens, locações, iluminação e sonorização) e edição (seleção das cenas e finalização). Observo que o fio condutor dessa obra, desde sua concepção até sua execução, percorreu a espontaneidade e o despojamento – do corpo, do figurino, das locações, dos movimentos e, quando possível, também dos resultados. Reconheço que essa proposta foi alcançada apenas relativamente, já que o corpo deste projeto se encontra relacionado a estruturas físicas, logísticas e institucionais particulares que determinaram em parte sua linguagem e expressão.

Roteiro – No pré-roteiro de filmagem, prevíamos cenas ao ar livre (conforme foi

realizado), bem como cenas captadas diretamente no local do laboratório de prática e criação (também realizado); e cenas provenientes do encontro espontâneo de pessoas que dançaram diretamente com Gelewski contracenando com dançarinos contemporâneos (como nós e outros) interessados em sua poética. Esta última proposição foi de alguma forma realizada, embora não tenha sido filmada por nós, durante o Encontro especial da Casa Sri Aurobindo em janeiro de 2010 em Salvador, que reuniu na mesma cena vivencial dançarinos da geração de Gelewski como Conceição Muniz, Rosa Koshiba e Paulo Baeta, com nós outros, cito: Karin Véras e Juliana Passos, respectivamente, pesquisadoras-dançarinas da UFBA e da Unicamp, presentes no encontro. Muitas dessas vivências foram registradas, domesticamente, pela própria Casa e fazem parte de meu arquivo de imagens, embora não tenham sido utilizadas na composição da videodança.

Imagens dançadas – Conforme já relatamos, esta videodança apresenta imagens de

solos espontâneos de Gelewski em tempos e lugares diferenciados, além de cenas ao ar livre desta dançarina-pesquisadora captadas na Reserva Passarim em Paulo Lopes (SC); e aquelas filmadas em um espaço cênico fechado que resultou na composição Três momentos de

contemplação, detalhada anteriormente.

Fotos – Gostaria de situar aqui as fotografias de Rolf Gelewski compondo com a

natureza captadas pelo fotógrafo Atílio Avancini, utilizadas para compor com as cenas introdutórias da videodança, editadas junto com as nossas cenas ao ar livre. Aqui, compusemos gestos e movimentos a partir das posturas observadas naquelas fotos que foram selecionadas com essa finalidade. Fizemos isto no sentido de valorizar esta vertente poética do dançarino relacionada à utilização de espaços cênicos diferenciados e ao ar livre para realização de seus solos espontâneos, onde o ambiente era vivenciado sem artifícios,

permitindo ao espectador um tempo de contemplação tanto da dança como do ambiente onde ela acontecia. No caso de nossa composição a partir das fotos de Gelewski, destaco que o ensaio de Avancini foi o fio condutor que nos permitiu desdobrar os gestos enquadrados pelo fotógrafo, em movimentos espontâneos gerados a partir do impulso criador daquelas imagens.

Figurino – O figurino de Três momentos de contemplação emergiu de última hora e

pela necessidade visual de confluirmos cores e formas para situar as dançarinas em cada quadro. Observo que, durante o laboratório de criação, priorizávamos roupas confortáveis e despojadas, e após assistirmos a algumas cenas no vídeo, começamos a experimentar peças de roupas e cores, por exemplo, vestindo calça larga e blusa justa e uma das peças de mesmo tom entre as dançarinas; ou dançando com vestido curto de alça e levemente rodado. Mas não se percebia uma identidade visual para a videodança. Finalmente, uma semana antes da filmagem oficial, decidimos unificar o figurino confeccionando um macacão largo e decotado, que seria usado com uma meia-pele por baixo e adornado com um grande laço colorido – um toque oriental – para ser usado na abertura e na cena final da composição. Cada dançarina escolheu suas cores, priorizando tons neutros para o macacão em contrapartida às cores mais acentuadas para os laços. Isto decidido, saímos em busca dos tecidos, e busquei uma costureira de bairro, dona Clô, que se dispôs a alinhavar, de última hora, a roupa imaginada. Entre a ideia concebida e a costura da roupa, o resultado alcançado foi um figurino semi- estruturado e bastante improvisado. Vale comentar, ainda, que, para as imagens captadas na natureza, usei calça branca e blusa regata preta, ambas coladas ao corpo, e pintei as unhas de cor azul-escuro – já que a ideia era compor com as fotos em preto e branco de Gelewski. Também cabe salientar que o dançarino usava, invariavelmente, em suas danças espontâneas, calça de tergal em cor neutra relativamente folgada no corpo, dançando com o tronco nu e os pés descalços.

Luz e sonorização – A iluminação de Três momentos de contemplação foi montada

quadro a quadro, privilegiando no quadro Contemplando a Lua uma luz clara e enquadramento aberto – em razão de nos movimentarmos bastante pelo palco e de maneira imprevista. Já em Contemplando o deserto, a ideia da luz aberta permanece, mas o tom da iluminação é outro, mais frio, em correspondência à distância física e afetiva entre as

performers na cena de abertura e de fechamento deste quadro. Em Contemplando a aurora, a

iluminação foi específica para cada solo, de acordo com a intenção e atuação de cada

performer em diálogo direto com o iluminador e, na(s) cena(s) em torno da mandala d‟A Mãe,

A intenção era ir abrindo a luz aos poucos, aludindo à ideia de uma aurora que vai expandindo sua luminosidade, gradativamente, até iluminar todo o ambiente.

As músicas foram selecionadas conforme os critérios já relacionados, em sintonia com as instruções de Gelewski explicitadas durante a pesquisa. Durante a filmagem, utilizei um CD previamente gravado em estúdio, com as faixas das respectivas músicas ou trechos de músicas pré-selecionados, organizados aqui na sequência das cenas e com pausas a cada quadro – para facilitar a sonorização durante as performances no teatro. Gravei, ainda, um segundo CD que deixei como reserva, incluindo uma faixa extra com trechos de músicas de Sunil Bhattacharya – compositor indiano cuja sonoridade é estranha a grande parte dos ouvintes ocidentais e que compunha músicas em correspondência a trechos do poema Savitri de Sri Aurobindo –, algumas das quais o próprio Gelewski utilizou em seus solos. Imagino ter reservado esta segunda seleção intuindo a possibilidade de eu mesma improvisar com Rolf em torno dessas músicas que ele tanto apreciava. O que acabou se concretizando quando decidi incluir mais um dia de gravação para contracenar com o dançarino utilizando, assim, as composições de Sunil. Durante a edição, alguns trechos de músicas foram excluídos ou descontinuados para acompanhar o corte das imagens, alguns sons do ambiente foram aproveitados, principalmente aqueles gravados na natureza, e outros foram suprimidos; assim como remanejamos alguns trechos da música do compositor indiano para sonorizar as cenas iniciais do jogo cênico que realizei compondo com as imagens de Gelewski.

Linguagem – Conforme delineamos acima, o desenho desta videodança espontânea foi

criado a partir de algumas estruturas e muitos improvisos, com a utilização de espaços cênicos despojados, um figurino semi-improvisado, com direção, execução, figurino, filmagem e iluminação compartilhados. Situo, ainda assim, cada elemento desta composição dentro de uma linguagem propositalmente experimental – fruto do diálogo e da criatividade de cada pessoa envolvida: nada muito produzido ou formalizado anteriormente e tudo inserido num processo minucioso de experimentação e práticas criativas que ampliaram nosso vocabulário para a improvisação, e aguçaram a atenção e a presença em cena, exigindo disciplina, discernimento e, principalmente, consciência a cada passo.

Apresento, assim, esta obra, na perspectiva de um ensaio estético aberto sobre a dança espontânea de Rolf Gelewski como matriz para novas criações artísticas, tendo encontrado no formato videodança a linguagem mais apropriada neste caso, por permitir o livre fluxo das imagens de tempos e lugares diferenciados, evocando e presentificando a dança germinal de Gelewski e permitindo às novas gerações dançarem com ele: “Uma dança é criada no passado

a fim de ser restaurada para o presente e o futuro.” (SCHECHNER, apud BARBA, 1995, p. 207)

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